Em sua segunda semana disponível na Netflix, O Jogo do Predador (Apex, 2026) é o filme mais visto no momento no streaming. Um nome pode ter sido o responsável por chamar tanto público: Charlize Theron, atriz oscarizada em seu segundo trabalho seguido para a Netflix (depois de The Old Guard 2, 2025). O outro nome importante no elenco é o de Taron Egerton, lembrado por viver Elton John em Rocketman (2019). Ou, às vezes, o público só está buscando um bom filme de aventura para se entreter. Nesse caso, talvez fosse melhor esperar pela próxima opção.
Uma pessoa é perseguida em um jogo doentio onde a vitória parece impossível e a derrota significa morrer. Essa é a trama básica O Jogo do Predador e também de O Jogo Mais Perigoso, conto de Richard Connell, lançado em 1924 e ainda hoje tido como um dos melhores de todos os tempos. Uma coisa é certa: é uma das histórias mais adaptadas para várias mídias, incluindo o rádio, com pequenas variações.

Desde a primeira versão para o Cinema, Zaroff, o Caçador de Vidas (The Most Dangerous Game, 1932 – acima), ele foi sendo recontado, às vezes com fidelidade à fonte (como no filme homônimo de 2022), ou com a adição de um alienígena caçador (Predador, 1987, e suas sequências), ou num cenário urbano (O Alvo, 1993), ou mesmo no Brasil (Bacurau, 2019). Na maioria das vezes, sem o crédito devido a Connell.
O Jogo do Predador é mais um a entrar na categoria de adaptações não reconhecidas, e leva o suspense às belas paisagens da Austrália. Depois de um grande trauma, a personagem de Theron não aprende a lição e vai atrás de mais confusão. Viciada em adrenalina, ela está sempre escalando uma montanha, descendo uma correnteza ou enfrentando caipiras mal intencionados. Com algumas alterações no conto original, temos um novo jogo de gato e rato. O problema é a total ausência de tensão. As coisas vão acontecendo, não nos importamos com ninguém ali e o que quer que aconteça, tanto faz.
O lado bom, se é que isso é bom, é que são apenas 95 minutos, a perseguição não se arrasta. Logo chegamos ao final e mais rápido ainda esquecemos o resultado. Theron e Egerton estão corretos em suas composições, mas falta ao diretor islandês Baltasar Kormákur conferir ao filme um pouco da agilidade de A Fera (Beast, 2022), que conseguia deixar o público apreensivo quanto ao destino dos personagens. Não é que O Jogo do Predador seja ruim. É apenas insosso.

Theron e Egerton se enfrentam nas paisagens da Austrália


































