Todas as minhas mortes - Fonte: Pixabay

Todas as minhas mortes

Daniela Piroli Cabral danielapirolicabral@gmail.com O cardiologista me afirma com segurança: “com esse colesterol, suas chances de morrer do coração nos próximos 10 anos é 0,4%”. A declaração veio após a análise de uma bateria de exames a mim solicitados por queixas de dores agudas e repentinas no coração. Aprendi com um professor da faculdade que, em boas condições de saúde, não devemos sentir o corpo, … Continuar lendo Todas as minhas mortes

Valor sentimental

Daniela Piroli Cabral danielapirolicabral@gmail.com Quando minha avó faleceu, herdei sua cadeira de balanço. Assento e encosto de palha, modelo Thonet. A cadeira de balanço tinha sido da mãe dela, minha bisa Ceci. A cadeira em que ela cochilava depois do almoço. Quando criança, eu gostava de me balançar nela de olhos fechados e cada vez mais veloz. Minha avó bradava: “cuidado para a cadeira não … Continuar lendo Valor sentimental

Orfandade - Fonte: pixabay

Orfandade

Daniela Piroli Cabral danielapirolicabral@gmail.com É, chegou a hora. Chegou a hora de despedir de você, papai. Que susto. Que golpe mais inesperado. Você se foi tão “de repente”. Mas a verdade é que você era uma pessoa “de repente”. Chegou a hora que, a despeito da gente saber que a morte e a única certeza da vida, não estamos prontos. Tudo muda quando a morte … Continuar lendo Orfandade

Chuva de ano novo - Fonte: Pixabay

Chuva de ano novo

Daniela Piroli Cabral contato@danielapiroli.com.br Chove há dias na cidade. A previsão do tempo indica chuvas para a passagem de ano. O sol só vai mostrar sua cara sólida nos primeiros dias do ano, após se certificar que há possibilidades de esperança para além do movimento de translação. Anne está assentada no banco da praça desta cidade cinzenta, observando pai e filha brincarem juntos na gangorra. Eles … Continuar lendo Chuva de ano novo

AAE Stress Resilience

“Você é psicóloga?”

Daniela Piroli Cabral danielapirolicabral@gmail.com É pessoal, hoje é natal e eu me arrisco a dizer que, depois da figura do bom velhinho, não tem ser que cause mais rebuliço e estranheza que um psicólogo. Sim, um psicólogo. Uma espécie de médico da cabeça, misturado com padre e pai de santo, salpicado de pitadas de melhor amigo e de curandeiro. Não, eu não trago a pessoa … Continuar lendo “Você é psicóloga?”

O que não tem remédio - fonte: Pixabay

O que não tem remédio

Daniela Piroli Cabraldanielapirolicabral@gmail.com Há muito tempo me chama a atenção como o senso comum associa a ideia de se “ter saúde” ou de “estar curado” com a noção de se ingerir medicamentos. Claro que se ter saúde é muito mais do que isso. Mencionei num post anterior uma obra da artista Susie Freeman – Phamacopeia, que denuncia os abusos quanto ao uso de medicamentos no … Continuar lendo O que não tem remédio

Bolo de aniversário - Fonte: pixabay

Bolo de aniversário

Daniela Piroli Cabral danielapirolicabral@gmail.com Na última segunda-feira, dia 13, eu fiz aniversário. Comemorei assoprando uma vela de 40 anos num bolo de chocolate com morango. Lógico, o ritual incluiu o pedido de realização de um desejo e uma enorme gratidão por ter chegado aqui até aqui relativamente intacta. Nenhum osso quebrado, nenhum dente arrancado. Alguns cabelos brancos, muitos tropeços, o coração por vezes partido e … Continuar lendo Bolo de aniversário

Dezembro Vermelho: Os aspectos psicossociais relacionados ao diagnóstico de HIV

Daniela Piroli Cabral danielapirolicabral@gmail.com Em 1 de dezembro foi o dia Mundial de Luta Contra a AIDS e, apesar de passados quase 40 anos da “descoberta” da Aids e mais de 20 anos nas primeiras terapias antiretrovirais, ainda persistem dúvidas, questionamentos relacionados à doença e os seus impactos biopsicossociais. Mais ainda, persistem o estigma, o preconceito e dificuldade de aceitação do diagnóstico e do tratamento. … Continuar lendo Dezembro Vermelho: Os aspectos psicossociais relacionados ao diagnóstico de HIV

Fuga - fonte: Pixabay

Fugitiva

Daniela Piroli Cabral danielapirolicabral@gmail.com “É isso então o luto. Ela tem a sensação de que um saco de cimento foi derramado dentro dela e endureceu. Ela mal consegue se mexer.” (Alice Munro, Fugitiva, 2014). Aquele ano seria de muitas mudanças na vida de Amanda. Além dos 18 anos recém completados, o que a permitiria votar e dirigir, a entrada na faculdade era o que ela … Continuar lendo Fugitiva