Entre gafes e reações de (im)paciência

Eduardo de Ávila Para alguns poucos, ainda um rapaz que teima por permanecer adolescente. Para muitos, um velho – exótico e ousado – que insiste em se manter jovem. Considero sim que nessa fase dos tempos, com a idade que alcancei, consigo surfar entre moças e moços de todas as idades. Na verdade desde os meus primeiros tempos, ainda que tendo minha turma escolar e … Continuar lendo Entre gafes e reações de (im)paciência

BH, a capital nacional do Coito Interrompido

Tadeu Duarte tadeu.ufmg@gmail.com Belo Horizonte se consolida como a quarta capital mais rica do país e consegue, ao mesmo tempo, preservar seus ares e tradições de Curral del-Rei. Prova disso são as novas datas comemorativas que entrarão no calendário da cidade a partir de 2026. Em sintonia com a valorização de nossa cultura patriarcal, o vereador do Partido Liberal Wanderley Porto (PRD) propôs a criação … Continuar lendo BH, a capital nacional do Coito Interrompido

Eu vi, viu?

Silvia Ribeiro Que bom que você chegou. Você não tem ideia de quantas vezes eu ouvi o eco da sua presença, e discretamente, tive que sair de cena para não me perder na inutilidade de tudo. Dentro das minhas convicções mais profundas eu sabia que você chegaria. Ainda que, me sentisse açoitada pelo tempo de forma desleal, sempre habitei esse lugar revolucionário de encantos e … Continuar lendo Eu vi, viu?

Cães e gatos

Mário Sérgio Quando alguém, até recentemente, era chamado de cachorro, sentia-se, naturalmente, ofendido. A intenção era essa. Todavia, atualmente talvez a percepção esteja sendo mudada, adaptada aos tempos. A humanização dos animais é uma realidade. Tenho certa dificuldade em cuidar de animais. Entendo que necessitam de atenção e cuidados que não estou à altura de oferecer. Admiro os capazes desse desprendimento em prol dos pets. … Continuar lendo Cães e gatos

Quem é você?

Rosangela Maluf Aquela foto no porta retratos me olha. Um olhar intenso! Em preto & branco como se perguntasse em quem me tornei depois de tantos anos. Olho para aquele rostinho ligeiramente sorridente. Um rostinho bonito, parecendo feliz, ar de calmaria.  Pouco questionador, na foto. Não parece querer saber muita coisa. Mas tem várias perguntas pra mim. Com meu olhar de adulto inquieto, pergunto-me quais … Continuar lendo Quem é você?

A caderneta

Peter Rossi Embora negasse, além do medo de altura que fazia suas pernas formigarem, Ernesto tinha um lado hipocondríaco. Volta e meia sentia dores que nunca se repetiam. Quedava na cama pensando que a vida se esvairia dali algumas horas. Organizava os pensamentos e estabelecia suas prioridades, embora convicto de que jamais conseguiria atingi-las. Numa dessas, quase voltando da morte que não lhe assombrou e … Continuar lendo A caderneta

Dias azuis

Taís Civitarese Sigo vivendo um pouco inconformada. Queria um lugar no mundo para colocar a tristeza. Geralmente ela precisa ficar escondida, não transparecer para não preocupar os outros. O “normal” é estar bem. Acho isso estranho. O normal é não sentir. Ser casca grossa, resistente. Serão estes os que sobreviverão? Sobreviver é mais importante que sentir? A tristeza tem vivido por aqui e me inunda … Continuar lendo Dias azuis

O eco de Lô

Pé na estrada. Assim viveu Lô Borges – tênis surrado, alma livre, autógrafos dados com o mesmo gesto simples de quem oferece um pedaço de vida. Assim viveu, assim despediu. Da esquina de Paraisópolis com Divinópolis, no bairro Santa Tereza de Belo Horizonte, partiu o menino do Clube da Esquina para o gigante movimento da música mineira e brasileira. Daquele canto de cidade, entre ladeiras … Continuar lendo O eco de Lô

Protegendo o cérebro

Eduardo de Ávila Tenho dito, não só aqui mas também nas minhas prosas diárias, que estou vivendo uma fase que sugere buscar menor incidência de conflitos e buscar valorizar o tempo de vida que me resta aqui neste plano. Tomara que outro tanto quanto já experimentei, não em quantidade (impossível) e sim em qualidade. Sem perder e/ou abandonar os princípios que me nortearam por uma … Continuar lendo Protegendo o cérebro

Fui sabendo de mim quando te encontrei.

Silvia Ribeiro Uma respiração trêmula e espessa regressou após dias longínquos, ficando transparente diante das minhas pupilas no minuto em que eu me aproximei do seu corpo. Estímulos que haviam se petrificado, no sentido de não me encontrar disponível, ocuparam o meu coração desatento com candura, e eu esperei pelas palavras que saiam da sua boca como quem aguarda uma fruta madurar no pé. Abandonei … Continuar lendo Fui sabendo de mim quando te encontrei.