Revisitando tempos da minha história

Eduardo de Ávila

Fim de temporada. Embora seja naturalmente um novo dia como outro qualquer, vira a chave do 2025 para 2026. Já se vão duas décadas e meia pós-virada de século e milênio. Nuh!!!

Me sugere recordar minha infância. Uma vizinha amedrontava a meninada. Adorava referir a uma profecia. “Um passará, dois não chegará”, atribuida a Nostradamus. Seria o fim do mundo e fazíamos contas apavorados. Passou e já muito mais que o previsto.

Bem vividos, diga-se! Sem arrependimentos do que fiz e tampouco do que deixei de realizar, com disposição (ainda que a energia apresente curtos-circuitos) de seguir o mesmo caminho. Apaixonado pelo time do meu coração e militante das minhas convicções. Sem partido e defensor da Justiça Social.

Sei que nos dois casos tem gente que se sente incomodada. Fazer o que? Por exemplo, aqui neste Mirante, sempre e sem constrangimento me expondo. Ocorrem, ainda que nem tanto amiudes, eventuais puxadas de orelhas. Patrulhamento tipo, “como pode pensar assim?” Alguns até desafiam.

Situações que seriam desconfortáveis, mas que a mim nessa altura dos tempos, são saudáveis. Tenho duas listas de transmissão. Numa, em linha específica, para assuntos do Galo. Gols, lives e informes que julgo ser do interesse do Atleticano.

Na outra, além de ser meu número de celular principal, envio semanalmente (terças) essa postagem do Mirante. Em ambas deixei claro se não fosse interesse em receber, sem desconforto ou embaraço, só avisar que seria compreensível. E reafirmo, pois evitaria desgaste. Apenas dois ou três manifestaram e seguimos no mesmo tratamento.

Eventualmente, aí é unilatetal de minha parte, retiro um/a ou outro/a filtrando reação recebida. Tenho muitas/os amigas/os que divergem do meu pensar e dialogam sobre nosso contraditório. Ai descobrimos algo saudável. Percebem que não sou radical (nem petista ou comunista – lobisomens dos reacionários -, como insistem mal informados) e eu que não são bolsolóides. E a vida ganha melhor sentido.

Digo isso, pois mesmo sendo a virada de ano tão e somente uma mudança no calendário, vou aproveitar e aperfeiçoar minha seletividade. Meu ano foi muito intenso e as vezes tenso, desejo viver com mais e mais leveza os tempos que me restam a cumprir. Não quero amolar ninguém e menos ainda ser importunado e/ou aborrecido. Esse mundo virtual, agravado agora com a IA, ficou muito chato.

E foi assim que passei a última semana. Recolhido em Argenita, distrito de Ibiá e perto da minha Araxá, como um ermitão numa casa cedida pela dona Vera. Lá se diz Genita ou Ginita, um lugarejo de 200 casas e 850 moradores (último censo do IBGE). A pequena propriedade rural do papai era bem próxima, sendo que um dos passeios da infância era vir até o arraial (pé ou cavalo), alimentando enorme romantismo sobre o futuro. E tudo foi tão diferente.

Mas, agora, esse reencontro tem muito significado. A atmosfera conspirando por novos tempos. Vi e ouvi pássaros, dirigindo por estradas rurais em terra e assitindo o escurecer sem trânsito e buzinas. Apesar do asfalto, as ruas e o traçado são os mesmos. O calor menos intenso, já que restam espaços com terra e plantas. E os casos? Sem comparação e sem esbanjamento e/ou excentricidade. Valeu, Ginita. Volto breve!

Em tempo: agradeço a cada morador/a que me acolheu nas pessoas das donas Vera e Sônia. As duas viabilizaram meu desejo de vivenciar esses dias. Exatamente assim como desejei.

9 comentários sobre “Revisitando tempos da minha história

  1. Bom dia,

    É sempre com prazer ler seus pensamentos descritos nas postagens, para 2026 antes de tudo desejo a nós que já passamos dos 60… bastante saúde para podermos enfrentar tudo que o presente e futuro nos reserva.
    Que nosso Galo não interfira prejudicando nosso humor, que seja motivo de comemoração e nossos objetivos sejam alcançados.
    Muita paz e tranquilidade no ambiente familiar e profissional, amor não pode faltar.
    Um feliz ano novo, que venha 2026!
    Abraços!

  2. Bom Dia ,Eduardo de Ávila! As memórias afetivas nos sustentam de paz e também nos alimentam de afetividade e amor. Vamos depois dos 60 anos vivendo pequenas despedidas, bons recomeços e alguns necessários começos. Um 2026 cheio de harmonia, carinho e verdadeiros amores para você! Abraços Fraternos, Patrícia Lechtman

  3. A volta à terra (torrão natal) sempre nos enche de alegria e nos traz grandes recordações. O mesmo acontece comigo quando visito minha amada Astolfo Dutra, a princesa da… rsrsrsrs. Um abraço.

  4. Que massa! Fui muitas vezes a Argenita, inclusive nas festas que os fazendeiros da região promoviam uma vez por ano. Era uma praça larga com uma igreja e um campo de futebol na frente, ambos rodeados pelas casas dos moradores. Acredito que ainda seja assim. Minha tia torta, Bernadete, tinha dois irmãos fazendeiros ali perto, Zezé e Carlinhos, e na minha infância passei muitas férias em suas propriedades. Acho que essas boas lembranças me marcaram de forma inconsciente, pois persegui ao longo da vida o desejo de um dia ter um pequeno sítio com terreno fértil para plantar e colher. Hoje esse sonho está realizado em Igarapé.

  5. Grande Dudu Ávila, me senti presente neste belo texto. Recordando minha adolescência em Pompéu. Onde passo minha velheci.
    Aproveitando, desejo um ótimo 2026 – dá-lhe GALOOOO

  6. Caro Eduardo, suas palavras sempre nos tocam. Grata. Seu relato de viagem trouxe-me à lembrança vivências da minha infância. Morava em uma cidade de porte médio e, nas férias, ia para as fazendas de meus tios em Martinho Campos. A rotina fascinava-me: acordar cedo, beber leite no curral, comer os biscoitos da tia, passear a cavalo, escalar os pés de manga, nadar no córrego…
    Desejo uma ótima passagem de ano a você, seus leitores e familiares de todos!
    Abraço afetuoso. Marly Sorel

  7. Aínda que não beberrão, caro Eduardo, você foi se embriagar na energia mais pura que existe: a simplicidade, virtude essencial para quem sonha com a plenitude humana. É nesse cantinho de alegria, verdade e paz que até a alma gosta de dançar. Feliz tudo, gratidão por tudo e que tudo conspire na direção dos seus sonhos.

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