Sandra Belchiolina
Em que rio você entra e deixa seus frangalhos?
Quantos rios já levaram seus gangalhos, restos de nós que o tempo desamarra?
Há rios que riem, rios que nos riem, rios que seguem sem perguntar destino.
E você segue com eles, entre águas aguadas, agueiradas, nessas correntes que não prometem identidade alguma – Pacífico, Atlântico, tanto faz.
O que importa é o que fica na margem,
o que se despe no fluxo, o que aprende outra forma na beira.
Porque todo rio carrega o que fomos –
e ensaia o que ainda podemos ser.