Programa do Pipoqueiro #58 – Indicações HBO

A edição 58 do Programa do Pipoqueiro traz dez indicações de bons filmes disponíveis na Rede HBO e suas músicas, com a inestimável colaboração dos criadores do site e do canal Mixido, Rodrigo Castro e Bia Amaral. Aperte o play abaixo e divirta-se!

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Littles Fires Everywhere é cheia de boas intenções

Depois do sucesso de Big Little Lies, que ganhou uma segunda temporada na HBO, a atriz e produtora Reese Witherspoon encontrou outra adaptação literária para estrelar na TV. Criada por Liz Tigelaar para o Hulu, Little Fires Everywhere (2019) desenvolve o livro de Celeste Ng em oito episódios e adiciona ao caldeirão um punhado de situações não previstas pela escritora. Talvez por isso, a série proponha várias discussões e não se aprofunde em nenhuma delas, morrendo na praia das boas intenções. Disponível na Amazon Prime Video.

A primeira coisa que percebemos assistindo à obra é que todos ali têm um telhado de vidro. Uns criticam os outros tendo seus próprios pecados debaixo do tapete. Logo de cara, descobrimos que a mansão de uma família abastada pegou fogo e os bombeiros rapidamente descobrem vários focos de incêndio – daí o título, Pequenos Incêndios por Toda Parte. Ao longo dos episódios, vamos conhecendo os eventos que antecederam esse fato, e a cada nova revelação, apostamos num suspeito diferente. A própria série joga com a nossa percepção.

Fazendo bom uso do poder que detém, Witherspoon exigiu uma maior participação feminina à frente e atrás das câmeras. Entre os três diretores e os muitos roteiristas e produtores, as mulheres são maioria. E a trama gira em torno das moradoras da pequena Shaker Heights, Ohio, deixando os maridos em segundo plano. Esse equilíbrio é muito bem-vindo e coloca os holofotes principalmente em Witherspoon, que vive a mãe da família cuja casa virou cinzas, e em Kerry Washington (de Scandal e Django Livre, 2012), que interpreta uma artista plástica que chega à cidade e mexe com a rotina dos Richardsons.

O livro de Celeste Ng concentra suas forças nas lutas entre classes, enfatizando o embate entre os ricos Richardsons (abaixo) e os pobres Warrens. A série transforma os Warrens em negros, aumentando o abismo entre as famílias. Além disso, temos as dificuldades da maternidade, vivenciadas por várias personagens, o bullying na escola, as questões ligadas à sexualidade, os sonhos desfeitos, a sustentação das aparências e de vidas infelizes… São vários os pontos abordados. E o tema principal parece ser a hipocrisia que permeia aquela sociedade. O único personagem que tem um comportamento decente e minimamente coerente, mesmo que não se concorde com ele, é Bill Richardson, vivido por Joshua Jackson, o eterno Pacey de Dawson’s Creek.

Veludo Azul (Blue Velvet, 1986) e Beleza Americana (American Beauty, 1999) são ótimos exemplos de filmes que revelam o engodo do american way of life, mostrando o que há por baixo da superfície artificial dos sorrisos dos vizinhos. Ambos colocam personagens tidos como inocentes em contato com os pecados alheios, e daí vem a ruptura. Em Little Fires Everywhere, todos são igualmente odiosos. Mesmo aqueles que parecem bonzinhos têm comportamentos que indicam preconceitos e falta de caráter. É o velho “não sou racista, até tenho um amigo negro”, para ficar no caso principal.

Como uma versão piorada de sua Maddy (de Big Little Lies), Witherspoon é certamente uma das melhores coisas da série. Ela repete os comportamentos que vemos expostos em redes sociais, quando cidadãos tidos como modelos revelam o quanto são escrotos quando querem levar vantagem ou simplesmente humilhar alguém. Até uma tentativa de ajudar sai pela culatra, sendo no fim das contas apenas uma oportunidade para a pessoa se gabar do quanto é boazinha. Já seu contraponto, Mia, que deveria ser a pessoa bacana, também tem uma alta dose de erros e de escolhas forçadas, existindo apenas para fazer o roteiro andar. Tudo o que acontece com ela é extremamente conveniente, e não ajuda em nada a cara de choro que Washington faz em praticamente todas as cenas em que é confrontada – boa parte da série.

Diálogos fracos e previsíveis são seguidos por cenas que não fazem sentido ou não são razoavelmente concluídas, nos levando a um final que parece saído da obra de Agatha Christie. O elenco jovem é muito bom, principalmente Lexi Underwood (Pearl Warren – abaixo), que tem aqui um papel que deve alçá-la a bons trabalhos. Ter personagens problemáticos não é de forma alguma demérito, várias séries são assim. O problema é criá-los apenas para cumprir agendas, sem desenvolvê-los o suficiente. Ou torcer para que as boas intenções sejam o suficiente, já que fica muito feio falar mal de quem aponta o racismo ou qualquer tipo de preconceito. É como se tivéssemos que gostar de Little Fires Everywhere automaticamente, apenas pela proposta.

Lexi Underwood faz a parte dela, mesmo que o roteiro não ajude

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Programa do Pipoqueiro #57 – Indicações Telecine

por Marcelo Seabra

A edição 57 do Programa do Pipoqueiro traz uma convidada especial, Graciela Paciência, para indicar filmes disponíveis na Rede Telecine, com comentários e músicas. Aperte o play abaixo e divirta-se!

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Diretora segue Babadook com a vingança do rouxinol

por Marcelo Seabra

Tendo chamado bastante atenção com o terror metafórico de The Babadook (2014), o próximo projeto da diretora e roteirista Jennifer Kent era amplamente esperado. Mesmo tendo recebido prêmio do júri no Festival de Veneza, The Nightingale (2018) chegou caladinho por aqui e logo entrou na programação do Hulu, onde pode ser conferido. Pode, não, deve! Um suspense cuidadosamente construído, que desenvolve bem os personagens e as relações entre eles.

O nightingale, ou rouxinol, do título é a jovem Clare (Aisling Franciosi, de séries como Game of Thrones e I Know This Much Is True), que canta muito bem enquanto cuida de trabalhos domésticos. A irlandesa paga por um crime cometido, junto do esposo e do filho pequeno, numa colônia inglesa na Tasmânia. Esperando receberem “os papéis”, os documentos que lhes garantiria a liberdade, o casal sabe que já cumpriu sua pena, mas depende da boa vontade do oficial encarregado, Hawkins (Sam Claflin, de Peaky Blinders).

Os rumos pelos quais a história segue encaixam a obra no subgênero “filme de vingança”. No entanto, Kent aproveita sabiamente a oportunidade para ir muito mais longe, fazendo várias críticas simultâneas. A primeira, e mais óbvia, é mostrando a violência que as mulheres sofriam nas mãos dos homens que detinham relativo poder. A causa feminista sai na frente, sendo seguida de perto pela luta dos negros, tratados como seres inferiores que só serviriam para o trabalho pesado e eram facilmente descartados. O estreante Baykali Ganambarr faz uma das figuras mais interessantes da obra, o guia que tem uma dinâmica bem rica com Clare.

Temos ainda um retrato da brutalidade da presença dos ingleses na Austrália, onde a diretora nasceu. O imperialismo, hoje bem representado pelos Estados Unidos, tinha, na época, a Inglaterra como seu maior expoente. E, em último lugar, mas não menos importante, é muito interessante observarmos como o oprimido é capaz de oprimir outros sem pestanejar. Uma mulher, normalmente colocada como serviçal, humilha a colega frequentemente, desconhecendo totalmente termos como sororidade ou solidariedade. E a garota, vítima dos demais, é mais uma a tratar os aborígenes pelo depreciativo “garoto”.

Abordando um episódio importante da história de seu país, Kent realiza um filme longo, um pouco incômodo, com uma grande dose de violência, mas sempre bastante interessante. O elenco é afiado, liderado pela crível Franciosi, que consegue evocar toda a dor da personagem. Claflin é ótimo como um canalha, rodeia certos clichês sem derrapar, tendo um resultado muito melhor do que nas comédias românticas que insiste em fazer. O filme ainda é ajudado pela linda fotografia de Radek Ladczuk (também de Babadook), que produz alguns quadros espetaculares que não deixam nada a dever aos de Emmanuel Lubezki em O Regresso (The Revenant, 2015), longa com uma temática parecida.

A diretora levou seu elenco a Veneza

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Programa do Pipoqueiro #56 – Indicações Netflix

por Marcelo Seabra

Esta edição do Programa do Pipoqueiro traz 10 ótimas indicações de filmes para se assistir na Netflix, com a colaboração sempre especial do amigo Tullio Dias. Aperte o play abaixo e divirta-se.

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Netflix recomenda que não se fale com estranhos

por Marcelo Seabra

Depois de Safe (2018), primeiro produto do acordo firmado entre a Netflix e o escritor Harlan Coben, chegou ao serviço de streaming esse ano Não Fale Com Estranhos (The Stranger, 2020). A nova série traz, em oito episódios, uma trama intrincada que parece jogar alguns acontecimentos sem pé nem cabeça para o espectador, e vai aos poucos esclarecendo e juntando tudo. Assim como em Safe, temos uma diversão intrigante e relativamente enxuta.

Dessa vez, temos um advogado, Adam Price (vivido por Richard Armitage, o Thorin da trilogia O Hobbit), que vive tranquilamente com a esposa e os filhos, e tem sua rotina perturbada pela chegada de uma desconhecida (Hannah John-Kamen, de Homem-Formiga e a Vespa, 2018 – abaixo). Ele é abordado no clube onde os filhos jogam futebol por uma garota que lhe revela segredos que a esposa estaria escondendo. Tudo, então, passa a ser desconfiança.

Em paralelo, temos outras situações acontecendo, como uma festa de adolescentes regada a drogas que tem como resultado um garoto em coma. Coben mistura tudo para dar uma impressão de complexidade, quando tudo não passa de um suspense convencional e, às vezes, um pouco forçado ou mal explicado. Mas não deixa de ser divertido, cada final de episódio te compele a assistir ao próximo. E eles fluem de forma que não é difícil fazer uma maratona em um fim de semana.

Como é costume nos livros do escritor, a trama se passa em uma cidadezinha, da mesma forma que em Safe e no filme Não Conte a Ninguém (Ne Le Dis à Personne, 2006), primeira adaptação de uma obra dele. A fotografia é eficiente o suficiente para logo conhecermos toda a região, e explora bem também os espaços menores, fechados. Inclui-se aí a antiga casa do ex-policial interpretado por Stephen Rea (de V de Vingança, 2005), provavelmente o ator mais famoso do elenco – ao lado, talvez, de Jennifer Saunders, da série Absolutely Fabulous e do novo Morte no Nilo, a ser lançado.

A polícia forma um dos núcleos da história

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Programa do Pipoqueiro #55 – Indicações Amazon Prime

por Marcelo Seabra

A edição #55 do Programa do Pipoqueiro traz várias indicações de bons filmes disponíveis na Amazon Prime Video, como Um Lobisomem Americano em Londres e Fogo Contra Fogo, com comentários e grandes músicas! Aperte o play abaixo e divirta-se!

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Programa do Pipoqueiro #54 – Grandes Parcerias

por Marcelo Seabra

Esta edição do Programa do Pipoqueiro traz músicas variadas de filmes que apresentam grandes parcerias, dentro ou fora das telas, e conta com a colaboração de grandes amigos. Divirta-se apertando o play abaixo!

PS: Dei o crédito da ideia ao amigo Luciano Gomes, e ele de fato participou da conversa. Mas o amigo criativo, na verdade, foi o Arthur Abu, que ainda por cima contribuiu com uma dica. Obrigado duplamente, Arthur!

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After Life é a série mais triste que divertida de Gervais

por Kael Ladislau

Ricky Gervais é comumente reconhecido não só por ser o criador da série The Office (a original, britânica) como também por seu humor sem papas na língua e bem ácido. No começo de 2020, apresentou pela 5ª vez o Globo de Ouro e não poupou convidados de piadas de teor bem constrangedor. Mas, quem assiste a After Life (que no Brasil ganhou o subtítulo besta à Zagallo de “Vocês vão ter que me engolir”) achando que verá só dessa faceta de Gervais, será surpreendido. A série, que está disponível na Netflix com suas duas temporadas, conta a história de Tony Johnson (Gervais), um jornalista da pequena cidade inglesa Tambury.

Tony é devastado pela morte, por câncer de mama, da esposa Lisa (Kerry Godliman). Por isso, sua vida se transforma num fado de obrigações e convívios que o deixam amargurado, e que, muitas vezes, o fazem pensar em suicídio. Essas pessoas seguem suas vidas, mas se preocupam com Tony, como seu cunhado e patrão Matt (Tom Basden), o colega de redação e melhor amigo Lenny (Tony Way) e a nova funcionária do jornal, Sandy (Mandeep Dhillon), por exemplo.

Os episódios, de 30 minutos em média, têm o ritmo despreocupado da pequena cidade em que se passa a série. E segue uma cartilha clara de roteiro que, entre outras coisas, mostra Tony acordando, vendo vídeos que sua esposa deixou para ele antes de morrer, passeando com a cadela, encontrando o carteiro Pat (Joe Wilkinson), indo até a redação, se irritando, encontrando com o pai (David Bradley) no asilo e criando coragem de conversar com a enfermeira que cuida dele, Emma (Asheley Jensen). Isso, além de ir ao cemitério ver a lápide da esposa, onde faz uma amiga, outra viúva.

O roteiro flerta com o tédio na metade de cada temporada, devido à repetição dessas ações, sempre muito previsíveis. Salvam as bizarras histórias que Tony e Lenny cobrem e personagens como o próprio colega e a prostituta Roxy (Roisin Conaty), impagáveis. Porém, Ricky Gervais tem muito mérito em continuar dando força e poder em uma história que, parece, não tem muito mais o que contar senão essa rotina pacata e frustrante de Tony. O humor característico do autor e ator é sempre vista na forma como o protagonista encara a realidade da vida, de maneira muito seca e sincera, causando graça na maioria das vezes.

Por outro lado, erra a mão em personagens como o psiquiatra de Tony e de Matt, (que sequer tem nome, vivido por Paul Kaye), mas talvez bem colocado por mostrar a sua babaquice como estúpida e sem relevância para os demais. Perigosa também é a forma como o personagem Julien (Tim Plester) é colocado na trama, e esquecido. A problemática do dependente químico tem uma solução muito duvidosa por parte de Tony e, na vida real, essa saída é muito questionável.

De toda forma, After Life é uma história triste sobre perda. E, isso, ela trabalha muito bem. Muitas pessoas conseguem passar por cima, como mostra a personagem com quem Tony conversa sempre no cemitério, Anne (Penelope Wilton), às vezes pelo próprio Tony, que insiste em tentar viver, e até mesmo por Julien. Mesmo que repetitivo, o roteiro é bem amarrado e, ainda por cima, vem com uma boa trilha musical e uma montagem que reflete a bucólica cidadezinha. After Life é mais triste do que engraçada, mas faz valer a pena para conhecer uma faceta de Ricky Gervais talvez seja pouco conhecida do público.

Os colegas de luto se encontram no cemitério

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Programa do Pipoqueiro #53 – Peaky Blinders

por Marcelo Seabra

A nova edição do Programa do Pipoqueiro traz comentários e algumas das ótimas músicas da elogiada série Peaky Blinders, produzida pela BBC e distribuída pela Netflix. Aperte o play abaixo e divirta-se!

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