Silvia Ribeiro
Algumas coisas na vida pedem prontidão.
E dentro desse contexto, estão os nossos encontros afetivos e avaliações autobiográficas.
Quais histórias estamos escrevendo?
Os laços emocionais são o nosso fogo vivo, aquele que arde e evidencia sinais claros do poder do amor.
Algumas conexões a gente se aproxima por um encanto súbito, por reações químicas intensas e, comumente por idealizações interiores.
Várias, por estar diante de um reflexo de gostos em comum, outras, por pura sorte e uma força genial do destino.
Durante algum tempo pensamos que a vida é a nossa área de lazer, e que temos permissão para entrar e sair de cena sem expectativas difíceis de cumprir.
É o caso dos dilemas e intuições sutis, que não perdoam a falta da última parte do nosso discurso, quando o assunto é a construção da nossa essência.
Acumulamos sujeiras sabendo que jamais conseguiremos limpar todas. E talvez, seja essa a razão para fortalecer vínculos à longo prazo, logo após a fase da imaturidade.
Quem nunca se sentiu incapaz de se conter diante de uma overdose de oxicitocina?
O preenchimento do coração tornou-se um tópico relevante na construção de afetos, contudo, conseguimos manter poucas pessoas por perto na esfera pessoal.
Constantemente, vemos que não é incomum, as pessoas deixarem de lado a convivência de carne e osso. Aliás, até a voz está caindo no ostracismo. Não se fala, não se ouve.
(Manda-se mensagem).
Não dá para não estar livre…
Para a intimidade que vive por detrás das nossas cortinas, para os nossos livros de cabeceira, para o nosso acerto de contas antes de dormir. E, contraditoriamente, para aqueles círculos de amizade que a gente sempre reclama, porém, não consegue ficar longe.
Não dá para não estar livre…
Para um passeio no final do dia, sozinho(a) ou não, para um abraço que adivinha pensamentos, para um olho no olho sorridente e para uma conversa que de tão boa, parece ter vindo do céu.
Não dá para não estar livre…
Para uma nostalgia e uma taça de vinho, para uma boa dor de cotovelo ouvindo La Vie en Rose e para uma sensação penosa de ressaca.
Não dá para não estar livre…
Para os desejos do nosso corpo, para a intimidade da nossa lingerie e para uma tarde de prazer.
Não dá para não estar livre..
Para a vida!
Como sempre , vc me encanta com seus escritos ,!! Grande poetisa , grande escritora ! Parabéns Silvia Ribeiro !!
Gratidão!
Não dá para não estar livre… para ler os textos da Silvia Ribeiro… Eles são rasos lagos de uma grande profundidade!
Muito obrigada!