Quem é você?

Rosangela Maluf Aquela foto no porta retratos me olha. Um olhar intenso! Em preto & branco como se perguntasse em quem me tornei depois de tantos anos. Olho para aquele rostinho ligeiramente sorridente. Um rostinho bonito, parecendo feliz, ar de calmaria.  Pouco questionador, na foto. Não parece querer saber muita coisa. Mas tem várias perguntas pra mim. Com meu olhar de adulto inquieto, pergunto-me quais … Continuar lendo Quem é você?

A caderneta

Peter Rossi Embora negasse, além do medo de altura que fazia suas pernas formigarem, Ernesto tinha um lado hipocondríaco. Volta e meia sentia dores que nunca se repetiam. Quedava na cama pensando que a vida se esvairia dali algumas horas. Organizava os pensamentos e estabelecia suas prioridades, embora convicto de que jamais conseguiria atingi-las. Numa dessas, quase voltando da morte que não lhe assombrou e … Continuar lendo A caderneta

Dias azuis

Taís Civitarese Sigo vivendo um pouco inconformada. Queria um lugar no mundo para colocar a tristeza. Geralmente ela precisa ficar escondida, não transparecer para não preocupar os outros. O “normal” é estar bem. Acho isso estranho. O normal é não sentir. Ser casca grossa, resistente. Serão estes os que sobreviverão? Sobreviver é mais importante que sentir? A tristeza tem vivido por aqui e me inunda … Continuar lendo Dias azuis

O eco de Lô

Pé na estrada. Assim viveu Lô Borges – tênis surrado, alma livre, autógrafos dados com o mesmo gesto simples de quem oferece um pedaço de vida. Assim viveu, assim despediu. Da esquina de Paraisópolis com Divinópolis, no bairro Santa Tereza de Belo Horizonte, partiu o menino do Clube da Esquina para o gigante movimento da música mineira e brasileira. Daquele canto de cidade, entre ladeiras … Continuar lendo O eco de Lô

Protegendo o cérebro

Eduardo de Ávila Tenho dito, não só aqui mas também nas minhas prosas diárias, que estou vivendo uma fase que sugere buscar menor incidência de conflitos e buscar valorizar o tempo de vida que me resta aqui neste plano. Tomara que outro tanto quanto já experimentei, não em quantidade (impossível) e sim em qualidade. Sem perder e/ou abandonar os princípios que me nortearam por uma … Continuar lendo Protegendo o cérebro

Fui sabendo de mim quando te encontrei.

Silvia Ribeiro Uma respiração trêmula e espessa regressou após dias longínquos, ficando transparente diante das minhas pupilas no minuto em que eu me aproximei do seu corpo. Estímulos que haviam se petrificado, no sentido de não me encontrar disponível, ocuparam o meu coração desatento com candura, e eu esperei pelas palavras que saiam da sua boca como quem aguarda uma fruta madurar no pé. Abandonei … Continuar lendo Fui sabendo de mim quando te encontrei.

Propósito

Mário Sérgio Das muitas ações prometidas para o próximo ano, mês ou a segundafeira que vem, poucas se cumprem. Algumas delas até são tentadas, iniciadas, mas abandonadas em pouco tempo. Expectativas de eliminar alguns quilos, aposentar o cigarro, parar de beber e até mesmo buscar um emprego ou outra fonte de renda com foco em sair da dependência de terceiros para sobreviver. Inclusive sob o … Continuar lendo Propósito

Comoção

Taís Civitarese Hoje não há nada de importante para escrever que não seja tentar demonstrar solidariedade por uma família que está sofrendo. Algo impensável aconteceu. O que fazer quando acontece algo assim? Quando a vida se mostra mais brutal do que qualquer história imaginada? A capacidade de resiliência humana é potencialmente gigantesca. A habilidade que temos para suportar o sofrimento é enorme. Entretanto, diante de … Continuar lendo Comoção