A Mula e a eficiência de Clint Eastwood

por Kael Ladislau

Não é preciso dizer muito sobre Clint Eastwood. Seus 88 anos, sendo quase 60 dedicados ao Cinema, falam por si só. Talvez por isso, o mais novo longa do eterno “cowboy sem nome” dos faroestes de Sérgio Leone não revele nada muito novo. O que não significa que A Mula (The Mule, 2018) seja piegas ou ruim.

Não há nada de muito diferente que já foi visto nos filmes eastwoodianos. Temos um veterano de guerra com problemas familiares que encontra o jeito mais difícil possível para se reaproximar da família. Dessa vez, Clint (de Curvas da Vida, 2012) é Earl Stone, um outrora respeitado criador de lírios. Sua vida se resumia ao trabalho, tanto que sua família ficava para escanteio em momentos importantes, sobretudo os de sua filha Iris (Alison Eastwood, sim, também filha na vida real).

O passar dos anos fizeram Earl ser uma persona non grata entre os Stone, ressalvando-se apenas a relação com sua neta Ginny (Taissa Farmiga, de A Freira, 2018 – acima). Junta-se a isso o fato de Earl ir à falência em seu comércio de lírios graças à internet, modernidade que o personagem rechaça sempre. Esse é o contexto que faz Eastwood receber uma proposta para ser um transportador de cocaína de um cartel mexicano, dada a sua experiência nas estradas estadunidenses e sua perícia no volante – ele nunca recebeu uma multa!

Além de entregar uma boa história, ainda que nada formidável, como Menina de Ouro (2004) ou Os Imperdoáveis (1992), o diretor Clint ainda atua ao lado de um bom elenco. Além das já citadas Alison e Taissa, temos Bradley Cooper (de Nasce Uma Estrela, 2018) como o policial Colin Bates, e seu parceiro mexicano Treviño é o onipresente Michael Peña (de Homem-Formiga e a Vespa, 2018). O grupo ainda conta com Dianne West (de Tiros na Broadway, 1994 – abaixo), Andy Garcia (de Tempestade, 2017) e Laurence Fishburne (também de Homem-Formiga e a Vespa). O roteiro e o elenco já garantem a ida ao cinema.

Temos ainda as belas tomadas que um roadie movie no centro-oeste americano permite. Clint ainda mostra que não perdeu a mão na direção, quando mostra, por exemplo, o pulo temporal que o filme tem mostrando o florido jardim de Earl em uma época e, na sequência, a devastada plantação de anos mais tarde, já dando a entender a derrota do personagem.

É possível identificar no protagonista o próprio Eastwood: um sujeito meio ranzinza, mas com bom humor. O fato de ele ter dificuldades com a internet e viver à base de um humor “politicamente incorreto” mostra o quão o personagem/ator é ultrapassado em certas questões. E isso não é uma percepção pessoal. O próprio Eastwood deixa claro isso em momentos quando, por exemplo, Bates diz a Earl: “Você já viveu tanto que não tem mais filtro de nada”. O veterano retruca: “Acho que nunca tive”.

A Mula é um bom filme e percebemos todas as marcas do diretor lá. Mais do que isso, é eficiente. Eastwood assegura uma história interessante, com atuações seguras. Não chega a surpreender, mas o diretor entrega um produto que você facilmente identifica como dele e sai satisfeito do cinema. Até tocado, por talvez ser a última atuação dessa lenda viva que é Clint Eastwood.

Eastwood e a verdadeira “mula”, Leo Sharp

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Descubra Sam Cooke na Netflix

por Marcelo Seabra

Em determinado momento da sua vida, você ouviu uma canção de Sam Cooke em algum lugar: filme, rádio… E não faz ideia de quem ele foi. Lendo sobre a biografia, não dá para ter ideia de um terço da importância dele para a música e para o movimento negro nos Estados Unidos. E é bem difícil de entender como se deu seu assassinato. As Duas Mortes de Sam Cooke (The Two Killings of Sam Cooke, 2019) traz todos os fatos disponíveis, e é interessante até pra quem não faz ideia de quem ele foi.

Parte da série Remastered, criação de Jeff e Michael Zimbalist que se propõe a trazer luz para casos mal explicados envolvendo mortes de famosos, o episódio se debruça sobre Cooke, um cantor e compositor excepcional, admirado por muitas celebridades, como Elvis e James Brown, que morreu no auge de sua carreira. Empreendedor e defensor dos direitos dos negros, ele se tornou uma voz importante que muitos julgavam incomodar os poderosos.

Para que consigamos ter a visão geral, a obra começa lá atrás, fundamentando quem foi Sam Cooke e trazendo depoimentos de gente do quilate de Dionne Warwick, Quincy Jones e Smokey Robinson. No início da década de 60, o cantor era amigo de ninguém menos que Muhammad Ali, Malcolm X e do jogador de futebol americano Jim Brown. O quarteto formado por um artista, um ativista e dois atletas chamou a atenção até do FBI, que os vigiava.

Uma tragédia marcou Cooke, que se afundou em seu trabalho e acabou encontrando seu fim. E o pior: tudo o que ele construiu desmoronou também – daí o título As Duas Mortes de Sam Cooke. E, como um bom documentário faz, a obra traz em pouco mais de uma hora vários comentários sobre a época, mostrando muito mais que apenas uma vida perdida. O que já seria muito, tendo em vista que estamos falando de Sam Cooke. E é bom para redescobrir clássicos como Cupid, A Change Is Gonna Come, Bring It on Home to Me e Chain Gang.

Dois dos amigos de Cooke: Malcolm X e Muhammad Ali

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Alita traz a essência de James Cameron

por Marcelo Seabra

Tendo dirigido duas adaptações dos quadrinhos adultos Sin City (2005 e 2014), Robert Rodriguez partiu para o famoso mangá de Yukito Kishiro. Mas Alita: Anjo de Combate (Alita: Battle Angel, 2018) parece mais uma obra não do diretor, mas do produtor e roteirista, ninguém menos que James Cameron. Como é costume dele, temos efeitos especiais fantásticos que acabam disfarçando uma certa falta de conteúdo. Algo como vimos principalmente (mas não só) em Avatar (2009).

Cameron tem trabalhado quase que exclusivamente com o desenvolvimento de equipamentos e técnicas que permitam a criação de novos mundos. A grandiosa viagem do Titanic em 1997, recordista de prêmios, é responsabilidade dele, assim como os seres azuis de Avatar e os exterminadores do futuro da interminável franquia. Dessa vez, ele e a parceira roteirista Laeta Kalogridis nos levam a alguns séculos no futuro de um mundo devastado por uma guerra conhecida como A Queda.

O longa começa com um médico especialista em robótica (Christoph Waltz, de Spectre, 2015) encontrando, num lixão de uma cidade pobre, uma ciborgue sem os membros. Depois de montá-la, ele passa a tratá-la como uma protegida e a leva para conhecer a cidade. A partir daí, a garota (Rosa Salazar, de Bird Box, 2018) vai se envolver em diversas situações que incluem várias peças importantes da sociedade deles, do gângster local (Mahershala Ali, de Green Book, 2018) ao líder da cidade flutuante, onde todos queriam viver.

Visualmente, Alita é arrebatador. O mundo futurista é criativo, com criaturas interessantes e uma geografia que lembra uma favela real, mas com toques bem particulares. A profundidade da terceira dimensão é bem aproveitada em alguns momentos, potencializando a ação. A grandiosidade do IMAX também casa muito bem com a obra, e apresenta uma riqueza de detalhes do design de produção. A trilha de Junkie XL, cujo trabalho recente conta com as aventuras Mentes Sombrias e Máquinas Mortais, pontua corretamente os momentos extremos, com mais ação ou maior drama.

Apesar de todos os seus talentos e recursos, Alita é uma adolescente, e enfrenta dilemas próprios da idade – mesmo que potencializados por robôs assassinos e mercenários violentos. O caso romântico soa forçado, além de Keenan Johnson (das séries Nashville e The Fosters) não ser exatamente um grande intérprete. Mesmo com o rosto deformado por CGI, Salazar tem o carisma necessário para fazer com o público se solidarize com sua jornada, mas ela é a metade do casal que funciona.

Apesar de criativo, o filme não traz nada muito original. Começando no conto de Frankenstein, passando por Blade Runner (1982), Distrito 9 (2009) e até no mais recente Jogador N. 1 (2018), tudo ali já foi visto. Alguns nomes no elenco de apoio são curiosos, reconhecidos por papéis anteriores, e ficamos procurando quem são, debaixo de tantos efeitos digitais – temos, por exemplo, Jeff Fahey, Ed Skrein, Jackie Earle Haley, Derek Mears, Rick Yune e Casper Van Dien. Dentre os mais famosos, Waltz, Ali e Jennifer Connelly, ninguém faz nada de memorável. Alita fica no mesmo patamar de trocentas adaptações voltadas para jovens adultos, que têm sido um grande filão para produtores ambiciosos.

Battle Angel Alita (Gunnm) no traço de Yukito Kishiro

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Christian Bale é um Vice poderoso

por Marcelo Seabra

Uma das figuras mais controversas da política norte-americana ganhou uma cinebiografia badalada. E o mais interessante: ele e os demais retratados estão vivos. O que nos leva a crer que os produtores de Vice (2018) têm bons advogados, ou não têm juízo algum. Sem poupar ninguém, o filme traça um quadro bem negativo do republicano que ficou conhecido como o vice-presidente mais poderoso do mundo. O resultado é recordista de indicações nas principais premiações da temporada.

Quando mais jovem, o recém-casado Dick Cheney era apenas um fanfarrão que bebia, arrumava confusão com a polícia e se contentava com um emprego meia-boca. Sua esposa, Lynne, lhe dá um ultimato para que mude de vida e ele consegue uma vaga como assessor no congresso. Aí, começa a carreira na política de Cheney, que viria a ser o vice de George W. Bush entre 2001 e 2009 e seria o principal responsável pela caça aos terroristas empreendida pelos americanos. De jogador ignóbil, ele passou a dar as cartas. Ele inclusive foi um grande propagador de fake news, o que já existia bem antes de Donald Trump e Bolsonaro.

O roteirista e diretor Adam McKay emprega novamente alguns dos recursos de seu premiado A Grande Aposta (The Big Short, 2015) e ainda se mostra um contador de histórias habilidoso. A montagem ágil e engraçadinha, com vários suportes visuais, como letreiros, metáforas e ironias, movimenta o que poderia ser um filme chato, devido ao tema tratado. A narração de Jesse Plemons (de A Noite do Jogo, 2018) ajuda a explicar algumas passagens, reduzindo a vontade do espectador de parar e voltar trechos para assistir novamente.

Grande parte do sucesso de Vice se deve a seus intérpretes. No papel principal, Christian Bale (o Batman de Christopher Nolan) some numa maquiagem bem-feita e nos 18 quilos que engordou, dando vida a Cheney por todos os anos que o roteiro o acompanha. O jeito quieto, que esconde uma personalidade maquiavélica e inescrupulosa, é muito bem incorporado pelo ator, que o faz parecer estar sempre guardando suas opiniões e analisando as situações. Fica clara a ponte que Cheney faz entre empresas petrolíferas e o governo, colocando interesses financeiros acima do Estado.

Todo o elenco de apoio é ótimo, principalmente os três principais: Amy Adams (de A Chegada, 2016) vive a esposa de Cheney, Lynne; Steve Carell (de A Grande Aposta) é Donald Rumsfeld, uma espécie de mentor para Cheney; e Sam Rockwell (de Três Anúncios para Um Crime, 2017 – acima) faz um George W. Bush perfeito, evitando cair na caricatura, mas evidenciando o ridículo que o sujeito era/é. Inclusive, todos se encaixam nessa característica, dando profundidade a seus personagens.

Ao esmiuçar as jogadas políticas, McKay não se furta de apontar dedos, o que pode levar o público a considerá-lo um liberal. Há uma cena no meio dos créditos que já adianta esse possível comentário, e é bem espirituosa, além de trazer a crítica para os dias de hoje – e não é válida apenas nos EUA. O diretor divide os políticos em basicamente três grupos: os que causam o mal (como Cheney), os que veem e não concordam (como o Colin Powell de Tyler Perry) e os que não têm ideia do que está acontecendo (W. Bush). E procura fundamentar tudo com fatos, para não ficar apenas no campo das suposições. Dessa forma, o Cinema ianque faz com que o espectador estrangeiro conheça melhor a história dos EUA que a de seu próprio país.

É claro que muito ficou escondido até hoje. Cheney foi habilidoso ao evitar as armadilhas que pegaram seus antecessores, como Nixon, tomando bastante cuidado com registros de conversas, digitais ou em áudio. McKay precisou juntar o que se sabe com uma dose de criatividade para preencher as lacunas deixadas. O resultado é crível o suficiente para o tomarmos por verdadeiro. E casa bem com um vice-presidente que entrou no cargo com boa aceitação pela população e o deixou em desgraça, o que ele aceitou bem por acreditar que era o sujeito que fazia o que tinha que ser feito.

De psicopata americano a vice, Bale mudou muito – por fora

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Trio feminino reforça A Favorita

por Marcelo Seabra

Conhecido por fazer filmes tidos como estranhos, o grego Yorgos Lanthimos ataca novamente, e desta vez com uma obra mais acessível. Apesar de manter algumas de suas características muito próprias, A Favorita (The Favourite, 2018) é mais convencional, contando uma história próxima de nossa realidade. Muito próxima, aliás, por tratar da natureza do ser humano, que por seu senso de sobrevivência é capaz de muita coisa.

Para ficar nos dois exemplos mais recentes, o diretor nos entregou O Lagosta (The Lobster, 2015), sobre um sujeito que deve encontrar seu par ou vai virar um animal, e O Sacrifício do Cervo Sagrado (The Killing of a Sacred Deer, 2017), sobre uma maldição que recai sobre uma família. Ambos, estrelados por Colin Farrell. Agora, Lanthimos deu folga ao ator e convocou um ótimo trio feminino. À frente, Olivia Colman, estrela da quarta temporada de The Crown, dá um show como a Rainha Anne, uma soberana cheia de vontades e facilmente manipulável.

Quase tão boas quanto Colman estão Rachel Weisz e Emma Stone. Weisz (também de O Lagosta, como Colman) vive a Lady Sarah, Duquesa de Marlborough, uma amiga da rainha que se aproveita dessa proximidade para tomar várias decisões estratégicas por ela. Anne está sempre doente, ou ao menos fazendo manha, um prato cheio para a personalidade forte de Sarah se impor. No meio da relação das duas entra Abigail (Stone, de La La Land, 2016), uma serviçal de origem nobre que precisa recomeçar de baixo e mais do que depressa procura cair nas graças da rainha.

O embate entre Sarah e Abigail é certo e a nós, meros espectadores, cabe apenas pegar a pipoca e assistir. O duelo, de ações e diálogos, é bem afiado e prazeroso de se acompanhar. Entre os nomes principais do elenco há ainda que se destacar o de Nicholas Hoult (o jovem Fera dos X-Men), que vive um personagem que escancara os métodos nada ortodoxos que a nobreza usava para descobrir o que queria e tirar vantagem. Nada diferente do que congressos e senados fazem hoje.

A recriação do século XVIII é fantástica, com cenários e figurinos fiéis nos mínimos detalhes. A fotografia de Robbie Ryan (de Os Meyerowitz, 2017) explora bem os arredores do palácio, com tomadas amplas e outras, criativas, como a que coloca o público num olho mágico xeretando as intrigas palacianas. A montagem enxuta de Yorgos Mavropsaridis (parceiro habitual de Lanthimos) evita qualquer possibilidade de cansaço. A equipe de som escolheu a dedo algumas faixas eruditas, com Bach, Schubert e Vivaldi, entre outros, que ressaltam os climas criados pela trama.

Com a crescente valorização da mulher na indústria cinematográfica, Lanthimos considera positiva o que considera “sua pequena contribuição”, trazendo três personagens femininas fortes. O também celebrado roteiro, escrito por Deborah Davis e revisado por Tony McNamara, cria várias situações partindo do que se sabe da época, nunca se pretendendo ser uma aula de História. Na verdade, é uma aula de intriga, inveja e traição, e a atualidade desses temas é assustadora!

O diretor e suas estrelas posam para o Hollywood Reporter

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Documentário apresenta o psicopata Ted Bundy

por Marcelo Seabra

Em 1972, em muitos dos Estados Unidos da América, era comum deixar portas destrancadas, carros abertos, andar pelas ruas no escuro… Era uma vida tranquila. Cenário propício para alguém mal-intencionado. Por mais que pudessem já ter existido, serial killers dificilmente tinham sido noticiados, observados, nomeados. É então que garotas num padrão muito parecido começam a desaparecer. Anos depois, o mundo conheceu o nome Ted Bundy.

Chegou recentemente à Netflix a série documental Conversations with a Killer: The Ted Bundy Tapes (2019), aproximadamente quatro horas de uma montagem muito bem-feita de depoimentos e gravações de época destrinchando a vida de um dos piores assassinos, sequestradores, estupradores e necrófilos do país. Dividida em quatro episódios, a obra reconta os passos dele e, de quebra, dá um panorama de como era a vida, em vários aspectos, nos anos 70. O roteiro é baseado no livro dos jornalistas Stephen G. Michaud e Hugh Aynesworth, ambos produtores da série.

Bundy entrou para a história como um sujeito genial, carismático e extremamente perigoso. Se a série comete um grande pecado é ajudar a eternizar esse mito. Se dois desses adjetivos podiam sim ser atribuídos a ele, genial não poderia estar mais longe. Como fica claro ao final da exibição, ele cometeu diversos erros, deixou trocentas pistas e por várias vezes se encrencou por ser narcisista ao extremo. Seu rastro apenas não foi seguido a tempo de evitar alguns de seus crimes pela falta de comunicação entre as polícias estaduais, algo impensável com a tecnologia de hoje.

Na realidade, Bundy era um indivíduo frustrado que esperava ser alguém muito importante algum dia, até quem sabe o presidente de sua nação. Nunca chegou a lugar nenhum, não conseguindo nem mesmo se formar advogado. Possivelmente em 1972, começou sua carreira como psicopata, e só em 1974 foram perceber um modus operandi e ligar os pontos. Mas ele ainda agiu livremente por um bom tempo, entrando e saindo de casas e abordando jovens em locais públicos, como becos e parques ambientais.

Descrito como alguém bonito e bem articulado, ele se aproximava facilmente e era bem recebido em grupos. Quando trabalhou em uma campanha política e ao buscar apoio na religião, foi bem recebido. A discussão de hoje a respeito de privilégios de homens brancos explica muita coisa. Ninguém suspeitava de Bundy, e negaram veementemente quando as primeiras acusações começaram a aparecer. As namoradas que teve se diziam bem tratadas. Todas as aparências conspiravam a favor. “Ele podia ser arrogante, mas não violento”, diziam.

Enquanto acompanhamos os desdobramentos da queda de Bundy, descobrimos como era feito o trabalho jornalístico na época, com vários recortes de jornais e matérias da televisão. Além disso, o trabalho policial pré-internet, mal mal com um aparelho de fax, tornava tudo mais difícil. Bundy conseguiu esconder sua identidade quando foi preso, em uma ocasião, e assim ficou por dias. Os garotos de hoje devem rir ao ouvir algo assim, totalmente fora da realidade deles. Basta tirar uma foto com o celular e enviar. Mas em idos da década de 70…

Com muitos documentários no currículo, a maioria de cunho investigativo, Joe Berlinger (diretor da elogiada trilogia Paradise Lost) assina este The Ted Bundy Tapes. A incursão dele no mundo da ficção nos deu a sequência de Bruxa de Blair: O Livro das Sombras (2000). Apesar de ter pontos interessantes, o longa foi execrado por crítica e público (confira no Rotten Tomatoes), o que deve ter feito Berlinger preferir ficar em terreno seguro, a não-ficção. Apenas 19 anos depois, ele volta a atacar nessa área com Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile, recontando a história de Bundy com Zac Efron no papel. Vamos ver em qual ele se sai melhor.

A dúvida sobre a inocência de Bundy pairou por muito tempo

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Green Book conta simpática história real

por Marcelo Seabra

Um dos destaques da temporada de premiações, Green Book: O Guia (2018) já está em cartaz no país. Com cinco indicações ao Oscar e quatro ao BAFTA, além de já ter na sacola três Globos de Ouro e prêmios dos sindicatos, entre outros, o longa traz uma história no formato que agrada a todo mundo: uma amizade improvável que se forma tendo o racismo como pano de fundo. Isso, sustentado por duas grandes atuações.

O ano é 1962 e o leão de chácara Tony “Lip” Vallelonga (Viggo Mortensen, da trilogia O Senhor dos Anéis) precisa arrumar outra ocupação, já que o clube onde trabalha passará por uma reforma de dois meses. Cheio de contatos, ele fica sabendo que um doutor está precisando de motorista pelo mesmo período e vai à entrevista. Lá, ele descobre que o cliente, na verdade, é o Dr. Donald Shirley (Mahershala Ali, Oscar por Moonlight, 2016), um famoso pianista negro que pretende excursionar pelo sul dos Estados Unidos.

Nessa época, e nessa região, um negro ficar para cima e para baixo era pedir por problemas, dada a carga racista que os cidadãos levavam. Hotéis e restaurantes eram divididos entre aqueles que aceitavam pessoas de cor (como as placas indicavam) e os que negavam atendimento. Por isso, além de seguir o itinerário feito pela gravadora, Tony Lip precisava se ater ao Green Book, um guia que indicava os estabelecimentos permitidos a negros – livro escrito por um certo Victor Hugo Green, daí o nome.

Filmes retratando amizades formadas aos trancos não faltam, das mais estranhas (como em Inimigo Meu, de 1985) às complicadas por questões de raça (como em Conduzindo Miss Daisy, 1989, ou o mais recente Histórias Cruzadas, 2011). E filmes que abordam a estupidez e a inconsistência do racismo também abundam: esse ano, mesmo, temos Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman), que trata o assunto de forma bem mais incisiva. “Se os temas abordados por Green Book não são inéditos ou inovadores, por que tanta atenção?”, você deve estar se perguntando.

A resposta se resume a dois nomes: Mortensen e Ali. A qualidade do trabalho e a química desenvolvida entre eles é o grande diferencial do projeto. Mortensen não é exatamente o ator mais óbvio para viver um tipo ítalo-americano, como seria um De Niro ou um Pacino, mas resolve bem a questão com sotaque e maneirismos bem calculados. Ali consegue fugir um pouco de seus recursos habituais (como aquela risada forte), tornando seu personagem uma figura metódica e misteriosa. Comparando com os verdadeiros (abaixo), nenhum dos dois atores seria a melhor opção fisicamente, e a escolha arriscada se mostra acertada.

A direção leve de Peter Farrelly (de filmes mais bobinhos, como os dois Debi & Lóide) evita momentos de maior tensão, fazendo com que a jornada flua tranquilamente pelas estradas americanas, fora uma ou outra situação facilmente resolvida. Entre os três roteiristas, está Nick Vallelonga (além de Farrelly e Brian Currie), filho de Tony Lip, que diz ter montado a história de acordo com que o pai contou e com suas lembranças. A família de Shirley contesta algumas passagens e até fatos mais relevantes, como a amizade entre os dois. Para eles, o pianista nunca se afeiçoou a um empregado, sempre tratando-os com distanciamento. Empasses como esses são comuns em filmes “baseados em fatos”.

Outra polêmica levantada por alguns críticos de fora diz respeito à importância dos biografados. Se o genial Shirley é muito mais interessante que o falastrão Tony Lip (daí o apelido, algo como Tony Lábia), por que não focar o projeto no pianista? O fato de o projeto ter o filho de Vallelonga envolvido já responde a pergunta. E é frequente termos “uma escada”, um anônimo ou alguém tido como menos importante para que possamos nos identificar e que facilite a ponte ao outro personagem, o figurão.

Às vezes, acontece de filmes não muito bons ganharem atenção não merecida, e já tivemos até ganhadores de Oscar de Melhor Filme de qualidade duvidosa. Não é o caso de Green Book, que é sim uma boa obra. Mas não era para tanto. Montagem e roteiro, por exemplo, não têm nada de extraordinário, nada que justifique tanto confete. Trata-se de uma história agradável, para se divertir por duas horas, com bons intérpretes. O que já é muito, mas não passa disso.

Farrelly comanda sua dupla nos sets de Green Book

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Homem-Aranha no Aranhaverso é pura diversão

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

O conceito de múltiplas dimensões (ou multiversos) é bastante explorado nas histórias em quadrinhos. Apesar de ser mais popularmente utilizado pela DC Comics, a Marvel também se aproveita do conceito de haver versões diferentes do mesmo personagem em dimensões diversas. E isto é explorado em Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spiderverse, 2018), produção da Sony em parceria com a Marvel Studios que levou para casa o Globo de Ouro de melhor animação neste ano e concorre ao Oscar.

Quando a animação começa, somos apresentados a uma versão um pouco diferente do herói aracnídeo que conhecemos. Apesar de ser Peter Parker, este é um Homem-Aranha mais bem-sucedido e popular do que aquele que nos acostumamos a ver, especialmente em sua trilogia original. Este Peter Parker (voz de Chris Pine) habita a mesma dimensão na qual vive Miles Morales (Shameik Moore), o protagonista da animação.

Miles é um adolescente quase típico. Mora no Brooklyn com os pais, o policial Jefferson (Brian Tyree Henry) e a enfermeira Rio (Luna Lauren Velez), e tem uma boa relação com o tio Aaron (Mahershala Ali). Ele é quase típico porque, a exemplo de boa parte dos Homens-Aranha da história da Marvel, Miles tem um Q.I. acima da média, o que faz com que acabe indo estudar em uma escola para adolescentes especiais. Isso, no entanto, não o faz deixar de ser um adolescente meio rebelde.

Miles gosta de grafitar paredes e colar adesivos em propriedade pública, o que não cai bem com seu pai. Seu tio, Aaron, não tem dessas restrições e, ao levar o moleque para um lugar secreto onde ele poderia grafitar à vontade, Miles é picado por uma Aranha geneticamente alterada, vinda de uma outra dimensão. Inicialmente, ele pensa que aquele é um aracnídeo comum e deixa pra lá.

Pouco depois, ele acaba se envolvendo inadvertidamente em uma briga envolvendo o Homem-Aranha, o Rei do Crime (Liev Schreiber) e o Duende Verde (Jorma Taccone). Wilson Fisk tem um projeto envolvendo explorar dimensões paralelas. O Homem-Aranha, claro, quer impedir o experimento, pois acredita que ele resultará na morte de praticamente todos os habitantes de Manhattan. No conflito que se segue, o Homem-Aranha morre e Miles, já ciente de seus poderes, promete seguir o legado do herói e impedir que Fisk complete seu experimento.

O que Miles não sabe é que Fisk conseguiu abrir um portal dimensional durante a luta com o Homem-Aranha. Cinco dimensões foram alcançadas e um ser de cada uma delas foi atraída para aquela dimensão. Entram em cena a Mulher-Aranha (ou Spider-Gwen, voz de Hailee Steinfeld), uma versão mais velha do Homem-Aranha (Jake Johnson), o Homem-Aranha Noir (voz de Nicolas Cage), Peni Parker (Kimiko Glenn), uma versão do Homem-Aranha robótica e o Porco-Aranha (John Mulaney). Juntos, eles têm duas missões: ensinar Miles Morales a se tornar um Homem-Aranha digno e arruinar os planos de Fisk, impedindo-o de causar um genocídio em sua própria dimensão.

Homem-Aranha no Aranhaverso é uma animação extremamente divertida. Ao contrário de muitos filmes de heróis atuais, onde as piadas são forçadas e às vezes mal encaixadas, aqui elas funcionam em praticamente todo o tempo. Apesar de Miles Morales ser o protagonista da película, os melhores momentos dela, tanto os cômicos quanto os heroicos são, de longe, estrelados pelo Peter Parker de Jake Johnson. Ele rouba a cena em praticamente todos os momentos em que aparece.

Outro destaque cômico vai para o Homem-Aranha Noir, que acaba sendo muito mais engraçado do que o Porco-Aranha. E aqui vale um esclarecimento: ao contrário do que vem se propagando na internet, o Porco-Aranha não se originou como uma homenagem ao longa-metragem dos Simpsons, onde Homer faz uma brincadeira com seu porco. Este personagem, que no original se chama Spider-Ham (ou Presunto-Aranha), foi apresentado ao mundo em 1983, vinte e quatro anos antes do mascote suíno de Homer.

Além das piadas óbvias, Homem-Aranha no Aranhaverso tem algumas mais sutis, que poucos notarão. Os níveis de ação e de drama do longa também estão bastante equilibrados e a animação em si é muito bem feita, ainda que o 3D não seja tão necessário (como, aliás, acontece na maioria dos filmes atuais). Até mesmo a história do longa, se não tem nada de especial, é bem redondinha, cortesia de Phil Lord e Rodney Rothman. Mesmo aqueles que não conhecem Miles conseguem se importar com ele e com seus companheiros aracnídeos, cujas origens são apresentadas na tela, algumas mais longas, outras mais resumidamente, de forma a situar os espectadores que não estão familiarizados com estes personagens.

Homem-Aranha no Aranhaverso tem praticamente duas horas de duração, longo para uma animação. Mas é tão divertido e cheio de ação, que parece mais curto. Como não poderia deixar de ser, aqui também temos uma participação engraçada do falecido Stan Lee e uma cena pós e uma ao final dos créditos. Essa, inclusive, é uma das mais divertidas da história das cenas pós-créditos de todas as produções Marvel atuais, ainda que não tenha muita relevância para o longa nem estabeleça um gancho para uma possível continuação. Ao contrário da cena pós-créditos de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, no entanto, essa vale muito a pena esperar.

Finalmente, há uma reclamação a ser feita que é o fato de haver pouquíssimas sessões de Homem-Aranha no Aranhaverso legendadas. Já passou da hora das distribuidoras nacionais perceberem que animações não são apenas para crianças e que há toda uma geração de adultos, que preferem o áudio original, fãs delas.

Mais histórias no Aranhaverso estão a caminho

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Creed x Drago volta a ser a luta do ano

por Marcelo Seabra

Alguns momentos do Cinema da década de 80 são memoráveis e quem os presenciou sempre carregará um misto de nostalgia e esperança de vivenciar aquilo novamente. O reencontro de Johnny e Daniel San, mostrado em Cobra Kai, representou exatamente isso para os fãs de Karatê Kid. Agora, chegou a hora de ver Rocky Balboa e Ivan Drago mais uma vez num mesmo ringue. Calma, eles não lutam, ninguém sai machucado em Creed II (2018).

Depois do sucesso de Creed (2015), era claro que viria um novo episódio da franquia Rocky. A questão era: qual será a desculpa agora? Afinal, colocar Rocky para lutar não dá mais e a sensação do momento é Adonis Creed. O longa conseguiu usar um pouco do carisma de Sylvester Stallone para Michael B. Jordan em seu favor, renovando a série. “Se já temos um novo herói, precisamos de um novo vilão”, devem ter pensado os responsáveis.

Era o momento, então, de reapresentar um velho conhecido do público. Drago foi o segundo papel de Dolph Lundgren e garantiu a ele a vaga em Mestres do Universo (1987), como He-Man. Em 1985, Rocky IV (acima) traz o campeão da Filadélfia defendendo o cinturão contra o lutador da União Soviética que, durante uma luta, matou Apollo Creed (Carl Weathers). O longa termina com Rocky vencendo e vingando o amigo, com o soviético em desgraça.

Mais de trinta anos depois, Drago considera o filho (Florian “Big Nasty” Munteanu) pronto para trilhar o caminho que ele próprio havia feito: ir à América e desafiar o campeão atual. A mídia especializada fica louca com a reedição da histórica e trágica luta Creed X Drago. Seria o estilo ágil de Adonis páreo para a brutalidade de Viktor? E como será para Rocky e Ivan se reencontrarem? São perguntas que o longa responde bem.

Por outro lado, os estereótipos da obra de 1985 se repetem à risca. Os russos são maus, frios, jogam sujo. Viktor não deve falar uma só palavra pelos 130 minutos de exibição, ficando apenas na carinha de quem comeu e não gostou. Uma surpresa é a aparição de Brigitte Nielsen, ex de Drago, outra personagem muda. O roteiro tenta desenvolver seus dois protagonistas e releva todos os demais, que não são importantes o suficiente. Tessa Thompson, por exemplo, segue como “a namorada”, sem ter chance para voar. O desentendimento de Rocky com o filho nunca é explicado, apenas temos que aceitar.

Todos os clichês de filmes de luta podem ser observados em Creed II – o final só falta trazer cebolas para a plateia, tamanho é o esforço para fazer todos chorarem. Várias situações dos filmes anteriores são recicladas, e o mesmo é observado na trilha sonora. Ludwig Göransson mais uma vez é o responsável, segurando-se para não abusar do tema clássico, soltando notas aqui e ali até que não aguenta e cede. Steven Caple Jr. assina seu segundo trabalho como diretor, buscando repetir os feitos de Ryan Coogler. Com o carisma de B. Jordan e de Stallone, seria difícil errar. Mas inovar seria pedir muito.

A época de Ivan passou, seu filho Viktor é o desafiante

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Vidro conclui a trilogia de Shyamalan

por Marcelo Seabra

Em 2000, M. Night Shyamalan se reuniu com Bruce Willis, seguindo o sucesso de O Sexto Sentido (1999), para Corpo Fechado (Unbreakable), uma fábula sombria inspirada no universo das histórias em quadrinhos. Em 2016, o diretor comandou Fragmentado (Split), e deu um jeito de conectar os dois longas, dando a entender que teríamos em breve a união desses dois mundos. E ela de fato chegou aos cinemas: Vidro (Glass, 2019) é a conclusão que todos esperávamos para essa improvável trilogia.

Se o primeiro filme focava em David Dunn, o inquebrável personagem de Willis, o segundo nos apresentou a Kevin Wendell Crumb, cujas 24 personalidades são vividas por James McAvoy. A ideia do diretor e roteirista era juntar os dois, agora dando destaque à mente brilhante por trás de tudo: Elijah Price, mais conhecido como Sr. Vidro (Samuel L. Jackson). Foi Price que, após matar muita gente em desastres calculados, descobriu que Dunn era resistente de maneira sobrenatural.

Cuidando de uma empresa de segurança com o filho (novamente Spencer Treat Clark), David Dunn tem o costume de sair para caminhadas, quando tem a oportunidade de esbarrar em desconhecidos e descobrir criminosos nas ruas. Além de superforte e resistente, ele tem essa espécie de sexto sentido. Seu objetivo é encontrar o psicopata conhecido como Horda (McAvoy), de preferência salvando as garotas sequestradas. Logo de cara, os dois são presos e levados para o hospício onde Price está há anos. E isso é tudo que pode ser dito sobre a trama de Vidro.

Para quem está se perguntando se vale a pena conferir Vidro, a resposta é bem simples: é uma ótima conclusão para a trilogia iniciada pelos dois outros. Ou seja: quem não gostou de Corpo Fechado e Fragmentado dificilmente ficará feliz agora. O roteiro é bem coerente com o que Shyamalan fez antes, e o nível de nerdice é ainda maior. Como no primeiro filme, as regras das histórias em quadrinhos são observadas, com as reviravoltas que já esperamos do diretor.

Além de nossos três velhos conhecidos, revemos também Anya Taylor-Joy (de Fragmentado), Charlayne Woodard e Spencer Treat Clark (ambos de Corpo Fechado), respectivamente a vítima de Crumb, a mãe de Price e o filho de Dunn. É importante apontar que temos uma novidade no elenco: Sarah Paulson (de The Post, 2017), sempre uma ótima atriz a se acompanhar. Ah, e não deixa de ser curioso ver o diretor repetir sua ponta de Corpo Fechado.

Os responsáveis pela trilha sonora (West Dylan Thordson) e pela fotografia (Mike Gioulakis) são os mesmos de Fragmentado, o que ajuda a manter uma unidade. Os editores (Luke Ciarrocchi e Blu Murray) claramente têm Shyamalan à frente, guiando o resultado. Como de costume, o corte final é longo, com seus 129 minutos, mas nunca é cansativo. A montagem ágil garante o interesse do espectador e divide bem o tempo de tela entre Willis e McAvoy, e há ainda o outro desafio: McAvoy vive personalidades diferentes e bem marcadas, e essa divisão é clara. E Sam Jackson, quando aparece, mostra serviço, provando o porquê de ter seu nome no título do filme.

Elijah Price é o astro da vez

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