Na próxima temporada 

Andei refletindo. Aliás, começo de ano é bem propício para isso. 

Arrisco a dizer que crucial.

Na próxima temporada, quero vir “Mulher”.

Ainda que incessantemente sejamos bombardeadas, externa e internamente, por um mundo com objetivos e necessidades artificiais, temos uma conexão com a vida que vai muito além do espaço físico.

Numa posição analítica, acredito que temos uma satisfação interminável acoplada nas nossas células e um ser divino morando dentro da gente.

Um fenômeno capaz de metabolizar as nossas tristezas, desfazer os nós da nossa garganta e restaurar os nossos pedaços, com uma habilidade quase que exclusiva.

Somos movidas por uma energia que evita que a nossa essência se desmorone e que nos ressuscita todos os dias.

A nossa força e fé demonstram isso.

Saindo desse terreno abstrato e entrando no glamouroso evento da carne, dizer que somos esculturas é um clássico.

E isso causa um impacto efervescente nos pensamentos e nas emoções coletivas.

Sou até capaz de visualizar um(a) Deus(a), nos modelando com a ternura de quem pratica um milagre.

Com um sorriso que vai se abrindo em meio à solitude das minhas bochechas, percebo que estou prestes a me aproximar de um encantamento.

Uma garoa que vai e vem do lado de fora da minha casa, feito um piano que sempre toca uma música angelical e o cheiro de um barro perfumado deita ao meu lado.

Um ser divino modela um milagre.

Com vários nomes a sovar nas suas mãos, nascem.

Marias, Luizas, Joanas, Anas e tantas outras.

Vejam!

Uma Silvia acabou de nascer.

10 comentários sobre “Na próxima temporada 

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