Tenho convivido mais estreitamente com esse assunto, ainda que muito distante do ideal dessa missão. Sim, quem entra para esse trabalho está assumindo um propósito que direciona por levar benefícios a um público carente e necessitado de atenção e socorro. A fome, o frio, as enchentes não podem esperar e pedem urgência para sua solução. Se ano passado foi o Rio Grande do Sul, recentemente foi nosso Estado de Minas Gerais. E esse evento climático devastador ocorreu poucos dias após uma visita que fui premiado numa das mais interessantes associações de acolhimento de todo o Brasil. Exemplo mineiro para os brasileiros. Minas Gerais se destaca em váriios setores nacionais, entre os quais notadamente a solidariedade.
Estive, junto com o amigo Celso Adolfo – musico brasileiro, violinista e compositor – , conhecendo e reconhecendo o trabalho do casal Maria Alice/Sérgio Coelho, à frente da Assopoc – Associação dos Protetores das Pessoas Carentes em Crucilândia. Já por três décadas, a Assopoc atende crianças em sua Creche, mantém residências inclusivas e em parceria com a APAE beneficiando centenas de pessoas. Paralelamente a isso, o casal criou o Instituto Galo que é pioneiro e o maior projeto social de um time de futebol de todas as Américas. Já no seu quinto ano de funcionamento comemora o atendimento que beneficia mais de meio milhão de pessoas.
Mas, não é sobre Assopoc ou Instituto Galo que quero trazer ao nosso bom debate. Sim sobre as pessoas que se dispõem a esse trabalho voluntário. Subentende-se que é o tempo doado às causas de interesse social às pessoas em vulnerabilidade. Qual o sentido disso e o perfil dos atores dessa atuação. Diferente do que tem gente que busca, não é uma negociação com Deus em busca do alívio por ações que não condizem com o propósito de nossa passagem pela vida física e terrena. Tampouco ganhar visibilidade. Afinal, estamos aqui para uma fase probatória e a oportunidade de aperfeiçoamento. Tampouco, como já ouvi, “dar um troquinho como esmola”. É repartir o pão para matar a fome e doar aquela roupa de vestir ou de cama para aquecer quem passa fome e frio. É o poder público atuar preventivamente para evitar catástrofes.

Se essa visita me impactou tanto, logo depois – diria que até decorrente disso – tenho recebido boas conferências sobre o assunto. Uma amiga de quatro décadas de conhecimento e até então pouca convivência, tem me orientado sobre o tema. Foi e é pessoa atuante no voluntariado, tendo já servido a essa causa em trabalhos no estado e atualmente atuando – discretamente – em ações dessa natureza na capital mineira. E eu, com meu divertido papel de Papai Noel no natal em creches, asilos e escolas especiais, acreditando que fazia a parte que me cabe neste contexto. Percebi que não era nada, nada, nada, nada, nada…como na letra da Blitz – dos anos 80 – “Você não soube me amar”. Pois que amar ao próximo é doar e não ofecerecer esmola.
Me lembro lá do meu Araxá, nos meus primeiros anos de vida, um senhor de nome Eleazar dirigindo o SOS – Serviço de Obras Sociais – perambulando de casa em casa em busca de doação para manutenção da instituição e atendimento aos necessitados. Era um trabalho quase solitário. Ao longo dos tempos, fui percebendo que quando alguma campanha se desenhava, apareciam madames e coronéis para sair na foto. Tal como naqueles tempos, o oportunismo anda no entorno de tragédias e do sofrimento de gente que realmente precisa de acolhimento. É chá beneficente para a coluna social, doação – acreditem de entulho (roupas sujas e rasgadas, calçados de um pé só) – em descarte adiado, entre outras mazelas com o nome de solidariedade.
Antes das redes sociais, esse trabalho era de formiguinha, visitando pessoas e empresas em busca de ajuda para atender desabrigados, famintos, sede excessiva e tantas outras necessidades urgentes de socorro. Com essa ferramenta, lamentavelmente, abriu espaço para ações de espertalhões que não chegam ao destino que o colaborador imagina. É uma indústria de enriquecimento ilícito, que ao lado de falsas igrejas fundamentalistas, arrancam dinheiro para abastecer contas de impostores que – usando o nome de Deus – não demonstram qualquer empatia para quem realmente precisa de apoio. Diante disso, entendo, é preciso saber com quem estamos colaborando e a idoneidade dos dirigentes e dessas instituições. Sejam elas públicas, privadas de interesse social e mesmo religiosas. Vacine-se contra os exploradores da fé e da desgraça alheia.
No mais, ao que espero dessa reflexão, mostrar ao mundo inteiro essa característica da nossa mineiridade. Solidariedade faz bem!
Pura verdade Eduardo.
Olá Eduardo, muito bacana e propício seu texto. Diante da nossa realidade e o que nos espera ( vide as mudanças climáticas), o voluntariado é fundamental para salvar e apoiar vidas! Temos que nos unir para a nossa sobrevivência!!
Pura verdade Eduardo.
Parabéns grande irmão
Continuo assíduo na leitura dos textos que enriquecem o dia-a-dia
Bom dia meu amiGALO !!! Este tema e muito interessante e reconfortador quando vemos a cada dia o aumento de pessoas se dispondo a levar auxilio aos mais necessitados.
Tive ha mais de 15 anos o privilegio de passar a fazer parte de um grupo pequeno, mantido absolutamete com recursos proprios, que leva a moradores em situacao de rua , comida, roupas , ítens de higiene e o que credito mais importante. DIGNIDADE.
Olhar nos olhos, um aperto de mao e um bom dia fazem uma diferenca abissal na vida destes irmaos que vivem aqui, nesta vida terrena o qu chamamos de umbral, purgatorio ou qualquer outro nome que seja dado.
Abracao
Ótimo texto.
Só confirmando o que você relatou. Minha filha atuou como voluntária nesse momento terrível que Juiz de Fora está vivendo. Uma das coisas que mais a deixou indignada foram as doações de roupas. O grupo que estava atuando separou uma caixa enorme de “inutilizável “: roupas rasgadas, sujas e até molhadas. Como se fosse um descarte de roupas inúteis que tinha em casa. E ainda deram trabalho aos voluntários para fazer a separação.
Se não serve para eu usar, posso doar a quem perdeu tudo? Se a pessoa já está sofrida com o que perdeu, vai receber roupas rasgadas e sujas? Falta de humanidade e bom senso.
Quando eu era criança pequena lá em Guimarânia, meu pai me levava com ele para visitar os pobres da Vila Vicentina. Percebi depois que ele estava me ensinando a empatia, a solidariedade. E como precisamos desses valores! Parabéns pelo texto e pelo trabalho, Eduardo! O Galo sempre estará nas nossas veias, mas… vida é mais que futebol.
Eduardo, bom dia!
Como você deixou claro: o VOLUNTARIADO não nos dá retorno; mas, é a única oportunidade de ajudarmos aos PRÓXIMOS necessitados. A recompensa quando vem, é em forma de alegria e saúde para nossa mente. Parabéns e continue com esse otinismos humano e Atleticano, nosso Guru
Bom Dia Eduardo de Ávila! Texto profundo, realmente, o voluntariado promove a inclusão e transforma a vida de quem doa e de quem recebe. Parabéns sempre! Abraços Fraternos Patrícia Lechtman
Eduardo, muito bem lembrado o SOS de Araxá, minha mãe foi colaboradora do Eleazar em seu incansavel trabalho de formiguinha…..
[•••]” Ao fim e ao cabo, solidariedade de verdade é servir com humildade, propósito e respeito por quem mais precisa.”[•••]
Perfeito nobre Amigo temporão e permita – me completar: A verdadeira solidariedade começa onde ñ se espera nada em troca. Sejamos a mudança q a gente quer ver no mundo.
Sigamos!
Grande Ávila , texto fenomenal , você como sempre nos mínimos detalhes , seus textos são um espetáculo a parte , parabéns meu amigo
Sem salário. Sem obrigação. Sem reconhecimento. Espontâneo. FEITOS por vontade própria. Exemplos de VIDA. Melhor ainda, como disse JESUS: “Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua esquerda o que fez a tua direita.” Mateus 6: 3. A ESMOLA – auxílio e solidariedade – é considerada um dos TRÊS PILARES da CARIDADE no CRISTIANISMO. Sinais, realmente, DIVINOS. Bjsssss pra você, Eduardo! Parabéns!!!!!
Eduardo, bom dia. Você oferece-nos questões para refletir. Tento compartilhar com ações diárias junto àqueles que percebo necessitarem.
Grata. Abraço afetuoso.
Marly Sorel