“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”. Friedrich Nietzsche.
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Há um bom tempo percebi que a realidade não me assusta mais e nem me surpreende. Essa postura blasé, objeto de inúmeras discussões nas minhas aulas de Sociologia, começou a fazer parte da minha rotina na surdina e devagarzinho ganhou espaço. Não tenho consciência se foi pelo cansaço, pandemia ou falta de vergonha, mas não posso deixar de expressar minha profunda tristeza em perceber que o “absurdo” de antes, passou a ser indiferente.
Não me refiro aqui somente a naturalização da violência (que estamos todos sujeitos), a banalização de declarações horrendas de estadistas, a atividade incansável de ignorar uma moto roubada no status de alguém, uma abordagem truculenta policial ou uma briga de trânsito. Me refiro também a apatia à medida que vejo alguns amigos se distanciarem, de tarefas – antes importantíssimas – sendo deixadas de escanteio, e na desesperança contínua em querer simplesmente não fazer mais força para que as coisas aconteçam.
Ainda ando ressabiado com o discurso do autocuidado e das pequenas coisas (como descrevi no texto da última semana). É muito difícil imaginar, no fim de uma terça-feira à noite, que lavar minha pele com um sabonete La Roche-Posay de R$ 80,00 pode apagar o rombo no meu peito de ter assistido uma fila de miseráveis esperando ossos em um açougue para não passar fome. Ao mesmo tempo, o que ninguém acreditaria, é que talvez se eu passasse por esta fila na terça-feira de manhã, ela não me abalaria.
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