A Concretude e a Fantasia da Vida

A Concretude e a Fantasia da Vida

A Concretude e a Fantasia da Vida
A Concretude e a Fantasia da Vida
Sandra Belchiolina
sandra@arteyvida.com.br

Como pisar em terra firme após oito dias no mar, no período da Grande Noite de Shiva (Maha Shivaratri – 21/02/2020) e da profusão de ilusões, fantasias e protestos manifestados no carnaval do Brasil?

Foi assim, caminhando – e ainda sentindo o balanço do mar no meu corpo, que elaboro este texto.

O mar ainda está em mim. Caminho no seu balanço. Isso me chama a atenção de como esse elemento – água, altera nossa percepção.

E, também, viajando na viagem e sem os compromissos do dia-a-dia. O que torna tudo maneável.

A fluidez da água, sua adaptabilidade no espaço e ambientes são fundamentais para um viajante.

Caminhando no balanço do mar, me proponho a ver os tambores de Minas, que estão no auge do Carnaval em Belo Horizonte. Tenho ainda a terça para isso. 

Pisar em terra num ritmo de tambor? Os tambores têm batida que nos permitem pisar firme na terra, pisar determinado.

É uma proposta do criador do método de Biodanza Rolando Toro – Caminhar com Determinação. Metodologia que utiliza da música, movimentos corporais (dança) e emoção para autoconhecimento. 

Mas, o elemento água foi o mais presente e não consegui participar do Carnaval de BH nesse 20.20. Gosto de ver os movimentos humanos de perto. Com meus próprios olhos.

A Concretude e a Fantasia da Vida
A Concretude e a Fantasia da Vida

Quando vejo pela televisão ou internet, tenho a impressão que o mundo está acabando em tanta informação ruim transmitida. Sair desse mundinho alarga nossos horizontes e percebemos além dos desastres humanos e da natureza.

À distância, acompanhei os movimentos nesses dias de Rei Momo e algo novo aconteceu no Carnaval 2020.

Vejo que as escolas de samba pisaram na avenida com protestos acirrados. E quem não escuta a voz do povo? – “Bom sujeito não é!”. 

Com apelo religioso e de inclusão, a Mangueira escancarou tudo. E Jesus pode sim ser índio, menino do morro ou mulher. 

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré//Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher//Moleque pelintra no Buraco Quente//Meu nome é Jesus da Gente”.

Trazem temas religiosos e políticos que chocam, mas eles podem trazer reflexões? Mangueira pode até não ganhar, mas fez história. 

A Escola de Samba Grande Rio dá o recado: “Eu respeito seu amém, você respeita o meu axé”.

Assim, entra Shiva – senhor da destruição e transformação. Elemento fogo que destrói e transforma. O alimento é transformado pelo fogo. No tempo da quaresma – o recolhimento para o renascimento. Das cinzas, Fênix renasce!

Nesses tempos de transformação, o elemento ar não pode faltar. Ele representa a leveza. Tempo de acender os incensos e de purificação.

Com terra, água, fogo e ar, seguimos essa jornada, nesse barco chamado planeta Terra. E ele grita por socorro! É hora de escutá-lo, de transformar nossas formas de viver no seu espaço.

Aqui, fica meu desejo de que ele seja íntegro, leve, consciente, sustentável, respeitoso. Que os elementos que compõem nossa existência estejam em harmonia. E, claro, que as orações sejam boas, efetivas e concretizadas.

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