A parte mais difícil do amor

A parte mais difícil do amor não é amar.

É assumir a responsabilidade de um sentimento que revela as nossas vulnerabilidades e se sustentar nessa postura.

E, quando temos essa proximidade física com a essência do outro, sem reservas estratégicas, muitas vezes, queremos voltar à nossa versão anterior.

Entender que nem sempre estamos preparados para isso é uma longa jornada que pode resultar em calos nos nossos pés e reações que nunca havíamos mostrado antes. E, de praxe, uma dor descompensada nos cotovelos.

Já perceberam como ficamos instáveis?

O nosso corpo se contorce mediante a saudade, a cabeça vai morar no mundo da lua sem a menor cerimônia e projetamos lembranças em todas as paredes da nossa casa.

Dá até para ouvir os nossos hormônios, aos berros, dizendo: “Ou você se comporta, ou vamos viver em outro sangue”.

Uma intensidade que vem como ondas elétricas ocupando um espaço que faltava e oferecendo tudo. Para mim, elas costumam aparecer na calada da noite e com tons em degradê, entre o azul e o verde.

Nessas horas, o meu coração fica mais quieto, escuta o silêncio das estrelas e vê desejos onde só existia cicatrizes.

Por isso, eu penso que amar borra o batom, amarrota o vestido, solta os cabelos e molha os lençóis.

E tudo isso faz parecer que é mais fácil.

9 comentários sobre “A parte mais difícil do amor

  1. É um texto que nos faz pensar.
    Verdades sejam ditas, para mim, a parte mais difícil do amor, são o respeito e a fidelidade. Respeitar a pessoa amada, e a ela manter-se fiel diante de toda e qualquer tentação, são desafios bem difíceis de serem vencidos.

    1. João, mais do que fiel, é preciso ser leal.
      E isso significa praticar a empatia em toda e qualquer situação. Quando um dos lados falha, engana, “gosta, seduz e aceita mentiras sinceras”, ahh companheiro! É hora de sair correndo dessa relação perigosa!

  2. Na minha opinião o que torna o amor maís difícil é que as pessoas não estão dispostas a investir seu tempo, suas emoções e também seu dinheiro numa relação de intimidade verdadeira. Além disso, o conceito que fazem de “autonomia emocional” quase sempre é distorcido e prejudica mais do que ajuda.

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