Godzilla e Kong garantem a diversão em duelo épico

Só pode haver um. E não estou falando dos guerreiros imortais de Highlander, mas de monstros gigantescos que não suportam a ameaça que outros como eles possam representar. São machos-alfas milenares, conhecidos como Titãs, e têm uma rixa antiga. Isso é basicamente o que você precisa saber para acompanhar Godzilla vs. Kong (2021), longa que mais uma vez coloca as criaturas frente a frente. Mas as gerações atuais vão ver o embate pela primeira vez, já que o anterior foi lançado em 1962.

Cada um dos dois tem diversos filmes desde suas origens, muitos produzidos pela lendária Toho. Nesse novo universo norte-americano, conhecido como Monsterverse, Godzilla já estrelou duas aventuras (que você confere aqui e aqui) e Kong, uma, ignorando inclusive o icônico filme de Peter Jackson (de 2005). Os três filmes, juntos, conduziram os personagens ao ponto em que os encontramos agora. Não que essa bagagem seja necessária, dá para começar aqui do zero, mas as referências ao que veio antes são muitas.

No início do filme, entendemos que Godzilla vive nas profundezas, sem arrumar confusões, e Kong é mantido isolado em sua Ilha da Caveira. Assim, os dois não se encontram e o temido confronto não acontece. Mas uma empresa com propósitos escusos se mete na história, ou não teríamos o filme. Temos algumas situações muito loucas, como o conceito de Terra oca (ao menos, não é plana), ou um cientista teórico desacreditado que sabe pilotar naves de tecnologia desconhecida, ou um túnel… Melhor não aprofundar nas inconsistências.

Quem vê um filme como Godzilla vs. Kong está esperando diversão, certo? Pois a obra entrega exatamente isso. Como as partes intermediárias de trilogias costumam fazer, o longa já começa com a ação, já que as apresentações foram feitas anteriormente. Temos um empresário ambicioso (Demián Bichir, de A Freira, 2018) que não confia em ninguém e manda a filha na nave (Eiza González, de Eu Me Importo, 2020). Dois cientistas serão o núcleo da missão: a que acompanha Kong há anos (Rebecca Hall, de Um Dia de Chuva em Nova York, 2019) e o tal professor que não conseguiu vender seus livros (Alexander Skarsgård, de Big Little Lies).

De volta de Godzilla II temos pai (Kyle Chandler) e filha (Millie Bobby Brown), e a garota mais uma vez vai contra as recomendações parentais e se mete na trama. Ela ganha dois reforços que acabam servindo de alívio cômico: o garoto gordinho atrapalhado padrão (Julian Dennison, de Deadpool 2, 2018) e o podcaster infiltrado paranóico (Brian Tyree Henry, de Coringa, 2019). Deram um jeito de colocar um ator japonês no meio, para evitar críticas, e Shun Oguri foi escalado.

Os personagens humanos parecem estar sobrando. O elenco se alterna entra os modos burocrático, constrangido ou deslocado, sendo que apenas Bichir parece se divertir. Um filme mudo, com apenas os dois monstros, seria bem mais interessante. Os dois destroem à vontade, os efeitos são à altura do projeto e a trilha não chega a incomodar. É o tal cinema-pipoca em sua mais alta expressão. E, afinal, um filme com The Hollies na trilha não pode ser de todo ruim.

Esses são os dois que importam

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Crip Camp promove a luta pelos direitos das pessoas com deficiências

Ver pessoas se unindo e buscando um resultado em comum é emocionante. Gente que compartilharia uma ou outra característica, mas que são bem diferentes no geral. Gente que entende as diferenças e se une no objetivo de todos. Gente que pressiona o governo e quem mais precisar, que não arreda o pé até ser ouvido. É sobre isso o documentário Crip Camp – Revolução Pela Inclusão (2020), disponível na Netflix e indicado ao Oscar na categoria.

Numa primeira olhada, seria um retrato de um acampamento que, na década de 70, passou a receber jovens com deficiências variadas e o efeito que isso teve neles: conhecer outros como eles, passando por dificuldades parecidas, por preconceito. Mas aí entra a diversão, os jogos, as brincadeiras entre pessoas que pensam parecido e se ajudam, cada um compensando uma necessidade do outro. Sair temporariamente de uma sociedade que os via como doentes para encontrar pares.

Se fosse só isso, já seria muito. O acampamento faz uma diferença gigantesca nas vidas daqueles jovens. Filmes sobre a adolescência saem aos montes, mostrando as questões de sempre, como as mudanças físicas, os hormônios, os garotos/as garotas. É muito importante ver um ponto de vista diferente. Aqueles jovens tinham problemas até com a forma como eles mesmos se viam. E, convenhamos, não conseguir se virar durante a noite deve ser algo excruciante.

O acampamento é só o ponto de partida. Fazendo aqueles jovens acreditarem em seus potenciais, ele propiciou a eles lutarem por direitos que outros já tinham. Coisas simples, como ir e vir pela cidade no transporte público ou estudar nas mesmas escolas que os vizinhos. É estranho pensar que a luta dos negros pelos direitos civis é muito mais coberta pelo Cinema que a dos deficientes. Você pode até encontrar uma pessoa com deficiência num filme, como no horroroso Fuja (Run, 2021). Mas é raro. E, como um personagem coloca, trata-se da maior minoria de todas. Tanto que outros grupos se juntam à batalha deles.

Um dos diretores de Crip Camp é um ex-frequentador do acampamento, James Lebrecht. Se Nicole Newnham, a outra diretora, tem mais experiência na bagagem (como The Revolutionary Optimists, 2013), Lebrecht é um técnico de som que se arriscou a dirigir para mostrar sua paixão pelo tema e pelo acampamento Jened, que mudou tantas vidas – direta ou indiretamente. Como se precisasse, o filme ainda traz ótimas músicas em sua trilha, um campista chega a tocar Truckin’, do Grateful Dead, no violão. Bem à cara de Woodstock, mas muito mais significativo para aquelas pessoas.

Judy Heumann foi uma das pessoas a ganhar projeção na luta pelos direitos das pcd

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Anthony Hopkins perturba o público com Meu Pai

É gritante o tanto que Anthony Hopkins está acima de qualquer outro ator nesta temporada. Seu trabalho em Meu Pai (The Father, 2020) é algo realmente surpreendente, mesmo para quem conhece bem o talento do ator galês. O filme chega muito perto de colocar o público na cabeça de um senhor de 80 e poucos anos que rapidamente vai sendo tomado pela demência e fica cada vez mais confuso. Com poucos personagens e cenários, o filme nos proporciona uma experiência devastadora.

Fazendo sua estreia na direção de um longa-metragem, o dramaturgo Florian Zeller adaptou uma de suas peças (ao lado do veterano Christopher Hampton, de Um Método Perigoso, 2011) e conseguiu indicações aos principais prêmios este ano. A cara de teatro não foi totalmente afastada, mas isso não chega a incomodar e Zeller se redime após escrever o vergonhoso A Outra Mulher (Amoureux de ma Femme, 2018). Desta vez, conta com elenco do Reino Unido encabeçado por Hopkins e Olivia Colman (que faz as rainhas de A Favorita, 2018, e de The Crown).

Quando Meu Pai começa, conhecemos o genioso Anthony (Hopkins), um homem idoso constantemente visitado pela filha, Anne (Colman), que se preocupa muito com ele. A recusa do pai em aceitar uma cuidadora deixa Anne presa a ele, o que acaba afetando as relações e as atividades dela. No início, um espectador menos observador pode ficar um pouco perdido, mas logo tudo passa a fazer sentido.

O grupo pequeno de atores inclui Imogen Poots (de Natal Sangrento, 2019), Rufus Sewell (de Judy, 2019), Olivia Williams (de Victoria e Abdul, 2017) e Mark Gatiss (de séries como Game of Thrones e Sherlock). Colman faz uma filha dedicada, que tenta manter o bom humor frente as dificuldades com o pai, e a atriz diz muito com suas expressões. Não por acaso, Colman é hoje uma das principais intérpretes do Cinema mundial, sempre trazendo muita atenção para os projetos com os quais se compromete.

Hopkins, premiado com o Oscar e o BAFTA por sua fantástica atuação em O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs, 1991), teve vários outros êxitos em sua carreira. Mas, com muita frequência, demonstra certa preguiça em suas escolhas e acaba fazendo pouco esforço em coisas como O Ritual (The Rite, 2011), Presságios de Um Crime (Solace, 2015) ou na franquia Transformers (em O Último Cavaleiro, 2017). Meu Pai foi uma opção muito acertada e vemos o ator numa composição rara. Ele tem a oportunidade de mostrar uma versatilidade gigantesca e é impossível ficar impassível frente a tanta sensibilidade.

Ponto positivo no currículo de todos os envolvidos, Meu Pai é certamente um dos melhores filmes da temporada. Hopkins pode até não levar a estatueta careca, já que a Academia parece empenhada em premiar postumamente Chadwick Boseman (por A Voz Suprema do Blues, 2020). Mas seu trabalho será lembrado, estudado e citado por muitos anos, desde já referência na criação de um personagem complexo e muito interessante. Mais uma vez, Hopkins nos lembra o grande ator que é.

Apesar do tema difícil, Zeller teve um set descontraído

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Billie Holiday ganha voz na pele de Andra Day

Gravada em 1939 pela fantástica cantora americana Billie Holiday, a música Strange Fruit fala claramente da perseguição a negros, que eram mortos e pendurados em árvores, sendo eles próprios as “frutas estranhas”. Considerada hoje uma das canções mais importantes de todos os tempos, nos anos 40 ela trouxe muitos problemas a Holiday, que fazia questão de cantá-la sempre e chamar atenção para a causa. Este é o foco de The United States vs. Billie Holiday (2021), lançado pelo Hulu.

Na verdade, este deveria ser o foco do filme, que logo cai na mesma armadilha de outras cinebiografias e abraça o mundo. Outro problema comum a este tipo de obra é a necessidade de se adotar um vilão, uma figura que atormenta a protagonista e é rasa como um pires (o agente de Garrett Hedlund, de Operação Fronteira, 2019). Dessa forma, o roteiro de Suzan-Lori Parks (baseado no livro de Johann Hari) vai pulando entre os eventos que considera mais relevantes, construindo um quadro por vezes confuso que dificilmente envolve o espectador.

Em meio a tantas falhas, o grande trunfo do diretor Lee Daniels (de Obsessão, 2012) é sua atriz principal, merecidamente lembrada no Oscar, no Globo de Ouro e em diversas outras premiações. Andra Day teve poucas e rápidas participações como atriz até então, como em Marshall (2017), o que explica o receio de Daniels em contratá-la. Ela tem uma carreira mais estabelecida como cantora, já tendo inclusive sido indicada a Grammys. Se tratando de um filme sobre Billie Holiday, esse era um talento necessário – outra a ter interpretado Holiday foi a também cantora Diana Ross (em O Ocaso de Uma Estrela, 1972).

Como acontece em diversas outras cinebios, a intérprete da protagonista é muito superior ao filme. Se vale a conferida em The United States vs. Billie Holiday, é muito devido ao trabalho de Day. A voz, os movimentos, a aparência, tudo devidamente calculado para emular Lady Day, apelido de Holiday (coincidentemente). O figurino e a recriação dos anos 40 são impecáveis, pontuados por uma trilha interessante e salpicada de clássicos de Holiday, como Strange Fruit e All of Me. Na voz de Andra Day.

Constantemente abusada pelos homens de sua vida, a Holiday do filme fica numa espécie de meio do caminho. O roteiro quer que a vejamos como uma mulher forte, dona de seu destino. Ao mesmo tempo, tem diversas recaídas nas drogas e corre atrás de sujeitos que a agridem e a exploram. O tom segue indefinido do início ao fim. Um ponto positivo a se ressaltar é a situação vivida por Jimmy Fletcher (Trevante Rhodes, de Caixa de Pássaros, 2018). Buscando uma oportunidade profissional, ele se deixa usar contra sua própria raça. Não é algo muito explorado pelo roteiro, mas tem seus momentos.

Lembrado no Oscar apenas pela indicação de Day, The United States vs. Billie Holiday é muito menos do que a cantora merecia. Ao final da sessão, dá vontade de fazer uma busca na internet e entender melhor a biografia dela. E é bastante indicado que se conheça mais músicas que ela imortalizou, como You’ve Changed, Blue Moon e muitas outras.

A semelhança é grande e o talento de Andra Day, também

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Bebendo como um Shelby

Peaky Blinders é uma série de televisão britânica exibida pelo canal BBC Two desde 2013, um conto épico de uma família gangster, os Shelby, ambientado em Birmingham, na Inglaterra, em 1919, logo após a Primeira Guerra Mundial. É inspirada em eventos reais, na história de uma associação criminosa de Birmingham.

Criada por Steven Knight, a série conta até o momento com cinco temporadas de seis episódios cada, disponíveis na Netflix. A sexta temporada está sendo gravada e deve estrear em breve. A série já esteve no Pipoqueiro – clique aqui para ler a crítica e aqui para ouvir o Programa do Pipoqueiro com comentários e músicas da trilha.

Com um estilo visual fashionista, a série tem influenciado inclusive a forma de vestir das pessoas desde o início de sua exibição. Não é difícil encontrar, em uma busca por Peaky Blinders pela internet, artigos com repostas a perguntas como: “Como se vestir como um peaky blinder”, “Estilo dos Peaky Blinders”, “Cortes de cabelo dos Peaky Blinders” etc. O sucesso da série é tão grande que fez inclusive com que Birmingham batesse seu recorde de turismo em 2018, com números 26% superiores aos de quando a série estreou.

Neste contexto, porque não um “Bebendo como os Peaky Blinders”? Ou ainda, de maneira mais intimista, um “Bebendo como um Shelby”?

A série possui um pano de fundo perfeito para falarmos um pouco sobre a escola inglesa de cervejas, que teve importantes acontecimentos em anos que antecederam a série e que possivelmente estavam fervilhando e definindo as características das cervejas dessa escola justamente naquele período. Ainda relacionado ao tema, a série tem referências reais aos pubs de Birmingham, como o Garrison, onde ao longo da história vários pints de boas cervejas inglesas são servidos.

Ainda que durante praticamente todas as temporadas os membros da família Shelby passem boa parte do tempo bebendo, na maioria dos momentos eles consomem whisky (habitue-se ao “scotch or irish?”). No entanto, não é incomum ver os personagens bebendo cervejas no Garrison. Aqui começa a nossa missão de te explicar como beber como um Shelby.

A Inglaterra tem uma das principais escolas cervejeiras do mundo e o período histórico da série é bastante importante para as características que hoje marcam as cervejas dessa escola. Até meados do sec. XV, não se utilizava lúpulo para “temperar” as cervejas britânicas, mas ervas e condimentos locais. Essa mudança ajudou a estabelecer algumas das características das cervejas da escola inglesa. A invenção do tambor torrador, em 1817, também influenciou muito a produção das cervejas escuras, bastante icônicas nessa escola cervejeira.  As duas principais são as Porters e as Stouts.

O estilo Porter foi originado em Londres na primeira metade do século XVII. O nome está associado aos trabalhadores dos portos e das regiões litorâneas de Londres (os porters), que tinham o hábito de consumir esse estilo. Existem teorias de que inicialmente esta cerveja era feita através da mistura de cervejas mais leves com outras mais envelhecidas e, dada a sua popularidade, os cervejeiros passaram a produzi-la com uma receita própria, não sendo mais necessárias as misturas.

Na sequência da história, aparecem as Stout Porters, uma versão mais forte, encorpada e alcoólica da Porter, que em algum momento passam a ser chamadas apenas de Stout. Muitas receitas de Porters na época de fato eram idênticas às receitas de Stouts e a distinção não era tão evidente.

Ainda que boa parte das publicações da internet sejam bastante taxativas sobre a história destas duas cervejas, existe bastante imprecisão sobre desenvolvimento real desses dois estilos, sobre as características originais deles e até mesmo sobre as datas oficiais. Com o passar dos anos, surgiu a necessidade de se separar estes dois estilos porque eles começaram a se diferir muito. Hoje, existe uma definição sobre as características de cada estilo, mas é importante lembrar que existem muitos sub-estilos de Porters e Stouts, cada um com suas características únicas.

A Porter normalmente assume tons de castanho escuro, podendo conter notas avermelhadas, e é opaca. Pode ter notas de café torrado, mas nunca como uma Stout. Já as Stouts tendem a ser ligeiramente mais escuras, indo desde o castanho até o preto. Devem ter alguma parcela de café super torrado, mesmo que não seja muito intenso.

Tá…mas e daí? Como eu bebo como um Shelby?

Abaixo, seguem quatro indicações de belas cervejas para se sentir um sabor parecido com o que se bebia em Birminghan, e que podem ainda ser sentidos nos pubs ingleses. Em primeiro lugar, indico duas cervejas de uma ótima cervejaria inglesa, a Fuller´s, que são referências do estilo – que eu gosto bastante. Depois, duas das terras mineiras, mas que são ótimas expressões de sub-estilos das cervejas da escola inglesa.

FULLER’S LONDON PORTER– É uma releitura das cervejas originais do estilo Porter. Apresenta coloração marrom, rica em aromas e sabores do malte, com notas levemente tostadas de chocolate amargo e café.

ESTILO: Brown Porter

ABV: 5,4%

IBU: 37

EBC: 60

ORIGEM: Inglaterra

FABRICANTE: Fuller’s

FULLER’S BLACK CAB STOUT – É uma cerveja preta de perfil complexo, mas com boa drinkability e baixo teor alcoólico (4,5%), que ajuda a quebrar o estigma das cervejas escuras tidas pelos brasileiros como muito alcoólicas. Elaborada com maltes torrados, traz notas de café e chocolate amargo, como de café expresso. Seu corpo é médio e de final seco. Cerveja muito agradável.

ESTILO: Classic Irish-Style Dry Stout

ABV: 4,5%

IBU: 40

EBC: 172

ORIGEM: Inglaterra

FABRICANTE: Fuller’s

KÜD FEAR OF THE DARK EXTRA STOUTFear of the Dark é uma canção escrita por Steve Harris, baixista e compositor principal da banda britânica de heavy metal Iron Maiden, e faz parte do álbum homónimo de 1992. A música é homenageada nesse rótulo da cervejaria Kud. Ela é uma cerveja do estilo Foreign Extra Stout, que tem como característica principal ser extremamente escura e um pouco mais forte do que as Stouts tradicionais. A torra dos maltes utilizados na receita deixa sabores de café expresso e chocolate amargo bem presentes e mais intensos que as demais cervejas recomendadas aqui.

ESTILO: Export-Style Stout

ABV: 6,4%

IBU: 50

EBC: –

ORIGEM: Brasil

FABRICANTE: Cervejaria Kud

KRUG DRY STOUT -Essa cerveja tem um sabor de cereal torrado, como café expresso, e final bastante seco, com excelente balanço entre o amargor e a doçura. Assim como a Guiness (outra Stout icônica), essa cerveja leva nitrogênio na sua mistura de gaseificação, produzindo uma sensação macia e encorpada na boca. A sensação de boca aveludada e a excelente formação de espuma são conferidas também pelo uso de aveia na receita. Todos esses elementos levam a uma cerveja com textura bastante particular e muito interessante de ser experimentada. Vale a comparação com a Fuller´s Black Cab em relação principalmente à textura.

ESTILO: Classic Irish-Style Dry Stout

ABV: 4,4%

IBU: 30

EBC: –

ORIGEM: Brasil

FABRICANTE: Cervejaria Krug Bier

Agora, é se munir com estas cervejas, maratonar Peaky Blinders antes da estreia da próxima temporada e se sentir bebendo como um Shelby no Garrison!

Mas, se beber, lembrem-se: “No fuckin’ fighting!

Tommy Shelby já é um ícone cultural

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Família coreana busca o sonho americano em Minari

Nos anos 80, Jacob Yi e a esposa, Monica, saíram da Coréia em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos. Trabalhando muito e ganhando pouco na Califórnia, eles decidem se mudar com os filhos para a zona rural do Arkansas, onde Jacob poderá plantar alimentos característicos de sua terra natal e atender uma demanda existente. Ele vê nesse comércio o futuro de sua família, mas Monica é contra viverem ali, isolados. Ainda mais quando o filho pequeno tem uma condição cardíaca e o hospital fica a uma hora de distância.

Por essa trama básica, percebe-se que Minari (2020) não tem o roteiro mais original de Hollywood. O ótimo Terra de Sonhos (In America, 2002), por exemplo, vem à cabeça quando o assunto é tentar viver o “sonho americano” sendo de outro país. Assim como o colega irlandês, Minari tem alguns elementos que o alçam a outra categoria: a daqueles filmes sensíveis, poéticos, que ficarão na memória de seu público por um bom tempo.

A química entre os atores que vivem a família Yi é ótima. Não à toa, dois deles estão indicados ao Oscar, entre outros prêmios. Steven Yeun (de Okja, 2017) faz o pai, com Yeri Han como a mãe e Noel Kate Cho e Alan Kim como os dois filhos. A mãe de Monica logo se junta ao grupo, interpretada por Youn Yuh-jung (de Sense8), e fecha o núcleo familiar. De fora, temos o americano que ajuda Jacob com a plantação, o ex-combatente Paul (Will Patton, de Halloween, 2018). Yeun e Yuh-jung concorrem à estatueta careca (ator principal e atriz coadjuvante), mas todos funcionam muito bem, com destaque também para o pequeno Kim, assustadoramente maduro para a idade.

Além das interpretações, a fotografia de Minari é linda e explora bem o ambiente. Dentro do trailer ou pela natureza afora, a fotografia de Lachlan Milne (de Stranger Things) nos situa e enriquece o roteiro bem amarrado de Lee Isaac Chung, que ocupa também a cadeira de diretor – e foi indicado a Oscars nas duas funções. E as belas imagens são pontuadas pela discreta trilha de Emile Mosseri (de Homecoming), também indicado, totalizando seis menções no Oscar – a última categoria é Melhor Filme.

Com boa parte dos diálogos em coreano, o filme acabou indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira, e levou o prêmio. No Bafta, uma das seis indicações é exatamente essa, mesmo se tratando de um filme americano. Nascido no estado americano Colorado, Chung colocou um pouco de suas próprias experiências no roteiro, como o uso da tradicional planta Minari na culinária em sua casa. Essas memórias tornam o filme mais autêntico e os personagens, mais críveis.

É essa a planta que dá nome ao filme

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Zack Snyder apresenta sua versão da Liga da Justiça

Em novembro de 2017, tivemos o lançamento de Liga da Justiça (Justice League) nos cinemas e o início de um longo imbróglio. Zack Snyder seria o diretor do longa, dando sequência ao universo que estava criando com O Homem de Aço (The Man of Steel, 2013) e Batman Vs. Superman (2016). Um problema familiar sério o afastou do projeto e Joss Whedon, pouco prestigiado na Marvel, acabou assumindo a cadeira. Um resultado duvidoso iniciou uma campanha fervorosa e curiosa: os fãs de quadrinhos queriam ver a versão de Snyder, aquela que não chegou a se concretizar.

Por um lado, pode-se dizer que foi criada uma pressão para que a Warner permitisse a Snyder lançar o seu próprio corte, o tal Snyder Cut. Por outro, os produtores perceberam que havia demanda e eles poderiam ganhar mais dinheiro sendo que a maior parte das filmagens já estava pronta. Algumas cenas novas foram gravadas, mais uns efeitos especiais e uma montagem totalmente independente da vista anteriormente. Outra trilha foi encomendada a Junkie XL, descartando a do eficiente Danny Elfman, e o resultado ficou mais poderoso. A trilha sonora da Mulher-Maravilha continua bem marcante nas cenas em que ela aparece.

A primeira conclusão óbvia é que, com quatro horas de duração, fica bem mais fácil desenvolver melhor os personagens. O longa é dividido em capítulos, o que reforça sua cara de minissérie e torna mais fácil uma ida ao banheiro. Batman parece ser o único a ficar na mesma, não ganhando uns minutinhos adicionais de palco – porque já os tinha. A história do Superman é melhor desenvolvida, com maior participação tanto da mãe, Martha, quanto da Lois Lane. A luta das amazonas contra o Lobo da Estepe é muito mais detalhada, mas Diana também fica na mesma.

O Ciborgue ganha uma importância muito superior e sua história é contada com maior riqueza, o que por outro lado o enfraquece: é mais um com trauma paterno, numa eterna repetição de padrões. Ele, que é sempre muito discreto, de moletom e cabeça baixa, chega para se encontrar com Diana no meio da rua causando, o que é bem forçado.

O Flash, que parecia ser gay, agora tem um interesse amoroso feminino, evitando qualquer inovação que fosse irritar os fãs xiitas. A garota é apenas salva de um acidente, mas há muita troca de olhares e sabemos que se trata de Iris West (Kiersey Clemons), sua futura paixão em um vindouro filme solo. Com os poderes que tem, Barry deixar o pai na cadeia é quase como o Clark ter deixado o pai sumir num tornado: ridículo.

O encontro de Diana e Bruce Wayne deveria ser mais caloroso, já que os dois certamente eram muito solitários e são almas próximas. Um toque de uma mão na outra fica até meio constrangedor, indicando que algo poderia surgir ali. Isso se ambos não fossem extremamente problemáticos nessa área. Aquaman continua pouco desenvolvido, já que seu filme solo só viria no ano seguinte a esses acontecimentos. Se tira a camisa sempre que vai entrar no mar, ele precisa de um Alfred só para ele, para catar as camisas, ou uma hora não vai ter mais nenhuma. E quebrar a garrafa de whisky ao ir pro mar continua sendo excesso de estilo.

A representatividade feminina segue forte, com a Mulher-Maravilha dizendo a uma garotinha que ela pode ser o que quiser quando crescer. O visual do Lobo da Estepe ficou bem mais arrojado, com melhores efeitos, e ele ganhou mais destaque. Lobo diz que não há Lanternas ou kryptonianos para defender o mundo, ou seja: nada de Supergirl, que está na TV, e nada de Hal Jordan, já que o filme do Lanterna Verde foi um fracasso. Mas é possível ver um verdinho sendo morto numa batalha.

A semelhança de Darkseid com Thanos (da Marvel) é inevitável. Alfred, inclusive, trabalha numa manopla que usa material kryptoniano, o que lembra aquela luva do Thanos com as pedras. Não deixa de ser interessante finalmente conhecer Darkseid (abaixo), um personagem tão importante nos quadrinhos que foi prometido por muito tempo e acabou não aparecendo na versão de 2017. E fique de olho que outro velho conhecido dos iniciados vai aparecer.

Snyder parece mais interessado em produzir pôsteres que em dirigir um filme. Seus maneirismos são bem cansativos: os closes nas expressões, as cenas em câmera lenta, os golpes que demoram uma eternidade para acontecerem, diálogos excessivamente expositivos. As amazonas são a versão feminina dos 300 de Esparta (do longa de 2006), repetindo a tara de Snyder de mostrar abdomens trincados e físicos perfeitos. Zeus é a mistura de Leônidas com Thor.

Pontuados os vários problemas, é importante ressaltar que este Liga da Justiça é bem mais satisfatório que o anterior. Whedon, que ainda foi denunciado como abusador psicológico, vai custar a conseguir outro grande projeto. Já Snyder sai ileso desse circo, atingindo a expectativa dos fãs que queriam conferir a visão dele. Com uma série de zumbis engatilhada na Netflix, ele pode não voltar ao Universo Cinematográfico da DC. Sua falta não será sentida. Seus filmes continuam não honrando a essência dos heróis, tornando opções bem mais espertas nomes como os de Patty Jenkins, James Wan ou de alguém novo.

Snyder finalmente conseguiu lançar sua versão de Liga da Justiça

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Da Guatemala temos uma versão assustadora da Chorona

É comum acompanhar dramas pesados sobre guerrilhas, crimes de guerra, esse tipo de coisa, com muitas injustiças e mortes. Grandes diretores se enveredaram por esses caminhos, como Oliver Stone, Costa Gavras, entre outros. Mas um filme de terror nessa linha é algo raro e, no caso de La Llorona (2019), muito bem-vindo. A produção da Guatemala surpreende trazendo o sobrenatural para uma história muito humana: a busca por uma condenação de um ditador em seus últimos dias.

Quando La Llorona começa, conhecemos Enrique Monteverde (Julio Diaz), ex-ditador da Guatemala acusado de comandar um genocídio de nativos no início da década de 80. O veredicto de culpado foi contestado e ele saiu livre do tribunal para casa. Indignada, parte da população vai para a porta em protesto e os muitos empregados da mansão ficam com medo da multidão e saem. Só a fiel Valeriana (María Telón) fica e recruta uma novata (María Mercedes Coroy, as duas abaixo) para ajudá-la.

A família Monteverde ainda conta com a resignada esposa do general, Carmen (Margarita Kenéfic), a filha deles, Natalia (Sabrina De La Hoz), e a neta pequena, Sara (Ayla-Elea Hurtado). O que precisamos saber a respeito deles vai sendo mostrado ao mesmo tempo em que descobrimos os fatos do tal massacre. O pano de fundo político faz com que o longa vá mais longe em seu impacto que a maioria das produções atuais, principalmente as de terror. E a outra versão recente da história da Chorona, A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona, 2019), não chega nem no dedinho do pé desta.

Se, por um lado, a fotografia do filme fica restrita à casa, por outro, o diretor Jayro Bustamante aproveita para explorar bem o imóvel e criar suspense dali. Bustamante ainda acumula os papéis de corroteirista, produtor e montador, sendo o responsável direto pelo sucesso do longa. O clima de tensão é palpável, as situações são críveis e não há nenhum personagem burro fazendo coisa errada – tipo correr sozinho pela floresta. Temos a questão política se misturando à lenda local, Bustamante trabalha o papel do “cidadão de bem” e traz elementos da cultura local, inclusive a língua kaqchikel, muito falada na região central do país.

O terror de ver um ditador sair livre é o pior de todos

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Dobradinha Zhao e McDormand nos dá Nomadland

Um dos filmes mais comentados da temporada, Nomadland (2021) já levou alguns prêmios e não dá sinais de cansaço rumo a outros. Dois nomes se sobressaem na obra: a consagrada Frances McDormand, que pode levar seu terceiro Oscar como Melhor Atriz, e a diretora e roteirista Chloé Zhao, extremamente elogiada e com as mesmas chances de ganhar uma estatueta careca. Lembrando a estrutura de um documentário, o filme mostra de forma crua o outro lado do sonho americano.

Fern, a personagem de McDormand, é uma viúva na casa dos 60 anos que vive numa cidade devastada economicamente. Procurando por oportunidades de trabalho, ela entra na van e deixa tudo para trás, levando consigo o essencial. As viagens pelas estradas americanas são uma muito bem exploradas pela fotografia de Joshua James Richards, parceiro de Zhao já no terceiro trabalho juntos (após Songs My Brothers Taught Me, 2015, e Domando o Destino, 2017).

Enquanto pula de uma cidade para outra, Fern faz amizades com figuras bem interessantes, cada uma com uma história triste – e, muitas vezes, real. Várias pessoas vistas, inclusive, usam seus nomes verdadeiros, Zhao frequentemente trabalha com não-atores. Um deles é Bob Wells, espécie de líder dos acampamentos de nômades que conta sua história no filme numa cena não programada que acabou entrando e emocionando. Outros, como Swankie, vivem versões de si mesmos. A autora do livro no qual o roteiro se baseia, a jornalista Jessica Bruder, passou meses vivendo numa van, colhendo informações.

Como numa espécie de versão madura de Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007), Fern não precisa se conhecer, mas superar os percalços impostos pela vida. McDormand, como de costume, está ótima, já é uma daquelas atrizes que merecem prêmios por lerem a lista telefônica. E ela ainda tem como colega de cena o grande David Strathairn (de Godzilla II, 2019), que tem algumas boas oportunidades e ainda levou o filho com ele.

Além de se focar na jornada da personagem, Nomadland também mostra claramente a situação econômica desesperadora dos Estados Unidos. O pano de fundo é o fechamento de empresas e o êxodo que isso força, já que as pessoas se veem obrigadas a saírem de suas casas em busca de uma renda. A chinesa Zhao adotou o país como seu lar e, por isso, aponta os problemas que vê, sem glamourizar ou exagerar o estilo de vida viajante. McDormand compra totalmente a ideia, se entrega e faz uma bela dupla com a diretora.

Zhao comanda McDormand e Richards registra na câmera

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Superman ganha nova e criativa série no CW

Mais uma vez, temos um dos maiores heróis da DC Comics saindo das páginas dos quadrinhos para alçar voos em carne, osso e efeitos especiais. Superman & Lois é a nova atração do canal CW a compor o chamado Arrowverse, o universo televisivo de séries criado a partir de Arrow que reuniu os demais supers da editora. Mais uma vez, temos na produção o Midas do CW, Greg Berlanti, que bateu recordes de audiência.

Mesmo tendo escrito e produzido o fracassado Lanterna Verde (Green Lantern, 2011), Berlanti comandou séries elogiadas (lembra de Dawson’s Creek?) e acabou ganhando a confiança da DC para criar, com os colegas Andrew Kreisberg e Marc Guggenheim, a série do Arqueiro Verde. Ele aproveitou o sucesso de Arrow para introduzir um novo personagem, o Flash, que logo ganhou sua própria série. E assim foi com os vários personagens de Legends of Tomorrow, a Supergirl e, finalmente, o primo dela, o Superman. Isso, fora outros personagens que não fazem parte desse universo e também têm o dedo de Berlanti.

Geralmente, os produtos audiovisuais com o azulão nos mostram a juventude dele em Smallville (antigamente, chamada de Pequenópolis) ou a chegada em Metropolis, quando ele começa a trabalhar no Planeta Diário e conhece sua cara-metade, a premiada jornalista Lois Lane. Em 1993, tivemos a estreia de Lois & Clark, série que focava mais o relacionamento dos protagonistas, com vilões aparecendo ocasionalmente apenas para atrapalhar o romance dos dois. Clark frequentemente tinha que sumir, para que seu alter ego pudesse salvar o mundo, e Lois era deixada na mão.

Superman & Lois também se propõe a fugir do lugar comum. A diferença aqui, que promete tornar as coisas mais interessantes, é que essa nova série nos mostra Clark e Lois alguns anos à frente, mais velhos e com dois filhos adolescentes passando pelos conflitos da idade. Uma mãe presente, conciliando a família com sua carreira bem sucedida, e um pai que dificilmente participa dos eventos e se vê distante dos filhos. Isso tudo na velocidade do mundo de hoje, em uma grande metrópole, com os problemas que todos enfrentam.

Pelos primeiros episódios já exibidos nos Estados Unidos, podemos perceber que a trama familiar vai sempre ocupar um espaço grande na série. E não deixa de ser curioso acompanhar esse lado de Lois e Clark, um ao qual não estamos acostumados. Não se observa aqui o tom juvenil das demais séries do CW, que acabam agradando um público mais novo e torna o resultado restrito. Temos os gêmeos, com um ponto de vista próprio da faixa etária, mas temos também os adultos e os demais conflitos que afligem a comunidade.

Ao contrário do usual, o bilionário de caráter duvidoso de plantão, que compra as empresas e as pessoas por toda parte, não é Lex Luthor, mas Morgan Edge, também originado nos quadrinhos. E um vilão superpoderoso é apresentado no final do primeiro episódio, fazendo frente aos poderes do Superman. A série, ou ao menos a primeira temporada, deve rodar em torno desses antagonistas, além de desenvolver as questões familiares do casal principal.

Vistos inicialmente em Supergirl, temos novamente Tyler Hoechlin e Elizabeth Tulloch representando Clark/Superman e Lois. Hoechlin ainda deve ser lembrado por alguns como o filho de Tom Hanks em Estrada Para Perdição (Road to Perdition, 2002), mas já construiu um nome com outros trabalhos e tem a competência necessária pra um papel duplo complexo – além de ser fisicamente parecido com Christopher Reeve. E tem uma ótima química com Tulloch (de O Artista, 2011), que entende bem a essência de Lois e evita torná-la um estereótipo, a jornalista intrépida que vez ou outra é arrogante.

Outro destaque no elenco são os rapazes que vivem a nova geração dos Kents. Alex Garfin e Jordan Elsass (de Pequenos Incêndios Por Toda Parte, 2020) vivem dois irmãos bem diferentes, mas com uma cumplicidade própria de gêmeos. Quem já leu meia dúzia de revistas em quadrinhos na vida consegue prever o que o futuro pode guardar para eles. Completando o time, temos alguns nomes um pouco mais famosos, como Dylan Walsh, Emmanuelle Chriqui, Adam Rayner e Angus Macfadyen, como o grandioso Jor-El.

Com 15 episódios nessa primeira temporada e uma segunda já aprovada, Superman & Lois consegue a proeza de, mesmo se afastando do retrato usual de seu herói, ser mais fiel à fonte que outras produções mais badaladas. Berlanti, ao contrário de um Zack Snyder, deixou sua vaidade de lado e se voltou aos quadrinhos. Misturou vários elementos que encontrou com uma boa dose de criatividade e criou algo inusitado e, ao mesmo tempo, facilmente reconhecível. Se o fôlego se mantiver por todo o caminho, acompanhar será uma experiência agradável.

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