Virar a chave

Silvia Ribeiro

Existem situações na trajetória da vida que são difíceis de abrir mão. Acredito eu, que desistir de quem se ama esteja no topo da lista.

É aquela lâmina afiada que corta o peito, e ameaça todo o resto do nosso corpo. E não se sentindo satisfeita, ainda insiste em grudar no nosso emocional como um obsessor faminto por tristeza.

Precisamos encontrar um caminho estratégico para diminuir essa rachadura e um combustível vital que regule os nossos batimentos cardíacos. Quem sabe, até usar uma drágea de humor para rir desse desfecho.

Corremos um sério risco de acreditar que o fim do mundo chegou. Pelo menos, no nosso mundo algo descoloriu.

Até entender, que é legítimo apreciar o sol entrando pelas frestas da nossa janela, e que é mais fácil uma felicidade de maneira direta e natural. Sem a intervenção do mundo lógico.

Nem todos as pessoas possuem a habilidade de um coveiro para enterrar uma história de amor, ou de qualquer outro sentimento parecido. Faz parte de um contexto pessoal que envolve várias noções de des(importância).

Portanto, se educar para o novo é uma forma eficaz de começar esse processo de apreciação pela vida. E, principalmente, valorizar uma outra agenda que tenha o nosso nome lá bem guardadinho, na temperatura exata e livre de esquecimento.

Não precisamos apelar pelos clichês que circulam por aí, e permanecer esperando um salva-vidas. Se bem que, uma respiração boca a boca, não seria de todo o mal. Claro, que dependendo do socorrista.

Frases do tipo: Vai ficar tudo bem, o tempo é o melhor remédio, tudo passa, entre outros conteúdos. As vezes, só piora.

Uma realidade nua e crua:

Quem está em sofrimento vai encontrar socorro primeiramente na sua área interna, junto dos seus avessos, das suas crises e do seu coração marejado. Sentindo o verbo “esquecer”, na carne.

Digo, é você com você mesmo.

E em última instância: virar a chave.

2 comentários sobre “Virar a chave

  1. Portanto, se educar para o novo é uma forma eficaz de começar esse processo de apreciação pela vida. E, principalmente, valorizar uma outra agenda que tenha o nosso nome lá bem guardadinho, na temperatura exata e livre de esquecimento.

    Não precisamos apelar pelos clichês que circulam por aí, e permanecer esperando um salva-vidas. Se bem que, uma respiração boca a boca, não seria de todo o mal. Claro, que dependendo do socorrista.

    Frases do tipo: Vai ficar tudo bem, o tempo é o melhor remédio, tudo passa, entre outros conteúdos. As vezes, só piora.

    Uma realidade nua e crua:

    Quem está em sofrimento vai encontrar socorro primeiramente na sua área interna, junto dos seus avessos, das suas crises e do seu coração marejado. Sentindo o verbo “esquecer”, na carne.

    Digo, é você com você mesmo.

    E em última instância: virar a chave.

    Muito de mim nesse texto

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