Programa do Pipoqueiro #66 – Adaptações Literárias

Além de comentar o novo Rua do Medo, o Programa do Pipoqueiro traz grandes adaptações literárias, com curadoria do convidado Carvalho de Mendonça. Aperte o play abaixo e divirta-se!

Tracklist:

Garbage – Only Happy When It Rains

Iron Maiden – Fear of the Dark

Bush – Machine Head

Portishead – Sour Times

Radiohead – Creep

White Town – Your Woman

Cowboy Junkies – Sweet Jane

Pixies – Hey

Soundgarden – The Day I Tried To Live

Alice Cooper – School’s Out

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Krasinski faz mais barulho com outro Lugar Silencioso

Em 2018, um discreto filme de terror chamou a atenção para a até então insipiente carreira de diretor de John Krasinski, mais lembrado como o Jim de The Office. Um Lugar Silencioso (A Quiet Place) fez dinheiro mais do que suficiente nas bilheterias para garantir a realização da continuação, que foi feita e estava pronta há um ano esperando a reabertura dos cinemas. Chega agora Um Lugar Silencioso: Parte II (A Quiet Place Part II, 2020), que arrecadou nos Estados Unidos 48 milhões de dólares de sexta a domingo, mostrando que a população do país está disposta a sair de casa.

Com um prólogo de mestre, Krasinski consegue matar dois coelhos de uma vez: ele situa quem não viu o primeiro filme (ou se esqueceu do que viu) e ainda apresenta um personagem novo que terá grande importância para a trama. Voltamos ao dia 1 dos eventos que mudaram a vida dos Abbotts. Com as manchetes confusas na TV, já entendemos que as criaturas alienígenas chegaram e a destruição vai começar. Enquanto isso, todos acompanham um jogo de beisebol de garotos bem ao estilo das cidadezinhas vistas em produções de décadas passadas.

Mantendo a elegância e a economia do anterior, o diretor e roteirista mostra que dá para deixar muita coisa fora do quadro para focar em quem importa: as pessoas. Parte da destruição é sugerida com movimentos de câmera e uma montagem eficiente (desta vez, de Michael P. Shawver, de Pantera Negra, 2018). Temos novamente Emily Blunt como a mãe da família, com uma expressão de quem já passou por tanto que nada mais a surpreende. Ela precisa, com os três filhos, buscar um lugar para se abrigarem. Se, antes, Noah Jupe tinha grande destaque, quem fica com os holofotes agora é Millicent Simmonds. Os dois voltam a viver os irmãos Abbott, mas Regan ganha uma importância maior para a trama e sua intérprete não faz feio.

Enquanto Evelyn corre com os filhos, ela cruza o caminho do antigo vizinho, Emmett (Cillian Murphy, de Peaky Blinders), um sujeito solitário que claramente perdeu seus amados e se mostra amargurado. Por esse humor arredio, nunca sabemos se Emmett é uma figura confiável. Murphy sabe muito bem fazer esse tipo meio lá, meio cá, e evita clichês. Ele e Simmonds acabam roubando o protagonismo, deixando Blunt um pouco de lado. Nada que seja problema quando todos brilham. E ainda há lugar para a participação de Djimon Hounsou (de As Panteras, 2019), que aparece mais adiante. E há uma sequência que vai deixar apreensivo quem viu Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, 2004).

Mesmo tendo mais informações sobre os monstros cegos de audição potentíssima, os humanos ainda se veem à mercê deles. Um Lugar Silencioso II é tão tenso quanto o primeiro. Perde no quesito frescor por ser a sequência, mas Krasinski se mostra ainda muito afiado. E a trilha de Marco Beltrami pontua tanto os diálogos quanto os silêncios, no tom certo. Mesmo deixando claro o momento em que a trama se passa, o filme é atemporal, vai seguir assustando plateias por muitos anos.

Krasinski participa, mas segue principalmente atrás das câmeras

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Marvel ataca na pandemia com Viúva Negra

Muito se falou do atraso que a pandemia causou no lançamento de Viúva Negra (Black Widow, 2021), que acabou chegando simultaneamente nos cinemas e ao Disney+. A verdade é que a própria produção do longa já estava bem atrasada, ele deveria ter sido lançado após Os Vingadores (The Avengers, 2012). Não é exatamente uma história de origem da personagem, o que é uma decisão muito acertada. De uma forma ou de outra, acaba esclarecendo alguns fatos sobre a biografia dela e não falta ação, o que os fãs do Universo Cinematográfico Marvel receberão muito bem.

Muitos cinéfilos estão afastados das salas de Cinema há mais de um ano e Viúva Negra pode ser a oportunidade de voltar, o que dá ao longa pontos extras. Mas a verdade é que, mesmo visto em casa, o filme é divertido, tem personagens bem desenvolvidos, acena aos nerds-raiz por incluir figuras clássicas (mesmo que discretamente, como alguns dos “Vingadores socialistas”) e dá outra dimensão a Natasha Romanoff, novamente vivida por Scarlett Johansson (de Jojo Rabbit, 2019). Entendemos melhor como uma humana, sem superpoderes, entrou na vida de gente como Capitão América, Thor e Hulk.

Com uma ótima introdução de flashback, descobrimos que Natasha tinha pai, mãe e irmã, com suas devidas peculiaridades, e essa última acaba enviando uma correspondência que traz a irmã mais velha de volta ao jogo político da Rússia. E conhecemos o grande vilão da vez: o megalomaníaco Dreykov (interpretado pelo inglês Ray Winstone, de Caçadores de Emoção, 2015), responsável por um programa de recrutamento e programação mental ainda mais implacável que o de Jason Bourne. Há uma outra criatura misteriosa, o Taskmaster (ou Treinador – abaixo), que serve apenas como distração.

Complementando a família ímpar, temos Florence Pugh (de Midsommar, 2019) como a irmã mais nova, uma versão poucos anos mais jovem, mais engraçada e igualmente letal, por ter participado do mesmo projeto. No papel dos pais, aparecem David Harbour (de Stranger Things) e Rachel Weisz (de A Favorita, 2018), duas figuras bem utilizadas pelo roteiro de Eric Pearson, que também assinou Thor: Ragnarok (2017), a série Agente Carter e alguns curtas Marvel. Harbour faz um tipo falastrão que se acha mais importante do que é, já que nos tempos áureos vestiu o uniforme do Guardião Vermelho, uma espécie de versão soviética do Capitão América. Weisz vive uma importante cientista que acaba mostrando talento também para a parte física.

Pode parecer estranho ter Harbour e Weisz como pais de Johansson e Pugh, mas isso se justifica pelas épocas diferentes mostradas no filme. A idade é mascarada por maquiagem e truncagens visuais e acabamos acreditando naquele arranjo. A história de Viúva Negra se encaixa após os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016), quando Natasha se tornou uma fora da lei por se recusar a ser regida pelo exército norte-americano – temos aqui a oportunidade para mais uma aparição do General Ross (vivido por William Hurt).

Se fosse lançado em 2017, esse filme estaria melhor encaixado na cronologia do Universo Cinematográfico Marvel. Mas isso não chega a ser um problema, mesmo após os fatos narrados em Vingadores: Ultimato (The Avengers: Endgame, 2019). Através do carisma e da competência de Johansson, Natasha Romanoff cresceu em importância e conseguiu algo que outros heróis não conseguiram: ter uma aventura solo. E uma cena escondida nos créditos dá a entender que a trama de Viúva Negra ainda terá consequências, provavelmente na série do Gavião Arqueiro.

Pugh parece ter chegado ao MCU para ficar

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Programa do Pipoqueiro #65 – Nick Hornby

O Programa do Pipoqueiro traz os filmes escritos por ou baseados na obra de Nick Hornby, ótimo autor responsável por livros como Alta Fidelidade e Um Grande Garoto. Aperte o play abaixo e divirta-se!

Tracklist:

The Who – Baba O’Riley

The Kinks – Everybody’s Gonna Be Happy

Roberta Flack – Killing Me Softly

Badly Drawn Boy – Something to Talk About

Dropkick Murphys – Tessie

Ray Charles – Tell the Truth

Cake – I Will Survive

Simon and Garfunkel – El Condor Pasa (If I Could)

Ethan Hawke – Sunday Never Comes

Pretenders – Brass in Pocket

Al Green – Tired of Being Alone

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Programa do Pipoqueiro #64 – This Is Us

Esta edição do Programa do Pipoqueiro traz a premiada série This Is Us, que se prepara para sua sexta e última temporada. Comentários sem spoilers e muita música boa! Aperte o play abaixo e divirta-se!

Tracklist:

  • Sufjan Stevens – Death with Dignity
  • Blind Faith – Can’t Find My Way Home
  • Jackson C. Frank – Blues Run the Game
  • Cyndi Lauper – Time After Time
  • REO Speedwagon – Keep on Loving You
  • Cat Stevens – The Wind
  • Paul Simon – You Can Call Me Al
  • Stevie Wonder – Uptight
  • Ringo Starr – Photograph
  • Sam Cooke – Bring It On Home to Me
  • The Guess Who – Share the Land
  • Cat Stevens – Moonshadow

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Programa do Pipoqueiro #63 – Filmes de 2001

O Programa do Pipoqueiro traz boas indicações de filmes lançados em 2001, comemorando os 20 anos do lançamento deles. E suas músicas, claro, com comentários sem spoilers. Aperte o play abaixo e divirta-se!

Tracklist:

  • David Bowie – Something In The Air (de Amnésia)
  • Steve Earle – The Other Side of Town (de A Promessa)
  • Dale Watson – A Real Country Song (de A Mão do Diabo)
  • Nat King Cole – I Remember You (de Cine Majestic)
  • Julie London – Fly Me to The Moon (de O Diário de Bridget Jones)
  • Franky Perez – Cry Freedom (de Dia de Treinamento)
  • The Jayhawks – I’m Your Man (de A Última Ceia)
  • Gary Jules and Michael Andrews – Mad World (de Donnie Darko)
  • Bob Dylan – Fourth Time Around (de Vanilla Sky)
  • David Gray – Sail Away (de 15 Minutos)

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The Searcher ajuda a entender o mito Elvis

Muitas vezes lembrado por figurinos espalhafatosos e pelos filmes rasteiros, Elvis Presley foi um artista como nenhum outro até hoje conseguiu ser. Atingiu um status estelar que o permitiu dispensar seu sobrenome (ok, ajudou ter um nome diferente). Elvis foi um cantor que mudou o cenário musical para sempre e o documentário Elvis: The Searcher (2018) se debruça sobre essa figura para tentar decifrá-la. Os dois longos episódios do documentário, produzidos pela HBO Documentary Films, estão disponíveis na Netflix.

Dirigido pelo experiente Thom Zimny, que realizou Springsteen on Broadway (2018) para a Netflix na mesma época, The Searcher começa naquela que seria a volta do rei do rock. Elvis havia sumido no período em que serviu ao exército e se viu estrelando filmes ruins, obrigado por contrato. O show de 1968, transmitido pela televisão, marcaria a volta do artista à boa forma. Ou o enterraria de vez. Quem conhece um pouquinho da história já sabe o resultado.

Como aqueles filmes que começam num momento decisivo e usam flashbacks para contar a história prévia, Zimny volta na década de 40, mostrando a gênese do cantor – por assim dizer. Os primórdios envolvem Sam Phillips, claro, o descobridor de Elvis, responsável pela icônica gravação de That’s Alright, Mama na Sun Records. Desse estouro em diante, entendemos bem os caminhos trilhados por Presley e suas relações com músicos de apoio, familiares e até com sua eterna Priscila, que entrou em sua vida para nunca mais sair.

O documentário conta com vários depoimentos de quem esteve com Elvis em diversas situações, contribuindo para as muitas histórias que a obra traz e esclarece. Outros, como Tom Petty, Emmylou Harris e o próprio Bruce Springsteen, ajudam a elucidar sentimentos e decisões de Elvis que só quem pegou bastante estrada e fez muitos shows consegue dimensionar. E um ponto interessante: nenhum deles mostra a cara, deixando os holofotes para o biografado.

Mais no fim de sua vida, Elvis parecia muito excêntrico, quase desconectado da realidade. The Searcher nos ajuda a entender o que devia se passar naquela cabeça tão afetada por fama, dinheiro, isolamento e perfeccionismo. E sob a sombra do “Coronel” Tom Parker, uma figura sombria que, ao mesmo tempo que teve um papel importante na formação de uma lenda, também a sufocou.

Depois de quase três horas e meia, dá para entender um pouco melhor o mito Elvis. Cobrindo boa parte de sua jornada, o documentário não pretende apresentar toda a vida dele, seria preciso uma série de várias temporadas. Fãs mais radicais podem indicar que faltou mencionar um episódio x ou y, mas para isso temos a Wikipédia.

A ideia em The Searcher é tentar entender melhor quem era aquele cara que cantou, tocou um violão e se remexeu de uma forma que os jovens idolatraram e os pais consideraram ofensivo. Ele rompeu barreiras, ensinou o Forrest Gump a dançar e libertou toda uma geração. E as seguintes, que passaram a ver a música de outra forma. Difícil hoje é achar um artista que não se diga influenciado por Elvis.

A influência de Parker sobre Elvis era algo inexplicável

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Programa do Pipoqueiro #62 – Moulin Rouge

O Programa do Pipoqueiro homenageia Moulin Rouge (2001), filme que completa 20 anos de lançamento. Confira comentários sem spoilers e as versões originais de músicas da fantástica trilha sonora! Aperte o play abaixo e divirta-se!

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Programa do Pipoqueiro #61 – Cruella

O Programa do Pipoqueiro volta para mais uma temporada com uma edição sobre Cruella, filme que conta a história de origem da vilã Disney. O programa alterna músicas da trilha e comentários sobre o filme, sempre sem spoilers. Aperte o play abaixo e divirta-se!

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Novo Invocação do Mal fecha a trilogia dos Warren

Conclusão da trilogia dos Warren e oitavo filme nesse universo, Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio (The Conjuring: The Devil Made Me Do It, 2021) teve sua estreia adiada por causa da pandemia. No fim, acabou chegando ao mesmo tempo à HBO Max e em alguns cinemas já abertos. Fugindo do tema “casa assombrada” dos anteriores, este é mais ambicioso e parte de um caso real que ganhou as manchetes no início da década de 80.

O primeiro Invocação do Mal, de 2013, trazia o casal de demonologistas Ed e Lorraine Warren investigando uma casa supostamente assombrada no interior dos Estados Unidos. O segundo filme os levou a Londres para uma investigação parecida. Agora, eles se envolvem em uma possível possessão demoníaca. Um garoto tem sinais de que há um espírito maligno em seu corpo e os Warren realizam um exorcismo. O tal demônio acaba passando para outra pessoa e a leva a cometer um crime.

O caso ficou famoso na época por ser o primeiro julgamento no qual o acusado alega, em sua defesa, possessão demoníaca. Partindo dessa situação real, o roteiro de David Leslie Johnson-McGoldrick (também do segundo filme) cria todo um entorno com personagens obscuros e uma investigação policial. Se a música de Joseph Bishara já evocava a trilha clássica de O Exorcista (The Exorcist, 1973), dessa vez a “homenagem” é mais óbvia, com uma cena de um padre em frente à casa da família. Temos também uma referência a O Iluminado (The Shining, 1980).

Mais uma vez, temos Patrick Wilson e Vera Farmiga nos papéis principais empregando muita energia em suas composições. Dada a natureza das atividades dos Warren, seria muito fácil criar figuras risíveis, rasas, caricaturas. Wilson e Farmiga mantêm uma postura muito digna, que faz o público comprar o que vê. Mas as tentativas de sustos gratuitos e os caminhos do roteiro, que acabam traindo as regras anteriormente estabelecidas, não ajudam os protagonistas, que se veem com todo o peso da produção nas costas.

Com a mudança na direção, fica claro que muitos méritos da série se devem ao talento de James Wan, que segue apenas como produtor. Não parecia uma escolha muito inteligente trazer o diretor do pior filme desse universo, A Maldição da Chorona (La Llorona, 2019), para o lugar de Wan. E Michael Chaves confirma a suspeita, mostrando uma falta de habilidade para criar tensão, suspense ou mesmo cenas mais criativas. Diz-se que há uma maldição do terceiro filme e este novo Invocação do Mal serve como mais uma confirmação.

“Momento Exorcista” em Invocação do Mal 3

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