Um copo d’água e uma sustentação oral não se nega a ninguém

Fonte: Internet
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Tadeu Duarte
tadeu.ufmg@gmail.com

Para você que é preguiçoso, não tem paciência e que não entende nada de juridiquês, eu vou traduzir a estratégia de defesa do Bolsonaro e dos seus companheiros de golpe até aqui.

Pra começar, eu peço para que você imagine uma festa. Mas não uma festa qualquer, uma festa que aconteceu em Brasília e que logo se transformou em uma suruba. Tem fotos, tem vídeos e tem um monte de mensagens que comprovam que ali rolou um insano bacanal.

A defesa de Bolsonaro alega que, apesar de ter mensagens dele chamando a rapaziada pra festa, instigando e prometendo um grande bacanal, ele não tem responsabilidade na putaria porque quando o bagulho começou a ferver de verdade ele já estava em casa.

Já a defesa do General Heleno disse que, apesar dele ter um diário com detalhes de como seria a suruba, quem comeria quem e quem mamaria quem, ele, tadinho, acabou não sendo convidado.

Já a defesa do General Paulo Sérgio afirma que foi ele, veja só, um homem sério, que tentou convencer o Bolsonaro a não fazer uma suruba.

A defesa do Almirante Garnier afirma que seu cliente até poderia ter intenções de praticar uma suruba, ficava imaginando, mas na realidade ele não teria ereção para tudo isso. E, portanto, não pode ser condenado por nada.

Já os advogados de Ramagem e Anderson Torres disseram que eles até estavam na suruba, mas que não praticaram. Voyeur que são, eles só olharam. E que só não foram logo embora da suruba porque estavam de carona com o Bolsonaro.

Já a defesa de Braga Netto lançou o famoso “quem me viu, mentiu”. Ela afirma que seu cliente nunca esteve em uma suruba e que tudo isso não passa de uma imensa fofoca do Mauro Cid, aquele invejoso.

Já o Mauro Cid, veja só, até admite que participou da organização da suruba, que estava presente, mas que permaneceu vestido o tempo todo.

Agora é só substituir a palavra “Suruba” por “Abolição do Estado Democrático de Direito” que você tem um belo resumo da sustentação oral das defesas no julgamento.

(texto do ativista político Orlando Calheiros, encontrado no podcast Medo e Delírio em Brasília, do qual extraí também o título desse texto)

#ANISTIA DE COOL É ROLL

 

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