Mudei radicalmente os hábitos de vida. Não bebo mais água durante as refeições, porque água prejudica a digestão — agora só se for Coca-Cola.
Vendi o meu carro também. Assim, contribuo para um trânsito melhor, já que vou e volto de Uber. Passei a rezar dobrado. Pratico solidariedade e gentileza. Mas não sei o nome do vizinho de frente.
Quem disser que sou incoerente, errou. Porque é claro que sou. Nelson Rodrigues dizia que toda coerência é, no mínimo, suspeita. Mas dizia também que toda unanimidade é burra. O que faz dele um homem muito coerente — e, unanimemente, no mínimo, suspeito.
Incoerência insuspeita é o que se vê no Brasil. Aqui, um governo autoritário que desgoverna é eleito democraticamente. Um velho que fala “c*” na internet é tido como filósofo. Dados científicos são considerados uma piada de português.
O presidente da fundação que protege a cultura negra no país é negro — e racista. O ministério do Meio Ambiente é controlado por um homem que quer passar a “boiada” na floresta.
Cristãos pregam discurso de ódio e defendem o armamento. Liberais são conservadores até o osso. Reacionários estão conformados com tudo o que está aí. A velha política é novinha em folha, sendo mais da mesma — só que pior.
João Dória é chamado de comunista. Comunistas enriquecem. Ministro astronauta trabalha para um governo terraplanista. Ministra da mulher é machista. Ministro da economia, elitista. Ministro da educação, analfabeto. E tem até atriz com saudade do AI-5.
E mais (que é menos):
Prefeitos e governadores flexibilizam o isolamento, enquanto morre um por minuto. Secretário de Saúde de Belo Horizonte chama de “idiota” quem faz caminhada na rua, mas autoriza a população a bater perna no comércio de rua.
Presidente lança perdigotos contra o povo. Agora o povo lança perdigotos contra o povo. Torcidas organizadas pedem tolerância. Mas não toleram a torcida adversária no mesmo estádio de futebol.
Manifestantes se aglomeram a dois metros de distância. Alçam cartazes pela democracia. Bradam contra o fascismo e o racismo. Sendo que o vírus não discrimina por raça, gênero ou coloração política.
Pode até soar incoerente, mas ainda precisamos lutar em casa. Afinal, para que servem as panelas?
Mário Sérgio Todos os preparativos, naquele sábado, pareciam exigir mais concentração de esforço. Afinal, havia…
Rosangela Maluf Gostei sim, quando era ainda criança e a magia das festas natalinas me…
Tadeu Duarte tadeu.ufmg@gmail.com Com a proximidade do Natal e festas de fim de ano, já…
Peter Rossi Me pego, por curiosidade pura, pensando como as cores influenciam a nossa vida.…
Wander Aguiar Finalizando minha aventura pelo Caminho de Santiago, decidi parar em Luxemburgo antes de…
Como é bom ir se transformando na gente. Assumir a própria esquisitice. Sair do armário…