Envelhecer ligeirinho

Sandra Belchiolina Envelhecer é pisca-pisca de olhos pisca-pisca Ontem brincava de boneca brincava andava na chuva andava cantava cantiga cantava Depois o mundo se abre abre feito janela Hoje uma vida se deu se deu o amor chegou chegou e ficou Acompanhar outras crianças outras cantigas outros risos outro sol Tempo ligeirinho ligeirinho tempo ligeiro que olha que olha a menina a adolescente a adulta Continuar lendo Envelhecer ligeirinho

Valor sentimental

Daniela Piroli Cabral danielapirolicabral@gmail.com Quando minha avó faleceu, herdei sua cadeira de balanço. Assento e encosto de palha, modelo Thonet. A cadeira de balanço tinha sido da mãe dela, minha bisa Ceci. A cadeira em que ela cochilava depois do almoço. Quando criança, eu gostava de me balançar nela de olhos fechados e cada vez mais veloz. Minha avó bradava: “cuidado para a cadeira não … Continuar lendo Valor sentimental

Um sábado gratificante

Pela primeira vez, em quase dez anos como blogueiro, vou postar o mesmo texto nos dois espaços que ocupo. No “Canto do Galo”, já são mais de 3500 postagens (diárias), quase na totalidade do blogueiro; enquanto no “Mirante” ultrapassadas 2500 (diárias mas minhas uma vez por semana). A primeira do Galo foi em 23 de março de 2016, já no outro iniciamos em 30 de … Continuar lendo Um sábado gratificante

Quando eu não te procurava 

Silvia Ribeiro Existe algo mágico quando você conhece alguém. Conheci você quando eu não te procurava. E em poucos minutos eu já havia experimentado a textura da sua pele, mesmo sem te tocar. Reconheci o tom da sua voz, como se fosse uma música que eu ouvia sempre. Lembrei do seu perfume, sem nem ter me aproximado da sua nuca. Saquei que o seu olhar … Continuar lendo Quando eu não te procurava 

A grande festa

Mário Sérgio O próprio coração parece querer alinhar seu ritmo à vibração que cada golpe da baqueta no couro perfeitamente tensionado espalha no ar. O tempo doce e envolvente de pianos e violinos que os natais suscitam, cede agora espaço à percussão vigorosa e aos sopros cadenciados do Carnaval. As paixões se inflamam. Tudo concorre para que as emoções se esbaldem ao som de surdos, … Continuar lendo A grande festa

A estrela do mar

Rosangela Maluf Nos últimos trinta anos, Esther nunca tivera uma cama só pra si. Três relacionamentos – coincidentemente com duração de dez anos cada um – fizeram com que sua cama fosse, irremediavelmente, compartilhada por longos tempos. Quero dizer, a cama de casal. A cama, com aquele colchão enorme do qual só lhe cabia uma pontinha, onde se espremia, dormia e, às vezes, sonhava. Mas … Continuar lendo A estrela do mar

Maritaca

Peter Rossi Na minha terra bando de maritacas, numa algazarra imensa, fofocam e sorriem, e depois pousam nas mangueiras. Verdes como as folhas, ficam por lá e se emudecem. Dormem, será? Prefiro as maritacas bem acordadas e procuro entender sobre o que tanto conversam. Para os que não conhecem, as maritacas são como pequenos papagaios, verdes, completamente verdes, e voam em bandos numa barulheira só! … Continuar lendo Maritaca

Onsen para a mente

Taís Civitarese Silenciei o mundo por alguns dias. Sem podcasts, sem notícias. Sem nada politicamente engajado. Que benção é o silêncio. Que bênção é não pensar em nada, não ir a lugares e faltar a eventos. Aliviar a carga mental. Ter como companhia uma janela, um papel, uma caneta, um copo d’água e chocolates. Que maravilha é isso. Quanta paz. Tanta gente querendo falar e não … Continuar lendo Onsen para a mente

Orfandade - Fonte: pixabay

Orfandade

Daniela Piroli Cabral danielapirolicabral@gmail.com É, chegou a hora. Chegou a hora de despedir de você, papai. Que susto. Que golpe mais inesperado. Você se foi tão “de repente”. Mas a verdade é que você era uma pessoa “de repente”. Chegou a hora que, a despeito da gente saber que a morte e a única certeza da vida, não estamos prontos. Tudo muda quando a morte … Continuar lendo Orfandade