Ubiquomachistas

Taís Civitarese

Você pode ser moderno o quanto for, lido, letrado, instruído. Pode ser acadêmico, mestre, doutor, phd, progressista. Por vezes laureado, autodidata, culto, benevolente, interessado em mudança. Ainda assim, haverá uma pedra em seu caminho chamada machismo.

O fim do machismo é a desconstrução mais difícil de ser feita por um homem. É o seu calcanhar de aquiles. Tal afirmativa resulta de minha observação e vivência. Quantas pessoas altamente instruídas conheci que se atêm fielmente a esse vernáculo da ignorância.

É o monte Everest do comportamento masculino. Muito, muito poucos o transpõem. Mesmo quem tem teoria. Mesmo quem tem conhecimento. É algo completamente arraigado à socialização de quem tem menos do que dez anos de idade em nosso mundo.

E convenhamos, é uma cessão de poder muito desvantajosa para um homem. Por que o fariam? É extremamente sedutor manterem-se em suas posições. Só mesmo se tiverem uma compreensão muito profunda ou um treinamento diferente desde o berço. As únicas pessoas que já vi assim eram ainda muito jovens.

Cunhou-se o termo “esquerdomachos” para definir esses tipos. Para mim, são os “intelectochistas”. Não importa seu alinhamento político, orientação sexual ou convicções particulares. O machismo, infelizmente, ainda permeia todos, é endêmico.

O esforço para exterminá-lo tem que ser muscular e voluntário. É preciso querer, estar atento, cuidar das palavras e dos pensamentos. Como isso não se mostra, reduz seu poder social e nem confere títulos, nem todos querem praticar tal ginástica. Qualquer ganho que o homem tenha em deixar de ser machista somente é sentido em um foro profundamente íntimo (ou na sociedade, a longo prazo).

Cada um tem as suas escolhas, porém, apenas não venham dizer que são desconstruídos sem transpôr essa básica barreira. Ainda que usem rosa e lavem a louça duas vezes por mês.

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