Poemas que soam como marés

Sandra Belchiolina sandrabcastro@gmail.com Há poemas que soam como maré: vêm em ondas curtas, mas profundas, tocando a beira do silêncio. A_mar 2 é um desses. E, a pedido de um leitor, trago seus elementos nesta crônica. A-mar, palavra onde o mar e o amor se fragmentam e se recombinam – a-mar, amar, mar-ar, par-ar – como se a própria língua fosse areia que o mar … Continuar lendo Poemas que soam como marés

Leveza é a palavra

Sandra Belchiolina sandrabcastro@gmail.com Na rua, encontros e desencontros hão. Sossego — no desassossego, há. Na fonte da praça que se diz da Liberdade, um banho merecido. Sabonete há. Na rua da vila, onde o tempo não tem pressa e a preguiça é mais gostosa, a pick-up explode em multicoloridas bolas: cores hão. Na rua de Troncoso, na garupa da moto do trabalhador, uma escultura: galões … Continuar lendo Leveza é a palavra

Botas com nome e alma

Sandra Belchiolina sandrabcastro@gmail.com Percorri Lagoa da Prata inteira, minha cidade natal. Era como se os caminhos me chamassem pelo nome, e eu, criança ainda, respondia com os pés. Depois, já na adolescência, descobri que também havia praia em Minas — e que, para chegar até lá, bastava uma bicicleta e um pouco de vontade. Às vezes, nem a bicicleta: o passo era suficiente. Caminhar era … Continuar lendo Botas com nome e alma

Sonhos não envelhecem: entre o tempo e o desejo

Sandra Belchiolina sandrabcastro@gmail.com Quando se é mais velho, a pergunta sobre os sonhos parece, por um lado, tão desnecessária… e, por outro, tão essencial. Por quê? É que muitas experiências já foram vividas. Famílias foram constituídas — ou não. Trabalhos, amores, perdas e encontros deixaram suas marcas. Desejos foram realizados, alguns abandonados pelo caminho: seja porque perderam o sentido, seja porque o tempo passou e … Continuar lendo Sonhos não envelhecem: entre o tempo e o desejo

Minas Junina Julina

Sandra Belchiolina sandrabcastro@gmail.com Minas Junina, julina, de fogueiras mil, milho na palha borbulhante em água fervente, pamonha no cio, será do tio? E a canjica fumegante dança no prato. Tem bandeirinha coloridas tremendo no varal, tem chapéu de palha e vestido de chita, tem moça faceira, sanfona aflita, e a garotada que vai e vem. Tem criança correndo, rebolando e correio elegante, uma prenda a … Continuar lendo Minas Junina Julina

E agora, Drummond?

Sandra Belchiolina sandrabcastro@gmail.com Carlos Drummond, o poeta de Itabira — não apenas um nome na literatura, mas um sopro que atravessa gerações. Lá, na sua cidade natal, histórias sussurram pelas pedras das ruas, pelas casas antigas que resistem. Foi assim, ao percorrer os Caminhos Drummondianos, que cheguei ao ponto 14: O Casarão. Ali viveu Drummond. Ali tudo começa. Eis então… E agora, José? A festa acabou, a … Continuar lendo E agora, Drummond?

Dança das calças

Sandra Belchiolina sandrabcastro@gmail.com Tive uma calça pega-frango, Daquelas que enganavam no ângulo Uma calça jeans de roça – valente, outra que roçava o que não devia… e ficou devendo para sempre. Usei uma pantalona faceira, largou-se na calçada da Esperança. Com a legging, entrei na corrida, Cansei – e catei uma Cargo, decidida. Tive uma calça de alfaiataria, chique demais pra minha rebeldia. Ria da … Continuar lendo Dança das calças

E a vida?

Sandra Belchiolina sandrabcastro@gmail.com O correr da vida embrulha tudo — dizia Guimarães Rosa. Já Milton Nascimento canta que “o mesmo trem que chega é o que parte”, e assim a vida se repete na estação. Chega Gabriel, parte Maria. A vida gira, alterna. Uns chegam para ficar, outros partem para nunca mais. Entre risos e lágrimas, entre presenças e ausências, uma vida se conclui, outra se inicia. … Continuar lendo E a vida?

Onde Judas perdeu a bota?

Sandra Belchiolina Encontramos na subida de um morro, na beira do meio fio, uma bota. Sabe essas botas que qualquer usa? Bota masculina. Couro duro, resistente, mas largada. Meu amigo, falastrão, resolveu pendurá-la num poste. Fotografar e publicar em rede social com a seguinte frase: “Judas, encontramos sua bota”. Achamos a bota do Judas aqui ou acolá, como a traição e as perdas de vidas … Continuar lendo Onde Judas perdeu a bota?