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Razões para seguir na resistência

Razões para seguir na resistência – Foto: EVARISTO SA / AFP/AFP
Eduardo de Ávila

Ao contrário do anedotário, que utiliza a frase atribuída aos anarquistas, fazemos oposição ao governo federal por razões óbvias. Diz uma das versões: “Hay gobierno? Se hay soy contra. Se no hay también soy”! Vale dizer: “Existe governo? Estou contra. Também se não há eu sou”! No nosso caso, existe um lamentável governo e que – lamentavelmente – não existe. O duplo pleonasmo é proposital.

Essa afirmação sugere ser bastante maluca, mas é o sentimento que percebo por onde passo. Até mesmo entre os poucos que me restam defendendo esse desgoverno, tanto pela sua diminuição estatística quanto por ter optado em evitar esse convívio desgastante. Cansei de ouvir “vai pra Cuba” (se tivesse ido, teria sido vacinado, afinal com menos de 12 milhões de cubanos, o país produziu 100 milhões de doses da vacina contra COVID), “comunista” e outras tolices dessa gente que não tem autocrítica.

Já manifestei aqui, em redes sociais e mesmo em conversas informais que nem tenho qualificação intelectual para atuar nesse campo ideológico. Requer muita leitura, boas discussões e amplo debate. Sou, confessamente, preguiçoso. Mas, observando, aleatória e no único governador dessa ideologia no Brasil, posso afirmar que Flávio Dino está anos luz à frente da jumentice boçalnariana.

Em tempo: Deixou o PCdoB e se filiou ao PSB. Prefiro Dino ao capiroto. Assistam a esse vídeo. Ele chega a ser cruel com os entrevistadores.

Na minha juventude, tendo pais conservadores, conheci o movimento contra a ditadura e nele militei até que tivemos eleições para prefeito – alguns nem sabem, mas capital, área de segurança nacional e estância hidromineral não elegiam o chefe do Executivo –, governadores e presidente da República.

Depois de pouco mais de vinte anos de estabilidade democrática, patrocinados pela mesma imprensa que essa gente agora combate, sofremos e fomos atacados por informações falsas que, além de dividir as pessoas, as induziram a acreditar numa série de mentiras que não cabe aqui serem debatidas. A TV que agora odeiam, não tem minha audiência tem mais de 40 anos. Tudo isso pelo interesse do poder econômico de alguns poucos que se tornaram mulas em defesa de seus interesses pessoais. A expressão “mula” não é analogia ao animal e/ou a burrice e sim ao ato de transportar e transmitir informações tão tóxicas quanto as drogas ilegais.

Nestes últimos dias, especialmente depois que optei por ficar ainda mais reservado e contido – para preservar meus ouvidos e pensamentos – tenho me ocupado com leituras seletivas dos nossos tempos recentes. Achei uma citação do Frei Beto, mineiro e frade dominicano – um santo ainda no meio de nós – que me motivou ainda mais nessa luta e persistência.

Sou de classe média, sei o quanto lutei para romper barreiras que pareciam intransponíveis para chegar à condição estável que mantenho na minha vida pessoal e profissional, lutando por igualdade, fraternidade e justiça social. Fosse acomodado e egoísta, bastava aceitar passivamente esse estado das coisas sem me expor e até angariar a ira de gente que nem conheço. Mas, convenhamos, seria uma vida muito fria, sem graça e sem sentido. Por isso, ofereço minha indignação e tenho ido às ruas me manifestar contra esse desgoverno genocida.

Anaísa de Ávila

Mas, de volta ao Frei Beto, que é um ser iluminado. Disse ele – em 2016 – numa de suas publicações que “premiados pela loteria biológica têm uma dívida social com quem não teve a mesma sorte”. Recentemente o ex-ministro Mandeta reconheceu que estamos numa “loteria biológica perversa”. Com isso, as desigualdades sociais estão contaminando o egoísmo de alguns poucos e condenando à fome e a miséria milhões de pessoas por todo o mundo, notadamente no Brasil de Boçalnaro.

Na última semana, numa rodada de cafezinho com uma prima lá de Araxá, Maria Teresa – que atende por Lesa –, ao conversar sobre a dificuldade em conviver com tantas pessoas que sempre nos foram caras e queridas, meu desalento aumentou. Frequento o kardecismo tem quase 30 anos, e me sinto muito bem. Porém, fomos criados e estudamos em escolas de dominicanos (ela) e salesianos, depois de franciscanos (eu), o que nos mostrou o caminho da solidariedade.

Nossa base religiosa advém do catolicismo, onde a moral e os bons costumes eram e ainda são excessivamente rigorosos e cobrados. Não é que enumeramos, e não foram poucos, pessoas próximas que não saem de dentro da igreja, entretanto, desprovidas de qualquer sentimento de “liberté, égalité, fraternité”. Esse era o lema da revolução francesa e se tornou o grito pela democracia por todo o mundo. Vale dizer: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. A esses cabe perfeitamente e na linguagem moderna o título de “fake cristão”!

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