Silvia Ribeiro
Eu não sou aquela que vai. Eu sou a que fica.
Seja qual for o sentimento que aflora no meu coração, eu fico.
Na minha trajetória, encontrei dias perfeitos, emoções inexplicáveis e alegrias que em determinado momento eu tive que modelar, feito argila escorrendo entre os meus dedos e se transformando em páginas boas para folhear.
E, para não dizer que a vida é um mar de rosas, nos arredores do meu peito encerrei ciclos contra a minha vontade, colecionei traumas que foram estabelecidos por catástrofes externas e conflitos que desempenharam um papel conceituado no meu emocional.
Hoje, sou motivada por afetos que iluminam o meu olhar, amores que ocupam um espaço eterno no meu sorriso, sexo que ultrapassa a linha da matéria e histórias que permanecem.
Depois de tantos pontos finais, trazendo a sensação dilacerante de uma dor que não cura nunca, e que vai muito além da descoberta de um adeus, tenho me dado a paz que eu mereço.
A permanência das pessoas na minha vida não depende mais do que foi adiado ou do que deixou de existir.Tampouco, depende da mensagem que não chega, dos gestos que não me enxergam ou do beijo que não quer a minha boca.
Todas as vezes que eu me olho, penso:
Eu sou a que fica.
Na memória como punição, na saudade que parece um soco emocional e em tudo que vira um momento bom para repetir depois.
Eu sou a que fica.
Nas imagens que valem mais do que mil palavras, nos tons fortes de cada flor e nos desejos que entregaram nas minhas mãos.
Não há nada mais a dizer.
A vida encarrega de nos deixar assim. Cada um de nós, sofremos ou sorrimos com cada página da nossa trajetória.
Essa é a graça da vida.
Eu fico pra cercar a vida que explode em mim. E se não ficar, deixo o pó dos meus dias que se foram serem soprados pelos ventos que trazem a borrasca
Muito lindo!
A vida não é um mar de rosas, por mais que nossos desejos insistam.
A gente fica esperando o amor.
A gente fica esperando a paixão.
A gente fica esperando por afetos, que se vão.
Existe vida além do nosso umbigo.
Existe vida além de Narciso, que acha feio, o que não é espelho.
Viva a vida, largue a infância de um passado que insiste em ser presente.
O importante é viver cada fase com intensidade.
O problema é não amadurecer e misturar as fases.
O problema é ficar e não ser protagonista.
É não ser a única.
É, mais cedo ou mais tarde, ser trocada.
E isso vai acontecer.
Que bom que ainda existe sensibilidade em meio ao caos da existência.