Eduardo de Ávila
Interessante! Nunca tive um diário, na minha época – ao que me lembre – isso era da rotina das mocinhas e inconcebível aos machinhos escrever suas proezas do dia a dia. Até porque muitas inconfessáveis de toda natureza. Notadamente ir, heroicamente, para a rua da zona depois das horas dançantes nos clubes Brasil e Araxá. Fato é que feitos dessa ou de outra natureza eram pauta para o banco do jardim ou numa daquelas cervejadas – onde com uma garrafa – já era passível do barato em soltar a língua sobre feitos. Realizados ou imaginários.
Faço essa digressão para chegar aos tempos atuais. Já não mais daquela adolescência efervescente, mas de um quase septuagenário que ainda preserva a dádiva da resistência de décadas vividas. Foi nos anos 70 que, aliando aos ensinamentos das aulas (ainda que não tenha sido um aluno brilhante), entendia que vivíamos e fazíamos a história do novo tempo. Passei a perceber que a mencionada revolução (1964), nada mais fora que um golpe de estado. Enfim, sem entrar naquele período estranho (hoje é proibido falar fase negra, tudo em nome da hipocrisia de cada lado), passei a modestamente militar em favor da justiça social.
E, agora voltando à questão do diário das nossas intimidades, nos últimos anos tenho me dedicado a essa situação de estar blogueiro. Num deles, diário, escrevendo sobre o time do meu coração, o Galo! Neste Mirante, ao lado de pessoas amigas e queridas, com temas aleatórios de livre escolha de cada parceira/o. E, no meu caso, sem constrangimento relato fatos do meu cotidiano. Sejam da minha rotina e insistente resistência aos extremos, notadamente aquela que se posiciona do lado direito em defesa de falsos valores morais e pela concentração de renda e exploração dos menos favorecidos com a riqueza.
Ou, como venho descrevendo, de situações da minha fragilidade física em especial relacionadas a saúde. Pois bem, como registrei em postagens anteriores, agora, sim, encaminhando para a cura. Exame feito, diagnosticado, agora é a fase da radioterapia. Confiante! Em tempo: reafirmo, sem constrangimento. Acho válido para sinalizar que devemos reagir às imposições de quem usa a nossa saúde como mercadoria aos seus interesses comerciais e financeiros. O plano de saúde me negou o exame – pet psma – mas o fiz por minha conta e agora seguir aos ditames e prescrições médicas. Sigamos!

Já na outra consideração, passadas as turbulências pessoais e convivendo com as coletivas, assisto com um misto de perplexidade e ironia essa movimentação que envolve STF, Brasil, o imperador do mundo – trump, atual e eventual presidente dos EUA – e seus miquinhos amestrados bozolóides. Poderia e não seria passível de contestação estar estarrecido. Mas, sem hipocrisia e falando sério, não me surpreende as ações do núcleo desse clã e tampouco de seus fanáticos seguidores. Se na mentira daquela gestão o slogan foi “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, agora sem a máscara podemos afirmar “papai acima de tudo, tarifa em cima de todos”. Essa gente nunca pensou em Brasil e coletivo, tentaram golpe de estado e o escambau para implementar uma ditadura que atendesse seus próprios interesses. Usando de ingênuos, que com todo direito podem não gostar do Lula e do PT (sem essa de comunista, não sejam massa de manobra), optaram por essa desgraça nefasta ao bom relacionamento entre divergentes.
Pois bem, agora, diante desse hilário momento que a história nos reservou mal sabemos qual será o desenrolar dessa situação. De uma coisa sei, o Brasil não vai ceder. Soberania é inegociável e (in)taxável. Ainda que os entreguistas e negacionistas que adoram insígnia dos “3is”, por serem todos brocháveis, comíveis e morríveis. Podemos e acho viável, algo que essa gente desconhece, negociar e esgotar todas as possibilidades de diálogo. Ceder jamais, sobretudo pela clareza de que o impasse foi criado para evitar que bandidos sejam condenados. E até, atrevidamente, bananinha e rachadinha, ameaçando instituições e marcando prazo. “Papai acima de tudo e de todos”? Ora, vão se phu…! Reiterando que não sou lulista, petista e tampouco comunista – conforme dito por um parente autoridade -, sei muito bem entender e reconhecer o momento que vivemos. E nem sou historiador, apenas um advogado e jornalista, que não nasceu em leito milionário. Essa gente, como diria o bom amigo Willian Santos, lá de Araçuaí, “se tivesse nascido na minha terra, a mãe teria corrigido no berço”.
Enfim, de volta à minha rotina e considerando que meu exame – finalmente realizado – me devolve para os cuidados e tratamentos necessários e à resistência democrática, me valho deste semanário (já que não tive diário) para oferecer o que tenho pela defesa das liberdades e da soberania do meu Brasil (verde a amarelo). Contra o ataque desse clã e interesses internacionais. Aqui é Brasil, po##@! As decisões, ainda que maculadas pelo uso da boa-fé e religiosidade – por esses pastores vagabundos – serão sempre tomadas nas urnas eletrônicas e não por ações de golpistas e malandros. Por falar em urnas eletrônicas, não é meu e sim das redes sociais, que tal uma tornozeleira impressa ao vagabundo que será condenado pela segunda vez. A primeira, a memória registra, foi quando tentou explodir uma bomba no Rio Centro. Expulso do Exército, iniciou sua medíocre vida pública defendendo tortura, torturadores, ditadura e outras bandeiras da segregação. Merecendo, diferente do que propaga, julgamento com direito a ampla defesa.
Lindo texto Eduardo. Com força e fé, venceremos todos os obstáculos.
Caro Dudu,
Estou muito feliz com a realização de seus exames, finalmente, e início do seu tratamento. Você se restabelecerá, com certeza, para nossa alegria em tê-lo como um colega e, sobretudo um bom amigo, inteligente, divertido e… galista!! Fé em Deus, caboclo! Um abraço.
Muito bom. Como você escreve bem.
Bom Dia! A superação, na minha singela visão, não é um dom. Penso ser a superação a coragem de prosseguir nesta dimensão terrena com determinação. Ao ler sobre seu cotidiano toda terça-feira, percebo sua coragem e sua capacidade de incentivar as pessoas ao seu redor de serem resistência às intercorrencias da vida. Um abraço! Patrícia Lechtman
Guerreiro é seu nome, amigo.
Eduardo, parabéns pelo escrito! Suas palavras são como raios de sol sobre os acontecimentos. Grata.