Malícia

Mário Sérgio A moça jovem, bonita, vestida com elegância esportiva e usando um celular de modelo recém-lançado, regateia o preço, vinte reais, por um saco, do tipo redinha, com vinte mexericas ponkan. Estavam realmente lindas as frutas, dispostas ao colo do cadeirante que se esgueira lépido entre os carros parados diante do sinal fechado. Sua habilidade não causava preocupação àquela motorista do BMW branco cujas … Continuar lendo Malícia

Conhecer-se

Mário Sérgio Segundo Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (1821-1881), expoente escritor russo, filósofo, jornalista e grande investigador da psique: “TORNAR-SE CONSCIENTE DE SI MESMO É O MAIOR SOFRIMENTO DO SER HUMANO. PORQUE NÃO HÁ DOR MAIOR DO QUE PERCEBER QUE O INIMIGO QUE MAIS TEMEMOS MORA DENTRO DE NÓS. OLHAR PRA DENTRO É RASGAR O VÉU DAS ILUSÕES. É DESCOBRIR QUE NEM SEMPRE SOMOS VÍTIMAS. ÀS VEZES … Continuar lendo Conhecer-se

Reza

Mário Sérgio Quando um querido amigo foi afligido por um AVC, sua esposa iniciou um ciclo de orações e pedidos de fé para que o problema se resolvesse. A filha dele, mais jovem e pragmática, ligou para o serviço de emergência. O fato me lembrou de quando fui contaminado pela pólio, ainda bebê. Não memória pessoal, óbvio, mas as inúmeras histórias reiteradas nas conversas em … Continuar lendo Reza

Brisas da Liberdade

Mário Sérgio Em 03 de agosto, numa quarta-feira de 1988, era outorgada a nova Constituição do País. E a data é, até hoje, reconhecida como o Fim da Censura no Brasil. Faz, hoje, domingo, exatos 37 anos. Naquele ano, as manifestações populares contra as ações do Governo Federal, em relação às liberdades individuais, já haviam arrefecido bastante. Apesar de uma inflação já absurda e ainda … Continuar lendo Brisas da Liberdade

Atos e Consequências

Mário Sérgio Éramos garotos, é verdade, certos de que podíamos tudo, que sabíamos a solução de todos os problemas, mesmo que não soubéssemos a raiz quadrada de 16. As diferenças sociais e econômicas entre nós eram irrelevantes, mas quem tinha uma caixa de lápis com 12 cores, ou um estojo de madeira com desenhos impressos e tampa de correr, se sentia o “rei da cocada … Continuar lendo Atos e Consequências

Segregação

Mário Sérgio Ah! Esses tempos de busca por votos a qualquer custo… Nem sempre é simples identificar quem comete os erros clássicos de campanha. E, também, é possível observar certas campanhas carregadas de “sincericídio”, esse neologismo que expõe candidatos com posturas pouco republicanas tão arraigadas que o impedem de as mascarar completamente. Para aqueles que gostam de cinema, o espetacular filme de 2014, estrelado pela … Continuar lendo Segregação

Esquina do medo

Mário Sérgio Nascer no interior, ainda que numa cidade cuja existência se deu a partir de uma grande siderúrgica, tem o dom de emprestar à infância e juventude cores tão belas quanto às das manhas de primavera no campo. E a beleza se consolida principalmente pelas estórias que ouvimos, observamos e vivemos. Todo o conhecimento expresso em palavras que emprestam o saber e o entendimento … Continuar lendo Esquina do medo

Bloco da saudade

Mário Sérgio É bem verdade que no sábado seguinte ao carnaval, há o desfile das Escolas campeãs no Rio. Busca-se, assim, prolongar ao máximo a alegria de todos os anos. Ademais, é outra oportunidade para aqueles que gostariam, mas não puderam assistir ao majestoso espetáculo que já integra o calendário internacional de eventos. Não era para menos, trata-se de um desfile monumental, cheio de magia … Continuar lendo Bloco da saudade

Zé do Boi

Mário Sérgio Recostado numa cerca de tela que encimava um muro baixo, como era padrão naquelas casas de meu bairro, eu descansava para, a seguir, continuar a subida até a minha rua. Uma manhã como qualquer outra, para uma criança fragilizada pelas sequelas de pólio, que a obrigava a mais períodos de descanso do que necessário para as outras crianças. Clara, modorrenta e tranquila, seguia … Continuar lendo Zé do Boi

Namorada

Mário Sérgio A espetacular canção, de 1966, do franco-armênio Charles Aznavour, que diz: “Je vous parle d’un temps / Que les moins de vingt ans ne peuvent pas connaître”, nos remete à percepção de que experiências que vivemos são difíceis de explicar a quem desconhece os abismos que tivemos de transpor. No início de 1983, já havíamos passado por três planos econômicos, chamados Delfim I, … Continuar lendo Namorada