Warner apresenta Mortal Kombat às novas gerações

Depois de um filme divertido em 1995 e uma sequência terrível em 1997, a franquia Mortal Kombat foi interrompida. A dona do videogame faliu e levou tempo até a situação se resolver e a Warner Bros. decidir levar os personagens novamente ao Cinema. Sem nenhum subtítulo ou complemento, o novo Mortal Kombat (2021) foi lançado trazendo um personagem original como protagonista, uma espécie de guia para conduzir o espectador. Assim, todos descobrimos juntos o que está acontecendo.

O filme de 95 pegou um dos principais personagens do jogo, Liu Kang, e o colocou como o herói, que acaba encontrando outros mocinhos e os vilões. Eles vão para um torneio numa outra dimensão e lutam para salvar a Terra. Nessa nova aventura, Kang (Ludi Lin) já se prepara para as lutas e entra na trama num ponto mais avançado. Cole Young (Lewis Tan) é um lutador de MMA pago para apanhar em lutas arranjadas. A esposa e a filha se cansaram de vê-lo tomar surras homéricas, mas é assim que ele paga as contas.

Quando de repente o tempo esfria, Young descobre que está sendo perseguido por um ninja assustador, Sub-Zero (Joe Taslim – abaixo), por causa de uma marca que ele traz na pele. A partir daí, alguns dos nossos velhos conhecidos são introduzidos, como Sonya Blade (Jessica McNamee), Jax (Mehcad Brooks) e Kano (Josh Lawson). Eles acabam conhecendo Lorde Raiden (Tadanobu Asano), protetor da Terra, e o vilãozão geral, Shang Tsung (Chin Han), que pretende dominar nosso planeta.

As regras para essa treta toda não ficam claras e parecem ser mudadas à medida que o roteiro demanda. O roteirista que foi encarregado do projeto, o estreante Greg Russo (que assina com Dave Callaham, criador dos Mercenários) já assumiu com a tarefa de colocar Young à frente dos demais. A ideia do estúdio é não deixar perdido o público mais jovem, que pode não conhecer bem o jogo. Para os que cresceram na década de 90, não faltam termos mais do que esperados, como “fatality” ou “flawless victory”.

Antes de conhecermos Cole Young, uma introdução traz uma sequência de luta muito elaborada, que já deixa o público no clima para as próximas quase duas horas. Conhecemos a história de Hanzo Hasashi (Hiroyuki Sanada) e sua rixa com Bi-Han, o futuro Sub-Zero. Os dois são, de longe, os personagens mais interessantes do filme, e fazem ótimo uso da mitologia do jogo. Lewis Tan, o intérprete de Cole Young, é competente, mas não consegue disputar a atenção do espectador com as figuras clássicas que vão aparecendo, caracterizações criativas como as de Reptile, Goro, Nitara, Reiko, Kabal…

Algumas cenas de violência podem chocar os incautos, mas é exatamente o que se espera de um filme chamado Mortal Kombat. O diretor e produtor Simon McQuoid, em seu primeiro longa, cria sequências interessantes e aproveita ao máximo o roteiro fraco que tem nas mãos. Para começo de conversa, é inexplicável que a turma de Shang Tsung queira a qualquer custo impedir a realização do torneio, sendo que venceram as últimas nove edições. E a Terra demorou um bocado para tomar uma atitude, não? E, seguindo a lógica, a única certeza que temos ao ver o filme é de que teremos de fato um Mortal Kombat.

Personagens clássicos não faltam!

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À Espreita do Mal e Vozes e Vultos reforçam o catálogo da Netflix

Duas novidades engrossam a força do suspense no catálogo da Netflix. De 2019, mas chegando agora, temos o surpreendente À Espreita do Mal (I See You), que consegue mexer com a percepção do público indo por uma direção e, logo depois, mostrando que não era bem assim. Já o outro longa, Vultos e Vozes (Things Heard & Seen, 2021), segue uma linha mais tradicional de casa assombrada. Passa duas horas tentando construir uma atmosfera assustadora para jogar tudo fora com um final descabido.

De cara, À Espreita do Mal dá uma sacolejada no espectador com uma cena bem pensada, instigante e visualmente interessante. Um garoto desaparece, o método do sequestrador remete a polícia a um criminoso preso e um investigador se vê sem pistas. Em casa, o sujeito também tem problemas, com uma esposa infiel e um filho revoltado. Se o momento já não parecia bom para Greg Harper (Jon Tenney, de True Detective), experimente acrescentar eventos sobrenaturais, como objetos que se mexem sozinhos e fotos que somem da parede.

Escrito pelo ator Devon Graye (o Trickster de The Flash), o roteiro segue a família Harper até um certo ponto, quando acrescenta novos personagens e traz um conceito que não é muito comum no Brasil: o phrogging. Tudo é bem explicado, não é necessário estudo prévio para entender a trama. Filmes que têm reviravoltas forçadas costumam nos chamar de estúpidos, querendo que acreditemos no impossível para que as peças se encaixem. Não é o caso aqui. É tudo uma questão de ponto de vista.

No elenco, apesar de ter Tenney como o detetive, quem funciona como protagonista – ao menos na primeira parte – é a esposa dele, vivida por Helen Hunt (acima). A atriz oscarizada, vista recentemente em O Recepcionista (The Night Clerk, 2020), parece ter cedido às pressões que artistas sofrem quando chegam a uma certa idade. O rosto, muito mexido, não lembra tanto a Jaime de Louco Por Você (Mad About You), mas ela continua afiada. Há ainda Judah Lewis (de A Babá, 2017 e 2020), Owen Teague (de The Stand) e uma ponta não creditada de Sam Trammell (de True Blood).

O diretor Adam Randall parece gostar de experimentar, fazendo Cinema com novas tecnologias e usando bem um subgênero que já estava exaurido: o das found footage, tão popular depois de A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project, 1999). Ele consegue um resultado bem mais satisfatório que os colegas Shari Springer Berman e Robert Pulcini, sempre lembrados por Anti-herói Americano (American Splendor, 2003). Vozes e Vultos nunca passa do morno, e naufraga no final, quando cruza todas as linhas do verossímil.

Lançado diretamente na Netflix, o filme adapta o livro All Things Cease to Appear, de Elizabeth Brundage, e nos apresenta ao casal Claire. Catherine (Amanda Seyfried, de Mank, 2020) é uma restauradora de arte que tem o emprego de seus sonhos em Nova York. Ela concorda em abandonar tudo e se mudar para o interior do estado quando o marido, George (James Norton, de Adoráveis Mulheres, 2019), é convidado para ser professor de arte numa universidade.

Lá, um velho clichê ataca: eles compram uma casa antiga e enorme que guarda muitos segredos. Na verdade, quem guarda os segredos é George, que sabe de tudo e receia que a esposa ficaria perturbada com a verdade. A filha pequena começa a ver coisas, o que logo acontece com Catherine também. George vai tendo cada vez mais um comportamento canalha e o que era morno esfria de vez. Os atores fazem bem o que lhes cabe, mas é o roteiro que não ajuda. Berman e Pulcini são criativos na direção, mas não conseguem boas saídas para a história.

Além dos competentes Seyfried e Norton, o elenco guarda outras surpresas. Dois grandes talentos vistos recentemente em séries dão as caras: Rhea Seehorn (de Better Call Saul) e Natalia Dyer (de Stranger Things). E há dois veteranos a quem não sobra muito o que fazer: Karen Allen, a Marion da franquia de Indiana Jones, e F. Murray Abraham (de Homeland). Apesar de tantos bons nomes envolvidos, Vozes e Vultos nunca consegue empolgar e só serve para fazer número entre as opções do streaming.

Abraham conduz uma sessão espírita na casa

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Tom Clancy nos apresenta a um espião Sem Remorso

Quando se pensa na obra de Tom Clancy no Cinema, o primeiro nome a vir à mente é o do agente Jack Ryan. Afinal, são cinco longas, além de uma série recente, com cinco diferentes intérpretes. Já nos livros, o personagem não é o único importante do escritor: John Clark também tem sua cota de aventuras. Os dois agentes, inclusive, já se encontraram algumas boas vezes. Dando uma folga ao badalado Ryan, a Amazon Prime Video traz Sem Remorso (Without Remorse, 2021), suspense que pode ser o início de uma nova franquia.

Vingança é uma palavra que resume bem a trama do filme. O fuzileiro John se prepara para deixar a vida militar e entrar para o mercado de segurança particular. O assassinato de sua esposa grávida muda o cenário. E é uma ótima oportunidade para Michael B. Jordan mostrar que não deixa nada a dever a Tom Cruise e suas missões impossíveis. O ator vem estabelecendo uma carreira diversa, e não foge de um grande esforço físico, como é o caso aqui – e em Creed I e II, Pantera Negra, Quarteto Fantástico etc.

Repetindo a dobradinha de Sicário: Dia do Soldado (Sicario: Day of the Soldado, 2018), Stefano Sollima dirige e Taylor Sheridan escreve (com Will Staples). E esses são dois pontos interessantes de Sem Remorso: uma direção enxuta e objetiva e um roteiro que não dá voltas. O protagonista não titubeia antes de dar uns tiros e matar quem entrar na frente. Com o histórico de feitos de John, passamos a acreditar que ele é capaz de tudo, e nada surpreende.

Uma coisa que o roteiro faz é levar o público a direções erradas para, em seguida, tentar surpreender. Às vezes funciona, às vezes não, mas não chega a ser um problema. Afinal, tramas de espionagem fazem isso, e com o saudoso Clancy não seria diferente. E o bom elenco ajuda a tornar tudo mais interessante. A durona Jodie Turner-Smith (de Queen & Slim, 2019 – acima) faz a líder do batalhão, com Guy Pearce (de Bloodshot, 2020) como o secretário de segurança e ainda tem Jamie Bell, colega de Jordan em Quarteto Fantástico.

Numa primeira olhada, Sem Remorso parece um filme de ação bem genérico. Mas os nomes de Jordan e Clancy no cartaz atraem a atenção. E não vai se arrepender quem der uma chance. O ator segura bem a trama e as quase duas horas passam rápido, nos levando de uma reviravolta a outra. Quem conhece a obra do escritor já imagina o que virá a seguir, tudo depende do sucesso dessa aventura – que teria sido bem apropriada à tela grande, o que ainda não é possível. Quem sabe veremos um outro encontro de John e Jack, dessa vez ambos com o mesmo peso?

O mundo pode pegar fogo que Michael B. Jordan terá sua vingança!

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Falcão e o Soldado Invernal trazem mais aventuras Marvel para a TV

Depois que WandaVision chutou a porta, Falcão e o Soldado Invernal (The Falcon and the Winter Soldier) estreou com a responsabilidade de manter alto o nível das séries do Universo Cinematográfico Marvel que a colega estabeleceu. Sem o tom nostálgico de homenagens, a série parte para algo mais sisudo. Não deixa de ter humor, mas há temas sérios sendo tratados. Mas não se engane: o forte, ali, é a ação.

Da mesma forma que a série de Wanda Maximoff era sobre luto e o sentido da vida, Falcão é sobre honra, legado, o lugar de cada um no mundo e, acima de tudo, a questão do negro na sociedade. Especificamente, na norte-americana. Para quem se escondeu em uma caverna nos últimos anos, é bom explicar que a história começa após os eventos de Ultimato (Avengers: Endgame, 2019), filme que conclui a fase três do UCM. O Capitão América (Chris Evans) entregou o escudo para o amigo Sam Wilson (Anthony Mackie) e, já idoso, despediu-se das aventuras heroicas.

Com o estalar de dedos de Thanos revertido, todos os cidadãos que haviam sido desintegrados voltaram, após um intervalo de cinco anos. E o governo americano se vê na obrigação de reintegrar essas pessoas. No submundo, um grupo é formado para, por meio de atentados, obrigar o comitê responsável a manter o mundo como era quando as pessoas sumiram. “Um mundo, um povo” é o lema dos Apátridas, liderados por Karli Morgenthau (Erin Kellyman, de Han Solo, 2018), versão feminina de um vilão dos quadrinhos.

Sam e Bucky Barnes (Sebastian Stan) se reencontram nas homenagens ao amigo deles, o Capitão Rogers, e logo descobrem que os Estados Unidos precisam que alguém vista as estrelas e listras que tanto deram esperança ao povo. Um novo capitão do exército é escolhido, o condecorado John Walker (Wyatt Russell, de Operação Overlord, 2018), e temos novamente um Capitão América. Completando o caldo, o roteiro ainda consegue uma forma inteligente de trazer de volta dois personagens queridos do público: a agente Sharon Carter (Emily VanCamp) e o Barão Helmut Zemo (Daniel Brühl).

Quem acompanha os filmes desse universo conhece os nomes citados e vibra por acompanhar esses desdobramentos. Os fãs de quadrinhos têm uma ideia de onde tudo isso vai chegar. Mas ninguém consegue prever como tudo isso vai se amarrar. E há ainda o envolvimento de Isaiah Bradley (Carl Lumbly, de Doutor Sono, 2019 – abaixo), um super soldado negro mantido preso por décadas para testes. Com Sam Wilson como protagonista, a questão do negro nos Estados Unidos ganha força.

É interessante ver um herói reconhecido no mundo todo, um Vingador, que não consegue um empréstimo no banco para pagar as dívidas da família. Sam foi escolhido por Steve Rogers como seu sucessor, mas sente que não será aceito apenas pela cor da sua pele. E Bucky, que luta contra seus próprios demônios, não entende as escolhas de Sam. Com uma relação algo como Um Estranho Casal (The Odd Couple, 1968), os dois estão sempre aos trancos, mas compartilham os mesmos objetivos.

A metáfora do soro do super soldado é bem interessante. Se você quer conhecer bem uma pessoa, dê poder a ela. Steve Rogers era um herói às antigas, alguém que não vemos mais por aí. Os recursos tecnológicos inventados por Tony Stark, Hank Pym, SHIELD, HYDRA ou até os cientistas de Wakanda permitem que qualquer um se torne um super-herói. Mas ter a força correndo no sangue realmente revela o interior do sujeito.

O conceito de terrorismo é outra discussão que a série traz. Quando se justifica o uso da violência por uma causa? Provavelmente nunca, mas Sam se identifica com o discurso de Karli, que realmente acredita no que defende. E o herói construído pela política e pela mídia, o novo Capitão América, inspira desconfiança desde o início. Atuações corretas seguram bem o drama criado por Malcolm Spellman (de Entourage), que já está contratado para escrever Capitão América 4.

O Capitão John Walker é uma das novidades da série

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Marginal Alado nos apresenta a um Chorão de várias facetas

Ao pensarmos nos grandes compositores do pop/rock nacional, costumam vir à mente os nomes de Renato Russo, Cazuza, entre outros medalhões. Por preconceito ou falta de conhecimento, um deles é relevado a um injusto papel menor: Alexandre Magno Abrão, mais conhecido como Chorão. Líder do Charlie Brown Jr., ele compunha, cantava, produzia, gerenciava… Basicamente, fazia tudo na banda. Oito anos após a morte dele, o documentário Chorão: Marginal Alado (2021) traz um pouco de luz sobre essa figura.

Em meio ao frenesi do Oscar, desbancando superproduções e trabalhos elogiados de gente famosa, Marginal Alado estreou em primeiro lugar nas plataformas digitais e mobilizou um público imenso. Essa é uma pequena prova da importância que Chorão segue tendo para seus fãs. Mas é preciso ressaltar que a obra não interessa apenas a estas pessoas: ela conta a história de uma época. E de uma pessoa bem controversa, de várias facetas, que desempenhou papéis diversos.

Em meio a produtores e parceiros de peso, o diretor Felipe Novaes faz a sua estreia à frente de um longa com o desafio de enriquecer a visão que temos de uma celebridade tida por muitos como um babaca, envolvido em agressões físicas e verbais com outros artistas. Não preocupado em desculpar seu biografado, Novaes mescla depoimentos, filmagens caseiras e reportagens de então para mostrar que Chorão era sim um cara complicado. E, ao mesmo tempo, foi a mente que levou o Charlie Brown Jr. a ser a maior banda do país.

Além de compor e cantar, Chorão passou a ser o produtor e empresário da banda, além de sempre ter sido a voz deles. Nos bons e nos maus momentos, era o frontman que dava a cara a tapa, como lembra João Gordo, outro desbocado líder de banda. O documentário mostra a loucura de se fazer shows o ano inteiro, a proximidade com álcool e drogas, as brigas internas, a dificuldade de se estar longe da família. Em menos de 80 minutos, dá para conhecer bem a rotina de Chorão e as principais questões que ele enfrentava.

Não se trata de cobrir toda uma vida. Marginal Alado escancara fatos que conhecíamos por alto, trazendo os próprios envolvidos para narrarem. Personagens como o baixista Champignon, que era uma espécie de irmão mais novo do vocalista, e a companheira de Chorão, Grazi Gonçalves, tornam as coisas mais marcantes e intimistas. Champignon morreu meses depois do amigo, não sem antes gravar entrevistas aparentemente sinceras com a equipe do documentário.

Em meio a aproximadamente 1500 horas de filmagens de naturezas diversas, Felipe Novaes, o co-roteirista e montador Matias Lovro e os produtores Hugo Prata e Fábio Zavala tiveram uma tarefa difícil. Selecionar apenas o que ajudaria a contar a história de Chorão, sem torná-lo mais palatável do que era, mas não menos genial. Gostando-se ou não da música deles, é bem fácil se entreter com Chorão: Marginal Alado. É como se, mais uma vez, eles tivessem invadido a cidade e feito o coro comê.

João Gordo é uma das várias personalidades a marcarem presença

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Oscar 2021 – Indicados e Previsões

É chegada mais uma vez a hora de conhecermos os escolhidos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS) como os melhores do ano. Depois de uma série de outras premiações, não é tão difícil prever os vencedores em algumas categorias. Em outras, no entanto, os premiados variaram, deixando as previsões um tanto nebulosas.

Em sua 93ª edição, a cerimônia promete maior diversidade entre seus vencedores. Há mais mulheres, negros e orientais indicados, fugindo um pouco do habitual. Há grandes chances de os quatro prêmios de atuação irem para intérpretes não brancos, o que é um bom sinal para o futuro. E a provável grande vencedora da noite, além de ser uma mulher, tem origem chinesa: Chloé Zhao pode levar os Oscars de Melhor Filme, Melhor Diretora, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Montagem. Seria outro recorde: uma só pessoa levar quatro prêmios por um mesmo filme.

A pandemia fez com que a entrega dos Oscars ficasse para 25 de abril, um mês depois do que costuma acontecer. E, mais uma vez, sem um apresentador, mas um grupo de convidados célebres (como esses abaixo) que vão se revezar. Como de costume, o canal a cabo TNT vai exibir no Brasil, assim como o streaming TNT Go e o site G1. Haverá um pré-Oscar, chamado Into the Spotlight, uma festa de 90 minutos com a apresentação dos indicados a Melhor Canção.

Pelo fato de os cinemas brasileiros estarem fechados (ou reabrindo agora), muitos dos indicados podem ser encontrados em serviços de streaming, principalmente Netflix e Amazon Prime Video. O recordista de indicações, por exemplo, é uma produção da Netflix: Mank, lembrado em dez categorias, que pode também ser o maior esnobado da noite. Seis longas foram indicados em seis categorias, entre eles Nomadland, de Chloé Zhao.

Com a junção das duas categorias de som, o número total caiu para 23. Abaixo, você confere a lista de indicados por categoria, com links para as críticas disponíveis no Pipoqueiro. O número 1 em frente indica o meu palpite para o vencedor e o número 2 indica aquele que eu gostaria que ganhasse. Se os dois coincidirem, terá apenas um X.

Melhor Filme

Meu Pai

Judas e o Messias Negro

Mank

Minari

Nomadland – X

Bela Vingança

O Som do Silêncio

Os 7 de Chicago

 

Melhor Atriz

Viola Davis – A Voz Suprema do Blues – X

Andra Day – Estados Unidos vs. Billie Holiday

Vanessa Kirby – Pieces of a Woman

Frances McDormand – Nomadland

Carey Mulligan – Bela Vingança

 

Melhor Ator

Riz Ahmed – O Som do Silêncio

Chadwick Boseman – A Voz Suprema do Blues – 1

Anthony Hopkins – Meu Pai – 2

Gary Oldman – Mank

Steve Yeun – Minari

 

Melhor Direção

Thomas Vinterberg – Druk – Mais Uma Rodada

David Fincher – Mank

Lee Isaac Chung – Minari

Chloé Zhao – Nomadland – X

Emerald Fennell – Bela Vingança

 

Melhor Atriz Coadjuvante

Maria Bakalova – Borat: Fita de Cinema Seguinte

Glenn Close – Era Uma Vez Um Sonho

Olivia Colman – Meu Pai – 2

Amanda Seyfried – Mank

Youn Yuh-Jung – Minari – 1

 

Melhor Ator Coadjuvante

Sacha Baron Cohen – Os 7 de Chicago

Daniel Kaluuya – Judas e o Messias Negro – X

Leslie Odom Jr. – Uma Noite em Miami

Paul Raci – O Som do Silêncio

Lakeith Stanfield – Judas e o Messias Negro

 

Melhor Filme Internacional

Druk – Mais Uma Rodada (Dinamarca) – 1

Shaonian De Ni (Hong Kong)

Colectiv (Romênia)

O Homem Que Vendeu Sua Pele (Tunísia)

Quo Vadis, Aida? (Bósnia e Herzegovina) – 2

 

Melhor Roteiro Adaptado

Borat: Fita de Cinema Seguinte

Meu Pai – 2

Nomadland – 1

Uma Noite em Miami

O Tigre Branco

 

Melhor Roteiro Original

Judas e o Messias Negro

Minari

Bela Vingança – X

O Som do Silêncio

Os 7 de Chicago

 

Melhor Figurino

Emma

A Voz Suprema do Blues – 1

Mank – 2

Mulan

Pinóquio

 

Melhor Trilha Sonora

Destacamento Blood

Mank

Minari

Relatos do Mundo

Soul – X

 

Melhor Animação

Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica

A Caminho da Lua

Shaun, o Carneiro: O Filme – A Fazenda Contra-Ataca

Soul – X

Wolfwalkers

 

Melhor Curta de Animação

Burrow

Genius Loci

If Anything Happens I Love You – X

Opera

Yes People

 

Melhor Curta-Metragem em Live Action

Feeling Through

The Letter Room – 2

The Present

Two Distant Strangers – 1

White Eye

 

Melhor Documentário

Colectiv

Crip Camp: Revolução Pela Inclusão – 2

Agente Duplo

Professor Polvo – 1

Time

 

Melhor Documentário de Curta-Metragem

Collete – X

A Concerto Is a Conversation

Do Not Split

Hunger Ward

Uma Canção Para Natasha

 

Melhor Som

Greyhound: Na Mira do Inimigo

Mank

Relatos do Mundo

Soul

O Som do Silêncio – X

 

Canção Original

Fight For You – Judas e o Messias Negro

Hear My Voice – Os 7 de Chicago

Husa’vik – Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars

Io Sì – Rosa e Momo

Speak Now – Uma Noite em Miami – X

 

Maquiagem e Cabelo

Emma

Era Uma Vez Um Sonho

A Voz Suprema do Blues – X

Mank

Pinóquio

 

Efeitos Visuais

Amor e Monstros

O Céu da Meia-Noite

Mulan

O Grande Ivan

Tenet – X

 

Melhor Fotografia

Judas e o Messias Negro

Mank

Relatos do Mundo – 2

Nomadland – 1

Os 7 de Chicago

 

Melhor Montagem

Meu Pai – 2

Nomadland

Bela Vingança

O Som do Silêncio

Os 7 de Chicago – 1

 

Melhor Design de Produção

Meu Pai

A Voz Suprema do Blues

Mank – X

Relatos do Mundo

Tenet

Esse ano não vai ter aglomeração

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Semana do Oscar: curiosidades sobre a premiação em 2021

por KTO Casa de Apostas

No próximo domingo (25), acontece a 93ª edição do Oscar, a maior premiação do cinema mundial. A edição deste ano será muito diferente das anteriores, e não é só por causa da pandemia de Covid-19. Há mudanças no número de categorias, na data, no protocolo da cerimônia e até em critérios para os filmes indicados. Ahhh, e os cinéfilos ainda podem faturar uma graninha. 

Confira abaixo sete curiosidades sobre o Oscar 2021:

  1. Novidades nas categorias de som do Oscar

Até o ano passado, o Oscar premiava os filmes em 24 categorias diferentes. Neste ano, o número caiu para 23. Isso porque a academia decidiu unir os conceitos de mixagem e edição para definir o filme com melhor som. 

  1. Novo critério na categoria de trilha original

A partir de agora, os filmes precisam ter pelo menos 60% de trilha original para concorrer nesta categoria. E, nos casos em que a história seja sequência de uma película anterior, é necessário que ao menos 80% da trilha seja original. 

  1. Apostar no Oscar 2021

Quem sabe tudo de cinema e conhece os critérios e predileções da academia pode lucrar com o Oscar 2021 fazendo apostas online. Isso porque a casa de apostas KTO tem odds para quase todas as categorias da premiação. No momento em que esse texto foi escrito, por exemplo, a odd para Viola Davis na categoria de melhor atriz era de 3.0. Isso significa que se você apostar R$10 nesta opção e acertar, o valor total que você vai ganhar é R$30. 

  1. Data da cerimônia do Oscar

O Oscar normalmente ocorre entre a última semana de fevereiro e a primeira semana de março. Contudo, neste ano, foi necessário adiar o evento. Ele será realizado apenas no final de abril, no dia 25. Diferentemente das duas primeiras mudanças, essa alteração foi por causa da pandemia. Vale comentar que a lista dos indicados também demorou mais para sair, sendo divulgada apenas no dia 15 de março.

  1. Streaming é cinema

Uma das maiores polêmicas do Oscar 2021 nem diz respeito às alterações na data e formato. O que está deixando muita gente intrigada é a indicação de filmes da Netflix, Amazon Prime e Disney Plus, que não foram produzidos pensando nas telonas. A Voz Suprema do Blues e Mank, que estão disponíveis no catálogo da Netflix, concorrem em diversas categorias, incluindo melhor ator, melhor atriz e melhor direção.

  1. Como será a cerimônia do Oscar 2021

Para conseguir adotar todos os protocolos de segurança sem abrir mão da cerimônia presencial, o evento vai acontecer em dois locais diferentes. Além do Dolby Theater, a festa será realizada também na Union Station – estação de trem que fica a 15 minutos de carro da tradicional casa da academia. Somente os apresentadores, os indicados e seus acompanhantes e, é claro, a produção do evento estarão presentes nos dois locais. Não haverá convidados como nos outros anos.

  1. Diversidade no Oscar

Em quase 93 anos de premiação, apenas cinco mulheres haviam sido indicadas ao Oscar de melhor direção. Neste ano, duas estão concorrendo na categoria, sendo que Chloe Zhao é a franca favorita pelo seu trabalho em Nomadland. Emerald Fennell também se destaca pela forma que conduziu o filme Bela Vingança. Outro destaque entre as mulheres é Yoon Yuhjung, sul-coreana que concorre entre as melhores atrizes coadjuvantes.

E além da diversidade de gênero, o Oscar 2021 também conta com três negros indicados na categoria de melhor ator coadjvante: Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield (de Judas e o Messias Negro) e Leslie Odom Jr. (Uma Noite em Miami). Na categoria de melhor ator, temos a indicação do muçulmano Riz Ahmed (O Som do Silêncio), e o ásio-americano Steven Yeun (Minari), além do negro Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues), que concorre postumamente à premiação. 

Boseman e Davis têm boas chances no Oscar, confira as odds de cada um

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Vinterberg e Mikkelsen nos levam para Mais Uma Rodada

Favorito ao Oscar de Melhor Filme Internacional, o dinamarquês Druk – Mais Uma Rodada (2020) ainda rendeu uma indicação a seu diretor, o festejado Thomas Vinterberg (de A Caça, 2012). Contando com o ótimo Mads Mikkelsen no papel principal, o longa não foge do lugar comum e do moralismo trazendo a história de quatro amigos professores secundaristas que iniciam um experimento pseudocientífico baseado na manutenção de moderada embriaguez para melhoria geral da qualidade de vida.

Ainda que pareça absurda desde seu ponto de partida, ou como subterfugio para filmes clichês sobre aproveitar a vida ao máximo, a premissa está baseada no trabalho do psiquiatra norueguês Finn Skårderud. Segundo a teoria dele, o ser humano tem um teor alcoólico no sangue 0,05% abaixo do ideal. O “ajuste” desse teor nos possibilitaria abrir nossas mentes para o mundo ao nosso redor, diminuindo nossa inibição e aumentando nossa criatividade, de um modo que mais nada possa ter o mesmo resultado.

Encorajados por essa teoria, Martin (Mikkelsen, de Rogue One, 2016) e seus três amigos, Tommy (Thomas Bo Larsen), Peter (Lars Ranthe) e Nikolaj (Magnus Millang), embarcam nessa experimentação como um remédio para o tédio de suas vidas. Cada um dos quatro personagens está vivenciando (em graus variados) uma crise de meia-idade, insatisfeitos com a apatia e falta de significado de suas vidas, sendo Martin o mais afetado por essas questões.

Martin inicia a trama visivelmente à beira de um colapso. Sua carreira, seu casamento e a convivência com os filhos seguem um rumo que incomoda o personagem. Sem forças, ele não reage à realidade. A estrela de Hannibal vai bem no filme com um personagem cativante que não precisa de abrir a boca para falar. Sua principal qualidade são suas expressões faciais, bastante exploradas.

Os professores estabelecem regras iniciais para o experimento. Só podem beber durante o horário de trabalho e devem parar de beber até às 20h, ainda que estas regras durem pouco tempo. Após iniciar a experimentação, os quatro personagens começam a registrar, ao modo de um diário “científico”, as taxas de álcool ingeridas por cada um deles e os benefícios que isso traz para suas vidas.

O experimento inicial tira os personagens de suas rotinas e de seu conformismo com o seu dia a dia, levando-os a uma rápida euforia com os resultados. No entanto, essa parte inicial do filme é mostrada muitas vezes de maneira excessivamente caricata para um filme que busca ser levado a sério. Logo nas primeiras tomadas após o início do experimento, em uma cena na sala de aula de Martin, ele faz com que seus alunos se engajem de maneira que eles nunca haviam visto. Tudo por causa da bebida.

Em sua versão mais relaxada e autoconfiante, o professor usa perguntas despretensiosas sobre as relações pessoais dos alunos com o álcool, mescladas com descrições de personagens históricos que foram bem-sucedidos apesar do excessivo consumo de bebidas, e traz um ar ainda mais caricato para o filme.

Este é apenas um dos pontos onde o filme erra (e muito) no uso do mote “secundário” do consumo de álcool. Cenas de visível e exagerada embriaguez pelos personagens são apresentadas aos expectadores, sempre numa tentativa de trazer algum tom de humor (questionável) para o filme. Após uma sucessão de eventos nessa linha, e de mostrar o retorno de algum brilho à vida dos personagens, o filme resolve mostrar uma segunda versão do experimento inicial.

Nessa segunda fase, o quarteto começa a mudar os termos iniciais para um estudo da individualidade de consumo, visando teores mais extremos. Neste momento, o filme, ainda que apresente cenas que remetem a filmes juvenis de bebedeira, acena ao drama. Ainda que existam alguns momentos um pouco mais divertidos, a relação com o álcool e alguns clichês relacionados ao tema incomodam.

Ainda que, para muitos, o filme seja muito mais sobre as necessidades de retomar os momentos mais vibrantes da vida dos personagens, e eles se sentirem vivos, o pano de fundo do consumo não funciona nada bem. Em alguns momentos, o filme se perde num labirinto entre ser uma espécie de versão de meia idade da franquia Se Beber Não Case (The Hangover) ou uma tentativa de trazer para as telas o drama do tédio da classe média na Dinamarca.

É preciso dizer que essa concatenação não funciona bem. O filme irá provavelmente provocar emoções diferentes em cada um de seus espectadores, possivelmente ligadas a alguma individualidade de moral etílica. O desenvolvimento do personagem de Mikkelsen, o menos caricato deles, não consegue segurar o filme.

O sommelier ataca novamente

Esta é a segunda vez que apareço no Pipoqueiro com uma crítica (leia a primeira aqui), e o intuito é sempre associar Cinema com gastronomia e sugestões de boas bebidas, que nos transportem para o universo das telas.

Quando vi que o filme tinha como pano de fundo o consumo de bebidas, imaginei que seria um prato cheio para metalinguagem neste sentido, mas saí dele com a impressão que eu só poderia recomendar nesta critica apenas uma coisa: o consumo moderado e consciente de bebidas. Beba menos, beba de maneira moderada, beba melhor.

O elenco frequentemente trabalha junto, inclusive com o diretor

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Godzilla e Kong garantem a diversão em duelo épico

Só pode haver um. E não estou falando dos guerreiros imortais de Highlander, mas de monstros gigantescos que não suportam a ameaça que outros como eles possam representar. São machos-alfas milenares, conhecidos como Titãs, e têm uma rixa antiga. Isso é basicamente o que você precisa saber para acompanhar Godzilla vs. Kong (2021), longa que mais uma vez coloca as criaturas frente a frente. Mas as gerações atuais vão ver o embate pela primeira vez, já que o anterior foi lançado em 1962.

Cada um dos dois tem diversos filmes desde suas origens, muitos produzidos pela lendária Toho. Nesse novo universo norte-americano, conhecido como Monsterverse, Godzilla já estrelou duas aventuras (que você confere aqui e aqui) e Kong, uma, ignorando inclusive o icônico filme de Peter Jackson (de 2005). Os três filmes, juntos, conduziram os personagens ao ponto em que os encontramos agora. Não que essa bagagem seja necessária, dá para começar aqui do zero, mas as referências ao que veio antes são muitas.

No início do filme, entendemos que Godzilla vive nas profundezas, sem arrumar confusões, e Kong é mantido isolado em sua Ilha da Caveira. Assim, os dois não se encontram e o temido confronto não acontece. Mas uma empresa com propósitos escusos se mete na história, ou não teríamos o filme. Temos algumas situações muito loucas, como o conceito de Terra oca (ao menos, não é plana), ou um cientista teórico desacreditado que sabe pilotar naves de tecnologia desconhecida, ou um túnel… Melhor não aprofundar nas inconsistências.

Quem vê um filme como Godzilla vs. Kong está esperando diversão, certo? Pois a obra entrega exatamente isso. Como as partes intermediárias de trilogias costumam fazer, o longa já começa com a ação, já que as apresentações foram feitas anteriormente. Temos um empresário ambicioso (Demián Bichir, de A Freira, 2018) que não confia em ninguém e manda a filha na nave (Eiza González, de Eu Me Importo, 2020). Dois cientistas serão o núcleo da missão: a que acompanha Kong há anos (Rebecca Hall, de Um Dia de Chuva em Nova York, 2019) e o tal professor que não conseguiu vender seus livros (Alexander Skarsgård, de Big Little Lies).

De volta de Godzilla II temos pai (Kyle Chandler) e filha (Millie Bobby Brown), e a garota mais uma vez vai contra as recomendações parentais e se mete na trama. Ela ganha dois reforços que acabam servindo de alívio cômico: o garoto gordinho atrapalhado padrão (Julian Dennison, de Deadpool 2, 2018) e o podcaster infiltrado paranóico (Brian Tyree Henry, de Coringa, 2019). Deram um jeito de colocar um ator japonês no meio, para evitar críticas, e Shun Oguri foi escalado.

Os personagens humanos parecem estar sobrando. O elenco se alterna entra os modos burocrático, constrangido ou deslocado, sendo que apenas Bichir parece se divertir. Um filme mudo, com apenas os dois monstros, seria bem mais interessante. Os dois destroem à vontade, os efeitos são à altura do projeto e a trilha não chega a incomodar. É o tal cinema-pipoca em sua mais alta expressão. E, afinal, um filme com The Hollies na trilha não pode ser de todo ruim.

Esses são os dois que importam

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Crip Camp promove a luta pelos direitos das pessoas com deficiências

Ver pessoas se unindo e buscando um resultado em comum é emocionante. Gente que compartilharia uma ou outra característica, mas que são bem diferentes no geral. Gente que entende as diferenças e se une no objetivo de todos. Gente que pressiona o governo e quem mais precisar, que não arreda o pé até ser ouvido. É sobre isso o documentário Crip Camp – Revolução Pela Inclusão (2020), disponível na Netflix e indicado ao Oscar na categoria.

Numa primeira olhada, seria um retrato de um acampamento que, na década de 70, passou a receber jovens com deficiências variadas e o efeito que isso teve neles: conhecer outros como eles, passando por dificuldades parecidas, por preconceito. Mas aí entra a diversão, os jogos, as brincadeiras entre pessoas que pensam parecido e se ajudam, cada um compensando uma necessidade do outro. Sair temporariamente de uma sociedade que os via como doentes para encontrar pares.

Se fosse só isso, já seria muito. O acampamento faz uma diferença gigantesca nas vidas daqueles jovens. Filmes sobre a adolescência saem aos montes, mostrando as questões de sempre, como as mudanças físicas, os hormônios, os garotos/as garotas. É muito importante ver um ponto de vista diferente. Aqueles jovens tinham problemas até com a forma como eles mesmos se viam. E, convenhamos, não conseguir se virar durante a noite deve ser algo excruciante.

O acampamento é só o ponto de partida. Fazendo aqueles jovens acreditarem em seus potenciais, ele propiciou a eles lutarem por direitos que outros já tinham. Coisas simples, como ir e vir pela cidade no transporte público ou estudar nas mesmas escolas que os vizinhos. É estranho pensar que a luta dos negros pelos direitos civis é muito mais coberta pelo Cinema que a dos deficientes. Você pode até encontrar uma pessoa com deficiência num filme, como no horroroso Fuja (Run, 2021). Mas é raro. E, como um personagem coloca, trata-se da maior minoria de todas. Tanto que outros grupos se juntam à batalha deles.

Um dos diretores de Crip Camp é um ex-frequentador do acampamento, James Lebrecht. Se Nicole Newnham, a outra diretora, tem mais experiência na bagagem (como The Revolutionary Optimists, 2013), Lebrecht é um técnico de som que se arriscou a dirigir para mostrar sua paixão pelo tema e pelo acampamento Jened, que mudou tantas vidas – direta ou indiretamente. Como se precisasse, o filme ainda traz ótimas músicas em sua trilha, um campista chega a tocar Truckin’, do Grateful Dead, no violão. Bem à cara de Woodstock, mas muito mais significativo para aquelas pessoas.

Judy Heumann foi uma das pessoas a ganhar projeção na luta pelos direitos das pcd

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