Boneca

Rosangela Maluf Boneca é uma moradora do Cafezal, uma das comunidades da Serra. Há muitos anos, quando morei pela primeira vez à rua Capivari, estranhava aquela menina loura, de cabelos anelados, sempre muito arrumadinha, falante… chupando chupeta. Ela deveria ter uns doze anos àquela época e era conhecida por todos. Não sei ao certo, mas parece que teria duas irmãs e morava com a mãe, … Continuar lendo Boneca

Sílvia e os avós

Peter Rossi Sílvia vivia com a mãe, Otília, em uma casinha simples, cercada de luz e felicidade por todos os lados. Aquela casa que a gente sempre imagina, com uma cerca baixa, jardins de rosas na frente, cada um ladeando um caminho de pedrinhas até o primeiro degrau da escada da varanda. Moravam apenas as duas. Otília com seus quarenta e poucos e Sílvia com … Continuar lendo Sílvia e os avós

Os reis e as joias roubadas

Taís Civitarese No mesmo dia em que inúmeros protestos contra o governo de Donald Trump eclodiram nos EUA ao som do lema “no kings” (sem reis), as joias de Napoleão e de outros monarcas foram roubadas do museu do Louvre. Algo parece estar acontecendo. Seria o princípio de uma revolução? Acabo de ler  “As veias abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano. Os acontecimentos atuais … Continuar lendo Os reis e as joias roubadas

Das memórias e das artes, o inconsciente se reinscreve

Sandra Belchiolina Há emoções que nos atravessam como ventos antigos. Elas chegam do mundo, pelas frestas da pele e do olhar, e se misturam às paisagens internas onde moram as lembranças. O que nos toca, o que nos enlaça, é sempre filtrado — pela consciência, pelo inconsciente, por aquilo que insiste em deixar marcas. As experiências da infância, longe de passadas, seguem em nós como … Continuar lendo Das memórias e das artes, o inconsciente se reinscreve

Foto: Daniela Piroli Cabral - Psiquismo Colorido

Psiquismo colorido

Daniela Piroli Cabral contato@danielapiroli.com.br Está tudo emaranhado Alienado  Irracional Está tudo imprevisível Incoerente Sexual Está tudo geometrizado Vibrante Paradoxal Está tudo onírico Criativo Intersensorial O amor foi clonado Zipado Hackeado O desejo foi compartilhado Convertido Simulado Estamos todos perdidos Ambivalentes Loucos Está tudo normal Quem nos salvará?   Continuar lendo Psiquismo colorido

Quem matou nossos sonhos e esperanças?

Eduardo de Ávila Nos últimos dias, notadamente da semana passada, várias pessoas me perguntando “quem matou Odete?” Confesso que não coloquei o sobrenome, pois ouvia, mas sei lá como se escreve. Essa transcrição fonética, assim que soube do que se tratava, não me despertou qualquer curiosidade. Seguramente tem cerca de quatro décadas que desencantei com a televisão e seu uso em benefício de interesses que … Continuar lendo Quem matou nossos sonhos e esperanças?

Sob o efeito de um porre poético 

Silvia Ribeiro Sob o efeito de um porre poético convidei alguns sentimentos para uns drinks. Me sentindo como se tivesse me reunindo com velhos amigos, persegui a ideia de encontrar obviedades e prazeres desenfreados. Papos da vida real rolaram espaçosamente e se encarregaram de se manifestarem de forma explícita, para que fossem amplamente desejados pela anfitriã. Protegidos por um sistema que não se dá somente … Continuar lendo Sob o efeito de um porre poético 

Canta, Mocidade!

Mário Sérgio Em 1985 um dos sambas que mais me emocionaram foi o da maravilhosa Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel. A música, Ziriguidum 2001 – Carnaval na Estrelas,  buscava projetar um futuro imaginado a partir dos avanços tecnológicos e de todas as preocupações com a proximidade do novo milênio. Foi a partir desse tempo que meu coração, folião de primeira, adotou esta … Continuar lendo Canta, Mocidade!

Um Reencontro

Rosangela Maluf Ele era muito mais do que ela poderia imaginar. Aquele cara que ela conhecera ainda adolescente, lá no interior, lhe fora apresentado por uma amiga comum que desconhecia completamente a história dos dois. História dos dois? Como assim… Sim, os dois viveram na mesma cidadezinha.  Tiveram um namorico, logo proibido pelos pais dela.  Àquela época, o cara em questão usava os cabelos compridos … Continuar lendo Um Reencontro

Tempos atrás

Peter Rossi Fico assuntando se na verdade preferia ter nascido há tempos atrás. Sempre pensei assim, desde menino. Sempre fui encantado com as roupas, o porte, o jeito das pessoas andar, dialogar. Me encanta as mesuras nunca dispensáveis. A timidez do respeito excessivo em qualquer abordagem. Me vejo, com certa frequência, dispensando todo e qualquer equipamento que, de uma forma ou de outra, não sobrevive … Continuar lendo Tempos atrás