Silvia Ribeiro
Do outro lado da tela.
Por vezes eu me açoitei diante da ideia de desvendar a charada que reina absoluta entre teclas. Um ambiente à parte.
Em curtas palavras- abrir o meu mundo real pra que alguém pudesse exibir o seu mundo virtual. E sem leviendade fui me tornando muito mais flexível perante a essa interatividade, e olhando com olhos menos desconfiados. Porém, cautelosos!
Acabei abrindo acessos pouco censurados para que o “invisível” pudesse tomar forma, e me vi criando vínculos com esse território invasivo e paradoxalmente impalpável.
Não pensem que essa abelhudice sempre atravessou mares de rosas. De tempos em tempos, escorrego em lodos gosmentos que me levam a uma condição de fracasso e desânimo. Sinto como se tivesse sido premiada com um daqueles chocolates famosos que vem com uma surpresinha dentro, “o tal kinder ovo”.
É um desafio discernir imagens, fatos, palavras e tudo o mais que provoca reações adversas na nossa intuição. E basicamente, apostar em atitudes que ficam expostas numa vitrine sem o aval da realidade.
Partindo do princípio de uma infância rigorosa e bem vigiada onde o carro chefe da educação era- não falar com pessoas estranhas. Portanto, julgo ser compreensível essa falta de traquejo com o desconhecido ameaçando a minha desconfiança.
Escorado em uma máquina cada um pode ser o que quiser sem se obrigar a nada, ou pensa que pode. E nessas horas os feitios são percebidos claramente. Rostos e mais rostos se mostram como se tivessem sentados no sofá da nossa casa, e trazem consigo uma mala de interrogações dispostas a se aproximarem do nosso cotidiano e jogar a chave fora.
Mas, não dá pra dizer que tudo foi infeliz.
Reencontros com o passado regado a lembranças que só a mim pertenciam, me fizeram suar diante da máquina do tempo.
Vozes que até então, haviam silenciado na poeira do vento, eu pude ouvir. Palavras que adormeceram na minha garganta acordaram, e eu pude dizer. Amizades inesquecíveis e que pareciam mortas, eu pude ver renascendo com a força de uma fênix.
Príncipes da adolescência me contaram histórias que deixaram a minha alma cor-de-rosa, paixões que eu considerava ter sido uma coisa boba e unilateral foram substituídas por declarações de reciprocidade. E, alguns vale a pena ver de novo quiseram se manifestar. Admito que me envaideci!
E hoje, uma das minhas alegrias é poder caprichar no meu modelito de solicitude, ser doidinha de vez em quando e deixar que o meu coração se reinvente todos os dias.
Quero o amor atravessando a tela e vindo bater um papo cabeça comigo.
Olha menina, gostei do seu enredo, da sua construção literária, e até da exposição dos seus medos, que também me acompanham e certamente perseguem a muitos mortais, especialmente os mais “experientes “.
Abraço.
Muito obrigada!