Eduardo de Ávila
Carrego decepções com o tratamento dado a nós, consumidores, por onde passamos. Recentemente comentei aqui sobre o desdém que me foi apresentando numa unidade de Saúde, onde sempre utilizei e até mesmo fiz radioterapia. Neste setor, nota mil, mas concomitante ao tratamento tive de passar pelo Pronto Atendimento e voltei decepcionado para casa. Pior, com meu estado clinico sob risco pelo mal atendimento desse PA. Entre as justificativas para o mal trato, uma delas foi se valer da “troca de turno” para tentar explicar o abandono para tirar minha “via de acesso”. Me custou o PCR – Proteína C Reativa – pular de 12 para mais de 170. O desejado seria até um, no máximo três. Esse segundo exame beirou a porta da cova, segundo o atendimento no dia seguinte noutro Pronto Socorro. Ainda não penso em troca de plano existencial, estou feliz aqui encarnado.
Deixando esse descuido de lado, ainda sobre troca de turno, tenho costume de abastecer no mesmo posto de gasolina. Via de regra perto de onde estou morando. Com minha mudança de endereço recente, elegi um da Rua Pinhum-i da bandeira Ipiranga. Até que, numa das idas, por volta de 14h, o frentista me advertiu. “Aguarde dez minutos, estamos em troca de turno”. Nunca mais voltei no estabelecimento. Até encaminhei registro para a Ipiranga, que ao invés de simplificar, passou a me enviar e-mails insistentes solicitando detalhar o ocorrido. Ora, eles que se virem e deem melhor tratamento, sigo noutro abastecimento também próximo. Sobre viagem aérea, carregava comigo a decepção de um retorno direto – bem cedinho – de Porto Seguro para Belo Horizonte. Por razões climáticas fui parar em São Paulo, de onde me mandaram para o Rio de Janeiro e de lá para meu destino, chegando só no final da tarde.
Pois bem, ainda carrego essa decepção com a Latam, mas um caso recente que vou tentar narrar aqui me obriga a entender que isso foi “café pequeno”. Uma pessoa de minha relação próxima, voltando semana passada (quinta) para Belo Horizonte, com escala em São Paulo. Previsão de chegar em BH por volta de 23h. Por atraso da mesma Latam, perdeu a conexão e – acreditem – remarcaram para Caxias no Rio Grande do Sul. Lá deveria ir até Porto Alegre e pegar voo para Belo Horizonte, com previsão de chegada na noite seguinte. Com toda propriedade deu piti e segurou relativamente o choro em Guarulhos, onde a situação ainda foi mais caótica. As bagagens. Sem informação, alegaram até que o serviço é terceirizado e essa famigerada troca de turno, com a esteira só recebendo as malas depois de três horas do pouso. Isso já era em torno de três da manhã.

E, concomitante, por localizar as malas tratar de rever essa maluquice de ter de ir ao Rio Grande do Sul. Nessas idas e vindas, entre os terminais de Guarulhos, ajustaram um voo por volta de 8;30 para Confins. Mas e as malas? Estavam em algum lugar de acesso impossível. Eram duas, até que uma delas foi “avistada” pela passageia. De posse da primeira, a luta para encontrar a segunda bagagem. Estava despachada para Caxias. Novo piti, ou piti continuado em meio ao desespero. Valeu! A mala apareceu e asseguraram que seria transferida para o seu mesmo voo. Ao chegar em BH, já quase meio dia da sexta-feira, alívio, estava na esteira. Na correria, direto para casa, ajustar a vida depois de duas semanas fora a trabalho.
Já no sábado, bem cedinho, nova viagem – agora para outra localidade – igualmente profissional. Serão mais duas intensas semanas e o dia que teria para descansar e curtir a família ficou por conta da desordem da Latam. Algumas pessoas sugeriram acionar a Justiça pelos danos morais – emocionais claro – causado com essa desorganização da empresa aérea. Ah! A pretensa ida até o RS foi atribuída por um dos atendentes como erro do sistema. Ora, cá entre nós, o sistema erra e o usuário/passageiro que se ferre? Tinham, ao que penso, de colocar um humano – com boa vontade – para tratar do problema e não deixar o passageiro no limite do esgotamento.
O caso é até bem mais longo, a memória do redator não ajuda, mas fato é que sobre essa questão de judicializar o entendimento não é nada favorável. A tendência dos Tribunais é de mero dissabor não indenizável. Aos julgadores pouco importa se a incompetência dessas empresas tenham causados transtornos em compromissos pessoais e/ou profissionais. No STF estão suspensas ações dessa natureza. Para a insensibilidade das companhias aéreas e até do Judiciário, desimportante é se o usuário ficou sem dormir a noite toda, se o atraso ocasionou o cancelamento de compromissos – pessoais ou profissionais – muito menos se entre quinta e sábado, a sexta-feira estaria reservada para descanso e reenergização para compromissos na sequência dos dias. Que lástima! Desdém e descaso!
Eduardo, parabéns! É preciso divulgar essas terríveis ocorrências. Grata.
Boa Tarde Eduardo de Ávila! Quanta indignação! Quanto desdenho! Parabéns por ter força para relatar tamanha falta de consideração das empresas. Precisamos divulgar e denunciar. O Brasil não é terra sem lei como “alguns” ainda pensam. A democracia vencerá! A luta continua! Abraços Fraternos, Patrícia Lechtman.
Voltei de avião de SP porque a Fernão Dias tá a mesma coisa. Todo dia acidente, carreta tombada, três horas parado na estrada e a concessionária informa apenas que o atraso é “por motivo de ocorrência”, sem dar nenhuma previsão. Voltei de avião, dei sorte, atraso de meia hora. Tá difícil escolher os caminhos, amigo.
Meu amigo e companheiro Eduardo , como sempre estou de olho em vc. Cara o que aconteceu com vc e seu amigo, é um absurdo que infelizmente já caiu na rotina de qualquer segmento público, de ordem particular ou governo. Pior ainda as empresas aéreas que fazem o que querem e não tem nenhuma punição. Mesmo porque não batem quem é como puni-las. Meu amigo, então faça como eu, que aprendi com meu querido e saudoso pai. Deixo aqui pra vc , algumas dicas dele. Primeiro, quando viajar a trabalho e de avião, saia com uma certa antecedência e ainda assim disposto a ter que passar muita raiva. Mas tente não passar, leve numa boa. Se tiver jeito pegue um advogado amigo e meta ferro na companhia aérea. Isto é possível e tem dado certo. Elas têm perdido tudo e tem feito coisas sensacionais para o passageiro, como oferecer viagens de graça e primeira classe. Segundo, nos hospitais, em qualquer setor, principalmente os prontos atendimentos, procure sempre alguém que esteja a cima da ou do atendente e faça ameaças de colocar tudo em exposição. Dê carteirada, aumente o tom de voz, anote nomes e protocolos e ameace ir também a justiça. Mad tudo isto, sem se estressar e perder saúde, leve tudo numa boa e gozação. Faz raiva neles.
Boas dicas. Vou implementar, exceto essa da carteirada. Opto por postar aqui. Valeu!!!
É duro, mesmo! Com tanta descarga de cortisol, ainda corremos o risco de adquirir um Transtorno de estresse pós traumático!
As companias aéreas já reservam valores para pagar causas perdidas na Justiça. É uma avalanche de ações contra elas