Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Trabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

‘Santa Ceia’ invertida

Guilherme Scarpellini
scarpellini.gui@gmail.com

Correu pelos nove círculos do inferno, até chegar aos ouvidos do chefe. Foi quando soube de uma famosa pintura que retratava o seu rival, esbanjando-se à mesa farta ao lado de 12 bons companheiros, e que vinha causando um alvoroço no reino dos mortais.

Agora não havia pecado capital que o fizesse desistir. Tinha a ideia fixa na cabeça, como o próprio par de chifrinhos: o Diabo queria uma “Última Ceia” igualzinha.

Mandou um diabinho subir na Terra, e procurar o tal do da Vinci. Mas não conseguiu o encontrar nem por reza brava, porque o diabinho — um diabo de princípios — não podia rezar.

Sem saber onde diabos o da Vinci havia se metido, o diabinho contentou-se então com o de Mello — o decano da arte de esculpir as estranhas dos reis. O homem não sabia pintar, mas prometeu pintar o sete.

Concluída a obra com esmero, dedicação e requintes de crueldade, de Mello fez suspense e manteve a desagradável surpresa sob o sigilo de todos.

Até que deixou o pano cair, fazendo com que o Diabo dissesse “Deus me livre”. Pois lá estava ela. A portentosa e horripilante “Santa Ceia” invertida — do jeito que o Diabo gosta.

Tal como a obra chinfrim da concorrência, o Diabo foi retratado ao centro dos seus discípulos. Era o momento em que ele anunciava: “um de vós me há de trair, porra”. Ao que um dos seus homens mais fiéis, reconhecido pelo exemplar compromisso com a justiça parcial, dizia: merda.

Sucederia então um bacanal bastante republicano, marcado por grandes palavras, que entrariam para os anais — outro belíssimo vocábulo — da política brasileira como “palavrões” de ordem.

Cem anos depois, o bisneto do escritor Dan Brown lançaria o romance “O Código De Mello”, em que a quinta geração do personagem Robert Langdon revelaria as mensagens subliminares contidas na “Santa Ceia” invertida.

De acordo com o best-seller — que viraria filme estrelado por Tom Hanks Neto — o general sentado à esquerda do Diabo não era Maria Madalena, mas também não era um general. Era apenas um soldadinho de chumbo, que servia de brinquedo para os moleques depravados — 01, 02, 03, 04…

Mas o que causou mesmo um rebuliço dos infernos foi uma revelação ainda mais cabreira: no centro da mesa, não era o Diabo. Nem o chupa-cabra, o belzebu, o bicho-papão, o tinhoso, o cão, aquele-que-não-deve-ser-nomeado, o capiroto, o monstro do lago Ness, o jacaré da lagoa da Pampulha, o bumba meu boi, a cuca, o lobisomem, o coronavírus, o homem do saco ou macaco da porta dos desesperados.

Era muito pior do que isso — e mais um pouco.

A famigerada reunião ministerial, de 22 de abril de 2020 (Reprodução/Youtube).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.