Eduardo de Ávila
Não tem como deixar de lembrar dos natais ao longo dos tempos. Desde quando, obediente, ia dormir sonhando com o presente no dia seguinte. É uma deliciosa viagem. Se em décadas passadas essa criança adorava o Papai Noel, agora fazendo o papel do Bom Velhinho ama a criançada puxando a barba e tendo ataques – quase histéricos – nesse contato anual. Já se vão quase 15 anos que assumi essa missão. A cada abraço e a cada sincera declaração que ouço nas creches, escolas especiais e até asilos, o conforto em desempenhar o personagem me motiva e estimula para a temporada seguinte.
Dessa vez não foi diferente, ainda que não com a mesma força e energia de outros dezembros. Me lembro de ter feito mais de 20 ações dessa natureza em outras ocasiões, desta vez sabedor de minhas condições físicas, selecionei apenas seis. Duas cancelaram sem aviso, restou tão e somente quatro aparições nessa condição. Seguramente pelo histórico pessoal, tão ou até mais emocionante, ainda que com menor número de participações. Se não pude ir em mais, escolhi a dedo locais que nos anos anteriores me emocionaram e até – entre as quais – onde se deu origem a toda essa movimentação lá no distante ano de 2012.

E nesses dias de festas natalinas e preparação para a entrada de um novo ano, inevitavelmente convivo com as lembranças desses finais de anos da minha infância. Era um sonho. Nos primeiros anos da minha vida, mamãe e duas irmãs festejavam o Natal com seus maridos e filhos. Era esperado a cada ano. Daí uma mudou de Araxá, restando mamãe e outra tia, ainda com suas proles. Um acidente nos priva dessa tia, a nossa matriarca se encarregou de suavizar e abraçou as festividades. Papai adoece a também se torna ausente, nem isso tirou o folego dela que já era avó e o show continuou.
Até que, aí já por muito tempo depois, ela também virou estrela. Coube a uma irmã assumir o bastão e o comando desses festejos. A cada nova comemoração, com amigo oculto e a netaiada em transe, tinha o momento de oração e as músicas na voz marcante da cantora Simone. Assim foi até que, primeiro um irmão e depois essa própria irmã festeira foram ao encontro do papai e da mamãe, colocando fim naqueles momentos inesquecíveis de nossas vidas. Os netos, agora pais dos bisnetos, com famílias menores e outras particularidades da vida recente, já não enfeitam aquela moldura que sente a dor das ausências da vovó, do vovô, da tia e do tio. E assim é o ciclo da vida. A minha infância aguardando o Papai Noel parece logo ali atrás. Passou muito rápido.

Com isso, minha vida de esperar o Bom Velhinho em sua vinda, passou a ser de representa-lo e embalar o sonho de centenas de outras crianças (até idosos) a cada final de ano. A primeira foto é na Creche Comunitária Terra Nova, que fica bem próximo à praça JK. Foi lá que me convidaram para minha primeira experiência no desempenho desse papel, aproveitando a minha barba. E tem quem queira que eu tire, se imaginassem a delícia de realizar esse trabalho nunca mais repetiriam essa sugestão. E a criançada gosta é de puxar os pelos para conferir se são reais. Fiquei em BH até sábado para cumprir essa gostosa missão. Agora, depois de muitos anos, desfrutando de um período de férias. Mereço! Creio!
Noutra frente, junto da Associação Conectando Vidas – sob a batuta da Audrey Resende (uma verdadeira santa em vida) -, tive a oportunidade de participar em dois eventos de escolas especais e um asilo. Nas duas fotos geminadas, além da coordenadora também Kátia – sua fiel escudeira – e um dos alunos da Escola Municipal Carlos Lemos (Contagem). Seguem as imagens no Asilo Recanto da Saudade e finalmente na Escola Risoleta (ambas instituições em Belo Horizonte). Hoje, dia 23 de dezembro, véspera daquelas noites memoráveis da infância, vivo e convivo com esse misto de saudade e realidade. Não sei se o meu choro é melancolia ou de resistência. Seja qual for, confesso, faria tudo outra vez e com a mesma intensidade.
*fotos: arquivo pessoal
Bom Dia Eduardo de Ávila! Você é Natal! Vejo e escuto por onde passo muitas pessoas amigas em desencanto com o Natal! Realmente na casa dos 60 anos, a energia não é a mesma, entretanto, o AMOR E OS ENSINAMENTOS DE JESUS DE NAZARÉ , são e serão eternos. Prossiga na sua missão de “Papai Noel ” é encantadora. Abraços Fraternos! Patrícia Lechtman
Bravo! Bravo! Bravíssimo! Eduardo Ávila será sempre amado, querido e esperado por todos nós.Creche Terra Nova será sempre grata a você.
Bom dia,
Lindo trabalho, deve ser muito gratificante trazer a essas pessoas momentos felizes.
Desejo um Natal de muita paz e harmonia, que o nascimento de Jesus seja o ponto de partida para que o novo ano que se aproxima seja cheio de boas notícias, muita saúde, alegrias, sucesso e muita felicidades!
Um grande abraço!
Eduardo, bom dia. Esse seu trabalho é maravilhoso. (Ainda está nos nossos corações e mentes.). Grata.
Acompanho há anos sua trajetória natalina do tamanho de seu coração!!! Espero que ela continue por muitos e muitos NATAIS!!! PARABÉNS!!! QUE DEUS E NOSSA SENHORA APARECIDA TE ABENÇOEM E PROTEJAM SEMPRE E TE DEEM MUITA SAÚDE E PAZ. E UM FELIZ NATAL!!!
Sou sua fã número um! Que desprendimento e generosidade! . Sua disposição em ser mensageiro do significado do Natal, amor, esperança e fé, me orgulha de ser prima e amiga. Admiro sua determinação e resistência. Há tanta coisa que nos puxa pra trás, nos desanima de agir, mas vc “pirracento”, cabeça dura, não desiste nunca de sua missão nesta vida. É muito “coração” e muita valentia misturados.
Parabéns e um feliz e merecido Natal!
Não há prazer maior do que este de testemunhar todos esses momentos tocantes que você registra neste seu texto. Parabéns, Eduardo, por ser este Papai Noel tão especial! Feliz Natal!
Sem pedância, dizer nessa idade, como digo, Papai e Mamãe, revela muito sobre nós. Beijos, querido!