Entre sons e silêncio

Gosto das meias palavras. Ou das poucas. Das reticências que dão margem à imaginação. Dos silêncios falantes. Das falas da natureza. Dos sons que nos invadem de poesia: a chuva que cai, cai, cai… o rio que corre, corre, corre… o vento que sopra, sopra, sopra… Do suspiro que diz. Do ritmo do coração emocionado. Das gargalhadas que dobram de prazer. Dos gemidos misteriosos… O … Continuar lendo Entre sons e silêncio

Teimosia alimenta a resistência

Já havia percebido no final de ano, quando me visto de Papai Noel, que o folego não é mais aquele de outrora. Tenho guardado no armário as vestimentas do bom velhinho e fantasias de carnaval. São as mesmas tem mais de 15 anos. No caso da festa de momo, eventualmente, admito fazer uma ou outra adaptação. Morando sozinho, com rigor no meu dia a dia, … Continuar lendo Teimosia alimenta a resistência

Chegamos ao nosso destino

Grandes romances parecem reencontros. Uma sensação de que algo continua depois de um tempo abstrato, e que pede um desempenho mirabolante e uma entrega fulminante. Escolher estar na individualidade de alguém é uma habilidade surreal. É dizer que queremos penetrar na mente, na alma e no corpo do outro. Um “outro”, que até então, era uma poeira estelar. Não tinha vida nem rosto dentro da … Continuar lendo Chegamos ao nosso destino

Tudo a seu tempo

Início de ano e aquela ressaca das festas parece tomar conta de nós como se fôssemos apenas um joguete em mãos que não são as nossas. Existem fadigas boas e outras ruins como consequências de nossas ações e de decisões que tomamos ou que nos tangem, ainda que apartadas de nossa vontade. E não se trata tão somente da indisposição incômoda pelos excessos de bebida … Continuar lendo Tudo a seu tempo

Quando eu morri

Rosângela Maluf Ontem, quando eu morri, era quarta feira, 19 de abril, dois dias depois do meu aniversário de 50 anos. Não pensei que uma cirurgia tão simples pudesse terminar numa parada cardíaca. Estou achando que me vou cedo demais, mas não teve mesmo jeito. A moça de azul entrou na sala do CTI, verificou os fios, suspirou profundamente, me olhou e apertou uma campainha que, imagino, … Continuar lendo Quando eu morri

Entre o véu e o espelho

Sandra Belchiolina Sem falso moralismo — porque ele derrete no primeiro suor de fevereiro — é fácil admitir: o Carnaval é a grande festa brasileira. A pátria onde confete é argumento, serpentina é vírgula e purpurina funciona como tese de doutorado. Há brilhos suficientes para iluminar as sombras do ano inteiro. É também o momento em que a fantasia toma o volante e manda o … Continuar lendo Entre o véu e o espelho

Lembranças dos melhores tempos

Na próxima semana, pretendo, vou discorrer sobre mais um carnaval bem curtido na minha existência. Gosto e sempre gostei, desde as matinês infantis passando pelos bailes nos amplos e suntuosos salões do Grande Hotel de Araxá (roubatilhado da Bia, minha ex), até escolas de samba e atualmente pelas ruas dessa nossa Belo Horizonte. Assim como o natal me visto de Papai Noel, nos dias de … Continuar lendo Lembranças dos melhores tempos

Como quem ama o primeiro amor 

Silvia Ribeiro Te amo. De um jeito esquisito, mil vezes por dia, na minha dança e na minha poesia, no meu céu e no meu inferno. Na ponta dos dedos, como se eu estivesse pisando em areia movediça e tentando encaixá-lo dentro de mim. No imediatismo do meu coração, que me dá um superpoder sobre os meus desejos. E no seu nome, que eu personalizo … Continuar lendo Como quem ama o primeiro amor 

Dia de Alegria

Mário Sérgio “Domingo, colorido pelo sol: as morenas na praia que gingam no samba e no meu futebol…” Este é o refrão do samba-enredo Domingo (1977), de Adhemar Vinhaes / Aurinho da Ilha / Ione Do Nascimento, defendido pela Escola União da Ilha no desfile daquele ano, no Rio. Num ritmo um pouco menos efusivo, mais infantil, o grande e saudoso Sílvio Santos também festejou … Continuar lendo Dia de Alegria