Pacote Amazon Prime de Quarentena

por Marcelo Seabra

A exemplo do último post, que girou em torno da Netflix, esta é mais uma lista de indicações para se conferir durante esse período de isolamento social. No entanto, desta vez o serviço de streaming em questão é o Amazon Prime, que também reúne muitas obras interessantes. Não que não seja possível encontrar os filmes em outro lugar. Mas, lá, é certo achá-los.

A lista abaixo se divide em duas partes: os primeiros dez filmes têm suas críticas publicadas no Pipoqueiro – basta clicar no título para conferir. Os outros vinte são mais antigos, não têm crítica aqui, mas nem por isso não merecem a indicação. São longas fantásticos, nos quais você pode investir o seu tempo sem medo de errar, em gêneros variados para agradar a todos os gostos. Confira os 30:

Ilha do Medo (2010)

Margin Call – O Dia Antes do Fim (2011)

Meia-Noite em Paris (2011)

A Caça (2012)

O Homem da Máfia (2012)

As Vantagens de Ser Invisível (2012)

Os Suspeitos (2013)

Na Mira do Atirador (2017)

The Post (2017)

Querido Menino (2018)

E os filmes a seguir são indicações seguras:

O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972) + sequências

Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest, 1975)

A Hora da Zona Morta (The Dead Zone, 1983)

A Caçada ao Outubro Vermelho (The Hunt for the Red October, 1990) + sequências e série

Fogo Contra Fogo (Heat, 1995)

As Duas Faces de Um Crime (Primal Fear, 1996)

Los Angeles – Cidade Proibida (LA Confidential, 1997)

O Grande Lebowski (The Big Lebowski, 1998)

O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, 1998)

Amnésia (Memento, 2000)

Náufrago (Cast Away, 2000)

A Mão do Diabo (Frailty, 2001)

A Identidade Bourne (The Bourne Identity, 2002) + sequências

Minority Report – A Nova Lei (2002)

O Senhor das Armas (Lord of War, 2005)

Rejeitados Pelo Diabo (The Devil’s Rejects, 2005)

O Nevoeiro (The Mist, 2007)

O Sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream, 2007)

Trovão Tropical (Tropic Thunder, 2008)

Watchmen: O Filme (2009)

Watchmen ganhou uma série-sequência na HBO

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Pacote Netflix de Quarentena

por Marcelo Seabra

Pode ser bem trabalhoso ficar procurando algo para assistir em um serviço de streaming. Além do risco que se corre, já que há muita porcaria misturada a ótimas produções. Acaba batendo aquela sensação de tempo perdido, enquanto há tanta coisa boa para se descobrir.

Mas não tema, ó espectador desprevenido. O Pipoqueiro preparou uma lista de 15 bons filmes (e duas minisséries de bônus) cujas críticas já foram publicadas, basta clicar no título para conferi-las. Todas as obras estão disponíveis na Netflix, podendo aparecer em outros serviços também. Quem quiser conferir todas as críticas do Pipoqueiro de produções Netflix pode clicar aqui. Se preferir o caminho curto, confira abaixo:

12 Anos de Escravidão (2013)

O Ano Mais Violento (2014)

O Convite / The Invitation (2015)

Divertidamente (2015)

Aquarius (2016)

Até o Último Homem (2016)

A Chegada (2016)

O Cidadão Ilustre (2016)

Lion: Uma Jornada para Casa (2016)

Manchester à Beira-Mar (2016)

Sully: O Herói do Rio Hudson (2016)

1922 (2017)

A Livraria (2017)

Dois Papas (2019)

Jóias Brutas (2019)

 

Minisséries Bônus:

Safe (2018)

Olhos Que Condenam (2019)

Olhos Que Condenam é indicada a quem diz que racismo não existe

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Netflix acerta com Sex Education

por Marcelo Seabra

Com duas temporadas completas e uma terceira já em produção, Sex Education é uma ótima opção para quem procura entretenimento leve e, ao mesmo tempo, inteligente. O maior acerto da série é mostrar adolescentes como seres humanos reais, fugindo de estereótipos e encarando o óbvio: eles se interessam por sexo, com dúvidas, anseios e inseguranças. Fingir que a questão não existe pode sair muito caro para os adultos envolvidos.

Muito bem interpretado por Asa Butterfield (inesquecível em A Invenção de Hugo Cabret, 2011), que vai do seguro ao perdido em segundos, Otis Milburn tem 16 anos, vive numa cidadezinha inglesa onde todos se conhecem e a bicicleta é um meio de transporte muito comum e tem uma mãe especialista em sexo. Por conviver com a Dra. Jean Milburn (Gillian Anderson, a eterna Agente Scully de Arquivo X), ele acaba sendo bom em resolver os problemas sexuais dos colegas.

Agenciado pela inteligente Maeve (Emma Mackey – acima) e apoiado pelo inseparável Eric (Ncuti Gatwa), Otis começa a cobrar pelas consultas e, assim, conhecemos melhor os frequentadores da escola Moordale. E o que ninguém sabe é que o próprio Otis tem seus traumas. Tratar os outros é fácil, ele constata, enquanto luta com seus problemas. Paralelamente, temos tramas bem trabalhadas envolvendo vários outros alunos, como os recorrentes Adam Groff (Connor Swindells), Jackson Marchetti (Kedar Williams-Stirling) e Aime Gibbs, vivida pela ótima Aimee Lou Wood, que mistura uma cara de boba fantástica com uma sensibilidade enorme e tem um arco muito interessante na segunda temporada.

O elenco jovem de apoio é praticamente estreante, com poucos e desconhecidos trabalhos anteriores, e todos mostram grande competência. E os mais velhos também são marcantes, capitaneados pela veterana Anderson (ao lado). Variando dos menos famosos (como Mikael Persbrandt, de Rei Arthur, 2017) aos mais conhecidos (como James Purefoy, de The Following), eles se mesclam bem uns aos outros, dando grande naturalidade à série que, hoje, é a mais vista na Netflix. Com apenas oito episódios por temporada, é rápido e prazeroso acompanhar os dramas desse pessoal.

É de se espantar que a criadora de Sex Education, Laurie Nunn, tenha pouca experiência na TV ou Cinema. Com uma peça elogiada e alguns roteiros de curtas, ela partiu logo para um sucesso estrondoso no serviço de streaming, fazendo seu nome no showbiz. A tática de colocar um nome grande à frente do elenco, o experiente Butterfield, cercado de novatospodia dar muito errado se eles não fossem escolhidos à dedo. Mackey e Gatwa, por exemplo, frequentemente roubam a cena, fazendo com que o público se importe genuinamente com seus personagens. E aguarde ansiosamente pela próxima temporada.

Os coadjuvantes também têm histórias interessantes

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Lost Girls traz luz a assassinatos misteriosos

por Marcelo Seabra

É triste constatar que determinadas pessoas parecem ter menos valor aos olhos da sociedade. A mesma prostituta que o cidadão de bem chama à noite, ele condena de dia. E, se ela misteriosamente sumir, não fará falta. Esse é o resumo do que trata Lost Girls – Os Crimes de Long Island (2020), versão ficcionalizada de um fato que começou a ser noticiado em dezembro de 2010, quando uma garota desapareceu e a mãe notificou a polícia.

Quando Shannan marca de jantar com a família e não dá notícias, a mãe não se preocupa, num primeiro momento. Mari Gilbert (Amy Ryan, de Querido Menino, 2018) estava acostumada com a filha ser um pouco distante, até relapsa. Elas moravam em cidades diferentes e encontros não eram muito frequentes. Mas a situação perdurou e Mari, com as outras duas filhas, buscou a polícia. Ao investigarem a história, eles acharam quatro cadáveres na costa de Long Island.

Desde o primeiro chamado, os policiais se mostram desinteressados, e o comissário e sua cara de cansado representam isso muito bem. Interpretado com a competência habitual por Gabriel Byrne (de Hereditário, 2018), o chefe da equipe parece bem intencionado, mas sem um pingo de vontade ou pró-atividade. Ele só se preocupa com sua vindoura aposentadoria, e um caso barulhento e mal resolvido só traria uma projeção indesejada.

Vários crimes notórios já chegaram aos cinemas – a própria Amy Ryan esteve em Sem Evidências (Devil’s Knot, 2013), no qual três adolescentes são logo apontados como culpados apenas para aplacar a opinião pública. Lost Girls faz parte do filão que mostra a polícia como incompetente ou, no mínimo, preguiçosa. É revoltante ver a pouca atenção que é dada para o caso e as possibilidades de esclarecimento que são descartadas sem o menor pudor. E policiais fazendo pouco das vítimas, “apenas umas prostitutas”. Enquanto isso, um possível serial killer está à solta.

Baseado no livro de Robert Kolker, o roteiro é assinado por Michael Werwie, que escreveu também Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal (Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile, 2019), sobre outro psicopata famoso. O argumento foi trabalhado com muita sensibilidade por Liz Garbus, diretora e produtora com larga experiência em documentários (como What Happened, Miss Simone?, 2015, também bancado pela Netflix). O foco se mantém na família da desaparecida, fazendo o espectador participar um pouco da dor e da dúvida quanto ao destino de um ente querido.

A verdadeira Mari Gilbert, que lutou muito para descobrir o que houve com a filha

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Valiant leva Bloodshot aos cinemas

por Marcelo Seabra

Quem achava que o ápice da cópia descarada no universo dos quadrinhos era Rob Liefeld e sua Image Comics precisa conhecer a Valiant. Criada por um grupo de executivos e investidores que não conseguiram comprar a Marvel em 1988, a editora tem em suas linhas personagens que reúnem elementos de vários outros e, agora, buscar ganhar os cinemas assim como sua colega fez usando os Vingadores e companhia. Assim nasceu Bloodshot (2020), primeiro de uma pretensa série de longas produzidos pela Sony Pictures em associação com a Valiant.

A ideia que tomaria forma para virar Bloodshot foi lançada em 1992 em Eternal Warrior número 4 e não demorou a ganhar uma revista própria. O protagonista é um soldado que tem o corpo modificado por nanotecnologia e, por isso, consegue regenerá-lo e modificá-lo. Sua memória é apagada e ele é usado como arma para objetivos bélicos. Isso, até que ele tome conhecimento da situação e vá à forra.

Para levar essa trama à tela grande, foram convocados Jeff Wadlow (de Verdade ou Desafio, 2018) e Eric Heisserer (cujo currículo inclui de A Chegada, 2016, a Birdbox, 2018). Os roteiristas tiveram a missão de simplificar a história para fazê-la caber em menos de duas horas. Compreensivamente, mudaram elementos. Tudo já provavelmente pensando no quadro completo, com as demais atrações da editora devidamente amarradas em uma futura produção. O especialista em efeitos especiais e em videogames Dave Wilson comanda, fazendo sua estreia na direção e garantindo um visual de fato interessante.

Para o papel principal e para possivelmente segurar nas costas uma franquia, o contratado foi Vin Diesel, que participou do Universo Cinematográfico Marvel emprestando sua voz a Groot (de Os Guardiões da Galáxia). Outras franquias pelas quais o ator é reconhecido são Velozes e Furiosos, Triplo X e Riddick, e todas, em algum momento, são percebidas aqui. Apesar de muito carismático, Diesel não é de muitos recursos, voltando sempre nas mesmas expressões e maneirismos. Ou seja: missão cumprida em terreno seguro. Lamorne Morris tem mais destaque do que o usual (como em A Noite do Jogo, 2018) e traz uma bem-vinda leveza e a bela e letal Eiza González (de Alita, 2019) completa o grupo principal, que ainda conta com Sam Heughan (de Outlander) como um capanga bobo.

Mas não é só nos trabalhos prévios do astro que Bloodshot “bebe”. O Exterminador do Futuro tem uma referência clara, o Dr. Octopus tem sua invenção roubada e a apropriação de Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, 2013) é tão óbvia que até o ator é repetido – Guy Pearce faz o necessário com o pé nas costas, o que inclusive fez também nos dois Aliens mais recentes. Se o espectador não estiver gostando do resultado, pode ao menos se ocupar buscando as “homenagens”. E é bom esclarecer que isso acontece no filme certamente porque já era prática comum na revista. Wolverine, com seu fator de cura, falta de memória e enorme raiva, é uma constante.

Mesmo com esse sentimento permanente de já ter visto tudo em outro lugar, Bloodshot ainda consegue guardar umas cartas na manga para surpreender o espectador. Certos caminhos seguidos pelo roteiro conseguem animar, e há criatividade nos talentos dos personagens e em como eles são usados. Resta observar como será seu desempenho nas bilheterias para saber se o Universo Cinematográfico Valiant irá adiante. Se for, as chances são de que Vin Diesel encontre uma cópia dos X-Men (Harbinger) ou de Pantera Negra/ Fantasma (Rai).

Guy Pearce vive mais um cientista com propósitos escusos

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Stephen King e Joe Hill trazem novidades na TV

por Marcelo Seabra

Duas séries lançadas recentemente representam o talento de uma família para a escrita. Stephen King, que dispensa apresentações, tem um livro adaptado pela HBO, enquanto o filho dele, Joe Hill, tem uma série em quadrinhos ganhando vida na Netflix. Com várias ressalvas, ambas têm seus méritos. Mas o resultado baseado na obra do pai é bem superior, reflexo de escolhas melhores dos envolvidos e de roteiros mais redondos.

Foram 12 anos, no mínimo, que Locke & Key levou para chegar à TV. A HQ escrita por Hill e desenhada por Gabriel Rodríguez passou por vários canais, com diversos atores entrando e saindo, até que se definisse pelo formato final. Até uma trilogia de filmes chegou-se a cogitar. No caso de The Outsider, a HBO comprou os direitos no mês seguinte ao lançamento do livro e a produção começou.

As duas séries já estão disponíveis, sendo a da Netflix a temporada completa e a da HBO com um episódio exibido a cada domingo – exceto os dois primeiros, que foram ao ar juntos. Diga-se de passagem, a exibição começou tarde e complicou a vida de muita gente. Já finalizada, a temporada está disponível no NET Now, serviço de streaming da operadora. Na Netflix, os 10 episódios já estão disponíveis, aumentando a expectativa pela segunda temporada, ainda não confirmada.

Locke & Key nos apresenta à família Locke, que tem o pai assassinado por um aluno. A mãe decide por se mudar da cidade grande para o interior, onde fica a histórica mansão da família do pai. Lá, eles podem recomeçar a vida ou, ao menos, deixar a casa em boas condições para ser vendida por um bom preço. Os três filhos precisam se adaptar às muitas novidades, sendo a maior delas a magia que reside com eles.

A Key House, casa que tem um nome próprio, tem também outros mistérios, manifestados na forma de chaves. Na língua inglesa, é tudo uma brincadeira semântica, com trancas (Locke), portas e chaves (Key). Cada chave tem uma habilidade, como levar o portador a qualquer lugar do mundo ou transformá-lo em fantasma, permitindo um voo pelo além. E, claro, há uma entidade maligna de olho nesse poder, com um plano escuso que custa a ser revelado. Temos aí uma luta entre o bem e o mal que parece ter começado na geração anterior.

Mais voltada a um público juvenil, Locke & Key divide seu foco entre a trama de suspense e magia e a de dramas adolescentes, às vezes dando algumas derrapadas. Fica difícil aceitar certas situações que parecem forçadas apenas para que o roteiro flua. Muitas críticas foram feitas à mudança de tom dos quadrinhos. Ainda temos cenas chocantes, como um garoto sendo jogado na linha do trem, mas de uma forma geral tudo é mais água com açúcar. A grande criatividade empregada na história é o que segura a atenção, com efeitos visuais razoáveis sustentando a proposta.

Bem mais sombria, The Outsider traz um mistério logo de cara: um dos caras mais legais de uma cidadezinha é acusado de sequestrar e matar uma criança. A polícia tem provas irrefutáveis, mas o sujeito tem um álibi forte. Esse é o ponto de partida da série, que traz Jason Bateman (de Ozark) como o técnico bonzinho e querido por todos e Ben Mendelsohn (de Capitã Marvel, 2019) na pele do policial que investiga a situação. É bem interessante ver os dois atores longe de suas zonas de conforto, já que Bateman costuma aparecer em comédias e Mendelsohn tem sido sempre um vilão.

Ao longo dos 10 episódios, vamos encontrando personagens interessantes e rostos conhecidos começam a aparecer. O principal é o de Cynthia Erivo, indicada esse ano ao Oscar como Melhor Atriz por Harriet (2019) e por Melhor Canção como compositora e intérprete do tema do longa. Ela se mostra uma ótima escolha para viver uma detetive aberta às possibilidades que fogem ao que estamos acostumados (leia-se: a realidade). Holly Gibney inclusive aparece também no livro (e na série) Mr. Mercedes, expediente usado frequentemente por King. Na TV, no entanto, não há qualquer ligação entre as obras.

O showrunner de The Outsider tem no currículo trabalhos de muita expressão, como as séries The Wire, The Night of e The Deuce, além de ter escrito filmes como A Cor do Dinheiro (The Color of Money, 1986) e Vítimas de Uma Paixão (Sea of Love, 1989). Richard Price trouxe, como colegas de roteiro, o escritor Dennis Lehane e o próprio Stephen King. Entre os diretores dos episódios, gente como Karyn Kusama (de O Convite, 2015) e Bateman. Nesses nomes certamente reside a razão do sucesso. Quem está por trás de Locke & Key é outro veterano, Carlton Cuse (de Lost e Bates Motel), mas ele acaba sendo o único nome grande no projeto.

Cynthia Erivo é um dos destaques de The Outsider

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Mark Ruffalo é um novo Davi buscando a verdade

por Marcelo Seabra

 Histórias de duelos entre um Davi e um Golias costumam ser interessantes. Produtores de Cinema tendem a gostar da premissa, como provam Erin Brockovich (2000) e A Qualquer Preço (A Civil Action, 1998), para ficar em exemplos mais badalados. O mais recente representante desse grupo a ganhar a tela grande é O Preço da Verdade (Dark Waters, 2019), adaptação de um artigo da revista do New York Times sobre a criminosa poluição causada por uma empresa. Juntar nessa mistura um diretor bem competente e um elenco notável só faz a expectativa crescer.

Mark Ruffalo, que nas horas vagas, quando não está vivendo o Hulk no Universo Marvel, procura projetos mais discretos, foi escalado para encabeçar o projeto. Ele vive Robert Bilott, um advogado que acaba de se tornar sócio em um escritório prestigiado que tem como principais clientes grandes indústrias químicas. Procurado por um fazendeiro vizinho de sua avó, Bilott acaba investigando um fenômeno: os animais da fazenda estão morrendo e tudo leva a crer que o culpado é um riacho onde eles bebem água. E que abastece toda aquela cidadezinha. É lá que a DuPont joga os refugos de sua produção.

A empresa ficou famosa no mundo todo e ganhou bilhões por produzir o teflon que é aplicado em panelas. Uma vez no corpo humano, ele nunca mais sai ou se dissolve, o que pode levar a um câncer ou a outras doenças. E o descarte no meio ambiente causa outra série de catástrofes. Bilott começa a investigar e acaba caçando uma grande briga, enquanto vê suas vidas particular e profissional em perigo. Distante da mulher (Anne Hathaway, de Colossal, 2016) e dos filhos, já que está sempre pensando no trabalho, ele ainda cria problemas com o chefe (Tim Robbins, de Cinema Verité, 2011 – abaixo), que não quer se indispor com os clientes.

Outros nomes que compõem o elenco de O Preço da Verdade incluem Bill Pullman (de A Guerra dos Sexos, 2017), Victor Garber (de Legends of Tomorrow), William Jackson Harper (de The Good Place) e Mare Winningham (de Under the Dome e The Outsider), que formam um grupo realmente interessante. Comandando o show, temos Todd Haynes (de Carol, 2015), diretor respeitado que tem grande diversidade de temas em seu currículo e uma visão bem sensível. Entre os roteiristas, temos uma combinação rica de Mario Correa, cuja experiência remete a documentários, e Matthew Michael Carnahan, de blockbusters como Horizonte Profundo (Deepwater Horizon, 2016). Ou seja: tudo indica um filme redondinho, sem arestas a aparar.

O assunto, no entanto, é pesado e os envolvidos não conseguiram contornar o maior risco que enfrentavam: fazer um filme chato. Os 120 e poucos minutos parecem se arrastar, e há cenas pontuais que exageram um pouco no drama, como quando o irmão de uma vítima aborda a família do advogado em um restaurante. Em uma guerra, há várias batalhas, e custa muito a chegarmos ao final. Por mais que todos sejam ótimos em suas tarefas, há momentos cansativos, o que derruba um pouco o resultado.

O verdadeiro Robert Bilott posa com seu intérprete

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O Homem Invisível traz ótima releitura

por Marcelo Seabra

Tendo passado por várias adaptações para outras mídias desde seu lançamento, em 1897, O Homem Invisível (The Invisible Man), história clássica de HG Wells, ganhou uma nova versão para o Cinema. No entanto, o foco mudou e temos agora uma heroína fugindo do psicopata do título. Ao invés de acompanharmos um cientista em busca de um antídoto para sua invisibilidade, temos a namorada do sujeito em dúvida se está sendo perseguida por ele ou se está à beira da loucura.

A ideia inicial da Universal Pictures era reviver seus monstros clássicos em aventuras solo para, na sequência, reuni-los, criando um universo compartilhado sombrio – o Dark Universe. O fracasso de críticas e de bilheterias de A Múmia (The Mummy, 2017) mudou radicalmente o plano e a primeira providência foi dispensar Johnny Depp, que iria viver o personagem de Wells. O roteiro de David S. Goyer também ficou de lado e o novo produtor encarregado, Jason Blum, chamou Leigh Whannell, um dos criadores da franquia Jogos Mortais (Saw), para repaginar o projeto.

Além da direção, Whannell assumiu também o roteiro e definiu um novo e acertado caminho. Evitando sustos fáceis e carregando na tensão, ele criou a história de uma mulher oprimida pelo namorado poderoso que não tem liberdade nem após a morte do sujeito. Ela foge da mansão, ele se suicida e parece que esse era o fim da relação. Mas coisas estranhas começam a acontecer e ela passa a ter certeza de que ele está por perto. Invisível.

Entre várias decisões felizes, a melhor foi a escolha de Elisabeth Moss para o papel principal. Conhecida por séries como Mad Men, Top of the Lake e The Handmaid’s Tale, ela tem trabalhos interessantes no Cinema e há muito provou sua competência. As expressões da atriz vão de um extremo ao outro, com alívio, medo ou raiva bem visíveis. Moss realmente dá uma aula e merece louros, além de premiações. Se não vierem por esse trabalho, não tardarão.

Outro que brilha, mesmo sem aparecer, é Stefan Duscio. Diretor de fotografia em Upgrade (2018), também de Whannell, ele faz um trabalho brilhante explorando cantos e quartos vazios e nos fazendo crer que de fato há alguém ali. Os enquadramentos são grandes responsáveis pela crescente tensão em O Homem Invisível, complementados por silêncios incômodos e pela bem encaixada trilha sonora de Benjamin Wallfisch (dos dois It, 2017 e 2019). Os efeitos sonoros, apesar de discretos, são marcantes, completando o quadro e a aflição.

Se este O Homem Invisível vai ajudar a compor um universo maior da Universal, só saberemos no futuro. Talvez inicie novas práticas e prove que não é necessário ter um astro envolvido (como Tom Cruise). Por enquanto, é um filme independente de qualquer outro, e um muito bem sucedido em sua missão. Whannell, já envolvido na refilmagem do novo clássico Fuga de Nova York, é um nome que deve aparecer bastante daqui em diante.

Claude Rains foi o Homem Invisível em 1933

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Better Call Saul volta para sua 5ª e penúltima temporada

por Kael Ladislau

A espera foi longa, mas recompensadora. Depois de um ano e meio do encerramento da quarta temporada, Better Call Saul voltou, aqui no Brasil, pela Netflix. E para os fãs, ansiosos pelo retorno, têm uma grata surpresa: foram liberados de cara os dois primeiros episódios desse novo ano.

A série segue firme na premissa de mostrar a transformação de Jimmy McGill no trambiqueiro Saul Goodman (Bob Odenkirk), apresentado em Breaking Bad como o advogado de Walter White e Jesse Pinkman. Mais que isso, ela segue dando pistas do futuro de Saul após os eventos da série-mãe. São pequenos flashforwards, mas muito bons, no início da temporada, como de costume. Eles mostram Jimmy como um gerente de uma loja de rocamboles, então chamado Gene Takovic, e seu receio em sofrer as consequências de um passado que ele quer esconder.

Esconder o passado, aliás, é o que Jimmy pretende fazer ao encarnar de vez o nome que viemos a conhecer em Breaking Bad. A ideia é se livrar da sombra do irmão mais velho, Chuck (Michael McKean). A nova temporada dá sequência direta ao final da anterior, mostrando o embate que o personagem principal tem com a parceira, Kim Wexler (Rhea Seehorn, acima). É um conflito completamente antagônico e, ao mesmo tempo, amoroso. São muitas escolhas duvidosas que ela faz em sua vida.

Mas Better Call Saul não é apenas sobre o advogado, é sobre Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks). O ex-policial durão é outro a lidar com consequências de seus atos na última temporada e, agora, se vê cada vez mais envolvido com as atividades de Gus Fring (Giancarlo Esposito), o vilão das duas séries. Tanto pelo lado de Mike quanto de Saul, acompanhamos o desenvolvimento de histórias que não se relacionam, o que pode incomodar alguns expectadores. Afinal, a série é sobre Jimmy/Saul e Kim ou Mike e Gus? Aqueles que confiam nos showrunners Vince Gilligan e Peter Gould sabem que nenhuma aresta fica solta em suas obras e, uma hora ou outra, essas histórias se chocarão.

Os dois primeiros episódios liberados nesta semana dão sinais de como isso acontecerá. E o mais gostoso disso é já saber que as consequências desse choque acarretarão no que se sabe de Breaking Bad e até mesmo de El Camino (2019), filme lançado no ano passado sobre o futuro de Jesse Pinkman. Resta saber como isso vai acontecer e qual será o final de alguns personagens só existentes em Better Call Saul. E até mesmo o pós-Breaking Bad de Jimmy/Saul/Gene. Agora, é aguardar os próximos 8 episódios, liberados semanalmente, e as surpresas – algumas já reveladas no trailer – que a temporada vai nos trazer!

O elenco se prepara para se despedir da série

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João e Maria ganham versão sombria

por Marcelo Seabra

Os contos dos irmãos Grimm já ganharam diversas versões, inclusive com as “verdadeiras histórias”, quando alguém resolve reinventar uma trama que todo mundo conhece, apresentando tudo de forma original. João e Maria já haviam ganhado a sua “atualização, com eles já adultos caçando bruxas no longa de 2013. Com tantos filmes de terror chamando a atenção do público recentemente, viram uma brecha para voltar com os dois numa história mais sombria. Maria e João – O Conto das Bruxas (Gretel and Hansel, 2020) inverte o protagonismo e não para por aí em sua louvável jornada feminista.

Deixando de ser apenas sobre irmãos que saem pela floresta jogando migalhas de pão para não se perderem e, ao se perderem, encontram uma bruxa, o conto ganha contornos mais realistas num primeiro momento para, a seguir, rumar ao sobrenatural. Nunca um terror de sangue ou vísceras, com poucos sustos, o longa aposta mais na ambientação, na tensão crescente. Nesse ponto, ele se aproxima muito de A Bruxa (The Witch, 2015), chegamos a esperar que Black Phillip apareça.

O roteiro de Rob Hayes dispensa elementos do imaginário popular – num estado de total pobreza, onde os dois arrumariam migalhas para deixar pelo caminho? E toma grandes liberdades, se afastando bastante do que é sabido por todos, o que faz a história soar como nova. Em uma cidade desolada pela Peste, uma mãe sem recursos e à beira da loucura coloca seu casal de filhos para fora. Andando pela floresta, eles encontram uma casa com comida à vontade e uma moradora misteriosa que logo se mostra bondosa e sensata. Mas nesse mato tem coelho.

Os aspectos técnicos de Maria e João são bem interessantes. A reconstituição de época, mesmo que não saibamos exatamente de que período se trata, é coerente, com cenários e figurinos apropriados. A fotografia de Galo Olivares (operador de câmera em Roma, 2018) é o que mais salta aos olhos, explorando de maneira competente tanto o interior da casa quanto os campos externos. Os contrastes de claro e escuro criam frames belíssimos, pontuados por uma trilha incômoda (no bom sentido) de Robin “Rob” Coudert, com sintetizadores aumentando a estranheza de certos momentos.

Tudo isso é costurado pelo filho de Norman Bates: Osgood “Oz” Perkins assina a direção, em sua terceira empreitada na função. Ele deixa o ritmo cair um pouco, tornando o meio do filme um pouco cansativo. Mas logo volta com um final marcante. E ajuda ter, no papel principal, a ótima Sophia Lillis, que, ao contrário da Anya Taylor-Joy de A Bruxa, já é bem conhecida, com os dois It (2017 e 2019) e a série Objetos Cortantes (Sharp Objects) no currículo. Ela contracena contra a veterana Alice Krige (acima), que aqui tem mais destaque que em seus trabalhos usuais.

Perkins ainda não tem a relevância de um Robert Eggers (de A Bruxa e O Farol) ou um Ari Aster (de Hereditário e Midsommar). Mas está no caminho certo, ainda mais por inserir discussões fundamentais em seu filme: o papel e a força da mulher, sororidade, amadurecimento e a questão do pertencimento, do quanto é difícil abrir mão de um lugar que te recebeu bem. Maria e João não inverteu os personagens em seu título apenas para se diferenciar de outras obras: ele de fato conferiu a Maria uma maior importância, e Lillis dá conta do recado. Os Grimms ficariam orgulhosos.

A floresta também é responsável pelo único momento de humor

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