Dwayne Johnson luta contra a gravidade num Arranha-Céu

por Marcelo Seabra

Como a criatividade em Hollywood parece não ter para onde ir, o vilão agora é ninguém menos que a gravidade. Ela, ao menos, é um antagonista melhor que o estrangeiro de plantão de Arranha-Céu: Coragem Sem Limites (Skyscraper, 2018), longa que mais uma vez traz Dwayne Johnson fazendo peripécias que Sir Isaac Newton não aprovaria. Antes, ele teria que revogar suas leis. Qualquer bom senso deve ser deixado do lado de fora da sala para melhor apreciação.

Johnson novamente é um pai que vê sua família em perigo. Questões ligadas a laços de sangue ou amizade sempre estão presentes nos trabalhos dele. Temos uma traminha besta sendo desenrolada sem levantar nenhum interesse, que fica todo por conta de ver o astro pulando de alturas impensáveis, entre pontos distantes que nem o Batman atingiria. Mais ou menos como em Rampage (2018), Baywatch (2017) e toda a franquia Velozes e Furiosos. Um Espião e Meio (Central Intelligence, 2016), também comandado por Rawson Marshall Thurber, não fica muito longe dessa fórmula.

Interessante mencionar o diretor. Thurber tem várias comédias em seu currículo, sendo seu primeiro filme Com a Bola Toda (Dodgeball, 2004). Mesmo no caso de se enveredar pela ação, ainda mantém o aspecto cômico, como garante a presença de Kevin Hart em Um Espião e Meio. Nesse Arranha-Céu, o humor passou longe. Por um lado, é bom, já que não tem horas de piadinhas enquanto os personagens lutam contra a morte, o que irrita em muitas produções por aí. Por outro, faz parecer que todos os envolvidos estão levando o filme muito a sério, e uma quebra não faria mal. Afinal, temos uma série de absurdos enfileirados, rir de si mesmo não faria mal.

O roteiro, também de Thurber, coloca Johnson como um técnico de segurança que é traído e vira suspeito de tocar fogo no maior prédio do mundo. O problema é que o fogo está se alastrando e a família do sujeito está lá dentro. E ele, não. É aí que começa o festival de barbaridades, com escaladas, pulos e tudo o mais que causar nervoso. Como a ação se passa toda no alto, esses momentos tensos até acontecem, mesmo que a gente saiba como será o desfecho. O papel da esposa, nas mãos da sumida Neve Campbell (da franquia Pânico), é mais forte que o usual, o que traz uma boa surpresa. E o recurso do 3D dá um pouco de profundidade. Mas nada que salve a obra da mediocridade.

Neve Campbell foi reaparecer logo nessa bomba!

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Vespa é a nova heroína Marvel

por Marcelo Seabra

Outra aventura do Homem-Formiga chega aos cinemas, e desta vez ele não ataca sozinho. No longa anterior, foram dadas várias pistas que nos levariam à Vespa, e a personagem dispensa apresentações. Como costuma acontecer na segunda parte de trilogias, quando todos já são conhecidos e a história de origem foi superada, tem-se mais espaço para a trama principal, que precisa ser bem desenvolvida para ter fôlego por toda a sessão. O resultado, como esperado, é charmoso e divertido.

Em Homem-Formiga e a Vespa (Ant-Man and the Wasp, 2018), descobrimos porque Scott Lang (Paul Rudd) ficou de fora da Guerra Infinita e os desdobramentos de suas ações na Alemanha ao lado do Capitão América e companhia, vistas em Guerra Civil. Em prisão domiciliar, vigiado pelo FBI, Lang vive de forma pacata, recebendo visitas da filha e da ex com o atual marido. E os dias se arrastam até que Hope Van Dyne (Evangeline Lilly) reaparece, requisitando ajuda para uma nova missão ao lado do pai, Hank Pym (Michael Douglas).

A grande frustração de Pym é ter perdido a esposa, Janet (Michelle Pfeiffer, de Assassinato no Expresso Oriente, 2017), no Reino Quântico, dimensão aonde Scott foi quando diminuiu ao máximo de tamanho. Surge uma possibilidade de encontrá-la, mas a tarefa não será fácil, com dois novos vilões entrando no meio. Um misterioso Fantasma (Hannah John-Kamen, de Jogador Nº 1, 2018) tem seus próprios planos e o traficante de tecnologia Burch (Walton Goggins, do novo Tomb Raider, 2018) vê nos inventos de Pym uma chance de ganhar uma bolada.

Muita gente entra na trama para que ela possa se sustentar. Além da volta de praticamente todos os personagens do primeiro filme, como Luis (Michael Peña) e sua trupe, temos as adições já citadas e ainda Laurence Fishburne (de Passageiros, 2016) como um ex-parceiro de Pym e Randall Park (o Presidente Kim de A Entrevista, 2014) vivendo o agente de FBI responsável por vigiar Lang. Park serve como alívio cômico e soa exagerado em alguns momentos, e esse é um bom resumo do filme: vários trechos engraçados, uns poucos forçados e fora do tom.

É interessante perceber que essa questão cômica é bem presente aqui, ao contrário das aventuras dos medalhões do estúdio, como Capitão América e Homem de Ferro (fora as piadinhas irritantes de Stark). O esforço para soar dramático é percebido nesses, enquanto o diretor Peyton Reed, advindo de comédias, não disfarça que prefere algo mais leve, despretensioso. Inclusive, com um bom uso de músicas pontuais. Isso leva alguns críticos a torcerem o nariz para a produção e taxá-la de menor, ou menos importante. Temos que lembrar que nem toda adaptação de quadrinhos se propõe a ser um Cavaleiro das Trevas (2008), e as próprias HQs são, em sua grande maioria, aventuras despretensiosas e divertidas.

Mais uma vez, é Rudd a grande força do longa. Seu carisma faz com que nos importemos com ele e sua família, e torcemos por ele mesmo quando faz as escolhas mais erradas. A diferença, agora, é o peso que Lilly ganha. O roteiro faz questão de reforçar que o Homem-Formiga e a Vespa têm o mesmo peso, a mesma importância. Ela tem até mais habilidade física que ele, que conta com seu jeito safo e maus hábitos de ladrão para resolver seus problemas. Ela, como o pai, tem traços de arrogância e presunção, mas é no fundo uma boa pessoa com intenções nobres.

Com cenas que fazem homenagens a filmes como Viagem Insólita (1987) e Viagem Fantástica (1966) e até a Curtindo a Vida Adoidado (1986), passando pelas perseguições de Bullitt (1968) nas ruas de São Francisco, Homem-Formiga e a Vespa não deixa de ter várias referências ao Universo Cinematográfico Marvel. Aparentemente à parte, ele acaba dando diversas pistas do que poderá acontecer no futuro, além de deixar muitas pontas soltas para uma hipotética próxima aventura e de mostrar como se situa no grande quadro. E não perca as duas cenas guardadas para o final, além da tradicional ponta de Stan Lee.

O Fantasma: no filme e nos quadrinhos

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Programa do Pipoqueiro #30

por Marcelo Seabra

A trigésima edição do Programa do Pipoqueiro celebra os 40 anos do lançamento de Grease – Nos Tempos da Brilhantina e de outros muitos filmes de 1978, além de trazer suas músicas mais marcantes e comentários sobre produções atuais. Aperte o play abaixo e divirta-se!

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Hereditário é um terror fora da curva

por Marcelo Seabra

Nos últimos tempos, temos tido boas surpresas com os filmes de terror. Milhares são feitos, alguns prestam para alguma coisa e geralmente um leva o prêmio imaginário de destaque da temporada. Ano passado, a honraria ficou com Corra (Get Out, 2016), que acabou levando até Oscar. Em 2018, temos o privilégio de nem ter chegado ainda ao meio do ano e já termos dois destaques. Além do ótimo Um Lugar Silencioso (A Quiet Place, 2018), agora chega aos cinemas Hereditário (Hereditary, 2018), obra muito bem calculada em que os elementos se juntam como peças de quebra-cabeça e funcionam muito bem.

Não necessariamente você terá todas as respostas que busca. A trama corre, nos cativa, nos vemos torcendo por aquela família e logo o roteiro começa a brincar com a sua expectativa. Nada acontece como esperamos. Mesmo não sendo exatamente inovador, ele consegue brincar com as convenções do gênero e se firmar como uma obra sólida, que cumpre o propósito de assustar e ainda fazer pensar. Mérito total do roteirista e diretor Ari Aster, que estreia aqui em longas, mas assinou seis curtas anteriormente, nos quais aprimorou seu estilo. Influências ele tem, como O Bebê de Rosemary (1968), mas é algo bem discreto.

A história começa com a morte da avó dos Graham. A filha dela, Annie, tem que discursar no velório mesmo tendo tido uma relação distante com a mãe. Depois disso, ela toca sua vida normalmente, com o marido e o casal de filhos. Coisas estranhas começam a acontecer e paramos por aqui para não correr o risco de estragar nada. Aster e seu habitual diretor de fotografia, Pawel Pogorzelski, exploram a casa da família e seus arredores muito habilmente, transformando os pontos escuros em potenciais esconderijos para algum tipo de bicho-papão. O clima fica bem tenso, devendo nada para outros do gênero.

Não espere, em Hereditário, por sustos gratuitos. Não há gatos pulando de bobeira. Se um pássaro bate numa janela, existe um bom motivo. Aliás, tudo o que acontece no filme tem a sua razão, e as peças se encaixam no final. Mesmo que ainda fiquemos sem entender alguns elementos. Como não entendemos tudo o que acontece nas nossas vidas. E as regras do sobrenatural não são conhecidas, permitindo a Aster brincar com elas da forma que lhe convém, nos conduzindo como patos para onde ele quer ir. E vamos numa mistura de curiosidade e pânico.

Na provável melhor interpretação de sua carreira, a ótima Toni Collette (sempre lembrada por O Casamento de Muriel, 1994) dá um show como a mãe que busca explicações sobre o que está acontecendo com sua família – o que lembra bem de relance O Sexto Sentido (1999). O marido é vivido calmamente por Gabriel Byrne (de Os 33, 2015), e ele rouba a cena em pelos menos dois momentos. Os intérpretes dos filhos, apesar da pouca idade, não deixam nada a dever. Alex Wolff (um dos terroristas em O Dia do Atentado, 2016) e a estreante Milly Shapiro nos colocam em grande agonia, acompanhando-os naquela jornada.

É interessante notar que a trilha sonora começa forte, se sobressaindo, e vai sendo reduzida até se misturar com as cenas. Colin Stetson (de Criminosos e Anjos, 2016) ajuda o diretor a brincar com o público, compondo uma parte fundamental do esquema. E ainda somos presenteados com uma bela canção clássica ao final, nos créditos. O que é uma grande ironia, claro, já que estamos com medo até de levantar da cadeira. E aquelas imagens vão ficar por um bom tempo voltando à nossa mente.

O diretor garante que nenhum ator foi ferido na realização desse filme

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Roubo e furacão tentam salvar longa do desastre

por Marcelo Seabra

Não será a primeira vez, tampouco a última, que vemos um longa de ação se aproveitar de um evento climático. No ano passado, por exemplo, tivemos Tempestade (Geostorm, 2017). Agora, conferimos uma bomba de igual tamanho chamada No Olho do Furacão (The Hurricane Heist, 2018), que coloca um bando de mercenários tentando um assalto milionário durante a passagem de um furacão de categoria 5, o pior. E o nosso herói é ninguém menos que um meteorologista, que vai se unir a uma agente idealista para impedir a jogada.

Responsável por pérolas como Velozes e Furiosos (2001), Triplo X (2002) e o mais recente O Garoto da Casa ao Lado (2015), o diretor Rob Cohen estava há três anos sem lançar nada e já havia esperança de que ele tivesse mudado de profissão. No entanto, caiu em seu colo um roteiro tão ruim que ele não conseguiu resistir. Reuniu um elenco de notáveis “quem” e torrou 35 milhões de dólares. A arrecadação, até o momento, não chegou nem na metade.

Assumindo o cargo de protagonista, para variar, Toby Kebbell (de Kong, 2017) vive um meteorologista que vai tentar convencer o irmão a deixar a casa e se abrigar adequadamente por causa da passagem de um furacão. O tal sujeito (Ryan Kwanten, de True Blood) dá suporte de informática a uma instalação militar que, justo no dia, deve dar cabo de 600 milhões de dólares em notas. Nesse dia, surpresa: criminosos pretendem roubar a fortuna e apagar suas pistas no furacão. Mas não contavam com a intrépida agente do tesouro vivida por Maggie Grace (a filha sequestrada da trilogia Busca Implacável).

Como o personagem principal é especialista em furacões, o roteiro quer fazer o espectador acreditar que ele é capaz de se aproveitar disso para vencer a batalha. Mas a verdade é que o texto é preguiçoso e cheio de conveniências. O tempo corre da forma que o filme precisa, para que tudo possa se encaixar. Não há nada de memorável em No Olho do Furacão. A tensão que poderia surgir passa longe, tamanha é a previsibilidade da obra. Talvez a única coisa legal seja o carro de Kebbell, uma espécie de Batmóvel do clima com mais carisma que todos eles juntos.

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Franquia dos dinossauros ganha novo episódio

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

O ser humano, direta ou indiretamente, foi responsável pelo maior número de extinções de espécies animais e vegetais de toda a história registrada apenas no século XX. Fosse pela cobiça, superstições que dizem que o órgão genital ou o pó de ossos de animais selvagens tem propriedades medicinais milagrosas ou simplesmente pela expansão urbana, o fato é que a humanidade não se furta em acabar com espécies inteiras se isso não atrapalha seu progresso. A criação de leis que protegem os direitos dos animais foi um avanço, mas, ainda assim, estamos muito longe de viver em harmonia com os demais seres vivos que nos cercam.

Essa introdução pode parecer apenas propaganda ambientalista. Na verdade, ela se justifica bastante já que a extinção de diversas espécies de animais – ou uma segunda extinção, no caso – é a principal justificativa para a movimentar a história de Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom, 2018), que estreia no país no dia 21, mas já tem sessões de pré-estreia pagas. E não faça questão do 3D, que não acrescenta nada.

A história se passa dois anos após os eventos mostrados em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (2015). Depois do desastre causado pelo indominus Rex, o parque foi fechado e a Ilha Nublar, sua sede, foi isolada, deixando que os dinossauros que a habitam ficassem por lá vivendo sossegadamente. A ilha, no entanto, tem um vulcão que está prestes a entrar em erupção. Daí se segue o debate: o governo americano deve interferir e ajudar a resgatar os dinossauros presos na ilha, levando-os a uma nova localização para que suas vidas sejam preservadas ou simplesmente deixar que sejam exterminados uma segunda vez por um outro “ato de Deus”?

Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) é uma das pessoas que acredita que os dinossauros merecem uma terceira chance de salvação. Depois de gerenciar o parque destruído no longa anterior, ela agora comanda uma ONG que tem o objetivo de salvar os animais de uma segunda extinção. Seus esforços parecem que serão recompensados quando Eli Mills (Rafe Spall), assistente do bilionário Benjamin Lockwood (James Cromwell), lhe faz uma proposta: ela deve ir até a Ilha Nublar ajudar no resgate de algumas espécies de dinossauros antes que a ilha exploda. Para isso, no entanto, ela precisará se reconectar com Owen Grady (Chris Pratt), o especialista em comportamento de velociraptores e dinossauros em geral que trabalhava no parque. Claro que, como diz o ditado, quando as coisas parecem muito boas para serem verdadeiras é porque tem algo errado. Claire logo descobrirá que nem tudo é como ela imaginava.

Com produção de Steven Spielberg e roteiro de Colin Trevorrow (diretor do longa anterior) e Derek Connolly, Reino Ameaçado é um longa divertido que tenta tocar em uma questão importante: o desequilíbrio ambiental que ocorre quando espécies animais são extintas ou, no caso, introduzidas em um ambiente que não está preparado para recebê-las. Isso, no entanto, é algo que fica mais no segundo plano e questionado principalmente pelo doutor Ian Malcolm (Jeff Goldblum, de volta à franquia – acima). Na superfície, é um longa de ação e isso é tanto seu principal mérito quanto seu maior defeito.

O fato é que, ao chegar no quinto episódio, a franquia dos dinossauros estabeleceu alguns clichês e, infelizmente, não se cansa de repeti-los. Há diversas situações que são muito previsíveis para quem assistiu aos filmes anteriores e isso tira um pouco da diversão. É meio ruim você pensar “ih, daqui a pouco isso acontece” e, exatamente alguns minutos depois, aquilo que você previu aparecer na tela. Há ainda algumas decisões dos roteiristas que reproduzem clichês de filmes de ação em geral, como o fato de um personagem sumir sem explicações e reaparecer justamente quando é mais necessário. Por outro lado, Reino Ameaçado traz novos elementos à franquia e estabelece meios para que ela resista por mais algum tempo, já que o escopo de suas histórias recebe uma bela expansão aqui.

Com relação ao elenco, além de Bryce e Pratt, temos também B. D. Wong repetindo o papel do Dr. Henry Wu, geneticista responsável pela clonagem dos dinossauros, algo que vem fazendo desde o primeiro filme da franquia, em uma performance mais afetada do que as anteriores. Completam o elenco principal Ted Levine, Justice Smith, Daniella Pineda, Geraldine Chaplin e a novata Isabella Sermon. Todos eles fazem seu trabalho de maneira competente, ainda que o Oliver de Pratt se pareça muito com uma versão alternativa do Starlord, personagem vivido por ele no Universo Marvel.

A trilha sonora ficou a cargo de Michael Giacchino e funciona muito bem no filme, sendo grandiosa onde necessário e mais discreta quando o momento exige. Já a direção de J. A. Bayona (de O Impossível, 2012) é competente e, se não reinventa a roda, sabe bem equilibrar os momentos de suspense com a ação desenfreada que marca boa parte do longa, além de tentar evitar os sustos fáceis típicos desse tipo de produção.

Jurassic World: Reino Ameaçado é meio que mais do mesmo. É um longa divertido, cheio de ação, com efeitos visuais muito bem feitos e que, apesar de trazer novos elementos, não se reinventa e usa e abusa dos clichês estabelecidas pela própria franquia desde o primeiro filme, lançado em 1993. Vai agradar os fãs e também aqueles que só querem ter uma boa diversão no cinema.

Pratt apresenta seu colega de elenco

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Mateus Solano enfrenta um mistério romântico

por Marcelo Seabra

Depois de uma pesquisa nada complicada, dá para concluir que a obra do escritor francês Martin Page é bem bacana. Ele parece fugir de fórmulas e convenções de gêneros e criar personagens realmente interessantes. Mas daí a achar que ele pode ser facilmente adaptado para o Cinema é um grande engano. É o que prova Talvez uma História de Amor (2018), longa nacional que chega às telas depois de uma geladeira de três anos e nos presenteia com uma história sem pé nem cabeça.

No papel principal, Mateus Solano (de Em Nome da Lei, 2016) parece fazer o melhor com o texto que tem em mãos. Mas não ajuda o fato de Virgílio simplesmente receber um recado em sua secretária eletrônica de uma pessoa que ele não conhece e ficar obcecado com isso. Aparentemente vítima de um transtorno psicológico que aparece quando é conveniente, Virgílio tem uma rotina impecável, perfeitamente descrita em um post it colado na geladeira. A tal mensagem dá aquela sacudida nessa vidinha e o leva a pensar: “Quem é Clara e por que ela terminou comigo?”

A premissa é interessante e deve levar muita gente às salas. Mas tudo logo se mostra exagerado, com alguns picos de ridículo. Situações loucas como as que acompanhamos até poderiam ser reais, mas não temos elementos que deem base para pensarmos isso. Se fosse um emaranhado de sketches, algumas seriam bem legais, enquanto outras seriam fracas ou até irritantes. Costuradas juntas, não se sustentam. Fica quase um videogame, daqueles em que a fase se repete e o herói é obrigado a insistir em matar o vilão. A diferença é que Virgílio vai encontrando conhecidos, um atrás do outro, sem resultado algum. E fica claro que ele não tem paciência suficiente para ter amigos. No máximo, colegas de trabalho.

A psicóloga vivida por Totia Meireles é obrigada a correr e descobrir a possível causa dessa repentina amnésia do personagem, se é que é isso que aconteceu. A profissional experiente e segura não sabe nada sobre o assunto e vamos descobrindo junto com ela. Enquanto o problema de Virgílio é cercado de mistério, as coisas conseguem se manter minimamente atraentes. À medida em que tudo vai clareando, vai ficando menos interessante, até cansativo. Quase como um primo pobre de Depois de Horas (After Hours, 1985). Temos um desfile de coadjuvantes desnecessários, oportunidade para o diretor Rodrigo Bernardo usar várias celebridades em pontas, como Dani Calabresa e Marco Luque. E as ações do personagem de Paulo Vilhena são incompreensíveis.

As situações que fazem menção ao transtorno de Virgílio, somadas à aparição de um cachorro – cujo único propósito é ser fofinho – nos remetem imediatamente a Melhor É Impossível (As Good As It Gets, 1997). Mas o filme mais recente é sempre inferior aos que lembra. E, se o grande diferencial que Talvez uma História de Amor prometia ter era fugir de regras pré-estipuladas, é exatamente para lá que ele ruma. O final convencional é a cereja do bolo de um filme surreal (no mau sentido) e cansativo.

O diretor (de barba) apresenta seu elenco

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Programa do Pipoqueiro #29

por Marcelo Seabra

No clima do Dia dos Namorados, o Programa do Pipoqueiro traz cinco comédias românticas escritas por Richard Curtis, todas fugindo da esgotada fórmula do gênero, com comentários e os destaques de suas trilhas sonoras. É só apertar o play abaixo e se divertir!

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Cinco comédias para o Dia dos Namorados

por Marcelo Seabra

Para você que quer aproveitar o clima de romance do Dia dos Namorados e assistir a um bom filme, seguem cinco sugestões!

Um Lugar Chamado Notting Hill (Notting Hill, 1999)

Acaba virando lugar comum colocar Richard Curtis em listas de melhores romances. Afinal, o roteirista parece ser especialista em histórias que cativam pela simpatia e simplicidade, e quase sempre carrega Hugh Grant com ele. Em Um Lugar Chamado Notting Hill (nome completo nacional), o ator vive um livreiro que, num dia como outro qualquer, recebe uma cliente inusitada: uma das maiores atrizes do Cinema americano. Para dar o peso adequado à personagem, poucas seriam mais acertadas que Julia Roberts, que é de fato uma das maiores atrizes do Cinema americano. A história que se desenrola entre os dois é deliciosa de se acompanhar, e ainda tem o bônus de Rhys Ifans, o louco colega de apartamento de Grant. O filme mostra como uma celebridade milionária pode chegar a se relacionar com um ninguém (por assim dizer), e não deixa de ser outra defesa do amor romântico.

Alta Fidelidade (High Fidelity, 2000)

Um ótimo protagonista criado por Nick Hornby é Rob Gordon, o dono de uma loja de discos que, em meio a muita música boa, resolve relembrar seus cinco piores términos de namoro. É muito interessante acompanhar as reminiscências de Rob, que acaba chegando a conclusões diferentes ao olhar para trás e ver que o que ele lembrava não era exatamente a realidade. Quem nunca teve alguém que, na época, parecia ser o supra sumo da inteligência e estilo, para depois se mostrar apenas uma pessoa pretensiosa e vazia?

Como Rob, John Cusack é uma mistura de bom humor e insegurança que cai como uma luva. E o elenco, que traz um quase desconhecido Jack Black, tem participações de Catherine Zeta-Jones, Joan Cusack, Lili Taylor e um impagável Tim Robbins. O pouco conhecido Todd Louiso completa, com Cusack e Black, o núcleo da loja e, deles, saem diálogos fantásticos. E Black faz uma ótima releitura de Marvin Gaye.

Um Grande Garoto (About a Boy, 2002)

Um dos escritores mais badalados no Cinema, Nick Hornby teve várias histórias adaptadas, além de também escrever roteiros. Um de seus livros de maior sucesso, que virou um ótimo filme, é Um Grande Garoto, a saga de um sujeito que se descreve como uma ilha. Will não precisa de ninguém para tocar sua vidinha metódica, mas cruza o caminho de um garoto que vai invadir seu espaço sem pedir licença. Além de mais um grande papel de Hugh Grant, temos o jovem Nicholas Hoult, que hoje já é um adulto e presença constante na tela grande (como na turma jovem dos X-Men). Cercado por referências pop, de Bon Jovi a Mystikal, passando por uma hilária interpretação de Killing Me Softly, de Roberta Flack, o longa tem uma ótima trilha original de Badly Drawn Boy.

O sucesso de Um Grande Garoto foi tamanho que deu origem a uma série de TV, engraçadinha, mas longe do carisma do filme. Mas a brincadeira com o título se mantém: seria o tal Garoto Marcus, o pequeno intruso, ou Will, um quarentão que se esqueceu de amadurecer?

Simplesmente Amor (Love Actually, 2003)

Quase um clássico, apesar de ser apenas de 2003, Simplesmente Amor é escrito e dirigido por Richard Curtis, lembrado pelo roteiro de Quatro Casamentos e Um Funeral. Comédia romântica das mais leves, ele reúne um elenco britânico brilhante, com pequenas participações de “estrangeiros”, como o nosso Rodrigo Santoro, e conta várias histórias interligadas. Do primeiro ministro da Inglaterra a um simplório ator pornô, passando por um cantor muito irreverente e muita “gente como a gente”, o filme parece ter uma tese a provar: todo mundo precisa de amor, mesmo aqueles que não sabem disso.

O longa fez tanto sucesso e ganhou um lugar cativo na memória de tanta gente que a equipe resolveu se reunir em 2017 e lançar uma espécie de continuação, o Red Nose Day Actually. É um curta de 15 minutos que nos mostra por onde andam aqueles personagens que, em pouco mais de duas horas, aprendemos a gostar.

Questão de Tempo (About Time, 2013)

Misture o consagrado roteirista e diretor Richard Curtis, um casal de atores em perfeita sintonia e viagens no tempo. Pode parecer loucura, mas o resultado dá muito certo. Questão de Tempo não deixa de ser uma comédia romântica, mas vai mais longe ao misturar algumas questões existenciais encontráveis apenas nas melhores ficções científicas. Isso, além de ser mais engraçada que a maioria de seus pares, que geralmente ficam apenas no romance água com açúcar.

Domhnall Gleeson vive um jovem inglês que descobre poder viajar no tempo, dentro de sua própria linha de vida, e alterar o que julgar necessário. Ele só precisa tomar cuidado com o efeito borboleta, já que cada mínima alteração no passado pode ter consequências grandes no futuro. Como todo jovem, ele passa por experiências de crescimento e formação até ir para a cidade grande, Londres, onde vai conhecer a mulher de sua vida – onde entra Rachel McAdams. E ainda temos, de brinde, o grande Bill Nighy, sempre uma ótima figura a se acompanhar.

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Oito Mulheres e Um Segredo é a vez de Debbie Ocean

por Marcelo Seabra

A Warner Bros. conseguiu resolver três problemas numa só tacada. Como fazer para contornar a falta de ideias para arrancar mais dinheiro de uma franquia esgotada, a falta de interesse da equipe original de voltar e ainda atender a uma demanda muito legítima da sociedade de valorizar mais as atrizes, num mercado predominantemente masculino? Criando Oito Mulheres e Um Segredo (Ocean’s 8, 2018), derivado que está mais para reimaginação do que para algo propriamente novo.

A trilogia de Danny Ocean, que começou com Onze Homens e Um Segredo (Ocean’s 11, 2001), nos apresentou ao personagem de George Clooney, um criminoso carismático e brilhante que reúne uma turma para roubar três cassinos em Las Vegas e, de quebra, reconquistar sua ex-esposa, coincidentemente casada com o responsável pelas casas visadas. O longa era baseado num outro, de 1960, estrelado pelo Rat Pack de Sinatra, e a história foi alterada o suficiente para tornar as duas sessões igualmente agradáveis.

Ambas as sequências (2004-2007) foram bem fracas e mostraram que a fórmula já não daria mais frutos – além de originarem outras obras no mercado, que praticamente imitavam o trabalho do diretor Steven Soderbergh. Quase dez anos depois, Gary Ross (de Jogos Vorazes, 2012) assume a responsabilidade de comandar e escrever (ao lado de Olivia Milch) uma espécie de versão feminina das aventuras de Danny – com Soderbergh como produtor. Agora, temos Debbie Ocean, uma irmã da qual nunca tínhamos ouvido falar. E ela, assim como o falecido irmão, junta uma gangue para um roubo ousado. Só de mulheres. Oito, mais precisamente. Ou sete, já que uma não faz parte do esquema.

Depois de cinco anos na cadeia por ter sido traída por um namorado em um golpe, Debbie Ocean (Sandra Bullock (de Gravidade, 2013) sai com um plano à prova de furos: roubar um colar de diamantes caríssimo na festa do Museu Metropolitano de Arte de Nova York. A Met Gala reúne diversas celebridades, oportunidade para a produção ter incontáveis pontas de famosos (de Katie Holmes a Kardashians) e para a garota fazer seu pé de meia. Mas ela vai precisar de ajuda. Danny tinha Rusty Ryan (Brad Pitt) como braço direito, e Debbie tem Lou (Cate Blanchett, de Thor: Ragnarok, 2017).

As duas vão buscar nomes para tornar a jogada possível. Cada qual com uma habilidade, elas se unem às personagens de Helena Bonham Carter (de Cinderela, 2015), Mindy Kaling (de Uma Dobra no Tempo, 2018), Rihanna (de Bates Motel), Awkwafina e Sarah Paulson (de The Post, 2017). Correndo por fora, temos Anne Hathaway (de Colossal, 2016), que vive uma atriz badalada que será a estrela da festa. Não vale a pena estragar a surpresa das participações especiais, inclusive de gente da franquia original, mas é bom adiantar que o volume é tão grande que acaba cansando. É apenas uma distração. E as insistentes referências a Danny chegam a irritar.

As características principais de Onze Homens aparecem aqui também, numa tentativa clara de Ross de emular o estilo de Soderbergh. As passagens de cenas fluídas, a trilha sonora descolada, as várias camadas da história, as caras de paisagem de personagens que têm total tranquilidade mesmo quando enfrentam a possibilidade de passarem o resto da vida na prisão… Está tudo lá. O que não é ruim. É apenas repetitivo e deve desagradar quem já conhece os longas anteriores. O texto é bem raso, com tudo acontecendo muito facilmente e todos muito bonzinhos e sorridentes. Para quem está chegando agora, talvez a sensação seja diferente, com um resultado positivo. Atrizes do porte de, principalmente, Blanchett e Paulson mereciam mais do que uma mera cópia.

Esses eram os 11 de Danny Ocean

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