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Ontem senti a tristeza das ruas

Foto: foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A press
Eduardo de Ávila

Tive que sair na tarde desta segunda-feira, depois de três semanas de confinamento (antes tinha ido rapidamente na farmácia e no laboratório), para um atendimento médico.

Nada relacionado a nenhum dos dois vírus que atacam o solo brasileiro, sendo um deles mundial e o outro para nosso consumo interno. Coronavírus e Bozovírus.

Nenhum deles tem relação de origem, mas a associação de ambos tem sido danosa aos nossos dias e futuro do Brasil.

No nosso caso, o segundo vírus compromete a economia, credibilidade interna e internacional, a autoestima. Enfim, se as últimas eleições foram marcadas pelo radicalismo, os dias atuais estão muito mais acirrados.

Chefe de Executivo, cargo que exige equilíbrio e a presença de um estadista, não é lugar para quem usa o Poder como se fosse um brinquedinho familiar.

A campanha encerrou e o candidato, embora eleito e empossado, não desceu do palanque. Vive de picuinhas e a lançar farpas e provocações aos adversários e – como tem mostrado – até mesmo nos seus próprios companheiros daquela eleição.

Gustavo Bibiano foi fritado e deixou subentendido que teria muito que falar. Morreu sem que fosse ouvido. Outros esquentam na chapa da família em fogo brando, sob a orientação permanente de três garotos mimados.

Todos eles, que além dos mandatos consecutivos, conquistados com discurso de ódio, nada se sabe sobre suas vidas acadêmica, empresarial ou pessoal.

Profissionalmente então, se o progenitor nunca se destacou mais do que um capitão de passagem conturbada pelo Exército e que enveredou pela vida pública conquistando apoio de radicais da extrema direita, os filhotes seguem o mesmo roteiro. E ainda arrumam um pseudo intelectual – guru sem cérebro – pra dar ordens aos seus recrutas do Alvorada. 

A bola da vez na frigideira da família que confunde gestão pública com confraria entre amigos é o ministro Mandetta. O presidente, ao invés de se ocupar com o problema grave do coronavírus, prefere aparições relâmpagos junto aos seus apoiadores para fazer chacota e mandar recado. Fez isso em um domingo, com o aviso que para demitir era necessário apenas uma canetada.

Preparou para o circo para a tarde de ontem, mas ao que sentimos houve resistência generalizada – desde membros do próprio governo, militares, servidores da saúde, Judiciário, Legislativo e população, deixando a ameaça para os dias seguintes. Não se sabe até quando. Se o ministro sair, tirado ou por conta própria, o país estará lascado.

O gado é tão amestrado que ontem, acreditem, li num lugar um deles chamando Mandetta de comunista. O cara passou pelo PFL e outros partidos conservadores. Outro, esse até é justificável, pois sua igreja “colabora” com essa insanidade, comparou o ministro a Judas. Na verdade, ao que sentimos, o eleito já não governa. Mas atrapalha um bocado.  

As medidas de precaução contra o avanço da doença e inevitável colapso no setor da saúde não são questão política, mas sim da ciência.

Apesar de este governo liquidar com as pesquisas, área que o Brasil teve relevância ao longo dos tempos para privilegiar setores armamentistas, é a ciência que pode nos salvar dessa guerra.

Para piorar tudo isso, seu filhinho – o 03 na ordem preferencial familiar – vem causando problemas diplomáticos com a China, fundamental parceira comercial para a economia brasileira.

Aquele mesmo garoto que queria ser embaixador. Além dele, o Ministro da Educação, aquele das incontáveis gafes, também provocou o povo chinês.

Estamos diante de um risco interno igual ou mais grave que o vírus, que nessa altura não interessa de onde veio (tampouco se outra potência colocou esse inimigo invisível por lá), precisamos salvar vidas.

A doença está em evolução, vai chegar o momento que vamos perder pessoas próximas a cada um de nós. Será tarde. Debate eleitoral se valendo da pandemia é agressão. Serve tanto para Chico quanto para Francisco. Quero sobreviver!

Conforme descrito no título, fui ao consultório e voltei de aplicativo. Nem a costumeira prosa com o motorista existiu. As poucas pessoas – acima do que devia – pelas ruas andam de cabeça baixa, passam uns pelos outros sem se olhar, evitam passar ao lado. Isso é sim necessário, mas é triste.

2 thoughts to “Ontem senti a tristeza das ruas”

  1. Estamos a vivenciar a era mais incrivelmente estúpida da história da humanidade. Num momento em que o ruim está perto de se igualar ao péssimo, não podemos escolher e nem nos contentarmos com nenhum,é tempo para vacinar-se contra a estupidez.

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