Saúde nesses tempos

Taís Civitarese

Tomei um remédio para não ficar doente. Para não ficar doente, também fui a cinco médicos diferentes, um de cada especialidade. Internei-me no hospital para uma sequência de exames e fiz até uma cirurgia preventiva.

Como senti dores, resolvi tomar vitaminas e ler a bula completa dos analgésicos indicados. Para não ter nenhum efeito adverso, não tomei nenhum.
Comprei um aparelho para medir meus passos, minha musculatura e minhas hemáceas. E importei um outro que mede o oxigênio inalado, meus leucócitos e minhas enzimas.

Meu sono é milimetricamente calculado em horas e minutos. Minha alimentação é pesada em pequenas balanças. Tenho um instrumento que avalia se sonhei, se dormi, se ronquei, se me mexi e qual temperatura eu mantive durante o sono. Confiro seus dados todas as manhãs, obsessivamente.
Meço o comprimento dos meus nervos, o ritmo de regeneração das células do meu fígado e o volume da saliva produzindo pelas minhas glândulas pituitárias. Tudo para manter a minha saúde.

Tomo todos os minerais, íons e aminoácidos em cápsulas para não me faltar nenhum. Avalio usar uma máscara para não inalar o ar da montanha repleto de pólen alérgeno. Não frequento a praia pois a água do mar tem água-viva e bactérias. Não entro em rios pois a água do rio também tem vermes de todas as naturezas.

Não como frutas, pois frutas têm frutose, um veneno. É uma verdadeira insanidade ingerir açúcar!

Sigo saudável, cuidando da minha “saúde” 24 horas por dia.

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