Silvia Ribeiro
De volta aos meus…
A imagem de quem fui, acesa e tão cheia de pigmentos pulsantes do que eu queria ser um dia, avança os portões do tempo como uma andorinha que nunca viu o mar.
Trechos do passado que não podem ser dominados pedem a palavra, e eu dou.
Um corpo que vive dentro de um cubículo e não se protege do amarelado dos dias, supera os nós na garganta sem padecer de abandonos, e com a força estridente da juventude na carne fresca.
Não precisava da ajuda do destino para viver coisas simples, nem supostos habitantes dentro do peito para iluminar a vida. No fundo, sabia que ainda tinha histórias para contar.
Entre os barulhos da rua e a emoção da velha calçada que hospedava multidões, queria agarrar o mundo como se fosse bolas de sabão explodindo urgências, e logo após, devolvê-las ao alto para que contassem tudo para Deus.
Distraída, percorria a sua trajetória sem o horror das tristezas na memória, sendo capaz de não ter medo de nada, e ainda, ter olhos para a alegria que vinha sem que ela precisasse chamar.
O agora me abocanhou.
Vejo, alaridos e gestos que por algum momento, me fizeram acreditar na imortalidade das minhas convicções mais profundas, buscando razões para não me separar delas, e se comportando como uma dama diante de tudo o que foi vivido.
Estradas incertas que inocentemente eu considerava seguras, de longe me observam, e gargalham da altura dos sonhos que eu tive que estancar. Hoje, eu as conheço bem.
O hábito de amaldiçoar todas as coisas e pessoas que não duram para sempre, foi-se embora para que eu respirasse melhor e não ficasse rodando em círculos, tampouco, tentando me alimentar de um passado que não tem mais disponibilidade para mim.
Ao acaso, parei diante daquele rosto que tinha vida jorrando nas veias e o abracei com volúpia, como se abraça um livro sagrado. E depois de alguns minutos o banhei com água e sal das minhas lágrimas.
Senti o aroma de todas as imagens que se aglutinaram na minha retina. Alguns suaves e calmos, me provocaram uma sensação de alento. Outros, apimentados e cítricos, me aproximaram de uma caverna que eu mesma havia construído para entrar de vez em quando.
Avancei, e fui buscar os mistérios que não saíram daquele lugar de afeto, sem a necessidade de todos os saberes expostos numa tela.
Ouvi o chiado da saudade.
Sequer, dei o primeiro passo.
Guardei cuidadosamente todas as cenas que vieram na minha cabeça, e pensei:
Será que um dia eu estarei de volta aos meus?
Linda, reflexão !!!
Linda, reflexão importante !!
Entendo, que séria um pássaro, com vontade de voar.
Entendo seu um pássaro em uma gaiola.
Super bacana!