Sustentação

Sandra Belchiolina sandrabcastro@gmail.com Dolores já carregava no nome o peso das dores. Conheceu Antônio, namoraram pouco e casaram logo. Criaram os filhos com esforço e dignidade. Mas a comunicação do jovem casal era precária. Ela tenta conversar. Ele respondia seco: “se casamento fosse para conversar, homem casava com homem”. Foram infindáveis noites que ouvira: “não é hora para isso”. Na cabeceira da cama do casal, … Continuar lendo Sustentação

O Sorriso do Barroco

Sandra Belchiolina Adentro na Casa Fiat de Cultura para visitar a exposição de Renoir e ganho uma surpresa maravilhosa que não estava no roteiro: O Sorriso do Barroco. E é este estilo que me chama atenção antes de qualquer imagem. Aprendi ao longo da minha trajetória profissional e nos cursos de história da arte, que o barroco mineiro é caracterizado pelo jogo do claro e … Continuar lendo O Sorriso do Barroco

O que fica nos vestidos

Sandra Belchiolina Alguns vestidos não passam — permanecem como formas de um tempo. O de debutante, comprado em Belo Horizonte, na antiga Grande Gala, em voal e renda guipir, trazia um laço pêssego que chegava a ser quase escandaloso — como se, aos quinze anos, um certo exagero fosse também necessário para existir. Havia ali a delicadeza e a medida de uma inocência socialmente esperada. … Continuar lendo O que fica nos vestidos

Paraíso para os olhos

Sandra Belchiolina Pouco escrevo na primeira pessoa. Hoje, a pedidos — e por motivos de poesia — fico nela. Era hora de dormir do João, meu neto. E, como de praxe, a noite se alonga em conversa e histórias — dessas que já atravessaram Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos e chegaram ao Diário de um Banana. Na semana passada — abril de 2026 — o … Continuar lendo Paraíso para os olhos

O último Azul 2

Sandra Belchiolina No frigorífico, entre o frio que conserva e o silêncio que endurece, Tereza dançava. Não era rebeldia ainda – era só um corpo que insistia em lembrar que estava vivo. Talvez ali já estivesse tudo: o gesto pequeno, quase invisível, de quem não aceita ser reduzido ao que sobra. Dizem que o mundo acaba aos poucos, nunca de uma vez. Em O Último … Continuar lendo O último Azul 2

Nuremberg

Sandra Belchiolina Assisti, há duas semanas, ao filme Nuremberg (2025). A princípio, imaginei mais uma narrativa sobre o julgamento histórico dos membros do alto escalão nazista — homens que, diferente de tantos outros, foram capturados vivos para responder por seus atos. Mas o filme vai além. Ele nos leva para dentro das entrevistas conduzidas pelo psiquiatra do Exército americano, Douglas Kelley, encarregado de examinar aqueles … Continuar lendo Nuremberg

Fios que tecem a vida – Marlene Barros

Sandra Belchiolina Minas Gerais conhece bem o que é o crochê. De um fio, um nó; no movimento de ir e vir, a tecelagem acontece. Do pensamento que vaga às mãos ágeis — muitas vezes rugosas com o passar do tempo —, o crochê é generoso e permite longevidade; o drama se inscreve. Do nó, do entrelaço, da paixão, as crocheteiras criam. Assim é a … Continuar lendo Fios que tecem a vida – Marlene Barros

Uma declaração de amor

Na Nacional Turismo, agência de viagens e turismo, onde fora recém contratada, ela se encontrava sentada ao fundo. Passara no vestibular no início do ano e iniciaria seu bacharelado em turismo. Aos dezenove anos havia participado do Concurso Miss Minas Gerais e naquele momento, uma nova presença se fazia em sua vida. Há três meses um novo ser crescia em seu ventre. A memória vivida … Continuar lendo Uma declaração de amor

Rubicão: um rio metáfora para educação e psicanálise

Sandra Belchiolina sandrabcastro@gmail.com O Rio Rubicão, localizado no nordeste da Itália, tornou-se um marco histórico devido a um evento decisivo na história de Roma. Em 49 a.C., Júlio César, ao cruzá-lo com suas tropas, desafiou o Senado Romano e pronunciou a célebre frase “Alea jacta est” (“A sorte está lançada”), iniciando uma guerra civil que transformaria a República Romana em um Império. Os generais eram … Continuar lendo Rubicão: um rio metáfora para educação e psicanálise