Oscar 2017 – Indicados e Previsões

por Marcelo Seabra

Em pleno domingo de Carnaval, 26/02, teremos a 89ª edição dos Academy Awards, o popular Oscar. O prêmio, entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, serve para chamar atenção para os indicados e vencedores e ainda dá uma bela valorizada nos cachês dos envolvidos. Ele tem mais relevância que alguns, como o Globo de Ouro, pela forma de escolha dos vencedores, e acaba ganhando maior cobertura da imprensa por envolver muitas celebridades.

É claro que, no fundo, acaba sendo um concurso de popularidade, mas é divertido acompanhar a cerimônia e todo o barulho que ela traz. Este ano, o anfitrião será o apresentador e comediante Jimmy Kimmel (abaixo). O campeão de indicações é o queridinho da temporada, La La Land, com 14, seguido por A Chegada e Moonlight: Sob a Luz do Luar, com oito.

Como nos anos passados, abaixo segue a lista completa de indicados em suas respectivas categorias. Marco o meu palpite do vencedor com o número 1 e o meu favorito (que infelizmente não deve ganhar) com o 2. Se coincidirem, basta um X. Todos os filmes já criticados aqui têm um link em sua primeira aparição na lista. Clique para conferir o texto completo.

Melhor Filme

Melhor Diretor

  • Denis Villeneuve – A Chegada 2
  • Mel Gibson – Até o Último Homem
  • Damien Chazelle – La La Land: Cantando Estações 1
  • Kenneth Lonergan – Manchester à Beira-Mar
  • Barry Jenkins – Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Atriz

  • Isabelle Huppert – Elle
  • Ruth Negga – Loving
  • Natalie Portman – Jackie 2
  • Emma Stone – La La Land: Cantando Estações 1
  • Meryl Streep – Florence: Quem é Essa Mulher?

Melhor Ator

  • Casey Affleck – Manchester à Beira-Mar X
  • Andrew Garfield – Até o Último Homem
  • Ryan Gosling – La La Land: Cantando Estações
  • Viggo Mortensen – Capitão Fantástico
  • Denzel Washington – Um Limite Entre Nós

Melhor Ator Coadjuvante

  • Mahershala Ali – Moonlight: Sob a Luz do Luar 1
  • Jeff Bridges – A Qualquer Custo
  • Lucas Hedges – Manchester à Beira-Mar
  • Dev Patel – Lion: Uma Jornada para Casa
  • Michael Shannon – Animais Noturnos 2

Melhor Atriz Coadjuvante

  • Viola Davis – Um Limite Entre Nós 1
  • Naomie Harris – Moonlight: Sob a Luz do Luar 2
  • Nicole Kidman – Lion: Uma Jornada para Casa
  • Octavia Spencer – Estrelas Além do Tempo
  • Michelle Williams – Manchester à Beira-Mar

Melhor Roteiro Original

  • Taylor Sheridan – A Qualquer Custo
  • Damien Chazelle – La La Land: Cantando Estações 1
  • Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou – O Lagosta
  • Kenneth Lonergan – Manchester à Beira-Mar 2
  • Mike Mills – 20th Century Women

Melhor Roteiro Adaptado

  • Eric Heisserer – A Chegada 2
  • August Wilson – Um Limite Entre Nós
  • Allison Schroeder e Theodore Melfi – Estrelas Além do Tempo
  • Luke Davis – Lion: Uma Jornada para Casa
  • Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney – Moonlight: Sob a Luz do Luar 1

Melhor  Animação

  • Kubo e as Cordas Mágicas
  • Moana: Um Mar de Aventuras
  • Minha Vida de Abobrinha
  • A Tartaruga Vermelha
  • Zootopia: Essa Cidade É o Bicho X

Melhor Documentário em Curta-Metragem

  • Extremis X
  • 4.1 Miles
  • Joe’s Violin
  • Watani: My Homeland
  • Os Capacetes Brancos

Melhor Documentário em Longa-Metragem

  • Fogo no Mar
  • Eu Não Sou Seu Negro
  • Life, Animated
  • O.J.: Made in America 1
  • 13ª Emenda 2

Melhor Longa Estrangeiro

  • Terra de Minas (Dinamarca)
  • Um Homem Chamado Ove (Suécia)
  • O Apartamento (Irã)
  • Tanna (Austrália)
  • Toni Erdmann (Alemanha) X

Melhor Curta-Metragem

  • Ennemis Intérieurs X
  • La Femme et le TGV
  • Silent Nights
  • Sing
  • Timecode

Melhor Curta em Animação

  • Blind Vaysha
  • Borrewed Time
  • Pear Cider and Cigarettes
  • Pearl
  • Piper X

Melhor Canção Original

Melhor Fotografia

  • Bradford Young – A Chegada 2
  • Linus Sandgren – La La Land: Cantando Estações 1
  • Greig Fraser – Lion: Uma Jornada para Casa
  • James Laxton – Moonlight: Sob a Luz do Luar
  • Rodrigo Prieto – Silêncio

Melhor Figurino

Melhor Maquiagem e Cabelo

Melhor Mixagem de Som

Melhor Edição de Som

Melhores Efeitos Visuais

  • Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington e Burt Dalton – Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
  • Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli e Paul Corbould – Doutor Estranho
  • Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon – Mogli: O Menino Lobo 1
  • Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff – Kubo e as Cordas Mágicas
  • John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel e Neil Corbould – Rogue One: Uma História Star Wars 2

Melhor Design de Produção

Melhor Edição

  • Joe Walker – A Chegada 2
  • John Gilbert – Até o Último Homem
  • Jake Roberts – A Qualquer Custo
  • Tom Cross – La La Land: Cantando Estações 1
  • Nat Sanders e Joi McMillon – Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Trilha Sonora

  • Mica Levi – Jackie
  • Justin Hurwitz – La La Land: Cantando Estações X
  • Dustin O’Halloran e Hauschka – Lion: Uma Jornada para Casa
  • Nicholas Britell – Moonlight: Sob a Luz do Luar
  • Thomas Newman – Passageiros

Os atores e atrizes vencedores em 2016

 

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Denzel Washington leva Cercas ao Cinema

por Marcelo Seabra

Uma cerca pode manter o inimigo afastado, mas pode servir para não deixar escapar quem está dentro. E há aquela imaginária, que pode isolar uma pessoa das outras. Os usos podem ser vários, e as metáforas também. Essa é a ideia do título original de Um Limite Entre Nós (Fences, 2016), que poderia simplesmente ter sido chamado Cercas. Denzel Washington e Viola Davis, ambos premiados por suas atuações na peça teatral, reprisam seus papéis como o casal de protagonistas, e Washington ainda assumiu a direção.

A peça, escrita em 1983, é de August Wilson e faz parte de uma série que gira em torno de um mesmo tema: a experiência de afro-americanos nos Estados Unidos e as relações entre as raças. Por isso, desde que se falou em uma adaptação para o Cinema, Wilson sempre exigiu que o diretor fosse afro-americano. Os planos só saíram do papel com o interesse de Washington, que levou o texto à Broadway em 2010 e assumiu a direção do filme, seu terceiro. Wilson, que morreu em 2005, deixou o roteiro pronto. Poucas adaptações foram feitas por Tony Kushner (de Lincoln, 2012), que acabou creditado apenas como produtor.

O texto acompanha o falastrão Troy Maxson (Washington) na Pittsburgh dos anos 50. Tendo saído de casa cedo, ele começou a roubar, foi preso e o conhecemos quando sua vida parece nos eixos. Vivendo com uma boa esposa (Davis) e o filho adolescente (Jovan Adepo, de The Leftovers), ele divide seus dias entre a casa e o trabalho como lixeiro, junto do amigo Jim Bono (Stephen McKinley Henderson, de Manchester à Beira-Mar, 2016). Troy é o tipo do sujeito cheio de verdades, que bate de frente com quem pensa diferente, o que faz com que a sua esposa tenha que aguentar alguns comportamentos reprováveis. Ainda participam dessa rotina o filho mais velho de Troy (Russell Hornsby, também da peça) e o irmão (Mykelti Williamson, de 12 Horas para Sobreviver, 2016), que voltou da guerra deficiente mental.

Talvez pela experiência prévia dos envolvidos, ou devido ao roteiro ter sido escrito por um teatrólogo, o filme mantém o caráter de teatro. Com um cenário repetitivo, os personagens circulam por ali declamando seus textos. Os atores estão ótimos, principalmente o casal principal. Washington dá vigor e carisma a um sujeito com várias e gritantes imperfeições, e só um intérprete desse calibre para trazer simpatia a alguém tão centrado em si mesmo e em suas histórias. Davis faz a esposa que ama o marido apesar de tudo, valorizando as qualidades dele e superando o resto, sendo inclusive a ponte entre ele e os filhos.

Apesar de muito bem escrito, com diálogos bonitos, Um Limite Entre Nós se torna cansativo. A admiração de Washington pelo texto de Wilson é óbvia, mas ele não sabe como lidar. Enquanto há muita falação, falta ação, e as discussões se estendem por duas horas e vinte minutos, muito mais do que o necessário. São tratados temas importantes, como o lugar do negro na sociedade – que deveria ser qualquer um, mas não era – e a hipocrisia de quem prega uma coisa e faz outra, sempre se justificando para parecer correto. Mas o resultado deve ter funcionado melhor no teatro.

O casal principal no teatro

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Garoto cresce Sob a Luz do Luar

por Marcelo Seabra

A vida de todo mundo daria um filme. Uns seriam mais interessantes que outros, claro. Essa é a conclusão que fica ao final da sessão de Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016). O longa, badalado na temporada de premiações e que já acumula algumas estatuetas, acompanha um garoto enquanto ele cresce em meio às dificuldades da vida pobre no sul da Flórida. O fato de ser realizado prioritariamente por negros traz mais verdade às situações, mas o acúmulo de temas tumultua, enquanto a falta de reação do protagonista pode cansar o espectador.

Vivido por três atores em momentos diferentes da vida (Alex Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes), Chiron é filho de uma mãe viciada (Naomie Harris, de 007 Contra Spectre, 2016) e pai desconhecido. Um dia, sem razão alguma, ele aceita a companhia de um desconhecido (Mahershala Ali, de Estrelas Além do Tempo, 2016 – abaixo) e vai comer com ele. O tal sujeito acaba se tornando a figura paterna que faltava, e se mostra carinhoso e compreensivo com o menino. É interessante notar que Paula, numa ótima atuação de Harris, é uma vítima por ser drogada, mas maltrata o filho tanto que ele prefere ficar fora de casa. Já Juan, o pai postiço, é o traficante que fornece para Paula e ajuda a dificultar o ambiente domiciliar dela, provendo ao garoto um muito melhor – com a namorada, Teresa (Janelle Monáe, também de Estrelas). Nada premeditado, mas está tudo conectado e os papéis, invertidos.

Crescendo em meio a essa situação, a mãe de um lado, Juan e Teresa de outro, Chiron sofre nas mãos de fortões por ser miúdo e ter trejeitos que indicam uma possível homossexualidade. O roteiro ainda dá uma forçada no estereótipo colocando o menino, antes calado e tímido, se soltando em uma aula de dança. Para, na sequência, voltar a ser o amuado de sempre. O relacionamento com os colegas não é muito fácil, o que o faz ser solitário e se fechar cada vez mais. E assim o acompanhamos ao longo de poucos anos, quase como um novo Boyhood (2014), e conferimos os caminhos seguidos por ele.

Assim como no igualmente muito falado Precious (2009), várias características dramáticas se sobrepõem, tornando o resultado um pouco exagerado. Duas coisas parecem ter trabalhado a favor de Moonlight: a precisão de seu diretor e roteirista, Barry Jenkins (de Medicine for Melancholy, 2008), tecnicamente impecável, e as atuações, todas niveladas por cima. Jenkins, que baseou o roteiro na peça de Tarell Alvin McCraney, faz opções elegantes e cria cenas poéticas, além de conduzir bem seus três Chirons, para que eles mantenham traços similares e ainda demonstrem uma evolução. Ali, muito elogiado e premiado por seu trabalho, não faz muito além de repetir maneirismos vistos em Luke Cage, só muda de figurino. A risada pausada, o jeito calculado de ser ameaçador… Tudo em sua composição lembra projetos anteriores, além de passar pouquíssimo tempo em cena. Mesmo assim, levou o prêmio do Sindicato dos Atores e é favorito ao Oscar como Melhor Ator Coadjuvante.

Tendo agradado a crítica de uma forma devastadora e com altíssimo aproveitamento em sites agremiadores, Moonlight tem uma bela carreira pela frente nos cinemas. Uma pena que, ao invés de aproveitar o barulho do Oscar, com suas oito indicações, a Diamond Films Brasil tenha optado por uma estreia três dias antes da premiação. Quem quiser formar opinião para dar palpites entre os indicados vai ter um prazo curto.

Os três atores que vivem o protagonista, lado a lado

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Filme de terror promete uma Cura

por Marcelo Seabra

Pela primeira vez em sua carreira, o diretor Gore Verbinski faz juz ao seu nome e vai à loucura com um filme de terror. Com A Cura (A Cure for Wellness, 2016), ele chega mais longe que em O Chamado (The Ring, 2002), compondo uma obra que deixaria a produtora Hammer orgulhosa. Bebendo em clássicos do Cinema B e misturando temas caros ao gênero, como o cientista maluco, casas assombradas e conspirações, o diretor consegue surpreender o público dando algumas viradas loucas na história. Podem não gostar dos rumos tomados, mas ninguém pode dizer que seja previsível. Ou que faltou coragem.

Quanto menos for dito sobre a história, melhor. Trata-se apenas de um jovem executivo americano que deve viajar aos Alpes Suíços para trazer de volta um dos diretores da empresa para que uma fusão seja autorizada e todos ganhem muito dinheiro. O tal veterano foi para um resort caríssimo em férias e decidiu não voltar mais. O que teria acontecido lá? Seria esse lugar como o Hotel California, da música dos Eagles, de onde “você pode fazer o check out, mas não consegue sair”? O título original completo dá uma ideia do que fazem por lá: uma cura para o bem estar.

Como protagonista, temos Dane DeHaan, que viveu James Dean recentemente, em Life (2016). O trabalho do ator é bem competente, mudando de postura de um momento para o outro, e é complementado por uma boa maquiagem. Outro que está em boa forma é Jason Isaacs, o cientista da série The OA. No filme, ele vive o diretor do instituto, alguém que acredita no uso das faculdades medicinais da água local para o tratamento de diversas doenças. Como todos os demais, ele sempre tem um jeito suspeito, e alguns funcionários chegam a ser caricatos. A qualquer momento, Vincent Price poderia aparecer. Ou Bela Lugosi, Peter Cushing… Completando o clima de estranheza, temos Mia Goth (de Evereste, 2015), uma garota que mais parece uma assombração.

Como ponto negativo de A Cura, podemos apontar a duração. É uma história que poderia ser mais simples e divertida se fosse mais objetiva, com muito menos que suas duas horas e 26 minutos. Mas não deixa de ser interessante que Verbinski tenha conseguido um orçamento de US$40 milhões, e nem foi na Universal, estúdio que vem à mente quando se pensa em filmes de terror – caso de Arraste-me para o Inferno (Drag Me to Hell, 2009). Vamos ver se a Fox consegue reaver seu investimento.

Isaacs e Goth completam o elenco

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Indiano se perde da família e chega no Oscar

por Marcelo Seabra

Mais um dos destaques do Oscar, acumulando um total de seis indicações, chega aos cinemas essa semana. Lion: Uma Jornada para Casa (2016) está entre os nove melhores filmes do ano, segundo a Academia, e narra uma história real que deve fazer muita gente derramar lágrimas. É daquele tipo que todos sabem como começa e como termina, mas o durante é o mais importante. Tem gente achando que a badalação se deve ao trabalho dos irmão Weinstein, notórios lobistas de premiações, mas o longa de fato tem seus méritos.

No início, temos uma cidadezinha da Índia, onde um garotinho e seu irmão procuram formas de ganhar dinheiro. O elenco dessa primeira parte é cativante, com destaque para o pequeno protagonista, Sunny Pawar (abaixo), um achado de tão adorável. Quando ele se perde do irmão, e passa por algumas atribulações, a história dá um salto e o vemos como um adulto que leva sua vida na Tasmânia, com os pais adotivos, até que começa a ver meios de buscar sua família perdida. A versão mais velha do personagem é vivida por Dev Patel (dos dois Exótico Hotel Marigold), que dá continuidade à saga de forma bem competente.

Baseado no livro do próprio Saroo Brierley, o roteiro de Luke Davies (de Life: Um Retrato de James Dean, 2015) até consegue desenvolver bem o que seria um fiapo de trama, rendendo o suficiente para ocupar duas horas de modo que não fique cansativo. É compreensível que a falta de formas para encontrar a família de sangue tenha feito o sujeito desistir, para não ficar alimentando esperanças de algo que ele julgava impossível. Mas o filme mostra como se aquela busca tivesse se tornado uma obsessão repentina, o que ficou um tanto estranho. Com medo de magoar a mãe adotiva, ele faz tudo em segredo, e é aí que Nicole Kidman (de O Mestre dos Gênios, 2016) tem oportunidade de brilhar mais.

É inexplicável como Patel recebeu várias indicações, e até venceu o BAFTA, como Melhor Ator Coadjuvante. Com o rosto estampado no cartaz, ele é claramente o ator principal. A indicação como Melhor Atriz Coadjuvante de Kidman, sim, é correta, podendo-se aí discutir se a interpretação era realmente merecedora de tanto barulho, com outras grandes que acabaram de fora. No caso de Patel, é jogada pura dos produtores para que ele tenha mais chance, já que na categoria principal a briga é mais feroz. Se ele é coadjuvante, pode-se concluir que o filme não tem um ator principal. Rooney Mara (de Carol, 2015) e David Wenham (de 300: A Ascensão do Império, 2014) completam o elenco, tendo pouco a fazer. A indiana Priyanka Bose vive a mãe biológica de Saroo.

Com a experiência adquirida em comerciais de TV e como assistente na minissérie Top of the Lake, Garth Davis faz com Lion sua estreia no Cinema e já levou o prêmio para iniciantes do Sindicato dos Diretores. Com uma montagem adequada e uma bela fotografia, ele costurou tudo e ainda conseguiu fazer bom uso do Google Earth, ferramenta fundamental na busca de Saroo. E não ficou com cara de marketing, o que é o melhor. É apenas mais uma peça em um filme redondinho, correto.

Nicole Kidman responde por uma das seis indicações ao Oscar

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Pitt e Cotillard são Aliados na Segunda Guerra

por Marcelo Seabra

Em temporada de Oscar, filmes com poucas ou nenhuma indicação tendem a passar longe dos cinemas, deixando as salas para os mais badalados. Mesmo assim, a Paramount decidiu lançar Aliados (Allied, 2016), que teve apenas seu figurino indicado pela Academia e ao BAFTA. A ideia é que o elenco estrelado e o diretor premiado chamem o espectador estrangeiro, consertando assim o buraco que ficou pela falta de bilheteria nos Estados Unidos. Parece que os americanos não são muito favoráveis a um thriller de guerra à moda antiga.

Quando se fala em filme de guerra, logo se imagina corpos estraçalhados, sangue e tudo o mais que se vê em um campo de batalha. O próprio Brad Pitt viu muito disso (Bastardos Inglórios e Corações de Ferro que o digam) recentemente em sua carreira, e Marion Cotillard teve sua cota em Macbeth (2015). Aqui, os dois aparecem juntos num filme que poderia facilmente ser dividido em duas partes, que se chamariam: Missão Casablanca e Intriga em Londres. A primeira parte serve para estabelecer o casal, mostrando como eles se conheceram e suas habilidades, um preparativo para a segunda. Talvez, esse tenha sido um motivo da não aceitação do público: uma longa e previsível introdução para entrar no que, digamos assim, é o que importa. O outro seria a falta de tiroteios e sangue.

O filme começa em 1941, com Max (Pitt) chegando na parte francesa do Marrocos, dominada pelos nazistas em plena Segunda Guerra Mundial. Ele deve se encontrar com Marianne (Cotillard) para que o belo e fictício casal vá a uma festa eliminar um alvo importante. Um tempo depois, vivendo uma vida familiar no serviço burocrático, Max recebe uma notícia que vai perturbar o casal. É muito interessante notar, aí, a mudança pela qual o rosto de Pitt passa. Antes, ele é um espião padrão: seguro, impiedoso, sem demonstrar emoções. Depois, a sua preocupação é visível, e ele mais uma vez mostra ser um ator muito competente. Cotillard não fica atrás, vivendo a mulher descrita como “o coração da festa”. Muito alegre e comunicativa, ela muda drasticamente quando necessário.

A química entre os protagonistas foi alvo de críticas da imprensa especializada. Mas o calor de Cotillard e o jeito objetivo de Pitt, sempre com um olhar carinhoso, estão em perfeita sintonia. Completando o elenco, em participações dignas de lembrança, estão os ingleses Jared Harris (de O Agente da U.N.C.L.E., 2015), Simon McBurney (de Invocação do Mal 2, 2016) e Matthew Goode (de Downton Abbey), além da americana Lizzy Caplan (de Masters of Sex).

Na direção de Aliados está o veterano Robert Zemeckis, que assina dos já clássicos De Volta para o Futuro (1985) e Uma Cilada para Roger Rabbit (1988) aos recentes O Voo (2012) e A Travessia (2015), passando por Forrest Gump (1994) e Contato (1997). Ou seja: alguém que sabe bem o que faz e não precisa provar nada pra ninguém. O cineasta pertence à turma chamada “old school”, ou a velha guarda, aqueles que regem uma orquestra de forma clássica e dificilmente erram a mão. Em Revelação (2000), Zemeckis tentou emular o estilo do mestre Hitchcock, mas só se aproximou disso aqui. Com paisagens lindas na fotografia de Don Burgess e uma trilha sonora na medida, como de costume para Alan Silvestri (ambos de Forrest Gump), só faltava um roteiro que envolvesse troca de identidades. E é isso que fornece Steven Knight, o habilidoso roteirista de Locke (2013) e Senhores do Crime (2007), inspirado em espiões reais. Falta um pouco do suspense de um Intriga Internacional (1959) ou um Interlúdio (1946), mas o resultado é bem satisfatório.

Zemeckis coordena seus astros

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Legion é o novo mutante da TV

por Marcelo Seabra

Com o sucesso das adaptações de quadrinhos para o Cinema e TV, qualquer coisa que venha dessa mídia causa expectativa. Não seria diferente com Legion (2017), nova série do canal a cabo FX que chegou ao Brasil um dia após a estreia norte-americana, na semana passada. Baseada em um personagem ligado aos X-Men, a atração teve um primeiro episódio visualmente atrativo, com um roteiro que lança várias pontas que devem prender o espectador.

Criada por Noah Hawley (de Fargo), a série nos apresenta a David Haller (Dan Stevens), um sujeito que parece perturbado por uma doença mental. Ele ouve vozes e vê coisas que não estão lá, e por isso passa uma temporada num hospital psiquiátrico. O primeiro episódio se passa, basicamente, nessa instituição, e conhecemos alguns dos demais internos, assim como o médico que cuida deles. David se interessa na hora que bate os olhos em Syd (Rachel Keller, de Fargo), e os dois vão se envolver em uma luta que chegará a pessoas perigosas ligadas ao governo.

Cronologicamente, esse primeiro capítulo é desafiador, com a trama indo e voltando no tempo. Nada complicado de acompanhar, mas é o principal alvo das críticas que surgiram. No entanto, é fato que a série foge de todas as fórmulas de heróis que conhecemos, se afastando de tudo que já existe na TV e Cinema. É muito mais adulta e interessante que, por exemplo, Agents of SHIELD e toda a programação do CW. E tem um protagonista seguro e competente na pele de Stevens, ator descoberto em Downton Abbey e que já tem outros projetos enfileirados, como o novo A Bela e a Fera.

Nos quadrinhos, criação do escritor Chris Claremont e do desenhista Bill Sienkiewicz, Legião é um mutante poderoso que descobre ser filho do Professor Charles Xavier, líder e fundador dos X-Men. Um trauma na infância faz com que sua personalidade se divida e cada um dos novos “indivíduos” domina uma parte dos poderes dele. Nada disso apareceu na série ainda, e é cedo para dizer se vai, mas o que percebemos é que Haller é um narrador pouco confiável, que não sabe bem o que é real e o que não é. Se o público fica perdido em algum momento, certamente o protagonista também está. Nessa quinta-feira, um dia após a exibição nos Estados Unidos, poderemos acompanhar o desenrolar da história.

Nos quadrinhos, Legião se mostra um mutante extremamente poderoso

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Batman ataca no universo LEGO

por Marcelo Seabra

Depois que Zack Snyder assumiu o controle criativo dos filmes da DC e ajudou a afundar os personagens clássicos da editora, seria difícil ver algo que prestasse. Foi preciso que os responsáveis por Uma Aventura Lego (The Lego Movie, 2014) colocassem novamente as mãos à obra e fizessem LEGO Batman: O Filme (The LEGO Batman Movie, 2017), um longa inteiro para brincar com o Homem-Morcego, como fizeram rapidamente no anterior. Agora, eles puderam ir mais fundo na paródia, estraçalhando a imagem sombria e subvertendo vários clichês relacionados ao herói.

Brincando com todas as encarnações de Batman no Cinema, de Tim Burton ao recente Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016), os roteiristas fazem referências mais e menos óbvias. É citada a armadilha que o Coringa cria com os dois barcos em O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008), assim como a fuga de Bruce Wayne com uma bailarina russa (do mesmo filme). Bane tem a mesma voz de velhinho inglês criada por Tom Hardy na conclusão da trilogia de Christopher Nolan. A Gotham City montada com legos parece a cidade idealizada por Joel Schumacher, cheia de cores e construções inusitadas. E algumas das melhores piadas vão ainda mais longe e chegam à série de TV dos anos 60, aquela dos malfadados “POW” e “BLAP” que apareciam na tela a cada golpe desferido nos criminosos.

Os vilões que vemos em LEGO Batman são um show à parte. Ressuscitando gente como Rei Tut, são aproveitados personagens de várias mídias e épocas, e até alguns são inventados, compondo um grupo muito interessante. E o principal, como não poderia ser diferente, é o Coringa, que busca a aceitação de Batman de que os dois são arqui-inimigos. Ele quer algo como dar um passo à frente na relação, que seu antagonista admita que ele é o mais importante da rica galeria de vilões. Para isso, o Palhaço do Crime recruta todos os demais para explodir Gotham. Mais um dia na vida dessa violenta cidade.

O tema principal do filme é a importância de se trabalhar em equipe. Joga-se muito com a ideia de cavaleiro solitário de Batman, que nunca precisa de ajuda ou parceiros. “Não tenho relações”, como ele mesmo diz (referindo-se, em inglês, ao sufixo ship, de relationship). Além dessa suposta relação com o Coringa, o protagonista ainda precisa lidar com o recém adotado Dick Grayson, estabelecendo aí três gerações de uma família improvisada: o mordomo Alfred, Bruce e Dick. Bruce, após a morte dos Waynes, passou a ter grande dificuldade para aceitar ser parte de uma família, e é isso que o filme vai trabalhar. Sempre com muito humor, vale lembrar. A forma como Dick entra na história e acaba descobrindo o segredo de Bruce é hilária. E, ao contrário do que acontece nos filmes live-action, em que os atores querem que seus rostos apareçam o máximo possível, Batman não tira a máscara nem para nadar!

Mais uma vez, observamos o problema da dublagem quando se trata de animações. Não que o trabalho dos dubladores nacionais seja ruim – não é. Mas não há opção para o público que prefere ver com o áudio original. Para quem conhece Will Arnett de séries como Arrested Development, é ainda mais engraçado ouvi-lo como essa versão convencida e fodona do Batman, murmurando como Christian Bale. E ter Michael Cera, que era da mesma série, como Robin, potencializa o humor. O Coringa talvez seja o melhor trabalho da carreira de Zack Galifianakis (da trilogia Se Beber, Não Case), e temos alguém do calibre de Ralph Fiennes (de Ave, César, 2016), com seu forte sotaque inglês, fazendo o Alfred. E a lista de talentos famosos é grande: Rosario Dawson, Conan O’Brien, Channing Tatum, Jonah Hill, Hector Elizondo, Mariah Carey, Zoë Kravitz, Eddie Izzard, Seth Green, Jemaine Clement, Adam Devine, entre outros.

A produção teve o cuidado de convidar Billy D. Williams, que viveu Harvey Dent no Batman de 1989, para dublar o Duas-Caras! Até a Siri, a voz que ouvimos nas mensagens de iPhones, é usada. Tudo isso é perdido na versão brasileira. Felizmente, fora a inserção de um ou outro termo local, como “malandramente”, a maior parte do conteúdo original é mantida, como o acertado questionamento de Barbara Gordon, que queria chamar o Batman de Batboy.

Mais uma vez, Bane soa como um velhinho inglês

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Moana é Disney em ótima forma

por Marcelo Seabra

Moana

Moana (2016) é a nova animação da Disney e conta com mais uma mulher forte, que não precisa de homens para resolver seus problemas. O estúdio segue firme na louvável direção do empoderamento feminino, que já vinha demonstrando com suas animações passadas, e é um festival de cores que vai ganhar a atenção dos menores. Ao contrário do que o número de diretores – quatro – e de roteiristas – oito – parece indicar, o filme é coeso, enxuto e traz belas mensagens de preservação ambiental, auto-confiança e luta pelo bem comum.

A história, baseada em lendas da região da Polinésia, acompanha a filha do chefe de uma tribo nas questões que surgem enquanto ela se torna mais velha e consciente das necessidades de seu povo. Apesar de, na prática, ser a princesa deles, Moana recusa esse título – o que é curioso, já que a Disney tem toda uma tradição com suas princesas. Para restabelecer o ecossistema local e todos voltarem a ter alimento, a garota, contra os apelos do pai, deve devolver ao local de origem uma pedra que seria o coração de uma divindade que representa a natureza. Para a missão, ela precisa da ajuda da pessoa que roubou a tal pedra, o semideus Maui, um ser que vive recluso em uma ilha desde que perdeu a fonte de seus poderes.

Moana Maui

Os cenários e animais que vemos na tela parecem saídos da imaginação de Lewis Carroll, criador de Alice e seu país de Maravilhas. Tudo é muito engenhoso, apesar de às vezes não muito prático e sem muita necessidade para o andamento da história. Mas, por mais que sejam dispensáveis, esses elementos são divertidos, como os piratas que eles encontram no meio da viagem. De uma forma geral, o roteiro é bem fluido e diverte tanto pais quanto filhos, o que fica claro ao final da sessão.

Analisando o passado dos estúdios Disney, principalmente Enrolados (Tangled, 2010) e Frozen (2013), é fácil perceber que Moana não inova a fórmula. Temos uma heroína de atitude, mas um pouco ingênua, devido à criação e proteção; e um coadjuvante convencido, acostumado a salvar damas em perigo. Claro que os dois entrarão em choque até que a dinâmica entre eles se acerte. Um rompimento trará dúvidas, mas ela vai até o fim. E, mesmo notando que o passo a passo é basicamente o mesmo, a Disney mostra que a prática leva à perfeição, acertando qualquer possível aresta. Normalmente, muitos roteiristas e diretores envolvidos é sinal de bagunça, o que felizmente não é o caso aqui.

Entre os dubladores de Moana, os nomes mais reconhecíveis são os de Dwayne “The Rock” Johnson (de Terremoto, 2015), que faz Maui, e Temuera Morrison, o Boba Fett do universo de Star Wars, vivendo o chefe Tui. The Rock casa bem com o tipo espalhafatoso de Maui, e a animação das tatuagens do sujeito são fantásticas. Tecnicamente, o longa é impecável, com texturas realistas e movimentos, principalmente do vento e da água, que dificilmente vemos por aí. E os talentos vocais são a cereja do bolo, com a novata havaiana Auli’i Cravalho no papel principal, e ainda canta as canções. Elas não podiam faltar, e se misturam muito bem à trama. Cortesia de Lin-Manuel Miranda, competente compositor do teatro que assina as letras. Algumas vão te seguir por muito tempo.

Os efeitos que envolvem água são impressionantes

Os efeitos que envolvem água são impressionantes

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O Chamado ganha continuação tardia

por Marcelo Seabra

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Se a continuação já era dispensável, o que dizer de O Chamado 3 (Rings, 2017)? Doze anos depois, a história de Samara Morgan continua, e foi preciso inventar muita coisa para ter sentido fazer outro filme. E, ainda assim, faltou conteúdo, suspense e interesse. O espanhol F. Javier Gutiérrez até tenta modernizar a história e criar apelo visual, mas fica difícil conseguir algum avanço sem conteúdo, o que prova que a garota do poço já foi exaurida.

Todos conhecem a lenda urbana da menina que aparece sete dias após você assistir à fita e te mata. Houve uma época em que a americanização dos terrores japoneses estava em alta e, para todo lado, tinha aqueles meninos de cabelo preto fazendo uns barulhos estranhos e se movendo de maneira errática. No meio dessa moda, chegou aos cinemas a nova versão de Ringu, romance de Kôji Suzuki. O Chamado (The Ring, 2002) fez barulho suficiente para originar uma sequência em 2005, e a franquia parecia ter morrido ali. Mas por que deixar a menina no fundo do poço, quietinha, se pode-se ganhar mais alguns trocados?

Rings movie

O novo nome original inova apenas incluindo um plural, que pode ser traduzido como anéis. Não deixa de ser interessante, já que aquela marca redonda, iluminada sobre um fundo negro, passa a ter outra conotação. Há um casal pós adolescente para iniciar a trama, um mais insosso que o outro. E convidaram um ator conhecido, do sucesso da TV The Big Bang Theory, para tentar chamar atenção. Johnny Galecki vive Gabriel, um professor universitário que estuda o “fenômeno” Samara e joga seus alunos pras cobras usando-os como cobaias. Andando por uma feira de rua, o sujeito tem a brilhante ideia de comprar um vídeo-cassete usado e ganha de brinde uma fita com uma etiqueta: “Me assista”. Sabemos de onde vem a fita devido à introdução, parte menos chata do longa.

É óbvio, nos dias de hoje, que quem dependesse de um vídeo-cassete para sobreviver iria morrer rapidinho. Por isso, outra inovação do roteiro – escrito a seis mãos – é permitir a digitalização do vídeo maldito, tornando mais fácil a cópia, o transporte e a viralização. E, claro, possibilitando mais continuações para encher a paciência do desavisado que for ao cinema. Não há qualquer aspecto técnico que chame a atenção, apenas os cenários escuros de sempre, com igrejas, cemitérios e cidadezinhas. Foi preciso colocar água no feijão e criar mais passado para Samara, para que possa haver uma investigação, o que aproxima esse filme do primeiro. E as regras daquele universo vão sendo dobradas de acordo com a necessidade.

O mistério que os personagens parecem proteger, ao mesmo tempo em que jogam informações no ar, irrita com pouco tempo de projeção. É um segredo, mas pode-se dar pistas e deixar recados com terceiros, numa tentativa vã de criar curiosidade no espectador. Os diálogos, altamente expositivos, deixam mais do que claro o que está acontecendo, com tudo muito explicadinho. E a busca dos protagonistas por respostas acaba levando-os a uma figura proposital e forçadamente enigmática, vivida por um Vincent D’Onofrio (de Sete Homens e Um Destino, 2016) extremamente canastrão. A única curiosidade, de fato, é a atriz que vive Samara dividir o sobrenome com ela: Bonnie Morgan, numa versão mais velha.

A presença de Galecki não é suficiente para atrair atenção

A presença de Galecki não é suficiente para atrair atenção

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