Confesso que tão e somente Galo, eventualmente Ganso – quando o Araxá Esporte Clube está em rara atividade -, o que já me é suficiente para subir minha adrenalina. Depois de muito tempo – comemorando ou lamentando – aprendi a conviver e administrar o aumento do ritmo cardíaco e pressão sanguínea. E o melhor, a entender que ganha e perde, e quando não tenho como festejar e comemorar o indicado é esperar a próxima temporada para buscar o triunfo com o meu time do coração. O que vimos domingo, lá no Mineirão, é um pequeno recorte disso que estou referindo. Intolerância e soberba, um lado posando de bonzinho e provocando até que o outro reage desmedidamente. E é esse o caminho desejado por quem participa desse jogo sujo. Tirante isso, tenho opções e não estão no mesmo nível de estresse das arquibancadas.
Digo isso, por situações que estamos atravessando tem já mais de dez anos, que deteriorou as relações pessoais – até familiares – quando um grupo foi derrotado nas urnas e passou a conspirar na contra mão dos bons costumes que foram repassados por gerações anteriores. Meu avô materno, de quem tenho leves lembranças, era “chefe político” (dono de partido na aldeia como os figurões da atualidade, mas sem os intere$$es que norteiam os tempos atuais) e – ao que sei – sabia respeitar o resultado das eleições e aguardar o próximo pleito para buscar virar o jogo.
Pena que essa genética tenha sido herdada por parte da prole, já que – talvez pela miscigenação – exista quem não consegue perceber e entender que um dia ganha e noutro perde. E neste imbróglio distanciamos de gente que sempre amamos. Aprendemos no berço a gostar e respeitar, mas que se sentem tão superiores que imaginam capazes e com poder de indevido patrulhamento. Estou na fase do silêncio, por acomodação ou mecanismo de defesa, evitando reagir aos ataques e provocações que – especialmente em grupos de redes sociais – nos expõem e causam desconforto. Já disse, estou em pouquíssimos e sempre me afastando mais e mais dessas redes antissociais.

Se existe mesmo a tal vergonha alheia, teria motivos em excesso para ficar vermelho por terceirização, mas optei por ignorar tanta fake news que tenho recebido. Sobretudo de gente que me merece consideração e carinho. Nunca tive, nessa altura da vida menos ainda, intenção em persuadir o pensamento e opção de quem quer que seja. Mas, por provocação ou imprudência, tenho sido vitima desse comportamento mental odioso que quem faz não deve sentir o quanto é inconveniente. A maioria dessas pessoas repassando memes que recebem, sem ter o cuidado que usualmente me ocupo, em saber sobre sua veracidade. E ainda que fossem reais, não irão me convencer ou demover das minhas opções.
Como disse, no caso em pauta, tenho opções e não sou torcedor. Vamos ter eleições daqui meses, já tenho desenhado entre as minhas opções o que quero e desejo para meu país e o povo brasileiro. Nada vai mudar minhas escolhas, que até o momento pode ter dois ou três nomes definidos (serão seis votos), os demais ainda em fase de avaliação. Meu voto é por quem defenda políticas públicas e sociais de inclusão, distante do selvagerismo que um lado radical se propõe e investe contra aqueles costumes que nossos pais ensinaram, perdidos nos tempos recentes. Vovô, ao que sei, não perdoaria netos e bisnetos que embarcaram nessa onda que sinaliza caminhar para o lado do pega na mentira.
É por essas razões, ainda que me sacrifique do meu verdadeiro lado de torcedor do Galo, que a cada dia me estimula mais a possibilidade de optar por dias com menos turbulência, tormentosos e sem rádio e nem notícia das terra civilizada, como sugeriu Gonzagão. Surgiram na história recente do Brasil e da humanidade, via redes sociais, os guardiães da falsa moral e costumes. Gente que assenta em cima do próprio rabo e se acha jurista – acusando e julgando como num conluio que fez parte dessa trama recente entre juiz e procurador -, posando e vomitando aquilo que sequer sabe o que está falando. E pessoa com diploma o que não condiz ou equivale com sabedoria. Não me decepciono com isso, afinal sei que tanto eu quanto essa gente vamos para o mesmo lugar na eternidade. Onde uns não terão débitos a cumprir e outros muito a aprender. Vivemos nesse mundo para aperfeiçoar e aprimorar, de maneira diferente do que pregam falsos pastores, aproveitadores e exploradores. Assim seja! Ah! Aqui é Galo, sempre!
Belo texto, caro amigo, Eduardo Ávila. Você é sempre a voz do equilíbrio. O que estamos assistindo é mesmo desestimulante. Carinhoso abraço.
Parabéns pelo seu texto, como sempre equilíbrado. Justamente o que faltou ontem no Mineirão.
Prezado blogueiro, por essas e outras razões também distanciei-me de várias pessoas que viviam em volta de mim (e eu delas), mas posso garantir a você: as ausências delas preencheram um enorme vazio. E segui, portanto, sigamos… Abraços, querido!
Bom Dia Eduardo de Ávila! O processo democrático no Brasil está neste século enfrentando diversos desafios, entre eles a desinformação e notícias falsas disseminadas vias redes sociais. Seu jornalismo é límpido e ético. Prossiga com sua conduta elegante e transparente. A democracia vencerá. Abraços Fraternos, Patrícia Lechtman.