Todo moralista é falso e hipócrita

Desde meus primeiros tempos, vítima de bullying covarde em escola salesiana e de castigos em casa pelo “dedo duro” de pessoas próximas, fui aprendendo que desse tipo de gente o melhor é passar distante. Moralista é aquela pessoa que tenta impor seus conceitos morais à sua semelhança, julgando e condenando de maneira cruel todos e quaisquer que pense diferente. Posam de puritano, mas são portadores de notáveis desvios éticos e morais. Em tempos já vividos, era comum vê-los nas esquinas de peito estufado (posição de sentinela) e de olho em quem passasse por perto. Sempre com comentários ácidos. Pura inveja! Hoje atuam nos teclados das redes sociais. Eram e continuam covardes, em sua maioria anonimamente.

Naqueles tempos, onde predominava a religião católica – éramos obrigados a ir à missa – senão Deus castigava e “ai” daquela criança que por alguma razão não comungasse. Era a confissão na família de algum pecado. Sempre mortal e com a severa punição Divina. Eita! A culpa andava de braços dados atazanando a vontade de brincar, jogar bola e até de olhar com interesse para coleguinha. Nota baixa eram castigadas com punições que nos tempos atuais seriam condenáveis e consideradas criminosas. Recebi muito castigo exageradamente cruel e nem por isso me vitimizei. Exagero lá exagero cá, fato é que – apesar de tantos avanços – o falso moralista segue ativo ao nosso entorno. Diria que amplificado pela internet e essas redes antissociais. Agravada, de maneira lamentável, pela indústria de fake news e do ódio, sustentado por um dos lados desse radicalismo por todo o mundo.

Em meio a isso, ainda, o uso indevido do nome de Deus em proveito próprio ou de grupos sem escrúpulos. Se antes o catolicismo dominava o culto religioso, a igreja dos padres estacionou (conservadorismo) no tempo e permitiu o falso milagre dos pastores impostores seduzindo esse rebanho ao seu interesse e manipulação. A quantidade de igrejas evangélicas, verdadeiras industrias da picaretagem, se espalhou pelas cidades brasileiras. A fé é explorada por esses vagabundos, sem qualquer pudor, arrancando e extorquindo dinheiro de pessoas humildes parte da sua renda para o enriquecimento ilícito dessa pastorada de rapina. Existem evangélicos e igrejas sérias, mas essa esteira da pilantragem e expansão desses ratos exploradores ocorreu sem qualquer critério e/ou seriedade cristã, ocupando o lugar de quem realmente tem vocação para o apostolado.

Até na tradicional igreja católica surgiram padres pop star, diferente daqueles evangelizadores compromissados com a palavra do Senhor. Os tempos estão tão tristes que quando surge um sacerdote como o caso do padre Júlio Lancellotti, o conservadorismo católico afasta da sua missão cristã. Pressionados pelo cinismo do interesse capitalista que investe, aceleradamente, contra os valores sociais e mesmo do Evangelho. E é neste contexto que surgem os hipócritas que se valem de tudo para aterrorizar e ameaçar as pessoas. Gente que aponta erros e defeitos no semelhante, mas é incapaz de olhar para dentro de si mesmo e perceber que acusa daquilo que pratica e nega. E é nessa atmosfera que caminhamos para os próximos tempos. Eu confesso que perdi a motivação para ponderar, conversar, querer ouvir e (re)avaliar – se necessário – condutas e posicionamentos assumidos. A manobra desses professores de Deus, sedimentou e convenceu muitos de submissão a esses impostores em todos os campos – desde religioso até ideológico – que minha energia não tem mais paciência (saco) para qualquer ponderação. Alienação total não merece minha perda de tempo.

Não, não estou entregue, vou me manter – na medida do possível – mais distante dessas lides. Minha resistência não será massacrada por qualquer bomba – atômica ou manifestação -, optando por conversar sobre esse tipo de assunto seletivamente. Jamais me submeter ao fiscal de quarteirão, tão comum, em ditaduras. Tampouco me aliar a falsos profetas. Me recordo, ainda bem criança, sobre a existência de grupos de resistência clandestinos que eram formados por pseudo opositores. Dentro dessa força de “resistência”, existiam os “dedos duros”, os medrosos (cagões) que na primeira ameaça entregava tudo e todos, e até os que participavam como se fosse uma “grife” para se mostrar diferente dos demais. E é assim, que vou me recolhendo – cada dia mais – ainda que não me imponha a covardia comum nesses casos e menos ainda a omissão sobre meu pensamento.

Porém distante da hipocrisia do falso moralista. Igualmente passando longe de prosas onde tenham assento esse tipo de gente, tão comum ao nosso entorno. Seguirei com o mesmo jeito, que imagino leve, de ser e desfrutando de quem e daquilo que me agrada. Torcendo, apesar dos dois donos papaizin & mininin, para o meu time do coração. Até quando vou segurar essa onda nem sei ou imagino. Desfilando no carnaval, por gostar e despreocupado com as críticas desse perfil que me motiva o texto de hoje; votando em candidatos que me convençam ser o melhor a projetos de interesse social e na defesa dos esquecidos; seguindo a orientação e prescrição dos médicos (cientistas e não negacionistas) pra tentar prolongar minha passagem no plano material. É como já venho, lenta e definitivamente, me colocando nesse momento da vida. Feliz e despreocupado com o incomodo que isso tem causado a quem nunca me deu a mão. Sigamos!

4 comentários sobre “Todo moralista é falso e hipócrita

  1. Ah, a palmatória… fui submetido a duas seções (injustas – juro com as mãos para trás e os dedos cruzados, como diria um sábio amigo meu) regiamente aplicadas pela Dona Ondina, diretora do Grupo Escolar Sandoval de Azevedo, no Bairro do Horto. Mas, pensando bem, vendo o que hoje vejo, também vejo quanta falta fez, e continua fazendo “mais Donas Ondinas” nesse mundo de pais permissivos e indolentes, criadores de “meninins”fracos e desprovidos de limites. Pois é! Sigamos…

  2. Bom Dia Eduardo de Ávila! Diante do moralista, precisamos ter: inteligência emocional, paciência e estabelecimento de limites. O importante é investir energia em relacionamentos sinceros e genuínos. Abraços Fraternos! Patrícia Lechtman.

  3. Seu texto descreve perfeitamente o meu sentimento de hoje. É um misto de desencantamento e decepção. Nossa atitude é de coragem para seguir coerente ao que somos. Imaginávamos, a partir dos movimentos humanistas dos anos 60 e 70 que o mundo evoluiria cada vez mais para uma verdadeira aldeia global, onde a vivência sem limites geográficos, culturais seria comunitária e fraterna. Mas, a humanidade tornou-se mais dividida quando endinheirados e poderosos nos massacraram especialmente através das tecnologias de comunicação de massa . A dominação de corações e mentes destruiu a consciência humana, aquilo que nos caracteriza como humanidade. Hoje, “eles” sabem tudo sobre nós, é um BBB em tempo integral da vida particular de cada um. Mais fácil ainda manter a dominação e , se necessário, nos destruir. Veja o que anda acontecendo no mundo. Soberania é só uma palavra vazia.

  4. Texto tão real que minhas orelhas, bumbum e costas doeram novamente. Creio que Deus está penando com os falsos profetas. Enquanto isso, os idiotas aplaudem. Vontade de chorar.

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