Paramount conta como foi a produção de seu maior clássico

“Vou fazer uma oferta que ele não poderá recusar”. Em 1972, quando O Poderoso Chefão (The Godfather) chegou aos cinemas, essa frase entrou para a história da sétima arte, sendo usada frequentemente em outros contextos e obras. A referência é óbvia e marcante. Por isso, foi usada no título da minissérie que conta os bastidores da produção do longa, simplificada para The Offer. Criada por Michael Tolkin (roteirista de O Jogador, 1992), a atração é baseada nas memórias de Albert S. Ruddy, responsável pelo Chefão ter de fato sido realizado.

Muitas das histórias da atribulada produção da Paramount já eram de conhecimento público, como o envolvimento com a máfia e a insatisfação causada em Frank Sinatra (vivido por Frank John Hughes, de The Sopranos), que acreditava ter servido como base para o cantor da história, Johnny Fontane. A graça da série é ter costurado tudo e acrescentado outras muitas anedotas igualmente interessantes. E o principal problema é exatamente ser baseada no que Ruddy contou, já que fica tudo com uma tendência a valorizá-lo acima de todos os outros.

No início do primeiro de dez episódios, conhecemos o personagem Ruddy (interpretado por Miles Teller, de Top Gun: Maverick, 2022), um executivo de uma empresa de informática que não poderia estar mais frustrado. Fechado em um escritório, ele passa os dias compilando dados e entregando relatórios. Até que, através de um amigo, toma conhecimento do mundo da televisão e consegue se lançar como roteirista e produtor. À frente de uma série de sucesso, ele abandona o barco para tentar uma carreira no Cinema. Cai em seu colo um livro ainda não lançado, muito comentado, cujos direitos de adaptação foram comprados pelo estúdio.

A partir daí, diversos personagens vão passando pela tela, muitos apenas para permitir que The Offer conte todas as passagens saborosas que guarda. A trama acaba ficando nas costas de Ruddy; do vice-presidente da Paramount, o todo-poderoso Robert Evans (interpretado por Matthew “Ozymandias” Goode); e da secretária Betty (Juno Temple, de Ted Lasso), braço direito de Ruddy que se mostra muito competente. Esses três são os que a série retrata bem, com acertos e erros – apesar de Ruddy sair quase como um super-herói, tamanha a habilidade dele de contornar situações difíceis.

Muitos outros são frequentes, como o diretor Francis Ford Coppola (Dan Fogler, da trilogia Animais Fantásticos); o executivo mala de plantão, Barry Lapidus (Colin Hanks, de Elvis & Nixon, 2016); o presidente da empresa-mãe, a Gulf+Western, Charlie Bluhdorn (Burn Gorman, de Enola Holmes, 2020); e o mafioso Joe Colombo (Giovanni Ribisi, de Ted 2, 2015 – abaixo), a ligação indesejada de Ruddy com o crime. O mais estranho é ver celebridades que temos frescas na memória sendo vividos por outros atores, como Marlon Brando (Justin Chambers), Al Pacino (Anthony Ippolito) e o escritor Mario Puzo (Patrick Gallo).

A forma como alguns deles são retratados pode incomodar. Coppola, por exemplo, fica parecendo um novato bobinho que se assusta com tudo o que acontece. Ruddy precisa ficar pedindo um voto de confiança a cada problema que aparece, e não são poucos. O chefão Bluhdorn é um tanto caricato, o que não significa que ele não fosse na vida real, mas fica caricato. Assim como o chato Lapidus, destinado a estragar a festa. Alguns, no entanto, se destacam, caso principalmente de Goode e Temple, ambos em composições tridimensionais. Entre os coadjuvantes menos frequentes, chama a atenção Joseph Russo (de O Irlandês, 2019), que traz bastante intensidade ao assassino “Crazy” Joe Gallo.

Para quem nunca viu O Poderoso Chefão, The Offer pode tanto ser mais interessante, já que não se sabe os finalmentes, quanto menos, por não ter tanto apelo. Para os fãs, certamente trará histórias curiosas e metáforas discretas, comparando o filme com os responsáveis por ele. Pode-se inclusive perceber críticas feitas à Hollywood de novo, que parece hoje mais apagada do que era nos anos 70. Evita-se aqui recriar as cenas do clássico, o que seria um tiro no pé por ficar obviamente inferior. E a trilha sonora fantástica soma-se aos demais acertos, fazendo com que você não possa recusar assistir aos dez episódios.

As recriações da época ficaram fantásticas

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Programa do Pipoqueiro #75 – Rock Master

A edição 75 do Programa do Pipoqueiro convida o jornalista Daniel Seabra, criador e apresentador do programa Rock Master, para escolher alguns filmes favoritos e suas músicas, com uma seleção variada e rock ‘n’ roll. Aperte o play abaixo e divirta-se!

Tracklist:

01 – Huey Lewis & The News – The Power of Love

02 – The Wonders – That Thing You Do

03 – The Beatles – I Wanna Hold Your Hand

04 – Tia Carrere – Ballroom Blitz

05 – Peter Cetera – Glory Of Love

06 – Iron Maiden – Run to the Hills

07 – Raul Seixas – A Maçã

08 – Lulu Santos – Areias Escaldantes

09 – Titãs – Toda Cor

10 – Uns e Outros – Anjo Negro

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Programa do Pipoqueiro #74 – Séries de TV

Esta edição do Programa do Pipoqueiro traz músicas das apresentações de diversas séries de televisão, de novos clássicos, como The Office e Community, a obras recentes, como Ted Lasso e Peacemaker. Aperte o play abaixo e divirta-se!

Tracklist:

1 – Lazlo Bane – Superman

2 – The Blind Boys of Alabama – Way Down in the Hole

3 – The Office Band – The Office Theme

4 – Barenaked Ladies – The Big Bang Theory Theme

5 – The 88 – At Least It Was Here

6 – Charles Bradley – Changes

7 – Charles Bradley – Change for the World

8 – Rare Bird – Sympathy

9 – Benjamin Clementine – Nemesis

10 – Nicole Kidman – Dream a Little Dream

11 – Marcus Mumford & Tom Howe – Ted Lasso Theme

12 – Wig Wam – Do Ya Wanna Taste It

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Liam Neeson é um assassino sem rastro e sem memória

Em 2008, Liam Neeson estrelou Busca Implacável (Taken) e entrou em um caminho perigoso. Ele passou a alternar produções variadas e cuidadosamente escolhidas com longas de ação descerebrados que fazem com que muitos hoje desmereçam o seu trabalho. Nem tudo está perdido, há coisas boas que merecem a nossa atenção, como A Perseguição (The Grey, 2011) ou Caçada Mortal (A Walk Among the Tombstones, 2014). Só que aí surge um Assassino Sem Rastro (Memory, 2022) e novamente começamos a duvidar de nossa fé no ator.

Nessa nova produção, atualmente em cartaz nos cinemas, Neeson vive um assassino particular contratado por um velho conhecido para eliminar dois alvos. No primeiro, tudo corre bem, mas ele logo descobre que o segundo é uma criança. Ao se recusar a finalizar o trabalho, ele se torna o alvo de uma grande organização de tráfico de mulheres e prostituição. E há um fator complicador: o tal assassino começa a ter sintomas do mal de Alzheimer e já não pode confiar nem na própria memória.

Essa trama aparentemente interessante resultou em um filme divertido, que não é o de Neeson. O livro De Zaak Alzheimer, de Jef Geeraerts, havia sido adaptado em 2003 e originou The Memory of a Killer (ou The Alzheimer Case), do diretor belga Erik Van Looy. A Open Road Films contratou o competente Martin Campbell para dirigir a refilmagem, ninguém menos que o sujeito que comandou dois reboots de James Bond: GoldenEye (1995) e Cassino Royale (2006). Ao mesmo tempo, é o responsável por Lanterna Verde (2011), o que causa certo receio. O roteirista, Dario Scardapane, não tem créditos muito relevantes, sendo a série do Justiceiro o que chama a atenção.

Um elenco liderado por Neeson e que ainda conta com Guy Pearce (de Mare of Easttown – acima) e Monica Bellucci (de 007 Contra Spectre, 2015) certamente chamará público. Pena que são todos mal aproveitados, sem quase nenhuma história pregressa e um desenvolvimento raso de dar dó. A doença do assassino só aparece quando o roteiro precisa, com várias conveniências que começam a se tornar irritantes. Até do título nacional ela foi limada, já que preferiram o genérico Assassino Sem Rastro do que algo que girasse em torno do Memória original.

Assim como acontece frequentemente com Nicolas Cage, ver Neeson em longas como esse é uma tristeza e um desperdício de talento. Com blockbusters como Doutor Estranho no Multiverso da Loucura e Top Gun: Maverick ocupando quase todas as salas de cinema, é complicado que as poucas que sobrem sejam ocupadas por tragédias como Assassino Sem Rastro. Mas uma coisa é certa: é um filme para se assistir no cinema. Em casa, você vai pausar diversas vezes para fazer outras coisas mais atrativas.

A ótima Bellucci é desperdiçada por um roteiro capenga e previsível

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Stardust consegue estragar Bowie

Engraçado como cinebiografias fazem sempre muito barulho, frequentemente chamando tanta atenção que ganham até prêmios. E alguém do calibre de David Bowie ganhou uma em 2020 e passou totalmente batida. Disponível no Globoplay, Stardust acerta ao focar em um episódio específico, não cometendo o erro de abraçar o mundo. Mas comete vários outros, sendo o pior deles a façanha de transformar Bowie em um chorão maçante.

Em 1971, o cantor tinha 24 anos e um grande sucesso: Space Oddity. Promovendo o lançamento do disco seguinte, The Man Who Sold The World, ele quer se apresentar nos Estados Unidos e aumentar o seu alcance. Para os músicos ingleses, dominar a América sempre foi sinal de carreira consolidada. Seu agente, então, o manda para lá. Com um visto de turista, o que o impossibilita de se apresentar.

Com um recorte bem delimitado, o diretor e co-roteirista Gabriel Range (de A Morte de George W. Bush, 2006) busca fazer um estudo do personagem pré-fama. Algo como um “David antes de Bowie”, como diz o cartaz. A proposta é extremamente interessante, produzindo uma obra de ficção que mostra como as coisas podem ter acontecido. O problema é a forma como Range imagina isso tudo. Dá para dormir e acordar várias vezes e o filme ainda estará passando.

Para começo de conversa, a família do astro da música não aprovou o longa e, por isso, não puderam usar as músicas. O recurso usual, nesses casos, é usar músicas que o artista tocava e não eram dele, como em Backbeat (1994), a história do quinto beatle. Mas as músicas precisam proporcionar um mínimo de emoção ao espectador, e isso só acontece se elas tiverem alguma identificação com o cantor. Tê-la cantado uma ou duas vezes não atende essa necessidade.

O músico e ator Johnny Flynn (acima), visto recentemente em Emma (2019), é competente, mas o roteiro não o ajuda, retratando um Bowie inseguro, imaturo, patético. Jena Malone (de Animais Noturnos, 2016 – abaixo), vivendo Angie, é o estereótipo da esposa chata, só cobrando e reclamando, demonstrando um recalque enorme por não ter se tornado também uma estrela – algo que não faz o menor sentido. Ao veterano Marc Maron (de Coringa, 2019) cabe viver um empregado de uma gravadora com uma difícil missão: ele deve receber Bowie nos Estados Unidos, mas não pode organizar nenhum show porque o visto do britânico não permite.

Sem músicas e com um protagonista chato de doer, fica difícil assistir a Stardust até o final. Tanto a verdadeira Angie quanto Duncan Jones, filho do casal, se manifestaram publicamente contra o filme. A ex-esposa chegou a assisti-lo e criticou diversos pontos imprecisos. A questão da doença mental do irmão do cantor, Terry, ocupa um espaço grande no roteiro, e é mais uma razão para a insegurança de David: ele pensa que o próximo a ter esses problemas pode ser ele. Em 1971, o álbum Hunky Dory já havia sido lançado e Bowie já tinha uma boa experiência ao lidar com público e imprensa. O coitadinho mostrado no filme passa longe da realidade até para quem não conhece bem o personagem.

Em 72, o mundo viria a conhecer Ziggy Stardust e As Aranhas de Marte, personagens criados por Bowie numa busca por reinvenção. O interesse de Range está nessa construção, e até isso ele faz errado. É tudo muito brusco, sem sentido, fica bem complicado comprar a proposta. E Flynn é bem mais velho que seu biografado, outra fonte de estranheza. Como não há semelhança física entre os dois, fica parecendo que a mudança de Bowie será total, até o rosto vai se alterar. O cantor chegou a dizer que não gostaria de ser objeto de uma cinebiografia. A julgar por Stardust, seria melhor ter atendido o desejo dele.

Flynn X Bowie: fica muito difícil comprar essa versão

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Programa do Pipoqueiro #73 – Músicas Antigas em Filmes Recentes

Esta edição do Programa do Pipoqueiro traz filmes que usaram na trilha músicas mais antigas, a exemplo da recente série do Cavaleiro da Lua, que toca A Man Without Love, de 1968. Aperte o play abaixo e divirta-se!

Tracklist:

01 – Sam Cooke – Wonderful World

02 – Marvin Berry & The Starlighters – Earth Angel

03 – The Beatles – Twist and Shout

04 – The Righteous Brothers – Unchained Melody

05 – Sonny & Cher – I Got You Babe

06 – The Four Seasons – Walk Like a Man

07 – Chuck Berry – You Never Can Tell

08 – The Moody Blues – Nights in White Satin

09 – The Walker Brothers – The Sun Ain’t Gonna Shine Anymore

10 – Tommy James and the Shondells – I Think We’re Alone

11 – Engelbert Humperdinck – A Man Without Love

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Ewan McGregor volta ao manto de Obi-Wan Kenobi

Com três episódios exibidos (metade), já dá para dizer que a série Obi-Wan Kenobi é o melhor produto do universo Star Wars em muito tempo. Claro que ajuda ter personagens clássicos na trama, o que chama a atenção de um público mais amplo que um Mandaloriano ou Boba Fett, que são mais conhecidos entre os fãs mais aplicados. Ewan McGregor, que apareceu de corpo presente como o personagem pela última vez em 2005 (no Episódio III: A Vingança dos Sith), volta mais velho e seguro, coincidindo com a história. Demorou, mas ele finalmente descobriu que Anakin Skywalker está vivo.

O primeiro episódio da série monta o cenário com calma, sem querer apenas agradar os fãs que queriam de cara ver Darth Vader. No entanto, momentos marcantes não faltarão e todos ficarão felizes. Trata-se de mais uma obra que ocupa buracos entre os filmes, como foi com Rogue One (2016). No primeiro Star Wars (Uma Nova Esperança, 1977), a Princesa Leia manda uma mensagem de socorro para Obi-Wan, “a única esperança” dos rebeldes contra o Império. Agora, descobrimos como eles se conheceram e como a relação se estabeleceu. E algumas críticas sociais são colocadas aqui e ali com discrição, como a cena do ex-soldado pedindo esmola.

Um dos destaques de Obi-Wan Kenobi é a menina Vivien Lyra Blair (de Bird Box, 2018), que vive a pequena Leia Organa. Ela já conquista o público em sua primeira aparição com uma mistura de força e fofura e ajuda a costurar as pontas deixadas anteriormente. E é interessante também ver a relação entre ela e os pais, que a gente conhecia pouco. Entre as novidades, a grata surpresa é a Inquisidora Reva, interpretada por Moses Ingram (de A Tragédia de Macbeth, 2021), uma vilã à altura da franquia, que parece obcecada em encontrar Obi-Wan, o maior Jedi vivo.

A voz de Darth Vader, mais uma vez, é provida por James Earl Jones, e o corpo é novamente o de Hayden Christensen, dos Episódios II e III. Por que ele volta a gente não sabe, já que Anakin teve o corpo queimado e ficou desfigurado. Qualquer ator serviria. Se tiver flashbacks, justifica, ou será apenas fan service (um agrado aos fãs). Outros velhos conhecidos nossos também voltam, como Jimmy Smits (Bail Organa), Temuera Morrison (Boba Fett e seus clones) e Joel Edgerton (o tio Owen), e há mais adições, como Benny Safdie (Nari), Kumail Nanjiani (Haja) e Rupert Friend (o Grande Inquisidor). Todos funcionam muito bem.

Com cinco roteiristas envolvidos, quem brilha também é a diretora, Deborah Chow, que comandou todos os seis episódios. Ela vem de várias outras séries, como Mr. Robot, Jessica Jones e Better Call Saul, além de O Mandaloriano, e mostra ter pegado exatamente o espírito da franquia. E trouxe o Flea para o elenco, tendo assinado um clipe dos Red Hot Chilli Peppers. Cenas grandiosas, uma bela fotografia e muito suspense não faltam, mostrando que a série não é boa apenas por ter presenças queridas. Pena que alguns ditos fãs desse universo continuem a direcionar ódio a atores que eles aparentemente não aprovam, mostrando que eles não entenderam nada do que assistiram.

Umas das presenças mais esperadas da série

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Programa do Pipoqueiro #72 – Músicas Mais Tocadas Pt2

Continuando a lista apresentada na edição anterior, o Programa do Pipoqueiro traz mais músicas muito tocadas em filmes e séries, com comentários e indicações para você. Aperte o play abaixo e divirta-se!

Tracklist:

01 – E.L.O. – Mr. Blue Sky

02 – The Clash – London Calling

03 – AC/DC – Back in Black

04 – Spandau Ballet – True

05 – Leonard Cohen – Hallelujah

06 – MC Hammer – You Can’t Touch This

07 – Marky Mark and the Funky Bunch – Good Vibrations

08 – Israel Kamakawiwo’ole – Somewhere Over the Rainbow/What a Wonderful World

09 – Smash Mouth – All Star

10 – The Dandy Warhols – Bohemian Like You

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This Is Us chega ao fim (sem spoilers)

O primeiro episódio, exibido originalmente em setembro de 2016, deixou o público um tanto perdido, apresentando linhas temporais distintas sem que percebamos, para no final tudo fazer sentido. E assim, com maior ou menor grau de complicações, foi This Is Us por seis temporadas, indo e voltando no tempo para nos apresentar todas as nuances da família Pearson. E agora, que a série acabou, há um bocado de gente órfã por aí, sem saber como superar essa perda.

A série tinha nada menos que cinco personagens principais, e cada um desenvolve o seu próprio núcleo, com outras tantas pessoas chegando em cada um. Um dos principais méritos da atração foi conseguir dar importância e peso dramático a cada. É raro perceber alguém que foi descartado, logo todos reaparecem. Os diferentes momentos históricos mostrados em sequência também ajudam a criar expectativa, até suspense, e vamos recebendo peças de um longo e prazeroso quebra-cabeça. As roupas, cabelos e figurino (e bigode) ajudam a reforçar as épocas.

O elenco tem nomes mais e menos conhecidos – a maioria ficou conhecida após a estreia da série. Milo Ventimiglia é provavelmente quem, dos principais, tem a carreira mais longa no Cinema e na televisão. Lembrado pela série Heroes e como o filho de Rocky Balboa (em 2006 e 2018), ele já dublou super-heróis em séries e recentemente protagonizou Meu Amigo Enzo (The Art of Racing in the Rain, 2019), e já tem uma nova série engatilhada: The Company You Keep.

Ventimiglia vive Jack Pearson, um ex-soldado que volta da Guerra do Vietnã tentando colocar sua vida no lugar e, entre um bico ou outro, conhece Rebecca. Entra em cena Mandy Moore, cantora que se aventurou como atriz e deu muito certo. Começando por longas melosos (como Um Amor Para Recordar, 2002), ela trabalhou em várias séries, também como dubladora. No Cinema, um ponto alto é a comédia Galera do Mal (Saved!, 2004). A química entre Ventimiglia e Moore nos leva a crer que de fato os dois foram feitos um para o outro e logo terão uma família. 

Revezando-se com esse casal, temos as histórias dos três filhos: Kevin, Kate e Randall. Mais velho e ligeiramente problemático, Kevin (Justin Hartley, o Arqueiro Verde de Smallville) vive diversas desventuras amorosas enquanto tenta se encontrar, batalhando na profissão de ator. Kate (Chrissy Metz, de Superação, 2019), a irmã do meio, é assistente de Kevin e vive para a família até que percebe que precisa ter uma vida própria. E Randall (Sterling K. Brown, de Hotel Artemis, 2018), que veio por último, é invariavelmente a voz da razão, às vezes um pouco arrogante, sendo sempre apontado como “o filho que deu certo”, com uma boa profissão e uma bela família.

Partindo desses cinco personagens, temos diversas histórias sendo criadas e, o mais impressionante, todas são amarradas. O criador de This Is Us, Dan Fogelman, trabalhou a ideia por muito tempo até chegar ao resultado que vemos na televisão. E tamanho esforço deu frutos: além de diversas indicações a prêmios e muitas vitórias, a série é uma das melhor avaliadas da atualidade e muito comentada em redes sociais. Certamente, já garantiu empregos aos envolvidos. Fogelman, com trabalhos medianos a fracos como diretor e roteirista (a exceção é Amor a Toda Prova, 2011), fez aqui um nome na indústria.

Entre muitos pontos positivos da série, talvez o maior seja dar profundidade a seus personagens e fugir de saídas fáceis. Pouquíssimos momentos soam forçados, buscando um certo resultado dramático. Na maior parte do tempo, vemos seres humanos errando e acertando, e errando novamente, e assim por diante. Ao mesmo tempo em que cada um tem sua personalidade e características distintas, percebemos uma evolução. Randall, por exemplo, sempre se cobrou muito e não aceitava um resultado menor que excelente. E isso tem um preço: crises de ansiedade, ataques de pânico. Tudo isso vai sendo trabalhado.

A visão que os filhos têm dos pais também cresce. Por mais que os vejam como maravilhosos e perfeitos, os filhos vão conhecendo mais lados, dando no fim um ótimo equilíbrio. Como acontece com qualquer um. E as outras figuras que vão aparecendo acrescentam muito. Ron Cephas Jones (de Meu Nome É Dolemite, 2019) é responsável por momentos maravilhosos, e não à toa foi premiado por sua atuação como William. Tão interessantes quanto, temos outro veterano, Griffin Dunne (Nicky), além de Jon Huertas (Miguel), Susan Kelechi Watson (Beth), Chris Sullivan (Toby) e Alexandra Breckenridge (Sophie), para ficar nos coadjuvantes mais frequentes. E não podemos nos esquecer das crianças: alguns personagens, além da versão adulta, têm intérpretes diferentes para outras faixas etárias, todos ótimos.

Entre os que aparecem pouco, destaque para Gerald McRaney, que faz o médico de Rebecca, além de Denis O’Hare (Jessie) e Michael Angarano (Nick), que cresceu bastante desde seus tempos de Quase Famosos (Almost Famous, 2000). Muitos rostos reconhecíveis, como Dan Lauria (o pai do Kevin de Anos Incríveis), aparecem em menos capítulos, e são sempre boas surpresas. Há gente famosa também entre os roteiristas e os diretores dos episódios, com os próprios atores assumindo a cadeira aqui e ali. Diversidade, em frente e atrás das câmeras, é algo que não falta, e assuntos polêmicos e necessários são abordados na trama.

A trilha sonora é mais um ponto fantástico. Os temas originais ficaram a cargo do experiente Siddhartha Khosla, já indicado a três Emmys. E as músicas populares usadas não são menos que ótimas, ganhando a afeição do público de várias formas, ao mesmo tempo. Para uma série ter o impacto que This Is Us tem, são necessários muitos acertos juntos. E é exatamente por isso que, mesmo após a exibição do décimo oitavo episódio da sexta temporada, também conhecido como o último, This Is Us continuará a ser descoberta por milhares de pessoas que vão se apaixonar pelos Pearsons.

PS: Clique aqui para ouvir o Programa do Pipoqueiro sobre a série.

Sentiremos saudades…

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Novo Jurassic World reúne gerações

Mais do mesmo. De Novo. Assim pode ser descrito o novo Jurassic World Domínio (Jurassic World Dominion, 2022), parte final da trilogia iniciada em 2015. Ou sexta parte da franquia que começou com o Jurassic Park original, de 1993. O diretor e roteirista Colin Trevorrow volta ao comando, depois de se ausentar no último, e aposta todas as suas fichas, exaurindo esse universo. E, ao mesmo tempo, parece estar apenas se repetindo, usando os mesmos clichês que já vimos não sei quantas vezes.

Quem vai ao cinema esperando ver dinossauros comerem gente ficará satisfeito. Quem procura uma discussão ambiental sobre as consequências de mexer na natureza verá uma bem artificialmente. E os que procuram ação desenfreada não sairão tristes, mas é bom fazer duas ressalvas: há momentos confusos, em que ficamos um tanto perdidos sobre o que está acontecendo; praticamente tudo o que é mostrado na foi visto nos episódios anteriores.

Este sexto filme faz o que os fãs da franquia esperavam há tempos: mistura a equipe recente, formada basicamente por Bryce Dallas Howard e Chris Pratt, e a clássica, trazendo de volta Sam Neil e Laura Dern, além do já visto Jeff Goldblum. É claro que há um certo charme nisso, mas a aposta na nostalgia do público é descarada. É bom sim reencontrar os personagens do primeiro, e os atores retomam de onde pararam com muita naturalidade, mas incomoda que essa jogada caça-níqueis salte tanto aos olhos. É um atestado de não saber mais para onde correr.

Os momentos de suspense desse Domínio são telegrafados minutos antes, dá para prever tudo. E em momento algum tememos pela integridade física de nossos queridos companheiros, não parece que o roteiro vai abrir mão de ninguém. Pelo contrário, ele soma alguns, necessários para o momento. Os novos nomes de destaque respondem por Mamoudou Athie (da série Arquivo 81), o responsável pelas comunicações na corporação que hospeda os dinossauros; Campbell Scott (de WeCrashed), que vive o milionário por trás de tudo; e DeWanda Wise (de Vingança & Castigo, 2021), a mercenária que cria consciência.

A história gira em torno de ganância e avanços científicos, como sempre. Os motivos torpes são camuflados como um investimento filantrópico em busca de curas para doenças. E nem é bom analisar a parte científica envolvida, a viagem é mais louca do que qualquer coisa que vimos até aqui. A cada filme há um novo “maior carnívoro de todos”, o que nos leva a questionar a sanidade dos envolvidos. Para que recriar essas criaturas monstruosas e incontroláveis? Apenas para deleite do espectador.

Se a trilha sonora de Michael Giacchino não traz nenhuma novidade memorável, ao menos os efeitos especiais são os melhores possíveis. Vemos todos os detalhes dos dinossauros, sua pele, pêlos, movimentos. Pena que servem a um roteiro morno que não traz novidades à franquia, ao menos nenhuma que faça alguma diferença. Como tudo em Hollywood funciona à base de trilogias, ao menos esse Domínio serviu para encerrar essa. Ou não.

Jeff Goldblum tem diálogos espirituosos e parece viver ele mesmo

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