Elvis ganha vida na primeira cinebio para o Cinema

Diversos artistas ganham cinebiografias todos os anos e permanecia o mistério: cadê o Elvis Presley no Cinema? Na TV, ele já teve algumas encarnações, como Kurt Russell (1979) e Jonathan Rhys Meyers (2005), seja em filme ou minissérie, e documentários também não faltam (como The Searcher, 2018). Outra possibilidade, que funciona muito bem, é contar um episódio fechado, como em Elvis & Nixon (2016), com Michael Shannon no papel do Rei do Rock. O diretor e roteirista Baz Luhrmann resolveu encarar o desafio e finalmente chega essa semana, às salas de todo o Brasil, Elvis (2022).

Com vários longas na bagagem, sempre lembrado pela extravagância de seus cenários e figurinos, Luhrmann usa toda a sua experiência para contar uma história muito rica e interessante, talvez interessante demais para caber em um filme apenas (mesmo que longo, com 2h40). Se o diretor comete um pecado, é o de passar correndo por muita coisa e deixar episódios importantes de lado. Parte do que é mostrado é costurado rapidamente, como se fosse obrigação mostrar, mesmo que não houvesse tempo para isso. As cenas exibidas ao final ajudam a abarcar o máximo possível de momentos memoráveis, como o programa gravado com Frank Sinatra.

Fora a correria, que é normal em obras que tentam abraçar o mundo, o Elvis de Luhrmann cumpre bem o seu intento principal: fazer um retrato do artista e focar em sua relação com o empresário. Já começamos acompanhando a narração do Coronel Tom Parker. Que não era coronel, não era Tom, nem mesmo Parker. Foi fundamental contar com o peso de um ator como Tom Hanks, vencedor de Dois Oscars (por Filadélfia, 1993, e Forrest Gump, 1994) e indicado a outros quatro. Hanks constrói um personagem complexo, demonstrando com a mesma facilidade a faceta “paizão”, numa relação afetuosa, e a gananciosa, que não titubeava para explorar seu “menino” mais um pouco.

Tendo uma figura forte para viver Parker, era imperativo ter outra para fazer o protagonista. Austin Butler foi um grande achado. Saindo de Era Uma Vez Em… Hollywood (2019), ele foi escolhido em meio a vários candidatos (como Harry Styles e Ansel Elgort) e passou muito tempo se preparando, estudando todo material que conseguiu do Elvis. Ele atua, canta, dança e nos convence de que é de fato Elvis Presley, sendo um ótimo contraponto a Hanks. Com dois ótimos atores à frente, fica mais fácil entender a dinâmica entre eles.

Na montagem, temos Matt Villa e Jonathan Redmond, dupla que já trabalha com Luhrmann há tempos e montou O Grande Gatsby (The Great Gatsby, 2013), a cinebiografia de outra celebridade, esta ficcional. Gatsby e Moulin Rouge (2001) são evocados aqui e ali, com a ajuda da fotografia de Mandy Walker (de Austrália, 2008), que explora bem as cidades por onde as filmagens passam. Outro ponto fundamental era ter os direitos de uso das canções, e há várias, usadas em cenas muito acertadas.

Em entrevistas recentes, Priscilla Presley, ex-esposa de Elvis, se disse emocionada após assistir ao filme, e há várias fotos dela com Luhmann, Butler e companhia. A filha do cantor, Lisa Marie, e a neta, Riley Keough, também se pronunciaram a favor. Críticas positivas têm prevalecido, apesar de alguns profissionais terem colocado ressalvas. Se Elvis não é um filme perfeito – e os fãs mais xiitas vão apontar vários defeitos – tampouco é menos que soberbo. Deve agradar também quem não conhece Elvis direito, dando uma boa visão sobre a vida, a carreira e as músicas.

Elvis, Priscilla e demais personagens foram muito bem retratados

Sobre Marcelo Seabra

Marcelo Seabra - Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é o criador de O Pipoqueiro. Tem matérias publicadas esporadicamente em sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena. Twitter - @SeabraM | Instagram - @opipoqueiroseabra
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