A solidão dos hiperconectados - fonte: Pixabay

A solidão dos hiperconectados

A solidão dos hiperconectados - fonte: Pixabay
A solidão dos hiperconectados – fonte: Pixabay
Daniela Piroli Cabral
danielapirolicabral@gmail.com

Dentre os diversos impactos negativos que a era da tecnologia trouxe para nossa sociedade, o principal deles é a solidão. A promessa de nos aproximar uns dos outros não se cumpriu. Porque estar conectado não significa estar em comunhão, não significa necessariamente ter conexões afetivas que façam sentindo.

Os efeitos do uso das tecnologias nos processos de subjetividade e sociabilidade ainda carecem de estudos específicos mas é inegável que a tecnologia nos robotiza, nos isola em excesso, nos desumaniza.

Estar online, conectado “no mundo” nos dá a falsa impressão de não estarmos só. Mas no fundo, muitas vezes, estamos nos enchendo de coisas vazias, de comparações sem propósito, de coisas sem utilidade, de contatos sem afeto.

E a clínica contemporânea cotidianamente denuncia isso. Recentemente atendi uma cliente de 73 anos que buscava psicoterapia pela primeira vez na vida porque, segundo ela, precisava de alguém que a escutasse. “Na minha família, ninguém me escuta”.
De outra vez, outra cliente me questionou se poderíamos fazer a sessão na hora do almoço porque, segundo ela, não conseguia almoçar sozinha.

Descobri que isso tem até um nome: Economia da solidão. O mercado do capitalismo predatório lucra muito com as pequenas porções, com a lógica individualizante.

Os desafios de transformar uma sociedade hiperconectada em comunidade verdadeira são enormes. Faltam fios e tecidos, afetos, palavras… Faltam também investimentos e vontade política.

Enquanto isso não acontece, tentamos nos equilibrar na tênue borda da saúde: ser palavra e escuta em encontros reais, ao vivo. Pertencer a grupos de interesses comuns também ajuda.

E, de vez em quando, um banho de rio também faz bem.

 

 

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