Entre sons e silêncio

Gosto das meias palavras.
Ou das poucas.

Das reticências
que dão margem à imaginação.

Dos silêncios falantes.
Das falas da natureza.

Dos sons que nos invadem de poesia:

a chuva que cai,
cai,
cai…

o rio que corre,
corre,
corre…

o vento que sopra,
sopra,
sopra…

Do suspiro que diz.
Do ritmo do coração emocionado.
Das gargalhadas que dobram de prazer.
Dos gemidos misteriosos…

O pássaro piou.
O livro folheou.
A cobra rastejou.
A vida aconteceu.

O suspiro se fez.
O som ecoou.
O riso dobrou.
Passarinho cantou
com voz de primavera.

A vida renovou.
A pele da cobra ficou na areia.

O grão
a formiga levou…

A vida entoou
o silêncio do mistério
que o rio levou
mar adentro —
e ali ficou.

Do rio, eu rio.
Do nado, eu nada.

De lá para cá,
a vida
se faz.

4 comentários sobre “Entre sons e silêncio

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