Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Trabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

100 mil x 0

Reprodução/ONG Rio de Paz
Guilherme Scarpellini
scarpellini.gui@gmail.com

Quando começaram a pipocar os casos de Covid mundo afora, Bolsonaro lançou a campanha “o Brasil não pode parar”. Foi o que ele fez. Andou pelo comércio sem usar a máscara, assoou o nariz e depois distribuiu apertos de mão e até carregou uma criança a tiracolo — tudo isso sem ser confundido com o Jack, o Estripador.

Jacinda Ardern, a primeira-ministra da Nova Zelândia, por sua vez, amarrou a população ao pé da mesa. Usou os laços da consciência coletiva. Além de uma linha de regras rígidas, mas acertadas, ao que a maioria acatou. O país é hoje apontado pela comunidade científica como um caso de sucesso na contenção do vírus por meio do isolamento social.

Já às tantas da crise, Bolsonaro utilizou as lives para recomendar uma panaceia sem eficácia comprovada. No vídeo, deglutiu um comprimido e soltou uma risadinha maliciosa: “é preciso tocar a vida”. Ao tempo em que milhares de brasileiros, ceifados pelo vírus, não tinham mais vida para tocar.

Lado outro, Jacinda Ardern utilizou as redes sociais para informar. Quase que diariamente, apareceu para tirar as dúvidas da população e apresentar as regras de isolamento. Ela consultava médicos e especialistas para formular as suas respostas aos cidadãos.

A primeira-ministra da Nova Zelândia ainda cortou o próprio salário. E dos seus ministros também. Justificou a medida como um ato de solidariedade aos que perderam renda durante o confinamento.

Bolsonaro também o fez. Só que ao contrário. Seu governo despende com a folha salarial o triplo do orçamento aplicado na saúde. Não bastasse isso, ele ainda prometeu aumentar os salários públicos até o fim do seu mandato.

Sem ministro da Saúde e sem saber onde fica o próprio nariz, Bolsonaro deteve a aprovação de 30% dos brasileiros durante a gestão da crise. Ao passo que Jacinda Arden esteve com 90% dos neozelandeses.

Não é preciso ser nenhum Átila Iamarino para saber quem está errado nessa história. Basta olhar o placar: enquanto o Brasil passava dos 100 mil mortos, a Nova Zelândia conseguiu zerar o número de perdas.

Pior do que perder de 7 x 1, só mesmo uma lavada de 100 mil x 0. Sobretudo, quando se joga com vidas.

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern (Flickr/Ulysse Bellier)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.