O sentido e a vocação ao voluntariado

Eduardo de Ávila

Tenho convivido mais estreitamente com esse assunto, ainda que muito distante do ideal dessa missão. Sim, quem entra para esse trabalho está assumindo um propósito que direciona por levar benefícios a um público carente e necessitado de atenção e socorro. A fome, o frio, as enchentes não podem esperar e pedem urgência para sua solução. Se ano passado foi o Rio Grande do Sul, recentemente foi nosso Estado de Minas Gerais. E esse evento climático devastador ocorreu poucos dias após uma visita que fui premiado numa das mais interessantes associações de acolhimento de todo o Brasil. Exemplo mineiro para os brasileiros. Minas Gerais se destaca em váriios setores nacionais, entre os quais notadamente a solidariedade.

Estive, junto com o amigo Celso Adolfo – musico brasileiro, violinista e compositor – , conhecendo e reconhecendo o trabalho do casal Maria Alice/Sérgio Coelho, à frente da Assopoc – Associação dos Protetores das Pessoas Carentes em Crucilândia. Já por três décadas, a Assopoc atende crianças em sua Creche, mantém residências inclusivas e em parceria com a APAE beneficiando centenas de pessoas. Paralelamente a isso, o casal criou o Instituto Galo que é pioneiro e o maior projeto social de um time de futebol de todas as Américas. Já no seu quinto ano de funcionamento comemora o atendimento que beneficia mais de meio milhão de pessoas.

Mas, não é sobre Assopoc ou Instituto Galo que quero trazer ao nosso bom debate. Sim sobre as pessoas que se dispõem a esse trabalho voluntário. Subentende-se que é o tempo doado às causas de interesse social às pessoas em vulnerabilidade. Qual o sentido disso e o perfil dos atores dessa atuação. Diferente do que tem gente que busca, não é uma negociação com Deus em busca do alívio por ações que não condizem com o propósito de nossa passagem pela vida física e terrena. Tampouco ganhar visibilidade. Afinal, estamos aqui para uma fase probatória e a oportunidade de aperfeiçoamento. Tampouco, como já ouvi, “dar um troquinho como esmola”. É repartir o pão para matar a fome e doar aquela roupa de vestir ou de cama para aquecer quem passa fome e frio. É o poder público atuar preventivamente para evitar catástrofes.

Se essa visita me impactou tanto, logo depois – diria que até decorrente disso – tenho recebido boas conferências sobre o assunto. Uma amiga de quatro décadas de conhecimento e até então pouca convivência, tem me orientado sobre o tema. Foi e é pessoa atuante no voluntariado, tendo já servido a essa causa em trabalhos no estado e atualmente atuando – discretamente – em ações dessa natureza na capital mineira. E eu, com meu divertido papel de Papai Noel no natal em creches, asilos e escolas especiais, acreditando que fazia a parte que me cabe neste contexto. Percebi que não era nada, nada, nada, nada, nada…como na letra da Blitz – dos anos 80 – “Você não soube me amar”. Pois que amar ao próximo é doar e não ofecerecer esmola.

Me lembro lá do meu Araxá, nos meus primeiros anos de vida, um senhor de nome Eleazar dirigindo o SOS – Serviço de Obras Sociais – perambulando de casa em casa em busca de doação para manutenção da instituição e atendimento aos necessitados. Era um trabalho quase solitário. Ao longo dos tempos, fui percebendo que quando alguma campanha se desenhava, apareciam madames e coronéis para sair na foto. Tal como naqueles tempos, o oportunismo anda no entorno de tragédias e do sofrimento de gente que realmente precisa de acolhimento. É chá beneficente para a coluna social, doação – acreditem de entulho (roupas sujas e rasgadas, calçados de um pé só) – em descarte adiado, entre outras mazelas com o nome de solidariedade.

Antes das redes sociais, esse trabalho era de formiguinha, visitando pessoas e empresas em busca de ajuda para atender desabrigados, famintos, sede excessiva e tantas outras necessidades urgentes de socorro. Com essa ferramenta, lamentavelmente, abriu espaço para ações de espertalhões que não chegam ao destino que o colaborador imagina. É uma indústria de enriquecimento ilícito, que ao lado de falsas igrejas fundamentalistas, arrancam dinheiro para abastecer contas de impostores que – usando o nome de Deus – não demonstram qualquer empatia para quem realmente precisa de apoio. Diante disso, entendo, é preciso saber com quem estamos colaborando e a idoneidade dos dirigentes e dessas instituições. Sejam elas públicas, privadas de interesse social e mesmo religiosas. Vacine-se contra os exploradores da fé e da desgraça alheia.

No mais, ao que espero dessa reflexão, mostrar ao mundo inteiro essa característica da nossa mineiridade. Solidariedade faz bem!

14 comentários sobre “O sentido e a vocação ao voluntariado

  1. Olá Eduardo, muito bacana e propício seu texto. Diante da nossa realidade e o que nos espera ( vide as mudanças climáticas), o voluntariado é fundamental para salvar e apoiar vidas! Temos que nos unir para a nossa sobrevivência!!

  2. Bom dia meu amiGALO !!! Este tema e muito interessante e reconfortador quando vemos a cada dia o aumento de pessoas se dispondo a levar auxilio aos mais necessitados.
    Tive ha mais de 15 anos o privilegio de passar a fazer parte de um grupo pequeno, mantido absolutamete com recursos proprios, que leva a moradores em situacao de rua , comida, roupas , ítens de higiene e o que credito mais importante. DIGNIDADE.
    Olhar nos olhos, um aperto de mao e um bom dia fazem uma diferenca abissal na vida destes irmaos que vivem aqui, nesta vida terrena o qu chamamos de umbral, purgatorio ou qualquer outro nome que seja dado.
    Abracao

  3. Ótimo texto.
    Só confirmando o que você relatou. Minha filha atuou como voluntária nesse momento terrível que Juiz de Fora está vivendo. Uma das coisas que mais a deixou indignada foram as doações de roupas. O grupo que estava atuando separou uma caixa enorme de “inutilizável “: roupas rasgadas, sujas e até molhadas. Como se fosse um descarte de roupas inúteis que tinha em casa. E ainda deram trabalho aos voluntários para fazer a separação.
    Se não serve para eu usar, posso doar a quem perdeu tudo? Se a pessoa já está sofrida com o que perdeu, vai receber roupas rasgadas e sujas? Falta de humanidade e bom senso.

  4. Quando eu era criança pequena lá em Guimarânia, meu pai me levava com ele para visitar os pobres da Vila Vicentina. Percebi depois que ele estava me ensinando a empatia, a solidariedade. E como precisamos desses valores! Parabéns pelo texto e pelo trabalho, Eduardo! O Galo sempre estará nas nossas veias, mas… vida é mais que futebol.

  5. Eduardo, bom dia!
    Como você deixou claro: o VOLUNTARIADO não nos dá retorno; mas, é a única oportunidade de ajudarmos aos PRÓXIMOS necessitados. A recompensa quando vem, é em forma de alegria e saúde para nossa mente. Parabéns e continue com esse otinismos humano e Atleticano, nosso Guru

  6. Bom Dia Eduardo de Ávila! Texto profundo, realmente, o voluntariado promove a inclusão e transforma a vida de quem doa e de quem recebe. Parabéns sempre! Abraços Fraternos Patrícia Lechtman

  7. [•••]” Ao fim e ao cabo, solidariedade de verdade é servir com humildade, propósito e respeito por quem mais precisa.”[•••]
    Perfeito nobre Amigo temporão e permita – me completar: A verdadeira solidariedade começa onde ñ se espera nada em troca. Sejamos a mudança q a gente quer ver no mundo.
    Sigamos!

  8. Sem salário. Sem obrigação. Sem reconhecimento. Espontâneo. FEITOS por vontade própria. Exemplos de VIDA. Melhor ainda, como disse JESUS: “Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua esquerda o que fez a tua direita.” Mateus 6: 3. A ESMOLA – auxílio e solidariedade – é considerada um dos TRÊS PILARES da CARIDADE no CRISTIANISMO. Sinais, realmente, DIVINOS. Bjsssss pra você, Eduardo! Parabéns!!!!!

  9. Eduardo, bom dia. Você oferece-nos questões para refletir. Tento compartilhar com ações diárias junto àqueles que percebo necessitarem.
    Grata. Abraço afetuoso.
    Marly Sorel

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