A estranha leveza do ser

Sandra Belchiolina Na rua Encontros e desencontros hão Sossego No desassossego há Na fonte da praça Que se diz Da Liberdade Um banho merecido Sabonete há Na rua da vila onde o tempo não tem pressa e a preguiça é mais gostosa A pick-up explode em multicoloridas bolas Cores hão Na rua de Troncoso Na garupa da moto do trabalhador Uma escultura Galões de água … Continuar lendo A estranha leveza do ser

O eco de Lô

Pé na estrada. Assim viveu Lô Borges – tênis surrado, alma livre, autógrafos dados com o mesmo gesto simples de quem oferece um pedaço de vida. Assim viveu, assim despediu. Da esquina de Paraisópolis com Divinópolis, no bairro Santa Tereza de Belo Horizonte, partiu o menino do Clube da Esquina para o gigante movimento da música mineira e brasileira. Daquele canto de cidade, entre ladeiras … Continuar lendo O eco de Lô

Das memórias e das artes, o inconsciente se reinscreve

Sandra Belchiolina Há emoções que nos atravessam como ventos antigos. Elas chegam do mundo, pelas frestas da pele e do olhar, e se misturam às paisagens internas onde moram as lembranças. O que nos toca, o que nos enlaça, é sempre filtrado — pela consciência, pelo inconsciente, por aquilo que insiste em deixar marcas. As experiências da infância, longe de passadas, seguem em nós como … Continuar lendo Das memórias e das artes, o inconsciente se reinscreve

Ditos e dizeres

Sandra Belchiolina sandra@arteyvida.com.br Para Carlos Drummond: O dito do anjo Vai ser gauche na vida Para Adélia Prado: Outro dito Vai ser desdobrável na vida Para Mário Quintana: Aqueles que atravancam seu caminho – passarão Ele – passarinho Para Manoel de Barros: Sobre o nada ele tem profundidade Usa a palavra para compor silêncios Para Torquato Neto: Eu sou como eu sou Pronome Pessoal intransferível … Continuar lendo Ditos e dizeres

O feminino e a cidade: Havana, Belo Horizonte, Lisboa, Cumuruxatiba

Sandra Belchiolina As cidades, quando as caminho, me aparecem como mulheres. Não de pedra ou de concreto, mas de carne, memória e desejo. Umas correm apressadas, cheias de promessas; outras se deixam repousar no tempo, revelando as rugas que são também beleza. Há ainda as que guardam segredos, desvendando-se aos poucos, como quem convida à intimidade. Havana é senhora altiva. Veste-se de vestidos antigos e … Continuar lendo O feminino e a cidade: Havana, Belo Horizonte, Lisboa, Cumuruxatiba

Havana: a resiliente senhora que envelheceu naturalmente

Sandra Belchiolina O primeiro encontro com Havana foi um impacto. Não apenas pela beleza, mas pela força silenciosa que emana de suas ruas e paredes. Diante de seus edifícios coloniais, sobreviventes ao tempo, às tempestades, às mudanças climáticas e às ambições humanas, senti-me diante de uma senhora idosa, que, mesmo marcada pelas rugas da história, mantém-se ereta, altiva e orgulhosa de sua trajetória. Havana é … Continuar lendo Havana: a resiliente senhora que envelheceu naturalmente

A vida e seus enigmas

Sandra Belchiolina Certa vez, estava eu caminhando pela Estrada Real, onde os bandeirantes aventuraram-se em busca de pedras preciosas e diamantes. Andava pelos caminhos de Ouro Preto e Mariana, na terra vermelha dos “pés de pomba”. Na terra da névoa perfumada pelo cheiro de assa-peixe. A estrada de pedregulho era margeada por casarios coloniais de paredes brancas e janelas azuis, bordeadas de vermelho. De seus … Continuar lendo A vida e seus enigmas

Mar de Moana

Sandra Belchiolina sandra@arteyvida.com.br Sentada na areia fina e branca, diante do horizonte líquido, Maria deixa que seus pensamentos fluam como as águas: avançam, recuam, retornam. No vai e vem das ondas, um grão de areia se desloca, e de repente a memória a conduz ao mar de Moana — o desenho em que o oceano, cúmplice e amigo, se abre para a menina em busca … Continuar lendo Mar de Moana