Fios que tecem a vida – Marlene Barros

Sandra Belchiolina Minas Gerais conhece bem o que é o crochê. De um fio, um nó; no movimento de ir e vir, a tecelagem acontece. Do pensamento que vaga às mãos ágeis — muitas vezes rugosas com o passar do tempo —, o crochê é generoso e permite longevidade; o drama se inscreve. Do nó, do entrelaço, da paixão, as crocheteiras criam. Assim é a … Continuar lendo Fios que tecem a vida – Marlene Barros

Uma declaração de amor

Na Nacional Turismo, agência de viagens e turismo, onde fora recém contratada, ela se encontrava sentada ao fundo. Passara no vestibular no início do ano e iniciaria seu bacharelado em turismo. Aos dezenove anos havia participado do Concurso Miss Minas Gerais e naquele momento, uma nova presença se fazia em sua vida. Há três meses um novo ser crescia em seu ventre. A memória vivida … Continuar lendo Uma declaração de amor

Rubicão: um rio metáfora para educação e psicanálise

Sandra Belchiolina sandrabcastro@gmail.com O Rio Rubicão, localizado no nordeste da Itália, tornou-se um marco histórico devido a um evento decisivo na história de Roma. Em 49 a.C., Júlio César, ao cruzá-lo com suas tropas, desafiou o Senado Romano e pronunciou a célebre frase “Alea jacta est” (“A sorte está lançada”), iniciando uma guerra civil que transformaria a República Romana em um Império. Os generais eram … Continuar lendo Rubicão: um rio metáfora para educação e psicanálise

Travessia dos ditos

Sandra Belchiolina Para Carlos Drummond de Andrade o anjo torto disse: vai ser gauche na vida. Para Adélia Prado outro dito: vai ser desdobrável na vida. Para Mário Quintana “Aqueles que atravancam seu caminho — passarão.” Eu, passarinho. Para Manoel de Barros Do nada faz profundidade. Da palavra, silêncio. Para o psicanalista não um dito — ser rebotalho: vai ser resto na vida. Para João … Continuar lendo Travessia dos ditos

Na Outra Beira

Sandra Belchiolina Em que rio você entra e deixa seus frangalhos? Quantos rios já levaram seus gangalhos, restos de nós que o tempo desamarra? Há rios que riem, rios que nos riem, rios que seguem sem perguntar destino. E você segue com eles, entre águas aguadas, agueiradas, nessas correntes que não prometem identidade alguma – Pacífico, Atlântico, tanto faz. O que importa é o que … Continuar lendo Na Outra Beira

Entre sons e silêncio

Gosto das meias palavras. Ou das poucas. Das reticências que dão margem à imaginação. Dos silêncios falantes. Das falas da natureza. Dos sons que nos invadem de poesia: a chuva que cai, cai, cai… o rio que corre, corre, corre… o vento que sopra, sopra, sopra… Do suspiro que diz. Do ritmo do coração emocionado. Das gargalhadas que dobram de prazer. Dos gemidos misteriosos… O … Continuar lendo Entre sons e silêncio

Entre o véu e o espelho

Sandra Belchiolina Sem falso moralismo — porque ele derrete no primeiro suor de fevereiro — é fácil admitir: o Carnaval é a grande festa brasileira. A pátria onde confete é argumento, serpentina é vírgula e purpurina funciona como tese de doutorado. Há brilhos suficientes para iluminar as sombras do ano inteiro. É também o momento em que a fantasia toma o volante e manda o … Continuar lendo Entre o véu e o espelho

O Último Azul — o desejo que resta

Sandra Belchiolina Fomos presenteados, em 2025, com um vigor renovado da cinematografia brasileira. Entre as obras que nos atravessaram, Filhos de Mil Homens, adaptação do livro de Walter Hugo Mãe, trouxe uma delicadeza humana rara, sustentada por uma fotografia em tons ocres que permanece na memória como quem guarda um entardecer. O próprio autor declarou-se surpreso com a potência da transposição de sua escrita para … Continuar lendo O Último Azul — o desejo que resta

Janela da vida

Da minha janela eu vejo O tiziu no seu ritmo e canto sobe e desce tiziu…tiziu Equilibrista num galho infinitamente mais fino do que seu corpinho Sobe e desce tiziu…tiziu… Da minha janela eu vejo Além do tiziu o brejo e seus buritis Úmido, verde, verde… Lá tem buritis e sapos coaxando Coach… coach… Da minha janela eu vejo Além do tiziu, do brejo, dos … Continuar lendo Janela da vida

Envelhecer ligeirinho

Sandra Belchiolina Envelhecer é pisca-pisca de olhos pisca-pisca Ontem brincava de boneca brincava andava na chuva andava cantava cantiga cantava Depois o mundo se abre abre feito janela Hoje uma vida se deu se deu o amor chegou chegou e ficou Acompanhar outras crianças outras cantigas outros risos outro sol Tempo ligeirinho ligeirinho tempo ligeiro que olha que olha a menina a adolescente a adulta Continuar lendo Envelhecer ligeirinho