Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Trabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

Criancinhas e mamães na berlinda (comunistaXcapitalista)

Eduardo de Ávila

Desde os meus primeiros passos e palavras, aterrorizado, ouvia que “comunista come criancinha”. Eu nem imaginava o que era esse tal comunista, se morava perto da minha casa e se me colocava em risco. Só sei que tinha pavor. Tempos depois, um pouco mais crescido, ouço que duas pessoas ao nosso entorno eram comunistas. Fiquei ainda mais confuso, pois – aparentemente – nenhuma delas sugeria a intenção de devorar a mim ou a algum(a) amiguinho(a).

Já na adolescência fui desmistificando esse mito anticomunista. Interessante. Entre os dois comunas da minha infância, assim ditos e tidos, um deles nunca foi adepto dessa ideologia. Na verdade, era um capitalista que – por alguma razão pessoal – adorava posar de diferente. Numa analogia ao “patinho feio”, que na fábula é um infeliz complexado, esse – ao contrário – se achava o bonito, rico, inteligente, daí diferente de sua prole da classe média.

Tinha até, entre seus guardados, dois livrinhos considerados “proibidos”, bem surrados que – eventualmente – em segredo, exibia aos que queria convencer de sua militância clandestina. Que, na verdade, nunca existiu. Entre suas atividades de sustento além da profissional, aliada a outras próprias do capitalismo, ainda era um conhecido e recorrido agiota. Já o outro, diferente e extremamente dócil, segue sua vida atento e solícito a quem o procura em busca de conforto e tratamento.

Um adendo. Essa atividade do cruel mundo capitalista – hoje existe com o nome de factoring – ainda tem seus adeptos atuando na clandestinidade praticando a agiotagem. São muitos e estão em todos os lugares. Juros abusivos e escorchantes que levam pessoas ao desespero e até mesmo ao autoextermínio. Tão inaceitável quanto o tráfico. Mas, via de regra, seus agentes são “cidadãos de bem”. Exatamente com essa intenção irônica da utilização do termo. São todos responsáveis diretos, afirmo que sem exceção, disso que estamos vivendo e sofrendo no Brasil.

Entrando então na questão Brasil, o que estamos assistindo – vergonhosamente – é o nosso país sendo achincalhado pelo mundo todo. Um governo negacionista, mentiroso, que ainda recebe apoio – com as narinas tampadas – dessa elite promíscua e podre até que se complete o desserviço de liquidar com os pobres e a classe média. Muitos dessa gente intermediária, apoiam esse genocídio em curso. São pessoas que sonham ter poderio econômico e financeiro, mas que não passam de pobretões. De dinheiro e de espírito. Muitos deles se agarram a diferentes religiões, como se isso os imunizasse de “pecados” que negam dissimuladamente.

Pois que, na última semana, entre tantas denúncias que acompanhamos, surgiu o escândalo da Prevent Senior. Sem me alongar sobre o caso, que é de conhecimento público, trata-se de um poderoso plano de saúde – único no Brasil para idosos – que divulgou trabalho defendendo a cloroquina e azitromicina. Ao que sugere, com fortes relações aos interesses do gabinete paralelo do pR, em confronto com a ciência e a pesquisa. Enfim, não é esse o foco da prosa de hoje.

O que me estimulou a trazer essas experiências pessoais de vida, é a similaridade (ou seria o antagonismo?) me apavorou na infância, com o que estou vivenciando nos dias atuais. Essa gente, defensores do capitalismo selvagem – que estão travestidas de um falso discurso liberal – vivem ao nosso lado no dia a dia. Insistem em nos taxar de comunistas, mesmo sabendo que não somos, para tentar impor sua arrogância de donos da verdade. São minoria, mas gritam com uma força retumbante. Ameaçam e, como vou finalizar, usam a própria mãe para defender suas doentes convicções e idolatrias.

Refiro ao caso do personagem da história recente do Brasil, um conhecido empresário catarinense, que atende pela alcunha de Zé Carioca. Esse desqualificado senhorzinho, defensor de um governo igualmente desacreditado, nem com a perda da mãe pela COVID – tratada com cloroquina e azitromicina – se sensibilizou com a idiotice defendida pelo pR. Ao contrário, se valeu dessa situação para fazer apologia de um tratamento rechaçado pela ciência e pesquisadores.

Por mais irracional e absurdo que seja, essa gente insiste em remar contra a maré. Comunista nunca comeu criancinha e capitalista – ao que vemos – vende a própria mãe. Essa é a triste realidade desse desgoverno eleito pelo voto da maioria dos brasileiros (55%) e que hoje tem o apoio de apenas 15% de truculentos, barulhentos e agressivos “cidadãos que se auto proclamam de bem”.

*
Curta: Facebook / Instagram

2 thoughts to “Criancinhas e mamães na berlinda (comunistaXcapitalista)”

  1. Que belo e pungente retrato, fiel, da nossa sociedade hoje, “nossa gente anda falando de lado e olhando pro chão”.
    Espero que venha logo o ungido para tomar as rédeas dessa trem desgovernado.
    Espero em Deus.
    Parabéns pela coluna, tirou
    esse grito de nossa garganta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.