
Pela primeira vez, em quase dez anos como blogueiro, vou postar o mesmo texto nos dois espaços que ocupo. No “Canto do Galo”, já são mais de 3500 postagens (diárias), quase na totalidade do blogueiro; enquanto no “Mirante” ultrapassadas 2500 (diárias mas minhas uma vez por semana). A primeira do Galo foi em 23 de março de 2016, já no outro iniciamos em 30 de abril de 2018. No Mirante, somos mais de dez parceiros, alguns desde sempre e outros posteriormente. Faço essa digressão e consideração, pois se num eu trato do meu time do coração no outro abuso da liberdade para assuntos aleatórios.
No Mirante, falo de situações pessoais, arrisco tratar de política, economia (nesse caso, apesar do desconhecimento que é generalizado) e de questões sociais que afligem a nós todos. Pois foi esse último que me levou a publicar o mesmo texto cá e lá – ou lá e cá como queiram – pois tive o privilégio de conhecer de perto uma ação social que já tem mais de 30 anos sendo exercida por um casal que tenho profundo respeito e admiração. E tem tudo a ver com o Galo. Maria Alice e Sérgio Coelho, abnegados, dedicam a maior parte do seu tempo acolhendo pessoas em estado de miserabilidade através da ASSOPOC – Associação dos Protetores das Pessoas Carentes, em Crucilândia. Uniram essa experiência à nossa paixão, quando Sérgio assumiu a presidência do Clube Atlético Mineiro, criando o Instituto Galo.
Através dessa parceria, que não custa um mísero centavo a Associação e tampouco a saf, inovaram e assumiram a vanguarda (o Galo é campeoníssimo nesse quesito pioneirismo), a ser seguida por clubes nacionais e pelo mundo (notadamente nas Américas) através de ações sociais e solidárias em projetos dessa natureza e magnitude. Fomos lá no último final de semana, precisamente no sábado pois domingo tinha jogo do Galo, Celso Adolfo e eu. Voltamos impactados e maravilhados com tudo que conhecemos. A viagem de volta era só sobre tudo aquilo que presenciamos, assim como nos dias que se sucederam. Entre as resenhas Atleticanas e até temas de outra natureza, não conseguia deixar de mencionar e contar tudo que conheci naquela visita de sábado.

Como tudo começou, os avanços e a situação atual, com a participação de pessoas que colaboram com a manutenção. Além do espaço físico, onde estão acolhidos quase 200 adultos – cada história fantástica de vida que se fosse postar as que ouvi aqui, o espaço não seria suficiente -, resgatados das ruas e da miséria. São várias unidades de atendimento para faixa etária diferente. Lá estão ex-usuários, andarilhos, rejeitados pela família, que reencontraram a dignidade nesse lar. Alguns com funções no dia a dia da instituição. A ação deles extrapola os idosos acima dos 60 anos, como no caso da creche que tem cerca de 300 crianças e deve dobrar nos próximos tempos. Lá convivem a meninada de toda a cidade de 5 mil habitantes, numa integração de todas as camadas sociais. A APAE de Crucilândia também está nessa rede. E, como existe restrição para a convivência de pessoas em estado de vulnerabilidade abaixo dos 60 anos, noutra edificação da cidade está a Casa Tiãozinho Coelho. Abrigados neste espaço estão esse grupo numa espécie de transição para o futuro.
Lá reencontrei pessoas que cruzei pelos caminhos da vida. Seu Milton, que por décadas (mais de 50 anos), trabalhou na portaria da sede de Lourdes. Uma história triste de abandono ao final da vida, lá está bem tratado e com a carinha boa, ainda que totalmente fora da realidade dos tempos. Não reconhece as pessoas. Paulinho Brasil, músico e ex-jogador de futsal do Galo, que ajuda na fiscalização da conservação. E na casa de transição, o ex-zagueiro Pirapora – reserva do Batista e Luizinho (como poderia jogar?) – junto do João Gaiola. Esse segundo por muitos e muitos anos, trabalhou na enfermaria da Vila Olímpica (local dos treinamentos). Nos seus bem guardados arquivos, exibe com orgulho fotos com Reinaldo, Gilberto Silva e outros ídolos que cuidou ao longo dos tempos.
Entre os demais moradores, algumas situações curiosas, como Sueli – assina usando “da Bahia de Camaçari” – que conta toda sua vida num livro editado pela ASSOPC. Em a “Vida que carrego em mim”, ela narra de forma simples e emocionante sua infância, luta para sobreviver, vinda para Minas, acolhimento e sua gratidão. O Zé que namorou e se casou com a Rose, também acolhida, vivendo juntos num aposento com cama, mesa para lanche e banheiro. Ocorrem namoros e paixões, todas acompanhadas pela assistência social, bem como espaço para lazer – cinema/ baile e até viagens turísticas em ônibus da ASSOPOC -, enfim é algo que merece apoio da sociedade civil como um todo e não especificamente da nossa Torcida. Eu confesso que sabia que era um projeto assistencial grandioso, mas não imaginava o tamanho dessa ação, que é fruto dos corações da Maria Alice, do Sérgio, do Emílio, do Pedro, do Artur e de tantos outros que conheci ao peregrinar naquele espaço. Sugiro entrar em contato para conhecer e ajudar nesse trabalho. Seguem os links das duas instituições. Lá no segundo parágrafo. Participe!
*fotos: arquivo pessoal
Bom Dia Eduardo de Ávila! O Trabalho realizado pela ASSPOC é magnífico. Durante muitos anos fui com um dos diretores com o qual trabalhei e meus estudantes por muitos anos fazer trabalho voluntário em Cruscilandia. Maria Alice e Sérgio sempre nos acolheram em sua fazenda. Amei seu texto! Divulgar a importância voluntariado é divino. Abraços Fraternos, Patrícia Lechtman!
Que beleza Eduardo! Parabéns!
Por onde passava deixa boas histórias. Abraço
Eduardo,
Realmente um trabalho digno de homens íntegros e que pensam nas pessoas.
Transmita meus parabéns aos , como poderia dizer , “fundadores”?
Parabéns.
Texto Importante! Valorizar o voluntariado é evolução terrena. Abraços Fraternos, Patrícia Lechtman.
Pedi e Eduardo me colocou em contato com Sergio Coelho, presidente do Galo que soma a esta tarefa mais duas de importâncias diferentes: comandar o @institutogalo e a referida Assopoc, que fomos conhecer. Eduardo já falou tudo sobre os esforços de Sergio, Maria Alice e dos demais abnegados destes programas sociais. Uma coisa me permito revelar: também estava no fundo desta ida a Crucilândia a possibilidade de a Assopoc receber um amigo músico com quem convivo deste 1990. Eu o encontrei na chamada “situação de rua”, sob mais uma destas tristes barracas cobertas com plástico preto, folha de zinco, papelão, madeira e restos com os quais se defendem rua afora.
São aos milhares estes desvalidos. Chegam a este ponto por razões de todo tipo. Salvando um que seja, “o mundo torna a começar”.
‘ A vida foi bem feita
Sua colheita foi feita para lançar
A semente que dá bom
fruto em todo lugar ‘.
Um pedaço da música ‘minueto’ , da parceria de Celso Adolfo e J S Bach.