Como quem ama o primeiro amor 

Silvia Ribeiro

Te amo.

De um jeito esquisito, mil vezes por dia, na minha dança e na minha poesia, no meu céu e no meu inferno.

Na ponta dos dedos, como se eu estivesse pisando em areia movediça e tentando encaixá-lo dentro de mim. No imediatismo do meu coração, que me dá um superpoder sobre os meus desejos. E no seu nome, que eu personalizo na minha lingerie.

Quando as lembranças brilham os meus olhos, nas fantasias que me visitam e no sorriso que se abre nas vezes em que, sozinha, no meu quarto, me aproximo do seu corpo.

Quando encontro um papel de bala jogado dentro da minha bolsa, nas horas em que duvido da sua existência, e no instante em que não sei como dizer que quero você de novo.

Te amo.

Nos pingos de chuva, no seu afeto que eu sei que é de verdade, nas canções que eu coloco para pensar em você e na saudade que me belisca.

Porém, não me arrisco em decifrar as suas poucas palavras, a aridez da sua ausência, o seu interior que eu não conheço profundamente e a sua imagem andando por todos os cantos que eu decido ir.

Te amo.

Como quem ama o primeiro amor.

3 comentários sobre “Como quem ama o primeiro amor 

  1. É exatamente assim, um pouco mais ou um pouco menos assombros de fantasias e viagens delirantes que povoam a imaginação do, ou da jovem apaixonada que conhece o amor pela vez primeira. Mesmo que esse amor seja cem por cento platônico, ou até residente apenas nos sentimentos do, ou da pobre apaixonada.
    Bela composição.

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