Harry Harlow e a pedra filosofal

Em 1958, Harry Harlow realizou em experimento com macacos a fim de estudar como se dava a formação de vínculos afetivos entre eles e suas mães.

Para isso, utilizou dois modelos estruturais representativos de “mães”. Um era feito de arame, com uma mamadeira de leite embutida. O outro era revestido de pano macio, sem alimento nenhum acoplado.

Harlow observou que os macacos se alimentavam pela mamadeira e logo corriam para se aninharem nas mães de pano, onde permaneciam a maior parte do tempo.

Com isso, concluiu que a necessidade de contato físico era tão importante quanto, ou mesmo maior que a de alimento para a sobrevivência.

Pouco antes disso, na década de 40, o psicanalista René Spitz já tinha observado um fenômeno em crianças hospitalizadas. Ele chamou de hospitalismo a apatia que os pequenos pacientes desenvolviam após serem afastados por tempo prolongado de seus pais. Apesar de continuarem recebendo cuidados de saúde, de higiene e de alimentação enquanto internados, não recebiam afeto e isso impactou negativamente em seu desenvolvimento e até mesmo na cura de suas doenças. Ao mesmo tempo, quando a presença de figuras afetivas era restabelecida, a saúde física respondia com revigoração.

Tais constatações foram importantes para a notória conclusão de que o carinho é condição essencial para a existência, tendo de fato um efeito vital. Extrapolando-se um pouco esta máximo, reflito sobre um singelo episódio que vivi recentemente.

Durante o Carnaval, em uma viagem com amigos, afeiçoei-me a uma bebê, filha de dois deles. Após quatro dias de alegre convivência, fomos realizar as despedidas. Ao me ver distante, a bebê correu em minha direção para dar-me um abraço. Esta cena enlevou-me o espírito a um tal grau de encantamento que repito-a frequentemente na memória para sentir-me contente. Concluí que a manifestação reversa do afeto também faz um grande bem a pessoas de meia idade.

Um comentário sobre “Harry Harlow e a pedra filosofal

  1. As relações envolvendo afeto e bebês, são realmente impactantes.
    Só ver as reações que o pequeno macaco japonês provocou nas pessoas.
    Belo aprendizado para nós humanos.

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