Gosto das meias palavras.
Ou das poucas.
Das reticências
que dão margem à imaginação.
Dos silêncios falantes.
Das falas da natureza.
Dos sons que nos invadem de poesia:
a chuva que cai,
cai,
cai…
o rio que corre,
corre,
corre…
o vento que sopra,
sopra,
sopra…
Do suspiro que diz.
Do ritmo do coração emocionado.
Das gargalhadas que dobram de prazer.
Dos gemidos misteriosos…
O pássaro piou.
O livro folheou.
A cobra rastejou.
A vida aconteceu.
O suspiro se fez.
O som ecoou.
O riso dobrou.
Passarinho cantou
com voz de primavera.
A vida renovou.
A pele da cobra ficou na areia.
O grão
a formiga levou…
A vida entoou
o silêncio do mistério
que o rio levou
mar adentro —
e ali ficou.
Do rio, eu rio.
Do nado, eu nada.
De lá para cá,
a vida
se faz.
A linguagem humana é constituída de uma alternância entre sons e silêncio. Bonito, o seu poema!
Tilah
Ei Tilah! Obrigada. Abração
“De lá pra cá, a vida se faz”
Muito lindo!
“De lá pra cá “
Como uma onda no mar!
Como uma onda. Obrigada