O Dilema das Redes alimenta uma discussão necessária

O assunto do momento é o documentário O Dilema das Redes (The Social Dilemma, 2020), disponível na Netflix. Ele, na verdade, não traz novidades, mas é tão impactante por duas razões: as pessoas que dão depoimentos são os próprios protagonistas da criação e desenvolvimento dos aplicativos mencionados; há uma dramatização simpática (ainda que capenga) que mostra de uma forma simples a profundidade da questão. Ou questões, já que o uso indiscriminado e frequente das redes sociais traz diversas consequências.

O diretor Jeff Orlowski mudou seu foco usual, a natureza, e optou por observar o impacto das redes sociais na sociedade e no nosso comportamento. Crianças e adultos são igualmente atingidos, seja pelos tais algoritmos, seja pelas próprias pessoas com quem se convive. Para quem não está muito ligado no assunto, cabe explicar que os algoritmos são regras criadas na programação dos aplicativos que visam manter o usuário o máximo de tempo conectado, oferecendo conteúdo considerado interessante ou relacionado. Se você viu X, pode ser que goste de Y e assim por diante. Isso também vale para conectar pessoas: se você é amigo de X, deve conhecer Y.

A dramatização, uma espécie de novelinha que mostra na prática as consequências do que é tratado, conta com pelos menos duas caras conhecidas: o jovem Skylar Gisondo (de séries como Santa Clarita Diet  – abaixo) e Vincent Kartheiser (o Pete de Mad Men). Quem mais comove, no entanto, é a garotinha Sophia Hammons, que mostra uma possível causa para um significativo aumento nos números relacionados a casos de depressão e suicídios. Além do problema ligado aos algoritmos, tem também a ilusão que as postagens criam das vidas e aparências ideais. No mundo real, ninguém é perfeito, mas no Instagram um filtro (ou um ângulo) resolve muita coisa.

Partindo do pessoal, o documentário logo chega à sociedade como um todo, mostrando possibilidades que os algoritmos criam ao seguir as preferências dos usuários das redes. Uma pessoa que lê sobre uma teoria da conspiração X acaba chegando a outra Y, tão sem fundamento quanto a anterior. Mas a bolha criada pelo algoritmo logo faz quem não acredita na gravidade de uma pandemia crer também que exista uma rede que trafica crianças e as esconde em subsolos de pizzarias. Daí a repetir que a Terra é plana, que o homem nunca pisou na lua ou que o ataque ao World Trade Center não passou de um jogo de projeções holográficas dos próprios norte-americanos é um pulo.

A manipulação clara que os aplicativos causam pode ser a culpada até pela eleição ou deposição de governos. Como já se tornou comum, o Brasil aparece no meio da retrospectiva feita, nunca mais de forma positiva. Alguns países sofrem com a propagação de mentiras (ou fake news, como preferirem), acabando com a imagem de políticos e privilegiando outros com as invenções mais fantásticas. Quando as pessoas escolhem acreditar, provas não servem para nada. O que está claro e provado pode ser desacreditado, da mesma forma que não é necessário provar o que foi lido na internet. Afinal, se está lá, deve ser verdade.

O Dilema das Redes, como pode-se ver, traz vários pontos positivos e chama a atenção para problemas reais e enormes. “Não estou entendendo bem ou isso é muito grave?”, pergunta um senador norte-americano numa audiência. Tristan Harris (acima), ex-designer do Google, só balança a cabeça, concordando. Ele é um dos muitos profissionais do Vale do Silício que aparecem dando depoimento sobre as questões levantadas. O documentário ganha muito valor ao mostrar o que pensam essas pessoas, que estavam envolvidas com essas ferramentas desde a concepção delas. A preocupação de todos eles, que até alertam e censuram os próprios filhos por saberem da extensão da situação, deixa mais do que clara a gravidade do problema.

É aí que observamos o maior defeito de O Dilema das Redes: colocar como possíveis salvadores da humanidade os mesmos caras que criaram toda essa situação. Depois de ganharem fama e dinheiro, e aproveitarem bastante essa posição, eles criaram uma consciência e decidiram alertar para o mal que ajudaram a parir. Colocar a possibilidade de curtir postagens ou mandar corações era uma tentativa de trazer positividade ao mundo, como eles dizem, e acabou gerando ansiedade em quem não tem likes o suficiente. Serão eles a resolverem essa bucha agora?

Está bem claro que uma solução para todos os pontos levantados pelo documentário não virá de dentro dessa indústria. Figuras como Jaron Lanier já alertam para os malefícios das redes sociais há algum tempo, e escrevem livros inteiros que podem ser resumidos em: não tenham perfis. Enquanto isso, diversos acadêmicos que estudam o fenômeno propõem soluções diferentes. A maioria delas passa pelo simples abandono de técnicas para roubar e armazenar informações, o que vários softwares já fazem. Existem opções de navegadores que não gravam suas visitas ou usam esses dados para tentar te manipular.

Os realizadores de O Dilema das Redes evitam possíveis respostas óbvias, que talvez as grandes empresas de tecnologia não queiram discutir. Escândalos nessa direção tendem a se tornar mais frequentes, como o da Cambridge Analytica (visto em Privacidade Hackeada, 2019), cujas análises teriam praticamente eleito Donald Trump nos Estados Unidos. Esse é outro defeito do documentário: ele aponta casos pelo mundo, mas opta por ignorar aqueles ocorridos dentro de casa. Como filme, ele é bem fraco. Como fonte de informação, vemos o tamanho do buraco no qual nos enfiamos, porém sem indicar saídas. Afinal, como você chegou a assistir a O Dilema das Redes? Foi a Netflix que sugeriu?

A busca de aceitação da garota é algo muito real e assustador

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Ótimo elenco apresenta O Diabo de Cada Dia

Em tempos de isolamento social, os destaques têm sido, claro, os filmes para se ver em casa. E a Netflix, que tem grande destaque nesse filão, ainda apela e reúne um elenco estrelado para a adaptação de um livro premiado. O Diabo de Cada Dia (The Devil All the Time, 2020) bebe na fonte dos clássicos policiais americanos e traz grandes figuras que não são necessariamente boazinhas.

A história dá alguns saltos no tempo para nos apresentar a personagens ao longo de um período. Um soldado volta da guerra, constitui família e logo uma tragédia se avizinha; um casal de serial killers pega caroneiros e abandona os corpos no mato; um policial aspira se candidatar a xerife da cidadezinha. Acompanhamos estas três linhas narrativas e sabemos que, de alguma forma, elas vão se cruzar.

Em seus quase 140 minutos de duração, o longa nos entrega as informações que precisamos para entender as motivações e as dinâmicas entre aquelas pessoas. Coisas acontecem pontualmente, mantendo o interesse, e as locações não deixam nada a desejar. Entendemos a geografia das cidades e logo nos sentimos em uma delas, com aquelas tradicionais igrejas protestantes, cujo pastor acaba tendo um papel importante na comunidade.

A religião é certamente um dos focos de O Diabo de Cada Dia – nota-se pelo título. Temos desafios a vencer diariamente, entre traumas, tentações e conflitos surgidos de situações ou relações. Naqueles estados conservadores, é comum a religião fazer parte das vidas dos cidadãos, que estão habituados a irem à igreja aos domingos e até se sentem culpados se faltarem. Isso coloca grande responsabilidade nas mãos do líder religioso, e ele faz o uso que lhe convier. E há os que cruzam o limite do fanatismo, como vemos nos jornais hoje. 

No papel principal da trama, temos o “Homem-Aranha” Tom Holland mostrando uma faceta mais séria, como um órfão que precisou aprender a se virar bem cedo. Também do Universo Cinematográfico Marvel, temos o “Soldado Invernal” Sebastian Stan dando ao policial que vive o ar dúbio necessário. Outro super-herói que dá as caras é o novo Batman, Robert Pattinson (de O Farol, 2019), muito convincente na pele do novo pastor da cidade. Como produtor, temos ainda Jake Gyllenhaal, o Mysterio de Longe de Casa (2019), mais Marvel.

Além dos já citados, o elenco ainda guarda nomes como Jason Clarke, Bill Skarsgard, Riley Keough, Haley Bennett, Mia Wasikowska, Harry Melling e Eliza Scalen, todos vistos recentemente em grandes produções. Entre tantos talentos, fica difícil apontar destaques, mas ainda assim é importante ressaltar o belo trabalho de Holland e Pattinson. Enquanto o primeiro surpreende mostrando uma profundidade desconhecida (ou nem tanto, vide O Impossível, 2012), o segundo só confirma algo que vem mostrando há alguns anos.

O diretor Antonio Campos (filho do jornalista Lucas Mendes) vem construindo uma carreira variada, com episódios de séries como The Sinner e O Justiceiro e filmes como o interessante Christine (2016), além de vários outros como produtor. Responsável pelo roteiro ao lado do irmão, Paulo Campos, ele mantém a dinâmica do livro de Donald Ray Pollock, dividindo o tempo em cena entre os personagens e dando a devida atenção a todos. E o próprio Pollock é o narrador, evitando didatismos ou exposições exageradas. Nada melhor do que estar bem perto para garantir a qualidade.

Bill Skarsgard faz outro personagem marcado pela forte religiosidade

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Estou Pensando em Acabar com Tudo é Kaufman na Netflix

O roteirista e diretor Charlie Kaufman é outro grande nome a trabalhar em parceria com a Netflix, que produz seu longa mais recente. Engrossando uma lista que já conta com Scorsese, os irmãos Coen, Cuarón, Chazelle e Soderbergh, o premiado Kaufman quebra um jejum de cinco anos e lança Estou Pensando em Acabar Com Tudo (I’m Thinking of Ending Things, 2020), adaptação do romance de Iain Reid.

Quem conhece a obra de Kaufman sabe que vem algo surreal pela frente. Mas ele sempre ataca pontos interessantes do ser humano, usando metáforas e alegorias que podem facilmente ser compreendidas. Por mais que seus temas sejam bem ricos, ele sempre volta na questão dos relacionamentos, além de brincar com a percepção do público. Estou Pensando em Acabar Com Tudo leva essa brincadeira mais longe que qualquer outro longa que traga o nome de Kaufman.

Quando o filme começa, conhecemos um casal que se prepara para sua primeira viagem juntos, num namoro que parece ser recente. Daí, já vem a primeira interpretação possível do título: estaria um deles pensando em terminar? A narração da moça levanta essa possibilidade. Ao longo da sessão, levantamos uma outra hipótese também: estaria alguém considerando suicídio? Alguns diálogos ao longo da viagem vão colocar a paciência do espectador à prova e aí a nossa compreensão começa a ser desafiada. A lembrança de David Lynch é automática e inevitável, tendo em vista certos pontos em comum.

Ao chegarem em seu destino, encontramos os pais do rapaz, e a cada aparição deles, somos surpreendidos: eles estão com a aparência diferente, e suas ações e falas também não batem com as anteriores. A partir daí, o espectador já começa a ter algumas suspeitas do que estaria acontecendo. E não é nada muito complexo, quando se pára para pensar. Só foge do usual, o que mostra que os filmes de Charlie Kaufman são necessários.

Não muito conhecida, mas frequentemente elogiada, Jessie Buckley é excelente como a jovem que nos conduz. Vista há pouco em Chernobyl (2019) e em As Loucuras de Rose (Wild Rose, 2018), é a atriz irlandesa que representa quem está de fora, conhecendo a família de Jake. Completando o casal, Jesse Plemons é outro ótimo ator que volta e meia é visto em grandes papéis e produções (como em O Irlandês, 2019, e El Camino, 2019). Seu Jake acaba falando menos, mas sua força é tão importante para a trama quanto a de Buckley. Não a toa, lembra bem o Philip Seymour Hoffman de Sinédoque, Nova York (2008), estreia de Kaufman na direção.

Completando o quadro, temos David Thewlis (de Mulher-Maravilha, 2017) e Toni Collette (de Entre Facas e Segredos, 2019), dois fantásticos jovens veteranos que vivem seus personagens em situações diferentes e com muita veracidade. Aparentemente com pouca idade para ser mãe de Plemons, Collette brilha devidamente maquiada em vários estágios da vida. Sua relação com o marido feito por Thewlis é terna e crível, o que ganha mais pontos para o filme. As indas e vindas do jantar se tornam bem mais interessantes pelo trabalho dos intérpretes, destaque para Collette (uma especialista em jantares incômodos, como Pablo Villaça ressalta aqui).

Mesmo com vários elogios e outros muitos pontos a se exaltar, Estou Pensando em Acabar Com Tudo tem um problema: é chato! Muito chato! Ele vai e volta, parecendo que tudo é claramente pensado para ficar complicado, quando na verdade é tudo muito simples. Se Amnésia (Memento, 2000) foi criticado por usar um recurso de montagem para parecer ser mais interessante do que realmente era, Kaufman força mais esse artifício.

Com a fotografia maravilhosa de Lukasz Zal (de Guerra Fria, 2018), que faz um uso meticuloso de cores que tendem a nos situar, Kaufman parte para algo calculadamente difícil e nos confunde. Com várias referências a poemas, filmes e peças, ele constrói seus elaborados diálogos, que muitas vezes duram o suficiente para não sabermos mais o que estamos acompanhando ou onde chegamos.

Toda essa parte técnica impecável e as grandes interpretações do elenco acabam ficando em segundo plano quando o espectador está mais preocupado em entender o que está acontecendo. Ao contrário de roteiros anteriores, como Quero Ser John Malkovich (1999) ou Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004), em que parte de algo real e se lança no extraordinário, Kaufman aqui se perde nas lembranças de seu personagem. Chega num ponto em que só queremos que aquilo tudo acabe.

Kaufman dirige sua protagonista

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Quase Uma Rockstar é quase autoajuda

Em 2012, chegou aos cinemas um filme que recebeu bastante atenção do público e da mídia, mesmo sendo apenas mediano. O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook) nos apresentou a um protagonista que, tentando se manter positivo, encontra algumas dificuldades apenas para, no final, dar tudo certo. Beirando a autoajuda, a produção bobinha ganhou prêmios e foi logo devidamente esquecida. Por culpa da Netflix, temos em casa uma nova adaptação de uma história de Matthew Quick: Quase Uma Rockstar (All Together Now, 2020).

Seguindo exatamente o mesmo caminho de Lado Bom, Rockstar traz Amber Appleton, uma estudante altamente engajada nas atividades da escola, sempre à procura de uma causa à qual se dedicar. Mesmo que seja algo trivial, como conseguir arrecadar doações para repor para a banda estudantil um instrumento roubado. Sempre organizando um festival de talentos, a própria Amber parece ser a atriz e cantora mais promissora da turma.

Depois de nos apresentar à personagem principal, chega a hora de fazê-la passar por provações. O roteiro, escrito pela dupla Brett Haley e Marc Basch (de O Herói, 2017), além de Quick, não economiza na desgraça, jogando Amber bem pra baixo. Desde o primeiro minuto da sessão, já sabemos que isso é necessário para que ela tenha a lição necessária e dê a volta por cima. A moral da história pode variar um pouco, mas não vai muito longe do que esperamos.

Também na direção, Haley parece fazer o que dá com essa premissa besta. As atuações, de uma forma geral, são corretas, e Auli’i Cravalho se mostra uma boa escolha. Responsável pela voz de Moana (2016) nas duas versões (inglesa e havaiana), a atriz é bastante carismática e faz uma boa versão da Cinderela. Os demais “adolescentes” fazem suas partes e o elenco é acrescido por algumas caras facilmente reconhecíveis de séries, como Judy Reyes (de Scrubs e Dirty John), Fred Armisen (do Saturday Night Live), C.S. Lee (de Dexter) e a veterana Carol Burnett (acima), vista recentemente no revival de Mad About You.

Sem nomes como Bradley Cooper, Jennifer Lawrence ou Robert De Niro, dificilmente Quase Uma Rockstar vai chamar alguma atenção. Se tudo na vida tem um lado bom, o dele é a duração: apenas 90 minutos. É o suficiente para aprendermos a lição da vez: dinheiro resolve tudo. Ao menos, o filme deve servir como trampolim para Cravalho, que vai ficando mais familiar para o grande público. Tomara que ela não precise mais dormir em ônibus ou dividir a atenção do público com um cachorrinho escondido na mochila.

Ninguém sabia que ela dormia num ônibus…

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A segunda temporada de Cobra Kai vai longe

Depois do sucesso da primeira temporada, era certo que Cobra Kai ganharia mais 10 episódios. O YouTube seguiu em frente e produziu a segunda leva, e agora as duas estão disponíveis na Netflix, atingindo um público bem mais amplo. A série tem aparecido entre as atrações mais vistas do streaming, e o destaque é merecido. A nova temporada leva a trama adiante, acrescentando personagens, dramas e complicações românticas.

O básico ainda está lá: a rivalidade entre Daniel LaRusso e Johnny Lawrence. Ralph Macchio e William Zabka estão de volta a seus personagens e, sempre que parece que a poeira vai baixar, algo acontece para colocá-los em pé de guerra. Algumas situações soam um pouco forçadas, mas nada que não dê para relevar em nome da diversão que a série proporciona. Agora, a nostalgia dá um pouco o lugar às novidades. Se a primeira temporada mirava mais os fãs da franquia oitentista, a segunda se mostra bem mais ambiciosa.

O sensei Lawrence segue tocando o dojo Cobra Kai e sente o peso de sua responsabilidade de educar os garotos e garotas. O final da temporada passada não trouxe lances exatamente éticos, que ele pode ter incentivado. Por isso, ele já começa chamando a atenção dos garotos, criando um início de um racha entre eles: há os que entendem que o esporte visa equilíbrio, qualidade de vida e defesa pessoal, enquanto outros querem se exibir e se tornar o macho alfa do bando.

Os filhos dos protagonistas se aproximam, mas o relacionamento de Sam (Mary Mouser) e Miguel (Xolo Maridueña) não está bem resolvido, complicando o caminho de Robby (Tanner Buchanan). Isso, além da grande dívida de gratidão que o jovem sente pelos LaRusso, que o acolheram. Complicando esse triângulo ainda mais, surge a decidida Tory (Peyton List, das séries Jessie e Acampados), equilibrando a disputa entre o caratê violento do Cobra Kai e o harmonioso do Miyagi-Do, com Daniel à frente. As homenagens a Pat Morita e seu Sr. Miyagi são frequentes e bonitas.

As referências aos anos 80 são muitas e, às vezes, hilárias, o que ainda proporciona à série uma ótima trilha sonora, com direito a bandas como Queen, Whitesnake, Roxette, AC/DC e, claro, Chicago, banda então liderada por Peter Cetera (cantor do clássico tema do filme de 86). Johnny parece ter parado nessa época, já que tudo o que ele conhece vem dessa década. Ele, inclusive, apanha constantemente de computadores, o que é estranho e engraçado ao mesmo tempo. Também avesso a celulares, ele acaba conhecendo o Tinder, aplicativo de relacionamentos que parece ser a promessa para achar um par para ele.

Vencendo as expectativas dos fãs mais velhos, Cobra Kai consegue levar a mitologia de Daniel San além e não dá sinais de cansaço. Os episódios curtos passam rápido, é possível conferir uma temporada inteira em apenas um dia. E o que torna essa maratona mais fácil são os finais instigantes, fica até difícil deixar de assistir. Parte da responsabilidade por isso é da aparição de John Kreese (Martin Kove), vilão clássico da franquia que é muito bem aproveitado. E a terceira temporada já está em produção e é ansiosamente aguardada.

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Friends X How I Met Your Mother: qual ganha?

Nesse período de isolamento social, maratonar séries e filmes repetidos se tornou uma distração válida. Em meio a tempos difíceis, me trouxe um certo conforto.

Para garantir que não ia me decepcionar, resolvi rever duas séries que estão entre as minhas favoritas: Friends e How I Met Your Mother são, sem dúvida alguma, duas sitcoms aclamadas e com uma legião de fãs. Por ambas terem visíveis similaridades nas histórias e personagens, são frequentemente comparadas. Alguns acham essas comparações desnecessárias, mas quem disse que a vida é justa, não é?

Premissa

Friends mostra o dia a dia de seis amigos na cidade de Nova York. Eles começam a série em seus vinte e poucos anos de idade e, apesar de terem empregos pela maior parte da série, passam seus dias juntos em uma simpática cafeteria. Desde o começo, fica claro que pelo menos algumas das amizades se tornarão romances.

HIMYM mostra o dia a dia de cinco amigos na cidade de Nova York, também em seus vinte e poucos anos de idade, mas a cafeteria é substituída por um bar chamado MacLaren’s.

Friends não tem uma premissa muito mais complexa que essa, seu charme está nos personagens e como eles encaram juntos várias situações hilárias. HIMYM, desde o primeiro instante, já deixa claro que a história não será tão à deriva. Entre os cinco amigos, temos o protagonista, Ted Mosby, que, no ano de 2030, narra para os filhos as várias histórias que o levaram ao momento em que conheceu a mãe deles, cuja identidade é um mistério para o espectador.

Personagens

Em Friends, temos a super organizada e às vezes neurótica chef de cozinha Monica Geller (Courtney Cox). Ela divide o apartamento com Rachel Green (Jennifer Aniston), que no começo da série ainda está descobrindo quem é e o que quer fazer de sua vida. O irmão mais velho de Mônica, Ross (David Schwimmer), é um recém-divorciado paleontólogo que nutre uma paixão por Rachel desde a adolescência.

Os vizinhos de frente são Joey (Matt LeBlanc) e Chandler (Matthew Perry), melhores amigos que não poderiam ser mais diferentes um do outro. Enquanto um é bem sucedido em um emprego que detesta, o outro é apaixonado por uma carreira que ainda não tem. Joey é o galã imaturo e Chandler, o piadista que morre de medo de se comprometer. Para fechar, temos Phoebe Buffay (Lisa Kudrow), a amiga que traz consigo boas doses de excentricidade e algumas canções.

Em How I Met Your Mother, o arquiteto Ted Evelyn Mosby (Josh Radnor) divide o apartamento com Marshall Eriksen (Jason Segel), um estudante de direito que acaba de ficar noivo de Lily Aldrin (Alyson Hannigan), uma professora de jardim de infância que aspira um dia se tornar uma artista. Os três eram colegas de faculdade e mantiveram a amizade ao se mudarem pra Nova York, onde conheceram o extravagante Barney Stinson (Neal Patrick Harris), que ama whisky, mágica, ternos e seduzir mulheres por apenas uma noite e nunca mais vê-las. Em uma dessas noites no MacLaren’s, Ted conhece Robin Scherbatsky (Cobie Smulders), uma repórter canadense que divide seu apartamento com vários cães.

Os grupos de amigos em ambas as séries são carismáticos, mas em Friends eles foram eternizados na história da TV. Os personagens absorveram muito bem suas características, por mais previsível fossem alguns de seus comportamentos, e o público não se cansou deles, mas espelhou neles a mesma intimidade que temos com nossos próprios amigos. Essa é a sensação que fica após conversar com vários fãs.

Num primeiro olhar, os personagens podem até ser parecidos, mas o que os diverge é a profundidade com que são retratados. Apesar das excentricidades, os personagens de HIMYM têm representações mais verossímeis. As neuras e fobias não trouxeram apenas risadas, mas mostraram também as facetas que às vezes podiam incomodar. Isso não quer dizer que os Friends eram superficiais ou perfeitinhos, mas que os criadores da série tentaram ao máximo se afastar de controvérsias, com medo de algum deles dividir opiniões e não ser mais amado pela audiência.

Narrativa e roteiro

HIMYM usa e abusa de flashbacks, fantasias, efeitos especiais e o que tem direito pra que a história, muito bem contada, não fique apenas nos cenários rotineiros ou na narrativa linear. Com uma montagem bem organizada, pequenos teasers são apresentados em diversos episódios, com os desfechos sendo revelados apenas em temporadas posteriores. Os criadores de Friends, David Crane e Marta Kauffman, fizeram dar certo com bem menos: uma narrativa linear filmada em frente a uma plateia ao vivo, diálogos engraçados e piadas espontâneas. Em contra partida, pecaram na consistência das histórias.

São perceptíveis as incongruências quanto a vários aspectos da história, como a idade dos personagens, o que gostam ou não e até como se conheceram. Décadas atrás, quando acompanhei a série pela TV, esses erros passaram batidos. Hoje, maratonando uma temporada inteira em dois ou três dias, essa falta de carinho com os detalhes incomoda um pouquinho. Enquanto uma série parece ter sido muito bem planejada e montada, a outra foi crescendo e se adaptando com o crescente sucesso, mesmo que tenha se adaptado bem.

Personagens secundários

As participações especiais em Friends pareciam entrar por um tapete vermelho: estrelas como Brad Pitt, Julia Roberts, George Clooney, Alec Baldwin, Isabella Rossellini, Jean-Claude Van Damme, entre muitos outros, deram as caras na série. Alguns tiveram participações mais extensas e que impactaram a trama, como Tom Selleck, Bruce Willis, Giovanni Ribisi, Hank Azaria e Paul Rudd. Alguns personagens, como Carol (a ex-mulher de Ross, vivida por Jane Sibbett) e sua esposa, Susan (Jessica Hecht), tiveram grande importância na primeira temporada. Mas já na segunda temporada, foram praticamente cortadas da série, algo que se repetiu lá na frente com Ben (o filho de Carol, Susan e Ross), que foi removido das telas com a chegada de Emma. Com algumas exceções, os novos rostos que apareciam eram quase sempre interesses românticos.

Ted e seus amigos também cruzaram caminhos com várias estrelas: Bob Barker, Britney Spears, Brian Cranston, Katy Perry, Jennifer Lopez, Alan Thicke. Muitos, interpretando a si mesmos. Talvez a calçada da fama de How I Met não tenha atingido o mesmo glamour. Apesar de a série focar muito em relacionamentos, muitos dos convidados não tiveram romances e mesmo assim funcionaram muito bem na trama. Personagens como “O Capitão” (Kyle MacLachlan – abaixo), Ranjit, Billy Zabka (sim, de Karate Kid e Cobra Kai) e Patrice, entre outros, tiveram participações importantes na história.

Relevância atual

Ambas as séries giram em torno de relacionamentos, amizade e romances, temas que não perdem a relevância na comédia e no entretenimento. Então, é provável que ainda hoje arranquem boas risadas.

Lançada em 1994, Friends largou na frente e colheu os frutos por sua suposta originalidade. Mesmo que, lembrando, a série tenha muitas similaridades com outros shows da época, como Living Single e Seinfeld. Ganhou vários prêmios e é referência até hoje do que se fazer, mas também do que não se fazer em uma série de humor. Muito focada na guerra dos sexos, a série normaliza comportamentos questionáveis dos protagonistas. A obsessão com uma cerimônia de casamento enorme e extremamente cara deixa a impressão de que os personagens se preocupam mais em se casar do que em dividir a vida com a pessoa amada.

São frequentes os deboches com pessoas LGBTQIA+. Em certos momentos, os personagens são tão inseguros que chega a irritar. Até o infame lugar-comum “Gay, eu? Não! Até tenho amigos próximos que são” chega a ser dito em um momento da série. Muitas piadas são às custas de Mônica (abaixo), por ter sido gorda durante sua adolescência – body shaming. Outro ponto é a ausência de diversidade. Em dez anos de exibição, podemos contar nos dedos os personagens que não eram brancos que tiveram alguma participação significativa na série.

How I Met Your Mother, lançada em 2005, aprendeu algumas lições com sua predecessora. Uma maior diversidade no elenco secundário, tanto na etnia quanto na atração afetiva. Mas a série normaliza mentiras e manipulações em relacionamentos. Barney Stinson não é apenas machista, é misógino e psicopata. O personagem chega a ser caricato e exagerado ao ponto do público nem levar a sério suas investidas, que são frequentemente criminosas. Ted, apesar de ser retratado como uma pessoa mais romântica e sensível, frequentemente se recusa a aceitar NÃO como resposta, cria expectativas em seus relacionamentos e os descarta repentinamente quando não preenchem mais sua lista de pré-requisitos. Robin e Lily frequentemente diminuem Patrice e outras mulheres que saem com Ted e Barney. Marshall não consegue ter amizade com mulheres pelo fato de ser um homem casado.

Já escutei de amigas que não conseguem mais assistir a Friends pelo ranço que pegaram de Ross e seu machismo, e que How I Met é ofensivo para mulheres. Os criadores de ambas as séries já se lamentaram por decisões tomadas. Marta Kauffman, de Friends, já disse que, com o conhecimento que tem hoje, teria feito escolhas diferentes e lamentou algumas decisões. É importante levar em consideração o contexto de cada obra, quando foi feita, apreciar sua originalidade e criticar sim seu impacto e influência. Temos outras séries que beberam dessa fonte e fazem um humor de qualidade e mais democrático. Cito aqui as queridas The Office (ambas), Sex Education e Brooklyn 9-9.

O fim

A lista de séries boas que desagradam fãs com seus finais é longa e crescente. As últimas temporadas estão longe de serem os melhores momentos de cada, mas há quem goste. O fim de Friends era o desejo do elenco. Quando a série começou, eles eram relativamente desconhecidos, se tornaram estrelas mundiais e queriam aproveitar o sucesso para emplacar novos projetos. De uma maneira geral, Friends encontrou uma fórmula boa, se ateve a ela, arriscou pouco e acertou com o público. O mesmo pode ser dito do final, sem grandes riscos ou reviravoltas, apenas aquela triste despedida e a sensação de dever cumprido. Mas, pra quem ainda não está pronto para se despedir, ainda temos o malsucedido spin-off Joey e um especial da série já em produção que reunirá o elenco original, mas que foi adiado devido à pandemia.

O fim de How I Met Your Mother… nossa! Esse é polêmico! A série foi construída de uma maneira um pouco diferente, desde o início já havia planos pra sua conclusão e tudo foi mais ousado. A história que seria contada precisaria de tempo, para nos tornarmos íntimos dos personagens e nos apegarmos às pequenas coisas, como guarda chuvas amarelos, botas vermelhas e trompas azuis. Mas quem arrisca alto pode ganhar muito ou perder tudo. Apesar do carinho que muitos ainda têm pela série, o desfecho não é um assunto popular entre os fãs.

O fim de Friends era algo que nenhum fã queria. Se dependesse de nós, Rachel, Mônica, Phoebe, Joey, Chandler e Ross seriam para sempre aqueles jovens adultos irresponsáveis, tomando café juntos no meio da tarde em uma quarta-feira qualquer. O fim de How I Met e como Ted conheceu a mãe de seus filhos já era aguardado desde a primeira temporada. Essa era uma conclusão que nós, fãs, esperávamos ansiosos. E nada mais triste do que quando as coisas terminam de um jeito que a gente não espera, não é?

Agradecimento

Agradeço a todos que contribuíram com diferentes pontos de vista, curiosidades e opiniões que me ajudaram a escrever esse texto. Essas conversas ajudaram não apenas na crítica, mas para que, em tempos de isolamento, não houvesse solidão. Vocês são mais que amigos, são Friends.

Dez anos de Friends chegaram ao fim nesse episódio

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Longa espanhol apresenta as Origens Secretas

Da última vez que vimos um super-herói espanhol chegar à tela grande, tivemos a engraçada paródia Superlópez (2018), oriunda de uma tirinha de jornal. Dessa vez, como quem assume não ter personagens nesse filão para adaptar, os espanhóis usaram os heróis americanos para criar uma trama de suspense, sempre alternando com bom humor. Origens Secretas (Orígenes Secretos, 2020) bebe em algumas fontes óbvias e usa diversas referências do mundo dos quadrinhos para criar uma obra original e simpática. 

Como uma espécie de mistura entre Seven (1995) e Corpo Fechado (Unbreakable, 2000), o longa começa com uma ação policial dando o tom. Logo, conhecemos nosso protagonista, um detetive sisudo claramente inspirado em Dirty Harry – a semelhança de Javier Rey (de O Silêncio da Cidade Branca, 2019) com Clint Eastwood é grande! Assassinatos escabrosos começam a acontecer e a ligação com o universo das revistas clássicas de quadrinhos faz com que o policial busque a consultoria de um nerd bonzinho e infantilizado. 

Brincando com clichês como a amizade improvável entre os dois, Origens Secretas mistura Marvel e DC buscando criar uma mitologia própria. A delegada que chefia a investigação aproveita o tempo livre para fazer cosplay e gera momentos engraçados. O trio principal é auxiliado ainda por um detetive veterano, pai do consultor, que serve como mentor. E não falta a aparição rápida de um senhor grisalho cuja função parece ser apenas lembrar as pontas de Stan Lee nos filmes da Marvel. 

Na pele do personagem principal, Rey tem uma evolução bacana, mostrando que o contato com os dois viciados em cultura pop o deixa mais leve, menos mal humorado. Brays Efe (astro da série Paquita Salas) e Verónica Echegui (de Estás me Matando Susana, 2016) têm a química esperada de velhos conhecidos e o experiente Antonio Resines (de O Noivo da Minha Amiga, 2020) confere ao Detetive Cosme o peso necessário. Há ainda uma participação pequena, mas significativa, do argentino Leonardo Sbaraglia (de Wasp Network, 2019), o mais famoso do elenco. 

Adaptando sua própria obra, o diretor e roteirista David Galán Galindo faz um bom trabalho aparentemente sem gastar muito. O filme se aproveita de seus cenários fechados e a eficiente fotografia urbana de Rita Noriega e não faz uso de efeitos visuais gritantes, nos apresentando uma aventura bem pé no chão, apesar de suas bases. A trilha sonora de Federico Jusid é propositalmente exagerada, criando um interessante contraponto à pegada realista de Galindo. Em pouco mais de 90 minutos, Origens Secretas diverte e homenageia diversas obras. Sobra até para Star Wars! 

Todo tipo de gente estranha passa pela loja de quadrinhos

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Programa do Pipoqueiro #60 – O Dia Em Que a Música Morreu

Conheça melhor “o dia em que a música morreu”, quando caiu o avião com Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper e três carreiras em ascensão foram interrompidas. Falaremos dos artistas, suas músicas e os filmes A História de Buddy Holly e La Bamba. Aperte o play abaixo e divirta-se!

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Palm Springs inova nas comédias românticas

O gênero comédia romântica costuma despejar dezenas de bombas na programação dos canais a cabo e serviços de streamings. Peneirando bem, é possível achar coisas boas, e o barulho lá fora já ajuda a direcionar a atenção. Cercado de boas críticas e notas positivas, Palm Springs (2020) chegou ao Brasil pelo Hulu e já pode ser conferido. Revisitando um recurso bastante usado no Cinema, o longa consegue inovar de forma calculadamente despretensiosa.

O cartaz do filme traz um casal boiando numa piscina infinita num dia que, apesar de ensolarado, parece estar sendo bem enfadonho. Ao conhecer a história, a imagem faz total sentido. Nyles acorda para o casamento da amiga da namorada, mas não está muito animado para a festa. Lá, ele conhece a irmã da noiva e, inadvertidamente, a coloca na mesma situação que ele: o dia se repete sem parar. Em outros casos, essa saída foi usada para que o personagem aprendesse algo. Aqui, é simplesmente uma fatalidade.

No elenco, temos caras conhecidas da TV. O protagonista é Andy Samberg, o policial Jake Peralta de Brooklyn Nine-Nine e ex-Saturday Night Live, enquanto sua colega é Cristin Milioti, a mãe do título da finada série How I Met Your Mother. Dois dos coadjuvantes têm referências parecidas: a noiva é Camila Mendes, de Riverdale, e o noivo é ninguém menos que o atual Superman da telinha, Tyler Hoechlin (de Supergirl e demais séries da DC). Reforçam o time dois veteranos bem conhecidos, Peter Gallagher (de séries como Grace & Frankie, Law & Order e The O.C.) e J.K. Simmons (o Comissário Gordon de Liga da Justiça, 2017).

Com tantos rostos conhecidos, muitos espectadores devem esperar gostar automaticamente. E o roteiro do iniciante Andy Siara ajuda, ele é bem amarrado e traz inovações interessantes em relação a Feitiço do Tempo (Groundhog Day, 1993), longa obrigatório quando o assunto é reviver o mesmo dia. Quando conhecemos Nyles, ele já está no processo da repetição, e já tirou várias conclusões daí. Apesar da química entre Samberg e Milioti não ser grande coisa, os personagens são espertos e conseguem fazer com que o público se importe.

Também estreando na função, o diretor Max Barbakow parece tomar todos os cuidados necessários: cenários, figurinos, fotografia… Tudo funciona bem, e a continuidade é essencial num filme em que tudo se repete. Causa uma falsa impressão de simplicidade, quando na verdade deve dar muito trabalho. Se você vai gostar da conclusão de Palm Springs, não dá para garantir, mas o caminho até lá é divertido.

O filme chamou a atenção em Sundance e os direitos de distribuição foram vendidos

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Programa do Pipoqueiro #59 – Backbeat, os Beatles e o Grunge

Conheça o filme Backbeat – Os Cinco Rapazes de Liverpool (1994), sua ótima trilha sonora e os componentes da Backbeat Band, banda fantástica que toca clássicos dos Beatles (acima). Aperte o play abaixo e divirta-se!

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