Eduardo de Ávila
Tenho dito, não só aqui mas também nas minhas prosas diárias, que estou vivendo uma fase que sugere buscar menor incidência de conflitos e buscar valorizar o tempo de vida que me resta aqui neste plano. Tomara que outro tanto quanto já experimentei, não em quantidade (impossível) e sim em qualidade. Sem perder e/ou abandonar os princípios que me nortearam por uma longa e bem vivida passagem pelo plano material. Com convicção, dentro daquilo que o Supremo me concedeu, pude e ainda aproveito cada momento e situação que a vida me oferece. São quase 68 anos, essa semana chego nessa marca, muito curtidos sem ter causado danos a mim e tampouco a terceiros. Isso já me bastaria, mas ainda quero curtir muito mais e tomara que por um bom tempo.
Todas as minhas ações em vida foram sempre muito intensas, algumas ainda seguem com essa mesma força. Dia 22 próximo, eu e minha primogênita, vamos ali em Assunción Del Paraguay assistir presencialmente mais uma decisão do Galão da Massa. Fiz dois cursos que escolhi, traindo os desejos da mamãe, papai e até de irmão no exercício de curatela. Claro que estou tirando sarro. Mamãe queria um doutor na área biológica, papai um veterinário e Faustão – financista – algo que fosse muito bem remunerado. Resisti e fiz Direito, nas coxas, depois Jornalismo que era meu sonho e desejo juvenil. Não fui doutor, tampouco me habilitei aos dotes pecuários, menos ainda enriquei. Nem por isso um fracasso. Ao contrário, totalmente realizado no que foi minha escolha.
Militei na vida pública, tenho plena consciência que com o zelo que anda faltando em muitos detentores de mandato. Namorei, casei, separei e tenho duas filhas que me são muito queridas. Uma já definitivamente senhora de seus passos e a outra no bom caminho e próxima dessa realidade. Dediquei, como demonstrei acima, grande parte dos meus tempos em acompanhar o meu time do coração. Com ele conheci vários lugares no interior de Minas, noutros estados e em países da América (Assunção será pela segunda vez), tanto do Sul quanto Central e África. Foi indo para esse último que passei pela Europa, que me motivou a retornar depois num passeio mais longo e em vários países. Digo isso, pois não fosse esse danado desse Galo, seguiria sem curiosidade de conhecer o velho mundo e outros lugares.

Depois de todos esses rodeios e seguindo a motivação do título, embora evite debater o que não me agrada, afirmo que não estou alheio ao mundo e – claro – ao Brasil. Estamos vivendo seguramente o pior dos nossos tempos. Tenho meu lado preferido, não com a veneração que percebemos das duas bandas, mas pelas opções oferecidas. Como tenho tentado me preservar, pela idade e também pelo cérebro já cansado, procuro evitar debates e embates. Porém, não consigo me calar diante de tantas barbáries explícitas que acontecem ao nosso entorno. Antes uma manifestação do fundo da minha alma brasileira. Que falta fazem Tancredo, Itamar e Brizola. O primeiro pelo dom conciliador, pena que não conseguiu deixar esse legado ao neto que é o grande responsável pela desarmonia que estamos atravessando, as eleições de 2014 tirou o pirulito da boca do garotão praieiro carioca. Os outros dois pelo espírito nativista que não existe nesse conflito atual entre os dois polos contrários.
A exploração política dos acontecimentos do Rio de Janeiro, aguçam e alimentam a briga pelo Poder. Diria que interessa aos dois blocos. Aquilo não foi uma ação policial, sim uma estratégia pensada e calculada pela extrema-direita para tentar sensibilizar a opinião pública. Com tempo cronometrado, depois da infeliz declaração do presidente, quando trocou de posição (coisas que acontecem com o cansaço mental) entre consumidores e traficantes. Tipo olvo e beliscoso pra não entrar noutras considerações como comer fruta com casca ou caroço. O próprio presidente insiste com adevogado e passa batido. Fato é que todos, sem exceção, estão fazendo discursos em cima de cadáveres com intenção exclusivamente eleitoreira.

E quando digo que tenho meu lado escolhido nesse conflito, o faço por eliminação. Essa extrema-direita é sanguinária e investe na escravização da população vulnerável, sim, senhor. Para eles o poder financeiro é quem manda e querem sim uma Ditadura para liquidar de vez com pobres, negros, gays e tudo aquilo que incomoda aos exploradores. Usam o nome de Deus e do Filho para enganar. Pastores impostores, mandatários que negam a política e dela se valem, enfim tudo que há de mais triste e contrário a uma boa convivência. Não quero entrar na chacina do Rio de Janeiro, onde o governador promoveu uma espetacularização em busca de visibilidade, mas algo me incomoda. Se foi maior que o Carandiru, ficou longe daquilo que o seu grande líder pregou no passado. “matando uns 30 mil, … se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente” (1999). Isso foi um recorte do que pensam esses governadores que se auto intitulam do bem, como Cláudio Castro e aqueles que foram até ele fazer campanha eleitoral.
Morreram inocentes, gente que nem estava no Rio de Janeiro foi considerada morta, enfim a ação atendeu ao desejo da extrema-direita que é pior que a extrema oposta. Cínicos que fazem projeções eleitorais em cima de cadáveres, assim como aconteceu aqui em Minas Gerais quando da greve das polícias, tudo em nome do Senhor. E aqui no nosso estado, temos para vergonha nacional representantes no Congresso que não condizem com tantos homens públicos históricos da vida nacional. Tem aquele pirralhinho, que defende essas ações, mas omite sua familiaridade com o assunto. Enfim, de tantos falsos moralistas, optei por proteger o meu cérebro. E assim seguirei fazendo, uma boa dica que recebi essa semana foi da Marisa Afonso de Castro, tia da minha filha mais velha. Música terapia, ganhei uma Alexa e dou ordem a ela, “música lenta”, “música clássica”, “música para dormir” e às vezes como aprecio bossa nova, mpb, samba e tantas outras. E, na cabeceira da cama, dois ou três livros. Sem pressa e alternadamente. Entre eles, dica do Eduardo Costa, “Um café com Sêneca”. Melhor que isso, só o Galo! Sigamos!
Bom Dia! Parabéns pela coragem interior para enfrentar os desafios com perseverança e dignidade, sem perder a alegria genuína. A palavra coragem vem do Latim, coração forte! Eduardo, você é coração! Abraços Fraternos! Patrícia Lechtman.
Meu querido amigo e parceiro de muitas dores e prazeres, desta vez, voce6 brilhou mais que das outras. Além do prazer, tenho orgulho de ser seu amigo, de poder conviver com essa sua clareza e sinceridade.Te espero para mais um café.
Excelente resenha. Do futebol à política com bom senso e leveza.
Bom dia Eduardo, obrigado pela clareza com que expõe suas ideias. Concordo com você e obrigado pela dica de leitura, nos tempos atuais, nada melhor que ler o Sêneca com sua sabedoria estoica, que nos traz conforto e leveza para levar uma vida boa, sem aborrecimentos. Abraços.
Caro Amigo temporão,o CAMinho para a tranquilidade interior e a força diante das dificuldades, começa com a ‘proteção ao cérebro’ e o antídoto perfeito para os valores superficiais nestes tempos atuais é ser resiliente. O pulso ainda pulsa, sigamos!
Forte abraço
Fique bem.
Parabéns, meu alvinegro amigo, pela crônica, pela maturidade e pela postura em relação à vida! Forte abraço!