Um quadro de Van Gogh e como isso me fez ver os amores.

Marcela C. Piancastelli

Quantas vezes você já descobriu que ama depois de já ter amado?

Seriam amores a segunda vista? Perda da identidade?

Ou o amadurecimento do ser em constante renovação?

Me peguei pensando nas coisas em que nos descobrimos apaixonados mesmo após termos amado tantas outras por muito tempo.

Estamos falando de amor entre duas pessoas? não somente, mas do ordinário… sua cidade favorita, sua cor de roupa mais usada, sua opção musical, seu drink preferido, seu livro de cabeceira, a sobremesa daquele restaurante que você vai com frequência.

Quantas coisas como essas foram cíclicas para você? Quantas vezes mais ainda serão? É fantástica a ideia de pensarmos que ainda não descobrimos e amamos tudo que ainda seremos daqui a um curto tempo. Isso traz sabor a vida.

Recentemente conversando com uma amiga que odiava sua cidade natal interiorana, ela me disse que se descobriu sendo muito feliz nela após longos anos odiando e fugindo dali. E se questionou se havia perdido sua identidade, concluímos que o amadurecimento do ser e suas mudanças de prioridades a fazem ser plenamente feliz naquele lugar.

Eu que sempre fui amante de viagens, mas não era uma amante de Museus. Certa viagem a Londres me tornei uma, me descobri amar esse “esporte” mesmo depois de já ter tentado vezes anteriores. Certa tarde após dar de cara com um quadro pintado por Van Gogh no Tate Britain, meus amores mudaram… amei tanto os sentimentos que aquele quadro me fizeram ter no momento em que o olhei que o tatuei na costela realisticamente. Não há hoje uma cidade aonde eu vá, em que eu não coloque Museus como ponto de partida.

A sua próxima cidade, a música que te fizer lembrar e viver bons sentimentos, a sobremesa que você ainda vai experimentar num restaurante que você ainda não foi, o esporte que você ainda não foi a primeira aula, o quadro que você ainda viu, o amor que você ainda não se abriu a conhecer… esses talvez desenhem em sua costela quem você será, e assim vamos amando, renovando e sendo seres e amores em constante movimento.

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4 comentários sobre “Um quadro de Van Gogh e como isso me fez ver os amores.

  1. Lindo texto sobrinha. Somos mutantes… é fruto de nossa criação, divino que somos, crias do Divino. Me pego vez ou outra, nutrindo sentimentos inversos, sobre fatos, pessoas, músicas, filmes, arte… ah a arte, como nos avilta, agride, toca, apaixona, encanta, escandaliza, nutri. Nunca olhamos para a arte, com os mesmos “olhos” de outras vezes… se assim for, não é arte. E penso que o mesmo vale para lugares, fatos e pessoas. “Life is a waterfall… We are the one in the river, and one again after de fall.” System of A Down

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