O preço da liberdade

Mário Sérgio Ser livre, imagino, tem conotação especial para cada pessoa. É a percepção individual, podendo ser influenciada pela cultura em que se insira, onde as suas vontades podem ser satisfeitas na proporção em que a outros também seja plausível conquistar as suas. Nesse contexto, aprendi, a duras penas, que alguns instrumentos libertários podem ser – e frequentemente são – confundidos com equipamentos de opressão. … Continuar lendo O preço da liberdade

Os três pilares do abismo

Engenhoso Fidalgo Na minha adolescência havia um jogo chamado Simcity 3000. Nele coordenava-se a construção de uma cidade como se fosse seu prefeito. Distribuía-se zonas comerciais, industriais e residenciais. Coordenava-se o transporte público, distribuição de água e energia, e observava-se o crescimento da cidade. Ao longo do jogo a cidade apresentava alguns problemas que o jogador lutava para solucionar. Crescendo próspera ou caótica, era sempre … Continuar lendo Os três pilares do abismo

Entre o delírio da ficção e a realidade

Eduardo de Ávila Gosto muito de assistir um filme, na telona, sem pipoca e longe de casa onde a todo instante alguma situação faz dar um pause e interromper a sessão. Antes da pandemia eram três a quarto vezes por semana, eventualmente um ou outro justificava até bis, mas depois da gripezinha do (IN)sensível e (IN)feliz não consegui retomar essa rotina. Uma vez por semana, … Continuar lendo Entre o delírio da ficção e a realidade

Amar, dói?

Silvia Ribeiro Eu adoraria dizer à mim mesma que amar não dói. Mas, dói. Dói fisicamente, emocionalmente e espiritualmente. Dói, por quê? Dói, pela bestialidade da saudade, pela impiedade de não ser protagonista, pelo desespero da indiferença e pela materialidade de um coração que se mantém em vigília. E sobretudo, pela solidão fantasmagórica que não guarda distância durante a noite e recomeça no dia seguinte. … Continuar lendo Amar, dói?

Você veio!

Mário Sérgio Em uma das viagens que fizemos à praia de Porto Seguro, na Bahia, resolvemos fazer um passeio especial. Fomos a uma praia em Arraial d’Ajuda, Mucugê. Para chegar lá, trem uma travessia de barco em que se pode começar a ter contato com outros visitantes e residentes. Essa é uma das vantagens desse espaço reduzido em que se encontram muitas pessoas. Há também, … Continuar lendo Você veio!

Certas Noites

Rosangela Maluf Às vezes algumas lembranças me passavam pela cabeça. Em noites de ilusão, desencanto ou de certa embriaguez sentimental, poderiam chegar-me doces recordações ou pensamentos de extrema tristeza. Nunca se podia saber ao certo. Na noite do meu quarto poderia permitir qualquer pensamento que minha mente autorizasse. Bom ou não tão bom. Que me induzisse calmamente ao sono, ou me fizesse permanecer naquela insônia … Continuar lendo Certas Noites

Esquiando no vulcão

Wander Aguiar A aventura já era anunciada. Afinal, o vulcão Villarrica, localizado na cidade de Pucón, no Chile, havia entrado em erupção em março daquele ano e, em agosto, ainda sob alerta amarelo, eu e meu grande amigo Samuel colocamos nossas mochilas nas costas e embarcamos rumo a uma cidade que prometia e entregou muito mais. Estávamos com vontade de esquiar, mas sabíamos que, devido … Continuar lendo Esquiando no vulcão

O feminino e a cidade: Havana, Belo Horizonte, Lisboa, Cumuruxatiba

Sandra Belchiolina As cidades, quando as caminho, me aparecem como mulheres. Não de pedra ou de concreto, mas de carne, memória e desejo. Umas correm apressadas, cheias de promessas; outras se deixam repousar no tempo, revelando as rugas que são também beleza. Há ainda as que guardam segredos, desvendando-se aos poucos, como quem convida à intimidade. Havana é senhora altiva. Veste-se de vestidos antigos e … Continuar lendo O feminino e a cidade: Havana, Belo Horizonte, Lisboa, Cumuruxatiba

Confissões pós sessões de radioterapia

Eduardo de Ávila Já trouxe aqui, nessa conversa semanal, sobre o tratamento que estou me submetendo. Como bem o disse um sobrinho, depois de dez cirurgias, posso me considerar um vitorioso dilacerado. Parece paradoxal, mas não assim considero. Ele até só se referiu ao estado de dilaceramento pelas invasões, a consideração vitoriosa é por minha conta e pretensão. Entre essas tantas vezes que já fui … Continuar lendo Confissões pós sessões de radioterapia