Programa do Pipoqueiro #23

por Marcelo Seabra

Esta edição do Programa do Pipoqueiro traz os destaques da trilha sonora de Jogador Número 1, e as músicas se revezam com comentários sobre vários filmes recentes nos cinemas e na TV. Aperte o play abaixo e divirta-se!

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Paterno de Pacino já está na HBO

por Marcelo Seabra

Em outubro de 2011, o técnico de futebol americano universitário Joe Paterno chegou à sua 409ª vitória à frente do time da Penn State University. Após longos 61 anos construindo uma carreira e um legado, aos 84 de idade ele se viu envolvido num escândalo que apontava um amigo e colega próximo como pedófilo. Aí, entra a diferença entre o que é legal e o que é ético, ou moralmente correto.

Paterno (2018) é uma nova produção da HBO e acaba de entrar na programação do canal a cabo. Trata-se da segunda colaboração entre o estúdio, o diretor Barry Levinson e Al Pacino (ambos abaixo), que nos deram Você Não Conhece o Jack em 2010. Depois do Dr. Jack Kevorkian e de Phil Spector (também da HBO), JoePa é mais uma figura real que Pacino interpreta no momento da descida ao inferno, por assim dizer.

Jerry Sandusky (vivido por Jim Johnson) era membro da equipe técnica de futebol americano da Penn State e apareceu numa matéria jornalística acusado de abuso sexual, se aproveitando da proximidade que tinha com garotos jovens. Logo, outros garotos se levantaram, deixando bem claro que a prática de Sandusky era antiga e corriqueira. E ninguém em volta fez nada a respeito. É um tipo de situação bem comum, infelizmente, e este caso serve para representar vários outros.

O foco do longa é o treinador Joe Paterno, conhecido como “técnico, educador e humanitário” e grande responsável pelo aumento de doações à Penn State, que deixou de ser conhecida como uma universidade rural e se tornou uma potência no esporte. As evidências contra Sandusky eram inegáveis, e ele logo cairia. A dúvida que ficava era: e o papel de Paterno nisso tudo? Ele poderia ter se pronunciado? Deveria? E as vítimas, enquanto isso, saem como culpadas, sendo perseguidas por estarem sujando o nome de um “homem de bem”.

Uma importante participação no longa é a da jornalista Sara Ganim (Riley Keough, de Ao Cair da Noite, 2017), que serviu de consultora para a produção. A história dela no jornal The Patriot-News acaba servindo de base para o caso e ela investiga mais a fundo, procurando todos os envolvidos. O trabalho jornalístico, mesmo como coadjuvante, pode ser observado sem qualquer pompa, de maneira bem realista. Ganim foi a terceira mais jovem ganhadora do prêmio Pulitzer, além de ter levado outras premiações, e hoje trabalha na CNN.

A ótima interpretação de Pacino é reforçada por algumas questões importantes levantadas. Alguém, num determinado momento, lembra do papel da Igreja nos acobertamentos dos casos de abuso sexual envolvendo padres. A filha de Paterno (Annie Parisse, de Friends from College) coloca: “Se meus filhos sofrerem abuso, não quero que você espere o fim de semana passar para me contar”. Esse era o primeiro problema de Joe: ter esperado. E as discussões seguem daí.

Os verdadeiros Sandusky e Paterno em 1999 (Paul Vathis/Associated Press)

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The Rock encontra em Rampage oponente à altura

por Marcelo Seabra

Se a missão é se colocar entre monstros gigantescos e violentos e impedir uma catástrofe, não há homem melhor: Dwayne Johnson, vulgo The Rock. Em sua terceira colaboração com o diretor Brad Peyton, o astro mais uma vez parte para a ação descerebrada pontuada por piadinhas e efeitos especiais. O mais louco é perceber que, do meio em diante, Rampage: Destruição Total (2018) perde qualquer senso de ridículo e isso o torna mais divertido. O longa chega aos cinemas nacionais essa semana com a esperança de grande arrecadação.

Em 2009, a Warner adquiriu a Midway Games e levou junto os direitos de adaptação das obras da empresa. O jogo Rampage foi criado em 1986 e o longa vem sendo desenvolvido desde 2011. Só saiu do papel com o envolvimento de Johnson, que convidou seu amigo Peyton, que o comandou em Viagem 2 (Journey 2, 2012) e Terremoto (San Andreas, 2015). A trama exige muito comprometimento por parte do público, que precisa aceitar vários absurdos para comprar a ideia. Uma vez dentro do filme, é só encostar na cadeira e deixar e tela e o som IMAX fazerem o serviço.

De cara, descobrimos que uma empresa de manipulação genética está buscando transformar animais em armas tornando-os superpoderosos e resistentes. Por questões legais (ou assim nos fazem crer), os testes em cobaias são feitos no espaço, o que de fato é muito inteligente. É claro que tudo vai dar errado e teremos supercriaturas na Terra. Paralelamente, conhecemos o primatologista vivido por Johnson, um ex-militar ninja que passa seus dias cuidando de primatas e evitando seres humanos. O porquê, não sabemos, mas esse é o único diálogo expositivo do qual somos poupados. Todas as explicações consideradas necessárias vêm em falas didáticas e enervantes. As demais são apenas bestas.

A mocinha, defendida por Naomie Harris (de Beleza Oculta, 2016), é uma doutora expert em genética que se resume a invadir e roubar, não servindo para muito mais. E o personagem de Jeffrey Dean Morgan (de The Walking Dead), sempre com um sorrisinho calhorda no rosto, dá um toque cowboy. No campo dos antagonistas, temos uma combinação terrível de Pink e Cérebro com os vilões de Scooby-Doo. Uma irmã maligna e calculista (Malin Akerman, de Billions) e um irmão tapado e manipulável (Jake Lacy, de Armas na Mesa, 2016) são os donos da empresa do mal culpada por tudo.

O melhor personagem de Rampage é George (com os movimentos de Jason Liles), um gorila simpático e gozador que se transforma em uma máquina de destruição. Ele, ao menos, se mantém coerente por todo o longa, ao contrário das outras criaturas, que descobrem talentos novos explicados pela manipulação genética. Os quatro roteiristas jogam aí a culpa de tudo e, ao mesmo tempo, tudo se torna possível. Por isso, aproveite a pipoca e se divirta com a falta de noção do filme, que de tão exagerado consegue tirar um sorriso do público.

The Rock encontrou um amigo maior do que ele

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Um Lugar Silencioso faz muito barulho nas bilheterias

por Marcelo Seabra

Conhecido por variar entre comédias e dramas leves, John Krasinski vem diversificando e escolhendo trabalhos mais desafiadores, fora do que já está habituado. Não à toa, ele é o novo Jack Ryan na série de TV e andou pegando papéis como os de Detroit em Rebelião (2017) e 13 Horas (2016). Agora, ele inovou como diretor e assina Um Lugar Silencioso (A Quiet Place, 2018), um suspense aparentemente simples e muito bem executado que vem arrecadando grandes somas nas bilheterias.

A trama é bem sucinta: em algum momento nos próximos dois anos, criaturas cegas e sensíveis ao som vão aparecer e dizimar a população do planeta. Quem sobrar terá que se refugiar onde der e viver em silêncio. Acompanhamos a saga de uma família que precisa se policiar o tempo todo, qualquer barulho pode ser fatal. Vivendo o casal adulto, temos o próprio Krasinski e sua esposa, Emily Blunt (de A Garota no Trem, 2016), pela primeira vez trabalhando juntos.

A cumplicidade do casal pode ser percebida em tela. Eles passam muita verdade num relacionamento que naturalmente já tem suas peculiaridades, e é complicado pelas circunstâncias. Ajuda ter jovens talentosos interpretando as crianças, com destaque para o atual queridinho de Hollywood Noah Jupe (de Extraordinário e Suburbicon, ambos de 2017). Ele e Millicent Simmonds (de Sem Fôlego, 2017) formam uma ótima dupla como os filhos mais velhos, obrigados a tamanha responsabilidade já em tenra idade.

A história de Um Lugar Silencioso cria certas regras que poderiam levar um espectador mais cético a fazer questionamentos, até a indicar possíveis furos de roteiro. Mas a verdade é que não dá para adivinhar o que aconteceria naquela situação, e os roteiristas (Bryan Woods, Scott Beck e Krasinski) oferecem saídas satisfatórias. E o ponto que mais chama a atenção no longa é a montagem: Christopher Tellefsen (de Assassin’s Creed, 2016) é extremamente feliz em seus cortes, escolhendo cirurgicamente o que mostrar e jogando a tensão nas alturas.

O cenário é bem explorado pelo diretor, que faz com que os personagens circulem e nos apresentem à geografia do lugar, além de usar bastante a própria casa onde moram. Tudo é bem estabelecido e a fotografia de Charlotte Bruus Christensen traz uma certa melancolia própria da vida no campo. Em um filme marcado por silêncios, como o título já estabelece, a trilha sonora teria um papel importante. Marco Beltrami (de Logan, 2017) entende isso bem e compõe faixas discretas, que não se sobrepõem às cenas.

Com todos os elementos bem encaixados e as regras desse universo sendo respeitadas, é o público que ganha. Ao estilo do também recente Ao Cair da Noite (It Comes at Night, 2017), Um Lugar Silencioso nos envolve no drama daquela família e faz com que nos importemos com eles, criando um ambiente eficaz de terror que nos deixa apreensivos 100% do tempo. Não estranhe se você pular da poltrona ou soltar uns grunhidos vez ou outra.

Os meninos são ótimos!

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Netflix quer levar soldados a Saturno

por Marcelo Seabra

Depois de Bright, The Cloverfield Paradox e Aniquilação, fica difícil buscar uma boa ficção-científica na Netflix. O serviço de streaming parece cada vez mais valorizar a quantidade em detrimento da qualidade, entulhando seus menus de produções fracas com o único objetivo de acumular cliques e minutos assistidos. A mais recente novidade é The Titan (2018), longa que parte de uma premissa interessante para logo se perder.

Vivendo o casal principal, temos Taylor Schilling (da série Orange Is the New Black) e Sam Worthington (de A Cabana, 2017). Se os personagens não têm um milimetro de profundidade, os atores não ajudam nada. Schilling até se esforça, mas sua Abi se resume a ser uma esposa abnegada que aceita todas as decisões descabidas do marido. E ele é apenas um Comando em Ação, um militar estrela que se voluntaria para um projeto suicida que não tem como dar certo.

Numa participação especial para chamar público, Tom Wilkinson (de Selma, 2014) aparece como o cientista maluco que vai mexer no DNA humano para fazer com que a colonização da lua Titã, de Saturno, seja possível. As coisas começam da melhor maneira, com as cobaias humanas ganhando características super-humanas, como ficar muito tempo debaixo d’água e resistir a altas temperaturas. O problema são os efeitos colaterais do tratamento, que aparecem de repente e se mostram desastrosos.

Perto do meio do filme, já notamos que o rumo está bem estranho, com reações sem explicação acontecendo, exageros toscos e convenientes e atitudes cada vez menos éticas por parte do doutor e equipe. Logo entendemos que a tal solução não vai resolver nada, mas continuam insistindo nela. Quem não for perseverante já terá mudado de atração. Tanto o diretor quanto o roteirista, Lennart Ruff e Max Hurwitz, são marinheiros de primeira viagem em longas, e não foi dessa vez que marcaram pontos.

The Titan se passa no futuro e uma rápida contextualização é dada, mas muito fica no ar. Como não sabemos exatamente o que está acontecendo e os personagens são muito rasos, fica bem difícil se importar. Os coadjuvantes, então, se misturam e é impossível saber quem é quem. Se todos explodirem, tanto faz. Nada no filme é minimamente memorável e dá a entender que é muito fácil apresentar projetos para a Netflix. Eles gastam dinheiro com qualquer coisa.

Wilkinson sempre traz dignidade, mas aqui foi complicado

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Filme faz justiça a Maria Madalena

por Marcelo Seabra

Em 2016, o Papa Francisco fundou um memorial em honra de Santa Maria Madalena, reconhecendo seus esforços como evangelizadora e como primeira testemunha da ressurreição de Cristo. Tinha fim aquela visão preconceituosa de que ela era uma prostituta, alguém que teria menor valor que os demais apóstolos, criada pelo Papa Gregório (540 – 604). Aos olhos de Hollywood, essa mudança faz com que ela mereça ter sua história contada, ou esclarecida.

Coube a Garth Davis, vindo do sucesso de Lion (2016), comandar Maria Madalena (Mary Magdalene, 2018), longa que acompanha toda a jornada de Jesus Cristo pelos olhos da jovem. Ele acaba também dando maior ênfase aos apóstolos, principalmente Pedro e Judas Iscariotes. Fugindo dessa onda de filmes que pregam, como A Cabana (The Shack, 2017), Uma Razão Para Recomeçar (New Life, 2017) ou mesmo O Vendedor de Sonhos (2016), a obra busca apenas contar uma história, mostrando o lado de Maria de Magdala.

No papel principal, Rooney Mara (também de Lion) faz o que sabe melhor: passa muito com o olhar, precisando falar pouco. Em determinado momento, parece que estamos assistindo a um de seus filmes independentes usuais, com a diferença da quantidade de areia em volta e da presença de Jesus (Joaquin Phoenix, de O Homem Irracional, 2015). Ambos têm atuações bem comedidas e parecem na mesma sintonia, o que torna crível o laço que vemos se formar. Um pouco apressado, sim, mas ainda assim crível.

É bem interessante acompanhar aquela história que já conhecemos, talvez a mais famosa do mundo, por outra ótica. Aqui, não é Jesus o protagonista, e podemos ver o que acontecia à volta dele. Alguns pontos podem levantar a fúria de religiosos, que não vão concordar com a visão do cineasta. Pedro (Chiwetel Ejiofor, de Doutor Estranho, 2016) é mostrado como alguém que prezava tanto a preferência de Jesus por ele que chega a ficar com ciúmes quando Maria se aproxima. Ejiofor nunca cai nas armadilhas fáceis, evitando exageros ou caras e bocas. Ele mantém sempre uma postura muito correta, mesmo visivelmente irritado.

Outro que tem destaque é Judas (Tahar Rahim, de O Segredo da Câmara Escura, 2016), mostrado como um discípulo mais esperançoso por grandes mudanças, pela chegada do Reino de Jesus. Sua trajetória é complexa e bem construída, o que nos leva a um final que, mesmo que bem conhecido, é trágico. Os demais apóstolos podem ser confundidos por quem não os conhece a fundo, já que não recebem tanta atenção na tela. Todos, no entanto, bem limpinhos, o que é de se estranhar tendo em vista o ano e o lugar.

Apesar de monótono em alguns momentos, Maria Madalena tem uma boa história e interpretações fortes, que devem ser o suficiente para manter o interesse do público. A reconstituição de época, dos mercados e cidadelas, é primorosa, e a fotografia nos permite entender melhor a geografia do lugar. A nota triste da produção é relacionada à trilha sonora: é a última assinada pelo competente islandês Jóhann Jóhannsson (de A Chegada, 2016).

Jesus e Judas, sob outra ótica

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Programa do Pipoqueiro #22

por Marcelo Seabra

Fechando a cobertura dos maiores sucessos de trilhas sonoras das décadas, o Programa do Pipoqueiro traz os anos 2000, com vários bons filmes do período, como O Diário de Bridget Jones, Coração Louco, Gangues de Nova York, Vanilla Sky, entre outros. Aperte o play abaixo e confira!

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Spielberg volta à boa forma com Jogador Nº 1

por Marcelo Seabra

Passando alguns anos trabalhando em dramas, alguns inclusive que pouca gente viu, Steven Spielberg volta ao que sabe fazer melhor: blockbusters divertidos e com conteúdo. Por mais que a aventura seja o foco, Jogador Nº 1 (Ready Player One, 2018) trata de algumas questões mais profundas, como amor, amizade e a possibilidade de uma segunda chance. E o faz misturando com uma grande homenagem à cultura pop dos anos 80.

Logo de cara, temos Van Halen estourando as caixas de som IMAX. O sucesso Jump estabelece o clima do longa, todo baseado na década em que o inventor James Halliday (Mark Rylance, de Ponte dos Espiões, 2015) cresceu. Ele criou o OASIS, um jogo de realidade virtual aonde todos vão para fugir da dura realidade. O ano é 2045, as pessoas vivem em pilhas de caixotes de metal e têm subempregos, quando têm. O OASIS, além de escape, é fonte de renda para outros, e praticamente todo mundo tem um avatar lá.

Nosso herói, Wade Watts (Tye Sheridan, o jovem Cíclope dos X-Men), é um dos milhões que buscam os segredos (ou easter eggs) que Halliday escondeu no jogo antes de morrer. Quem encontrar os três se torna proprietário desse universo, com os trilhões de dólares que vêm junto. Diversos personagens notórios, do Cinema, Literatura e principalmente videogames, trafegam pelas ruas do OASIS. Numa batalha, é possível ver Freddy Krueger e Jason Voorhees de relance. Alguns fazem pontas, outros têm mais destaque. Um certo brinquedo assassino, por exemplo, tem aqui sua melhor participação, de toda a sua carreira cinematográfica.

Watts, que atende por Parzival (que poderia ser traduzido simplesmente Percival, como é conhecido aqui o cavaleiro da Távola Redonda) se recusa a se unir a grupos, prática comum no jogo, mas tem uns amigos que acabam valendo como um. A situação acaba se polarizando entre o protagonista e amigos e a poderosa empresa IOI, liderada pelo calculista Nolan Sorrento (Ben Mendelsohn, de O Destino de Uma Nação, 2017).

Entre as muitas homenagens, cada perfil de espectador vai reconhecer e vibrar com aquelas que conhece, já que é praticamente impossível pegar todas. O escritor Ernest Cline (também roteirista do filme, ao lado de Zak Penn) criou um universo muito rico no livro que lançou em 2011 – e que logo bateu recordes de vendagem. Algumas dessas citações são mais importantes para a trama e, por isso, mais óbvias. O Gigante de Ferro, por exemplo, deve arrancar algumas lágrimas de quem foi marcado pelo longa de 1999. A sequência inspirada por um clássico de Stephen King é perfeita!

Com visuais fantásticos, Spielberg ainda nos lembra que foi ele quem criou Jurassic Park (1993), trazendo de volta o poderoso T-Rex, numa dobradinha curiosa com King Kong. Os efeitos, visuais e sonoros, são potencializados pelos recursos IMAX, criados exatamente para esse tipo de filme. O mestre Alan Silvestri responde pela trilha (e logo poderá ser ouvido novamente, em Guerra Infinita), conseguindo variar de acordo com a referência que estiver sendo usada no momento – inclusive emulando trilhas famosas, quando necessário.

Se o público mais jovem deve se ligar mais a todos esses recursos, para os adultos (principalmente aqueles nascidos na década de 80) ficam outros detalhes e as lições, que não podem faltar num filme do diretor. Ao contrário do usual, Spielberg consegue se controlar, segurando a sacarose num nível bem aceitável. Rylance mais uma vez faz um trabalho lindo, em sua terceira parceria com o cineasta, e Sheridan reafirma ter carisma suficiente para segurar as pontas. Os demais nomes do elenco só ajudam a abrilhantar mais Jogador Nº 1, desde já uma das melhores aventuras do ano.

De Volta para o Futuro é uma das muitas referências no filme

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Lara Croft volta para mais Tomb Raider

por Marcelo Seabra

Revivendo no Cinema 15 anos após sua última aventura, Lara Croft tem mais uma vez sua história contada em Tomb Raider: A Origem (2018). Que uma boa dose de suspensão de descrença seria necessária todos já sabíamos. Mas passa bem da conta, com sequências inteiras construídas em cima de algo absurdo que nos joga para fora da ação. Nada que os longas anteriores também não fizessem, o que deixa os três mais ou menos no mesmo patamar.

O diretor norueguês Roar Uthaug tem méritos que merecem ser celebrados. As cenas de luta, por exemplo, passam mais credibilidade, enfatizando o esforço físico necessário dos envolvidos e os estragos causados. Mesmo que os ferimentos sejam esquecidos quase que imediatamente. Mas o roteiro é bem esquemático, com diversas conveniências que permitem que Lara continue em sua jornada. Ou ela seria morta logo de cara e não teríamos o filme. Há um duelo entre uma metralhadora e um arco e adivinhe qual acerta o alvo?

Quem assume a responsabilidade de dar vida à amada personagem do videogame, seguindo os passos de Angelina Jolie, é Alicia Vikander (de Jason Bourne, 2016). Forte, humilde e bem menos sexualizada, a atriz se mostra uma boa escolha para o papel, trazendo um pouco mais de realidade para a tela. Um pouco, só o tanto que o roteiro permite. Vikander carece um pouco de carisma, ainda mais se comparada com o furacão Jolie, e colocar todo um filme nas costas dela não é das decisões mais acertadas. As poucas piadas não funcionam, ela parece não ter muito jeito para a coisa.

Dentre os demais personagens, temos mais uma vez o pai de Lara tendo grande importância para a trama. Vivido por Dominic West (de Jogo do Dinheiro, 2016), Lorde Richard tem grande influência na formação do caráter da filha e é sempre mencionado. Até de forma repetitiva, já que a maldição da tal imperatriz japonesa é contada duas vezes. Quem rouba a cena quando aparece é Walton Goggins (do último Maze Runner), mesmo como um vilão clichê. O ator busca dar maior profundidade ao sujeito, e é divertido vê-lo tentar.

A Daniel Wu (de Tempestade, 2017) cabe a tarefa de pilotar o barco, quase um Han Solo meia boca. O sujeito entra na missão por dinheiro, mesmo tendo uma outra motivação, e acaba se juntando à Aliança Rebelde (algo assim). E Kristin Scott Thomas (de O Destino de Uma Nação, 2017) e Derek Jacobi (de Assassinato no Expresso Oriente, 2017) chegam para um rápido “oi” e logo somem de novo. Há um sem número de atores contratados para papéis de mercenários que nem chegam a ganhar nomes. Estão ali só para cumprir tabela e morrerem.

Algo que irrita em Tomb Raider, além das muitas situações já citadas de “sorte”, são os efeitos sonoros. Colocados em momentos nada importantes, têm por objetivo tentar arrancar um susto fácil do espectador, mesmo que não vão levar a nada. Assim como umas tomadas estilosas distribuídas ao longo da projeção. É importante ressaltar que o longa é baseado num videogame. Assim, já não se tem expectativa alguma de que vá ser algo nem perto de memorável. Talvez, dê até para se divertir.

Scott Thomas faz uma participação rápida como guardiã de Lara

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Programa do Pipoqueiro #21

por Marcelo Seabra

O Programa do Pipoqueiro fecha a década de 90 explorando os dois últimos anos, com temas de Tarzan, Segundas Intenções, Armagedom, O Mundo de Andy e muito mais! Aperte o play abaixo e divirta-se!

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