Quem nasceu há mais ou menos quarenta anos cresceu em um mundo que enfrentava a Guerra Fria e testemunhou os primeiros anos após seu fim. Na época, para o senso comum ocidental, estava muito bem estabelecido quem eram os mocinhos e quem eram os vilões. A cultura pop exaltava as figuras heróicas do Super-Homem, do Capitão América e do Batman e ir aos Estados Unidos era um desejo comum a muitos jovens. Os adolescentes de classe média brasileiros ostentavam mascando chicletes importados e vestindo camisetas com os logos do Planet Hollywood ou do Hard Rock Café.
Hoje em dia, os heróis dos meus filhos e de seus amigos são o Goku, os Pokémons, o Rengoku e, ultimamente – e surpreendentemente -, o Sidarta Gautama. Conheceram esses personagens através de animes ou de outros produtos culturais japoneses (até Buda chegou até eles desta forma). Eles sonham em comer sushi e não ligam para os ‘Vingadores’. Suas colegas conversam sobre as bandas de K-pop e sobre os cremes da marca coreana ‘Medicube”. Cada vez menos querem ir ao “Mc Donald’s” e muitos sequer bebem “Coca-Cola”. Para mim, isso é fortemente indicativo de que a ordem mundial se modificou.
Quando penso no país do Tio Sam, duas coisas me vêm logo à cabeça: sistema de saúde caro e retrocesso nacionalista. Seu atual presidente me parece um figurão eleito por um anseio agudo de retorno aos prévios áureos tempos. Não coincidentemente, ele era um empresário conhecido e celebrado pela mídia décadas atrás, tendo aparecido em um filme muito famoso mundialmente (Esqueceram de mim 2) e sendo apresentador de um popular programa de TV. Aparentemente, sua eleição foi uma tentativa de resgate de algo irreversível.
Temos testemunhado atos controversos executados por seu governo com impacto em todo o mundo. Políticas cruéis anti-imigração, declarações preconceituosas, exposição de condutas prévias criminosas e, mais recentemente, uma grande cortina de fumaça – e sangue alheio – que é esta guerra. Há algo de muito podre no reino da ‘logomarca’. O retrocesso tem sido adoecedor, lunático e mortal. E tome inundar de CO2 a atmosfera e jogar uma pá de cal na história recente da própria nação. Sim, eles têm armas. É isso o que eles têm, assim como os bandidos reais e imaginários.