Hamnet - fonte: divulgação internet

Hamnet – a potência do luto em cena

 

Hamnet - fonte: divulgação internet
Hamnet – fonte: divulgação internet
Daniela Piroli Cabral
danielapirolicabral@gmail.com

Altamente impactada e com os olhos de lágrimas, assisti ao filme Hamnet, indicado ao Oscar 2026. E ele é a minha aposta na premiação do próximo domingo, dia 15.

Obviamente, como brasileira, gostaria que o filme O agente secreto fizesse a façanha de nos tornar bicampeões, mas Hamnet foi imbatível em tocar meu coração.

Com uma fotografia maravilhosa, um enredo sensível e interpretações de irretocáveis, Hamnet coloca toda a dramaticidade do luto em cena. Uma potência cinematográfica.

Tudo o que nos é dado, nos pode ser tirado. Sim, a verdade irrefutável da vida. Sim, a verdade da finitude que nos faz acreditar um ilusões.

O que a morte de um filho provoca? Uma dor visceral. Um rompimento na ordem cronológica natural da vida. Uma amputação narrativa. Uma desestabilização das relações familiares.

Em Hamnet somos levados à viver a radicalidade do luto em todo sofrimento e em toda sua potência. A mobilização afetiva que leva a criação. A concretude da realidade da perda que é elaborada através da arte.

Entre o ser e o não ser, somos levados a caminhar pelas estradas sinuosas do luto e toda a potência de criação e de transcendência que a morte permite.

A construção de uma narrativa sobre a morte que conecta passado, presente e futuro. Não dá para saber o que é realidade e o que é ficção. A verdade é que Willian Shakespeare perdeu um filho chamado Hamnet em 1596, aos 11 anos. E que sua obra prima Hamlet foi escrita após isso.

Só assistam.

 

 

 

 

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